23
Aug

I Ciclo de Estudos: Discutindo direitos Históricos a partir do Documentário “Índio Cidadão?”

Conteúdo do curso: Direitos históricos dos povos originários do Brasil.
Estão disponibilizadas 90 vagas.
As inscrições poderem ser feitas pelo site www.sinsc.furg.br até o dia 25/08.
Data da atividade: 27/08/2015, das 18h às 20h, no Auditório da FADIR, Prédio 6 do Campus Carreiros da FURG em Rio Grande/RS.

divulgacao-indio-cidadao

18
Aug

Na luta pela terra e por um mundo mais justo, perdemos um grande lutador!

Francisco dos Santos, liderança Kaingang do Rio Grande do Sul, morreu na manhã desta segunda-feira, 17 de agosto de 2015. Ele sofria de câncer no pulmão.

Seu Chico, como era conhecido, tinha 53 anos e, desde o final da década de 1980, lutava na região metropolitana de Porto Alegre, juntamente com centenas de famílias indígenas, pelo direito a um pedaço de terra para viverem e pela garantia de espaços públicos onde pudessem comercializar os seus produtos, especialmente os artesanatos e as cestarias de taquara e cipó.

Na luta pelo direito de viverem nos espaços urbanos os Kaingang sempre foram duramente perseguidos e questionados sobre o porquê os “índios queriam viver na cidade, se o lugar de índio era na mata”? Seu Chico em sua sabedoria sempre respondia que a terra foi dada a todos os seres e que os colonizadores chegaram e foram se apossando de tudo, tirando um direito que era comum. E, ao se apossarem da terra, construíram sobre ela as cidades, destruíram as matas, os seres que viviam nas matas e contaminaram as águas. Mas antes destes colonizadores os Kaingang já viviam na terra e nunca se distanciaram dos lugares onde os umbigos dos antepassados foram enterrados. As autoridades não aceitam este argumento e, em geral, a sociedade dominante também se nega a entender e acolher os indígenas como parte da terra, da natureza e como partícipes do cotidiano nos espaços urbanos.

Nos debates que travava contra aqueles que faziam oposição a presença indígena em Porto Alegre, São Leopoldo, Canela, Farroupilha, Lajeado, Estrela e tantos outros lugares, Seu Chico sempre dizia  se sentir mais  índio na cidade do que nas reservas criadas para confiná-los, pois nos espaços urbanos ele lutava para resgatar e retomar o que lhes tiraram.

Seu Chico preocupou-se muito com a cultura Kaingang, com seus costumes, crenças, com a manutenção da língua, ou do idioma como ele mesmo falava, aspectos fundamentais para fortalecer o sentido de povo. Em função desse pensamento de Seu Chico e de outras lideranças, nas áreas que foram sendo criadas ou estão em processo de demarcação, a cultura Kaingang é valorizada, seu modo de ser é vivenciado no cotidiano e as crianças crescem aprendendo, em primeiro lugar, a língua Kaingang.

Seu Chico, nos últimos anos, envolveu-se fortemente na luta pela demarcação dos territórios indígenas, participando em reuniões, mobilizações, protestos contra a política de paralisação das demarcações de terras. Esteve por diversas vezes em Brasília juntamente com outras lideranças do Brasil dialogando com autoridades federais para que os direitos consolidados na Constituição Federal fossem assegurados e não destruídos por parlamentares ou governantes que defendem exclusivamente interesses econômicos.

Perdemos nesta vida um grande lutador, mas recebemos dele ensinamentos que se eternizam junto aos militantes das causas indígenas, quilombolas, sociais e ambientais. Causas que ele sempre articulava, pois dizia que as lutas não podiam ser isoladas, mas tratadas em conjunto. No mês de maio participou de uma reunião em Porto Alegre, no Quilombo dos Silva, onde expressou o sentimento de que indígenas e quilombolas são, entre os que sofrem, aqueles que mais foram agredidos, perseguidos, escravizados e os que, na atualidade, têm seus direitos ameaçados por  governos,  políticos e juízes que deveriam respeitar e cumprir a lei. Por isso, afirmava ele, “não podemos fraquejar, temos que manter a união e enfrentar os nossos inimigos em comum”.

Francisco dos Santos foi o nome dado a ele em português, mas em Kaingang os Kujã o nomearam como sendo Rôkag, que na tradução significa “Homem de boas ideias”. Ao longo de sua vida Rôkag nos deixou ensinamentos e ideias que precisam ser valorizados: cuidar da terra, cuidar das matas e de todos os seres nelas existentes. Para Rôkag todos os seres são relevantes para a vida. Dizia ele que as plantas existem porque tem a função de alimentar, proteger, servir de abrigo, remédios. A água é como se fosse o nosso sangue, por isso deve ser protegida, limpa, pura. E a terra é nossa mãe e sobre ela não precisamos nem falar muitas coisas, pois quem é que quer agredir a mãe, matar a mãe, envenenar a mãe? Somente aqueles que não a merecem.

Porto Alegre, 17 de agosto de 2015.

Conselho Indigenista Missionário – Regional Sul.

22
Apr

Chamada de Artigos: Ciências Sociais e diálogos com a História

Prezados/as

Encaminhamos anexada chamada da próxima edição da Revista Enfoques – Revista dos Discentes do Programa de Pós Graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ, tema: Ciências Sociais e diálogos com a História.

As contribuições serão recebidas pelo email revistaenfoques.ufrj@gmail.com até o dia 01 de maio de 2015.

Agradecemos a divulgação.

Equipe Editorial Revista Enfoques PPGSA/IFCS/UFRJ

16
Mar

Edital para seleção de bolsistas do Museu Arqueológico e Antropológico da UFPel

O Programa de Implantação do Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade Federal de Pelotas está com edital aberto para selecionar quatro bolsistas, por se tratar de um projeto multidisciplinar/transdisciplinar/interdisciplinar, a seleção está aberta para os estudantes de todas as áreas de formação acadêmica. O período de inscrições é de 16 – 20 de março de 2015.

Clique aqui para acessar o Edital para seleção de bolsista Museu Arqueológico e Antropológico da UFPel

17
Dec

A contribuição da Antropologia social na abordagem neo-instucionalista na política brasileira

Considerando a hegemonia da abordagem neo-instucionalista no campo da ciência política moderna, onde este modelo, ao contrário do instucionalista prevê a concentração de dados empíricos e reais dos atores sociais, desta forma a antropologia social pode contribuir em muito para a análise da política brasileira, pois sua especificidade é trabalhar a partir do local, buscando a unidade na diversidade, a partir da cultura dos indivíduos, dando vozes aos atores sociais, contribuindo assim para um regime político mais eficaz, justo e humano.

Levantando dados para orientar na liberação de recursos financeiros a esses agentes sociais, e subsidiando os políticos nas tomadas de decisões ou desenvolvimento levando em consideração a cultura local, étnica, etc de um grupo específico ou de uma determinada sociedade.

Os antropólogos também podem orientar as pessoas para a necessidade da formação de uma instituição: seja uma Associação, Cooperativa, ONG,… pois é necessário para os indivíduos dialogarem com os poderes legislativo, executivo, ou governo federal e assim saírem da invisibilidade e marginalidade e garantirem seus direitos individuais e ou coletivos.

Principalmente os antropólogos que pesquisam junto aos coletivos tradicionais, tais como: pescadores artesanais, pequenos agricultores, indígenas, afrodescendentes; e assim instrumentalizá-los para terem acesso a recursos financeiros, garantia de seus direitos étnicos, saúde, aposentadoria, etc. Então será a antropologia social ou os antropólogos os  mediadores entre os indivíduos e o Estado para a eficiência nas políticas públicas em todas as áreas de interesse comum.

Otávio Bezerra (1999, 12) aponta que os parlamentares em seus gabinetes na Câmara ou no Senado atribuem importância aos pedidos de suas bases eleitorais, disponibilizando verbas federais aos Estados e municípios que os elegeram. Para tal entram as relações de apoios entre prefeitos, parlamentares e autoridades governamentais, isto é, “As relações entre os poderes “local” e “central”. O autor também aponta que esta atitude não é hegemônica e os parlamentares incluem em suas tarefas as “Suas atribuições formais, afiliações partidárias, interesses de classe e corporativos” (1999, 13).

Desta forma entre as contribuições que a antropologia social poderia dar para a política brasileira seria auxiliando nas prefeituras das cidades brasileiras, inscrevendo e conduzindo projetos para o município, nas áreas da educação, saúde, promoção de renda, desenvolvimento sustentável, ou seja, fazendo as solicitações aos parlamentares em conformidade com a realidade local, e também levando em consideração o contexto de globalização.

No entanto, a abertura de editais em busca de antropólogos para trabalhar em prefeituras ainda não é consolidado, só em algumas instituições governamentais, o que mais vejo são editais para sociólogos. Cabe aos antropólogos buscarem este nicho de emprego, demonstrando interesse na abertura de editais para compor uma carreira de servidor público junto as prefeituras.

Entretanto, não adianta um profissional capacitado inscrever e concorrer com  projetos para o município e como explica Otávio Bezerra, o poder executivo desviar os recursos das verbas, ou fazer as construções e não inaugurá-las, ou então não dar continuidade ao(s) projeto(s), entre outros exemplos de corrupção. Como apresentado no vídeo “O bem Amado”, onde o prefeito de Sucupira construiu um cemitério que demorou muito para ser inaugurado, o motivo foi os desvios das verbas, e as construções de  túmulos pequenos, os quais um adulto não poderia ser sepultado. Exemplos assim, nós vemos diariamente nas mídias, ou na própria cidade em que moramos, infelizmente a corrupção está se agravando cada vez  mais e tornando-se prática comum em muitos municípios brasileiros.

Assim a antropologia pode contribuir para a análise da política brasileira abordando em suas pesquisas as questões políticas do seu contexto de trabalho e pesquisa, sejam de coletivos urbanos ou rurais, de brancos, indígenas ou afro descendentes, etc. Trazendo as suas especificidades, subsidiando os políticos dentro do possível para a construção de uma sociedade mais justa e humana para todos.

Por: Cátia Simone Castro Gabriel da Silva
Discente do Bacharelado em Antropologia Social e Cultural – UFPel

Referência bibliográfica:
Bezerra, Marcos Otávio. Em nome das “bases”: política, favor e dependência pessoal. Rio de Janeiro: Relume Dumará: Núcleo de Antropologia Política, 1999.

 

10
Oct

Edital para Mestrado em Antropologia na UFPel

A Universidade Federal de Pelotas e a Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Antropologia tornam público, para conhecimento dos/as interessados/as, o processo de seleção de candidatos/as ao Mestrado em Antropologia para ingresso em 2015. Mais informações confira o Edital ou acesse o site www.antropologiaufpel.com.br.

Atenção!
Pelo menos 4 destas vagas serão destinadas à Política de Acesso afirmativo, para candidatas/os indígenas, negras/os ou pertencentes a comunidades tradicionais.

3
Aug

Comercialização de alimentos orgânicos na feira ecológica “Ao Entardecer” em Pelotas.

Segundo Júlia Guivant (2003) vivemos numa sociedade individualista e globalizada e a procura por alimentos orgânicos vem crescendo, é uma escolha preocupada na busca de um estilo de vida mais saudável e tem pouco a ver com preocupações ambientais.

A autora conceitua dois tipos de consumidores ecológicos: o “ego-trip” e o “ecológico-trip”, no estilo ego-trip encontram-se os consumidores mais individualistas que buscam produtos naturais só pensando na sua própria saúde, beleza física, forma estética… Para Guillon e Willequet (GUIVANT, 2003, pág 77), neste estilo “O consumo de produtos orgânicos pode ser ocasional, e apenas uma entre outras práticas consideradas saudáveis”.

Já  o estilo ecológico-trip também pode ser considerado um tipo de consumidor ego-trip, porém, as suas decisões de consumo vão além do pensar só em si, “Seria o estilo de vida assumida frente ao meio ambiente ou de responsabilidade social” (GUIVANT, 2003, p. 64).

Na observação participante que fiz na “Feira Ecológica ao Entardecer”, no Largo do Mercado Público em Pelotas-RS, uma consumidora, Sra. Paulina explicou que compra alimentos orgânicos há 15 anos, desde que as feiras começaram aqui no município,  diz que faz esta escolha principalmente pensando na sua saúde, pelo sabor, aparência dos alimentos e por não terem agrotóxicos. Ela ressalta que “Tem pessoas que reclamam que é mais caro, mas não veem o custo x benefício, e também o trabalho das famílias produtoras”.

Assim a compra na feira, direto com o produtor fica claro o exemplo do estilo de consumidor ecológico-trip, este pensa na sua saúde mas também nas famílias produtoras. Já os consumidores nos supermercados sobressairá o estilo ego-trip, pois estarão lembrando só em si e esquecem da responsabilidade social e do meio ambiente.

O produtor Sr. Orlando muito feliz comentou: “…A procura é cada vez maior, hoje chegam aqui dizendo: o médico me indicou que é pra comprar na feira ecológica, e há 15 anos atrás o médico não indicava.”

Ainda salientou que a demanda é muito grande, pois os produtores abastecem as feiras ecológicas em Pelotas/RS,  os restaurantes Teia Ecológica e ECO, fornecem seus produtos para a alimentação de estudantes da Rede Municipal de Ensino de Pelotas e ao Restaurante Universitário da UFPel.

Outro produtor, seu Guilherme comentou que  “Toda a família trabalha na produção”, essa é a  base da agricultura do tipo familiar. Explicou também que a maioria dos agricultores já produziu alimentos convencionais, mas com as orientações  e os apoios da EMATER, CAPA, Sul Ecológica, e Prefeitura Municipal de Pelotas eles passaram para a produção de produtos orgânicos.

Para ele “O solo tem que estar bom, a produção será boa e não temos pragas na lavoura”.  Para isto utilizam vários métodos alternativos e naturais na preparação do solo, alguns dos recursos são encontrados na própria propriedade, tais como a produção da compostagem com alimentos orgânicos, folhas de árvores, estercos, além de húmus entre outros recursos naturais. O resultado de todo esse esforço na preparação de um solo fértil é recompensado com a colheita de alimentos ricos em vitaminas, sais minerais, nutrientes e sem veneno. Assim encontraremos na “Feira Ecológica ao Entardecer” variedades de hortaliças, legumes, feijões, temperos, geléias, conservas, ovos, mel, algumas frutas, entre outros alimentos.

CERTIFICAÇÃO

Todos os produtores que fazem parte de uma associação e ou cooperativa  podem comercializar seus produtos sem o selo de Certificação de Produto Orgânico, a legislação brasileira foi generosa com o agricultor familiar. A exigência da certificação de Produto Orgânico só é necessária para à venda em supermercados ou para a exportação.

Por: Cátia Simone Castro Gabriel da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia Social e Cultural – UFPel

Referência bibliográfica:
Guivant, Julia S. Os supermercados na oferta de alimentos orgânicos: apelando ao estilo de vida ego-trip. Ambient. soc., Dez 2003, vol.6, no.2, p.63-81.

28
Jul

Publicações no Periódico eletrônico Cadernos do LEPAARQ

Prezados (as),
O Periódico eletrônico Cadernos do LEPAARQ – Textos de Antropologia, Arqueologia e Patrimônio (ISSN: 2316-8412) torna pública a chamada de trabalhos inéditos para 2015/01. O escopo do periódico é a divulgação científica nas áreas de Antropologia, Arqueologia e Patrimônio, publicando as seguintes sessões:
(1) artigos, (2) relatórios e notícias institucionais e (3) resenhas, (4) ensaio visual, (5) notas de pesquisa.

A submissão dos trabalhos deve ser realizada até 31 de dezembro de 2014. As contribuições devem ser submetidas através do sistema eletrônico do periódico: http://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/lepaarq/index
Para maiores informações entrar em contato com Rafael Guedes Milheira pelo e-mail: milheirarafael@gmail.com

Solicitamos ampla divulgação!

Att.

Rafael Milheira