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Dec

A visita dos mbyá guarani Lorenzo e Santa do Tekoa Kapi’i Ovy ao NETA/UFPel

O NETA Núcleo de Etnologia Ameríndia da UFPel em sua programação atual de estudos voltada para os guaranis-missioneiros e aos tapes, teve o prazer de receber a visita dos mbyás Lorenzo Benites e sua família na reunião de hoje,  9 de dezembro, observando a questão de gênero, uma característica da cultura guarani onde fica legado ao homen a oratória e a mulher cuidar das crianças e vender os artesanatos, o Sr. Lorenzo iniciou contando-nos que seus pais eram naturais da Argentina e migraram para o Brasil,  ele nasceu em Caçapava do Sul, também morou na Aldeia Canta Galo em Porto Alegre e esteve acampado na ponte do Retiro, ver foto abaixo, ali ele confeccionava e vendia artesanato na beira da estrada.

Ponte Retiro

Neste local recebeu a visita de uma assistente social, onde pediu a ela um lugar para morar, foi assim que eles foram para a Aldeia Tekoa Kapi’i Ovy (Capim verde), localizada na Colonia Maciel em Pelotas/RS.  O Sr. Lorenzo disse com sentimento “eu não quero mais viver na beira da estrada, agora estou feliz, plantando para o sustento da família e criando os meus filhos”.

Esta aldeia pertence aos mbyas-guaranis a 30 anos, a mobilidade características deste povo fez com que a Tekoa fosse habitada e desocupada várias vezes, no entanto essa família está fazendo dela o seu lar, ocupando-a  há três anos e meio, onde manifestam o desejo de não sair, comentando com felicidade que em janeiro mais duas famílias irão integrar-se ao grupo.

Contou que quando chegaram na aldeia só havia uma casa pequena, não possuia energia elétrica e até o presente a água é de poço. No entanto com as suas economias e auxílios conseguiram aumentar a casa, colocar energia elétrica. Também estão fazendo um pomar de frutas cítricas e parreiras, com simplicidade e alegria relatou que este ano suas parreiras vão produzir uvas, os enxertos são doações do padre Capone, da Igreja Santana da Colônia Maciel,  relatou com tristeza que pediu enxertos para a prefeitura de Pelotas, mas não foi atendido.

A agricultura é uma herança guarani, e na aldeia “Capim Verde” plantam feijão, milho, aipim, batata-doce, as sementes  são guardadas de um ano para o outro ou quando precisam, compram sementes na cidade. No momento não possuem criação de animais, pois um gambá comeu uma ninhada de pintinhos.

O casal possui 6 filhos, quatro meninas e dois meninos, o Sr. Lorenzo falou do desejo de ver as filhas e filhos estudando pois no momento só o primogênito estuda. Todos os filhos falam o guarani, só o mais velho compreende e fala português e a professora bilingue está na escola somente no turno da noite, impossibilitando as crianças pequenas de frequentarem a escola, causando desta forma a falta de alfabetização, o que de forma indireta configura a infração por parte do Estado no Capítulo IV, Artigo 53 do Estatuto da Criança e do Adolescente. O pai demostrou tristeza por não existir na escola uma professora que falasse a sua língua e também por condições próprias para a educação das crianças, como vestuário  e material escolar.

A subsistência da família vem do artesanato, confecção de colares de sementes, esculturas de madeiras e cestarias de lâmina de taquara, os preços variam de R$ 10,00 a R$ 30,00. A taquara é muito utilizada na confecção das cestarias, porém é escassa para eles, e por isso  está impossibilitando a construção da casa de reza (opy), onde a taquara é empregada na construção das paredes e do teto.

Dica: Clique aqui para visualizar o trabalho AS CRIANÇAS NA FAMÍLIA MBYA GUARANI – de Maria Heloisa Martins da Rosa apresentado no XIX CIC

Por: Cátia Simone Silva
Discente no Bacharelado em Antropologia Social – UFPel

  1. on December 13th at 12:24 am
    Anderson Botelho said:

    Muito legal esse trabalho que o NETA da UFPel está desenvolvendo. Para participar do NETA tem que estar na faculdade, ou a comunidade pode participar também?

  2. on December 15th at 02:24 pm
    admin said:

    Olá Anderson! Que bom que você gostou do nosso trabalho, para participar do NETA não precisa estar na faculdade, é aberto a comunidade em geral e as reuniões acontecem as quintas-feira, as 9:30h na sala C do ICH-UFPel. Será um prazer recebê-lo no NETA.