Categoria ‘ABA’ Antropologia

22
Jan

Submissão de artigos no GT 81 “Antropologia das Populações Costeiras: Práticas Sociais e Conflitos”

As inscrições para submissão de propostas de trabalho, podem ser feitas até 10 de março de 2014. 

GT 81 “Antropologia das Populações Costeiras: Práticas Sociais e Conflitos”, que estaremos coordenando na 29ª Reunião Brasileira de Antropologia (RBA), Expandindo Fronteiras. Em Natal (RN) entre os dias 03 a 06 de agosto de 2014.

Resumo:
Alguns grupos sociais, designados como tradicionais, que vivem do extrativismo e da agricultura, entre outras atividades – tais como pescadores artesanais e ribeirinhos em geral – foram ou são habitantes de regiões costeiras e historicamente têm sido impactados por diversos fenômenos, tais como a expansão metropolitana, o turismo, a carcinicultura, os parques eólicos e as formas de controle oficial em áreas de interesse ecológico. Este Grupo de Trabalho pretende reunir resultados de pesquisas empíricas que evidenciem conflitos e tensões entre as populações tradicionais e os vários modelos de uso e ocupação destes territórios costeiros e ribeirinhos. Etnografias e reflexões sobre o direito costumeiro, o conhecimento naturalístico e o manejo dos ecossistemas, as formas de organização política destas populações, suas estruturas econômicas, bem como os conflitos suscitados por diferentes agentes sociais – sobretudo agências estatais, organizações não governamentais e empresas – são alguns dos aspectos que serão discutidos nesta atividade.

Coordenadores:
Roberto Kant de Lima (UFF)
Francisca de Souza Miller (UFRN)
Debatedores:
José Colaço (UFF)
Gianpaolo Adomilli (FURG)
Maristela Andrade (UFPB)

Maiores informações no site da ABA: http://www.29rba.abant.org.br/trabalho/public?ID_MODALIDADE_TRABALHO=1

Cordialmente,
Francisca Miller

10
Sep

Conferência do Prof. Alfredo Wagner na abertura da 28a RBA no dia 02 de julho de 2012 – PUC/SP

Intitulado PRÁTICAS ANTROPOLÓGICAS NO TEMPO DA RECODIFICAÇÃO

O Prof. Alfredo Wagner comentou que os 17 códigos que regem a sociedade estão tendo modificações que interferem nas práticas antropológicas, o “Tempo da recodificação” se refere as dificuldades da antropologia na atualidade.

Para nós que trabalhamos com povos tradicionais, devemos observar principalmente as alterações dos códigos relativos a territorialidade: Código de Mineração de 1967; Código Florestal de 1965; e o Código das águas. Sem esquecermos da regulamentação da Convenção 169, pois essas alterações dizem respeito aos nossos trabalhos de campo.

E ai Wagner chama atenção para algumas categorias e seus conceitos:
Conceito de território;
Conceito de identidade;
Conceito de sociedade.

Pois ele explica que o Ministério da Pesca diz que é “pescador” aquele que “pesca”,  e então muitas famílias ficam excluídas dessa condição, porque além de pescar, cultivam, caçam, ou extraem.

A pesca passou a ser tratada como uma profissão e não mais como uma identidade, no entanto, nas leis de reconhecimento dos povos tradicionais devemos prestar atenção porque na verdade não é uma profissão, é uma identidade. Então há um conflito entre uma identidade coletiva e uma ocupação, entre uma profissão e um elemento identitário.

O dado da profissão, da ocupação se sobrepoem ao da identidade, essa é uma primeira  atenção que se reflete na prática antropológica, havendo dificuldades nas pesquisas, pois temos que especificar claramente e conforme as alterações nos Códigos de quem estamos pesquisando, por exemplo: “Uma pesquisa que se define com pescador tem que cumprir aquilo que está sendo definido à pesca”.

Então teremos pescador enquanto profissão, substituindo pescador enquanto identidade, Wagner chama a atenção sobre essas transformações que terão efeito nos nossos trabalhos e vão ter efeitos sobre os processos de pesquisa.

Alfredo também comentou que na Rio + 20 o mais discutido foi os três pilares do desenvolvimento sustentável, ou seja, a integração entre o social, o econômico e o ambiental, mas que o “fator cultural é essencial e não pode ser abstraido, o dado da identidade e sobretudo aquele da auto definição”, para poder refletir sobre essa situação difícil que nós antropólogos estamos enfrentando com as alterações nos Códigos.

Para quem ainda não viu, vale muito a pena assistir http://www.youtube.com/watch?v=ThG3Fm6D49I

Por Cátia Simone da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia Social e Cultural/UFPel
Integrante do NETA – Núcleo de Etnologia Ameríndia/UFPel e NECO – Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais/FURG

20
Jul

Notícias da ABA: UM ATO NOCIVO E ARBITRÁRIO

A ABA vem a publico manifestar o seu repúdio a recente Portaria No. 303 elaborada pela AGU e publicada no DOU.  A pretexto de homogeneizar o entendimento dos organismos de governo no que tange a aplicação das chamadas condicionantes para o reconhecimento de terras indígenas apontadas pelo STF durante a decisão sobre a TI Raposa/Serra do Sol, esta portaria pretende impor uma leitura da legislação indigenista brasileira em total
dissintonia com os interesses indígenas, com  os princípios constitucionais estabelecidos na Carta Magna de 1988 e com as convenções internacionais das quais o Brasil é signatário.

É um ato totalmente arbitrário e inadequado pretender resolver questões complexas e da maior importância para a ação indigenista mediante uma simples portaria.  As chamadas condicionantes estabelecidas no curso de um
processo judicial específico e cheio de singularidades, não poderiam de maneira alguma ser tratadas de modo caricatural e mecânico, ignorando por completo as múltiplas interpretações antropológicas e jurídicas que podem
receber.

A portaria atropela ainda de maneira grosseira e acintosa a própria ação indigenista e a distribuição de mandatos e competências entre os órgãos públicos. Assim ignora os esforços desenvolvidos pela própria FUNAI e pela Secretaria-Geral da Presidência da República, em amplos foros de debate, no sentido de promover a regularização do direito de consulta, considerando-o procedimento dispensável sempre que algum governismo governamental vier a
entender, por critérios puramente internos, que está lidando com questão de superior interesse nacional (art. 1º, itens 5, 6 e 7). Por outro lado com uma simples canetada e sem qualquer justificativa que o embase, transfere para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade as responsabilidades, o poder de administração e controle sobre uma imensidade de terras indígenas (art. 1º, itens VII, IX e X).

Ao leitor atento a portaria não deixa dúvidas – sem um embasamento doutrinário e sem cercar-se dos devidos cuidados de estudar a questão a fundo e promover os debates necessários a cristalização de um entendimento
democrático, a AGU selecionou questões totalmente diversas colocadas a administração pública no seu trato com as comunidades indígenas e procurou dar-lhes a interpretação mais restritiva e negativa possível aos direitos
dos indígenas.

Por seu primarismo e incongruência, buscando restringir e amesquinhar os direitos indígenas presentes na CF-1988, a ABA considera a portaria 303 um instrumento jurídico-administrativo absolutamente equivocado e pede a sua
imediata revogação.

Bela Feldman Bianco e João Pacheco de Oliveira
Presidente da Associação Brasileira de Antropologia e Coordenador da Comissão de Assuntos Indígenas

Associação Brasileira de Antropologia
Gestão Desafios Antropológicos (2011-2012)

Presidente Bela Feldman-Bianco (Unicamp)
Vice-Presidente Luiz Fernando Dias Duarte (Museu Nacional/UFRJ)
Secretário Geral Daniel Schroeter Simião (UnB)
Tesoureira Geral Cynthia Andersen Sarti (UNIFESP)
Tesoureiro Adjunto Guilherme José da Silva e Sá (UnB)

Diretores
Andrea Zhouri (UFMG)
Carmen Silvia Rial (UFSC)
Gilton Mendes dos Santos (UFAM)
Henyo Trindade Barretto Filho (IEB)

Informativo ABA
Ediçao: Daniel S. Simião / Carine Lemos
Diagramação: Roberto Pinheiro

Universidade de Brasília
Campus Universitário Darcy Ribeiro – Asa Norte
Prédio Multiuso II (Instituto de Ciências Sociais) – Térreo – Sala BT-61/8
Brasília/DF Cep: 70910-900
Tel/Fax:  (61) 3307-3754

Para correspondência:
Caixa Postal 04491
70.904-970
Brasília, DF

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Texto enviado pelo Prof. Dr. Gianpaolo Adomilli
Coordenador do NECO – Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais/FURG/RS

23
Jan

ABA – 28a. RBA – Prazo para envio de propostas para GTs

A Comissão Organizadora da RBA vem lembrar que termina nesta quinta-feira, dia 26/01/2012, o prazo para envio de resumos para um dos 69 Grupos de Trabalho programados para a 28a. Reunião Brasileira de Antropologia, a ser realizada de 2 a 5 de julho de 2012, no campus da PUC-SP, São Paulo, SP.

Participe!

Acesse o site oficial da Reunião, www.28rba.abant.org.br

19
Dec

2º Prêmio ABA/GTZ – Povos Indígenas e Cenários Etnográficos na Amazônia

Edição 2010/2011 – Povos Indígenas na Amazônia: Diálogos de Gestão Territorial.
A Associação Brasileira de Antropologia – ABA, em parceria com a Agência de Cooperação Técnica Alemã – GTZ1, lança a segunda edição do prêmio em que elege uma tese de doutorado e uma dissertação de mestrado, com apoio para sua publicação.
São premiados trabalhos no contexto das reuniões da ABA e da ABANNE sobre a temática “Povos Indígenas na Amazônia: Diálogos de Gestão Territorial”.
Os parceiros deste prêmio, seja da perspectiva da Antropologia brasileira, seja da cooperação alemã com o Brasil, compartilham, há muito, interesse pelo apoio de políticas, programas, projetos e iniciativas de proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas na Amazônia Brasileira.
Nesta perspectiva, o Prêmio ABA/GTZ incentiva a compreensão de cenários de processos de mudança no complexo universo dos povos indígenas e seus territórios, desde as suas relações com a sociedade envolvente.
Processos e eventos na abrangência de mobilização social e política dos povos indígenas tem mostrado, muitas vezes, surpreendentes e reveladoras formas de coexistências do ambivalente e de contradições. Nestes processos se mostram, ainda, as organizações indígenas em interações de organizações da sociedade civil relacionadas com a temática ambiental e indígena com o Estado.
Considerando os cenários de formulação de políticas de gestão de territórios e de ordenamento territorial, articulando-se noções de desenvolvimento sustentável e etnodesenvolvimetno, cabe conhecer os processos e relações de mudanças nas décadas recentes, as leituras e análises produzidas sobre as diversas relações praticadas entre Estado e povos indígenas, os eventos e fenômenos de transformação/reprodução.

Clique aqui para saber mais informações sobre o 2º Prêmio ABA/GTZ

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29
Aug

DOCUMENTO DA ÁREA DE ANTROPOLOGIA PARA A 4ª CNCTI

Associação Brasileira de Antropologia-ABA

Breve diagnóstico sobre a situação da antropologia

A antropologia constitui um campo consolidado e dinâmico no Brasil. No últimos anos, além de sua força tradicional, ela tem caminhado no sentido de ampliar sua relevância internacional, desempenhar um papel de maior importância na formulação de políticas e propostas para a sociedade e renovar seu próprio campo de pesquisa.

Isso tudo, somado ao reconhecimento nacional e internacional pelos seus patamares de excelência, é resultado de uma relação indissociável entre programas de pós-graduação, ensino e pesquisa. Especialmente na última década houve uma crescente expansão dos programas de pós-graduação, tanto no que se refere à formação de recursos humanos quanto à produção científica. Assiste-se a uma inédita criação de cursos de graduação em antropologia em resposta a uma maior demanda por parte de órgãos governamentais, ONGs, institutos de pesquisa, sindicatos, instituições privadas de ensino superior, departamentos e institutos vários, por profissionais formados em antropologia. O número de programas de mestrado e de doutorado praticamente dobrou. Em 2001, havia dez programas de mestrado e seis programas de doutorado em antropologia concentrados em sua maioria no centro sul do país. Hoje são 18 programas de mestrado e 12 de doutorado. Com a expansão, aumentou o número de programas no Nordeste. Os programas de mestrado e doutorado passaram de um curso de mestrado e um doutorado para cinco cursos de mestrado e dois de doutorado. Também na Amazônia Legal, onde o único mestrado em antropologia havia encerrado suas atividades em 2005, foram criados recentemente dois programas de mestrado e de doutorado, respectivamente em Manaus e Belém, um destes resultando de indução da CAPES.

Com base na inter-relação entre pesquisa e docência, antropólogos das várias instituições do país estão realizando pesquisas de ponta na intersecção de várias áreas de conhecimento que são de grande valor para a ciência, tecnologia e inovação. Entre estas estão os trabalhos em antropologia visual – que faz interseção com cinema, fotografia, iconografia, artes em geral, tecnologias da comunicação etc. – e a ampla experiência de pesquisa na Amazônia Legal, tanto no cerrado quanto no pantanal, em que antropólogos têm focalizado a relação entre populações, agrobiodiversidade e conhecimento tradicional, desenvolvimento e padrões de agricultura sustentável, conflitos ambientais, entre outros. Ressalta-se também o papel-chave da pesquisa antropológica na interface com as políticas públicas para grupos “minoritários”, característico do atual momento político nacional e global, bem como a eficaz atuação da antropologia brasileira em prol de uma educação para uma sociedade multi ou intercultural e, portanto, na promoção do reconhecimento e apreciação da diferenças entre povos e etnias. A manutenção e crescimento de uma comunidade antropológica de alto nível são pontos estratégicos para o bom desempenho em cenários republicanos conflitivos nos quais os antropólogos são chamados a atuar. O reconhecimento da seriedade e da qualidade da antropologia brasileira nessa frente exprime-se, por exemplo, na existência de um duradouro e ativo convênio entre a Associação Brasileira de Antropologia e o Ministério Público da União.

Além disso, são igualmente importantes as presenças de duas associações científicas, a Associação Brasileira de Antropologia (ABA, fundada em 1955) e a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciências Sociais (ANPOCS, em 1977), com seus congressos e liderança institucional. A ABA, em particular, tem atuado no contexto internacional em prol da formação do World Council of Anthropological Associations; e o lançamento, pela mesma associação, de uma revista on line, a Vibrant – Virtual Brazilian Anthropology -, com textos de antropólogos do Brasil em inglês, francês e espanhol, contribui decisivamente para um movimento de internacionalização.
Historicamente, a antropologia brasileira se caracteriza por um preponderante interesse por problemáticas relacionadas à etnologia indígena, às populações afro-brasileiras, às questões do campo e das cidades do Brasil, bem como aos diversos aspectos da cultura nacional. Entretanto, na década de 1980, começou um processo paralelo de internacionalização da pesquisa de campo resultante do interesse de alguns pesquisadores em fazer pesquisa fora do Brasil, da crescente atração de alunos de outros países (em especial, mas não somente, da América Latina), assim como do interesse cada vez maior por estudos comparativos no âmbito de convênios e intercâmbios bilaterais. Dessa forma, passa-se a gerar pesquisas não apenas na América Latina, mas na África e em países como o Timor Leste e China. Assim, a antropologia brasileira, que sempre teve fortes relações com a antropologia francesa, inglesa e norte-americana, ocupa hoje inegável liderança na América Latina e proeminência em suas relações com a antropologia portuguesa e com os países africanos de expressão portuguesa.

Frise-se, finalmente, que várias instituições e pesquisadores da área de antropologia associaram-se a instituições e pesquisadores de outras áreas e lideram um INCT, o Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos, um dos dois existentes na área estratégica de Segurança Pública, do Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, integrando-se à política pública de ciência e tecnologia voltada para a formação de redes de pesquisadores e instituições, para a produção de conhecimento e de quadros capazes de reproduzi-lo, além de promover sua difusão na sociedade mais ampla.

Confira o documento na íntegra clicando aqui

Fonte:  www.abant.org.br

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