Categoria ‘Agricultura familiar’ Antropologia

21
Jul

Diário de campo em São José do Norte/RS (Ceboleiros)

Por Thamara Costa
Discente Bacharelado em Arqueologia
FURG – Rio Grande/RS

Essa saída de campo foi realizada no dia 19/07/12. Embarquei na lancha das 14h e a ansiedade dominava meu ser. Aproveitei a viagem para pensar qual seria o primeiro lugar que iria: Depósitos de cebola? Sindicato? PROGASA?  Logo, decidi ir primeiramente ao sindicato. Lá me deparei com três moças muito atenciosas. Expliquei que pretendia trabalhar com os “ceboleiros” e umas delas disse: “Você precisa conversar com o Sr. Oracy Troina da Silva! Ainda ontem saiu uma notícia dele no jornal vou ali dentro buscar”. Disseram três locais onde poderia encontra-lo, mas não encontrei. Resolvi ir à biblioteca pública Delfina da Cunha para ver se encontrava alguma coisa a respeito da cebola, PROGASA, festa da cebola e etc.

Chegando à biblioteca encontrei a Pâmela moça que trabalha no turno da tarde e a Sueli bibliotecária. Mostraram tudo que estava ao alcance delas, me sentei em uma mesa e vasculhei todos os papéis. Encontrei informações muito relevantes para a minha pesquisa, por exemplo, um trabalho escolar onde mostra todo o funcionamento dessa indústria, e anexado junto a ele existe cópias de documentos oficiais da PROGASA. Além disso, encontrei trabalhos de conclusão de curso e também dissertações, folhetos anunciando a programação da festa da cebola e um livro intitulado “Guia informativo e turístico 1972- São José do Norte Capital Mundial da Cebola”.

Saindo da biblioteca fui procurar novamente o Sr. Oracy mais conhecido como Oraca ou Pimpão. Finalmente consegui encontra-lo saindo do sindicato e fomos até um bar que ele costuma frequentar. Chegando lá fomos até “os fundos” do bar e sentamos em uma sala e ficamos conversando. Ele já começou falando “Adoro falar, qualquer coisa tu me corta”. Perguntei se poderia gravar a nossa conversa e ele disse “Com certeza guria”. Primeiramente me identifiquei, comentei que gostaria de trabalhar com os “ceboleiros” que a questão da indústria me interessa muito… e ele já me interrompeu “a indústria? Sei tudo de lá, anota aí tenho muito coisa para falar”.

Em 1922, segundo Sr. Oracy São José do Norte recebeu o prêmio “Palma de Ouro” por ter a melhor cebola, mas pela falta de diversificação do produto todo esse prestígio, de incentivo, e de conhecimento todo esse prestígio decaiu. A cebola é o produto que dá mais kilos por hectares. Já no tempo do “Darío” entre 1964-1967 como prefeito ele cedeu um local para começar a obra da indústria com a estratégia de dar um rumo para o excedente da cebola, bloqueando a entrada desse produto e desidratando. Porém, essa ideia não teve sucesso, pois todo o processo para desidratar a cebola era muito caro e não compensava o preço final.

A fábrica no início tinha 360 funcionários revezados em três turnos de 8 horas, e Sr. Oracy salientou muito essa parte porque a PROGASA no seu auge trabalhava 24 horas. Enquanto ele falava fiquei pensando qual a relação de memória dos antigos “ceboleiros” e os atuais.  Sr. Oracy disse que hoje o prédio é ocupado pela prefeitura, onde se encontra um riquíssimo gabinete. Isso me fez refletir, pois as máquinas estão lá jogadas e acredito que não tenha nenhum incentivo em usar pelo menos uma sala para contar a história da indústria e das pessoas que passaram por lá.

Nossa conversa durou quase duas horas, e além dos assuntos da cebola Sr.Oracy comentou sobre a sua vida, arqueologia, religião, gripe espanhol, Portugal porque recentemente foi lá visitar, entre outros assuntos. Despedi-me dele, disse que pegaria a lancha das 18h, agradeci ele pela atenção. Disse que pretendia voltar na próxima semana ou na outra, e ele disse que vai separar umas fotos e uns documentos da PROGASA para mostrar-me.

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Comentário:
Gostei muito do seu diário Thamara! Já no início você expressa o anthropology blue, que é a ansiedade que todos nós sentimos quando vamos à campo, principalmente no início, pois não sabemos ao certo como seremos recebidos, quais serão as dificuldades do campo.
Outra parte interessante foi a busca por materiais na biblioteca, onde você encontrou o “Guia informativo e turístico 1972 – São José do Norte a Capital Mundial da Cebola”, é importante os dados documentais históricos, mas também é interessante privilegiar a história contada pelos próprios ceboleiros, suas cônjuges ou outros atores envolvidos, sendo expressado nas narrativas do Sr. Oracy, pois como explica Halbwachs a memória individual expressa uma memória coletiva.
Parabéns pelo ótimo início de trabalho amiga!
Abração,

Cátia Simone da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia/UFPel

11
Jan

SPOT: Agricultores prejudicados pela estiagem vão ser atendidos pelo SEAF

Os agricultores familiares que sofreram com a estiagem de chuva no sul do país vão ser atendidos pelo Seguro da Agricultura Familiar, o SEAF. O programa assegura produtores com operações de custeio no Pronaf de grandes perdas provocadas por fenômenos naturais, que, no caso, foi a falta de chuva na região.

No Rio Grande do Sul, há 223 mil agricultores familiares com seguro agrícola na safra 2011-2012 e o valor segurado é de R$ 1,5 bilhão. Até a última quinta-feira, 5 de janeiro, foram feitas 12 mil ocorrências de agricultores prejudicados. Os agricultores que identificarem perda acima de 30% devem procurar o agente onde o financiamento foi realizado. O processo continua com o acionamento do técnico, que vai à lavoura diagnosticar o tamanho do prejuízo do proprietário

O agricultor indenizado vai receber 100% do valor financiado mais uma renda de até R$ 3,5 mil, conforme previsto no SEAF.

Para mais informações, acesse a página do ministério na internet. O endereço é www.mda.gov.br

Ministério do Desenvolvimento Agrário
Governo Federal – Brasil: país rico é país sem pobreza

Fonte: www.mda.gov.br/portal/noticias/item?item_id=9162465

9
Nov

Mostra de fotografia das Casas de Farinha Tradicionais de Pernambuco

Casa de farinha Pernambuco

No dia 10 novembro de 2011, às 13h, dentro da programação do XIII Congresso Nordestino de Ecologia – Sustentabilidade de Empreendimentos Ambientais, no Recife (PE, Brasil) acontecerá a mostra de fotografia das Casas de Farinha Tradicionais de Pernambuco e lançamento da publicação sobre o projeto Corredor da Farinha.

» Veja outras fotos da Mostra e baixe a publicação do Projeto em PDF

Sobre a mostra

A visita a 3 casas de farinha em um dia chuvoso na zona da mata de Pernambuco gerou imagens com luz tão linda quanto de estúdio. A pouca luz dos locais retratados obrigou o uso de baixas velocidades que criaram ambientes quase misteriosos e muito intimistas. O resultado do ensaio levou à ideia de uma publicação e logo depois o convite para a realização desta mostra no Recife. (Anna Paula Diniz – fotógrafa e diretora de arte da DoDesign-s)

Sobre o projeto

*texto da Equipe do Projeto Corredor da Farinha

Era uma vez… na zona da mata de Pernambuco, agricultores e agricultoras que preservavam suas tradições e aceitaram o desafio de aprender novas práticas que os deixariam mais fortalecidos sem se desfazerem de suas raízes.

Apesar da mandioca e da farinha serem fonte de renda e alimento essencial na mesa para milhares de pessoas, muitos problemas do processo produtivo não haviam sido resolvidos, como: a manipueira (líquido resultante da prensagem da mandioca para produção da farinha) que era lançada no solo ou despejada diretamente nos rios, as queimadas, o uso intensivo de adubos e agrotóxicos, que agrediam o solo e a água. Além disso, os problemas existentes no cultivo, como a podridão da raiz da mandioca, e a ausência de assistência técnica e extensão rural, deixavam os agricultores desamparados. Por sua vez, os jovens não tinham como projeto de vida trabalhar nas propriedades onde moravam.

Casa de farinha Pernambuco

Como é possível transformar realidades? O amor que os agricultores tem pela terra e sua sabedoria nata sobre os ciclos da vida ajudaram na implantação de novos hábitos e tecnologias.

Hoje, a manipueira, é armazenada em tanques de contenção, serve como adubo orgânico para as lavouras e alimento para as criações de gado. O pesadelo do agricultor, que plantava a mandioca, temendo a podridão da raiz, vem se desfazendo e sendo controlada.

A diversificação de culturas e as práticas agroecológicas foram adotadas pelos agricultores que, agora, plantam feijão, milho, inhame, hortaliças, fruteiras além da mandioca. Assim, garantem a segurança alimentar, além de preservar o meio ambiente e assegurar uma melhor renda e qualidade de vida para todos.

“Meu sítio é minha empresa” – Dona Maria da Massa, agricultora de Feira Nova

Seguindo esta lógica da agricultora, o Corredor da Farinha vem estimulando o empreendedorismo rural, por meio de capacitações sobre gestão de negócios, planejamento da propriedade, comercialização e boas práticas de produção. Além disso, o projeto vem favorecendo ações de apoio à comercialização dos agricultores. Os produtos já são vendidos em restaurantes, lojas e feiras agroecológicas. A empresa Comadre Fulozinha, que faz entregas de produtos orgânicos na região da Grande Recife, através de uma loja virtual, é uma das parceira do projeto. E tem mais: Chefs de Recife e São Paulo estão visitando as comunidades e se tornando parceiros e divulgadores dos encantos gastronômicos da farinha artesanal e dos produtos da agricultura familiar orgânica.

E o que dizer dos jovens do campo? Mãos calejadas, pele queimada pelo sol. Jovens que estão começando a acreditar que podem e devem cuidar e produzir na terra onde se criaram. Sabe-se que há muito o que se fazer para mudar a realidade do agricultor familiar. O desafio não pode ser feito isoladamente. É preciso trabalhar integradamente. A SNE motivou e incentivou mais de mil pessoas, com as quais trabalhou no decorrer dos quatro anos do Corredor da Farinha. Os agricultores acreditaram na proposta e estão participando ativamente no processo. Pode-se dizer que, para enfrentar a mudança, foi construído um caminho de várias vias, numa relação de respeito, harmonia e confiança.

A equipe da SNE está feliz, porque se nutriu de sonhos e de realizações. Plantou e regou sementes (ideias), esperando obter florestas (projetos de vida). Esta é a nossa missão institucional. É a nossa contribuição para um mundo melhor, mais equilibrado e mais ecológico. É assim que entendemos e trabalhamos a tão vistosa e pronunciada palavra – sustentabilidade.

Casa de farinha Pernambuco

O Projeto Corredor da Farinha é desenvolvido pela SNE – Sociedade Nordestina de Ecologia

Fonte: http://www.slowfoodbrasil.com/index.php?option=com_content&task=view&id=478&Itemid=95

20
Mar

Conama analisa propostas de regras para agricultura familiar

As propostas de caracterização de atividades da agricultura familiar e de povos tradicionais como de interesse social para a produção e a recuperação de áreas de proteção permanente foram discutidas em reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) realizada na sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília. Elas poderão integrar uma das quatro resoluções do Conama para o setor ambiental.

Para a diretora de Meio Ambiente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Rosicleia Santos, a caracterização de atividades da agricultura familiar é importante para diferenciar o pequeno e o grande produtor rural. Ela teme que se as duas atividades forem enquadradas sob as mesmas normas, o agricultor familiar será prejudicado.

“O grande foco para nós, da Contag, é que a agricultura familiar seja declarada de interesse social. No campo, acontece muito conflito por causa disso, principalmente por que cada estado trata de uma forma. A gente propõe que essa resolução seja votada, e seja passada adiante na forma como ela já está”, disse.
A reunião também foi a última com a participação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, como presidente do Conama. Ele aproveitou a ocasião para fazer um balanço de suas atividades no comando do conselho.

“O Conama, na nossa gestão de um ano e nove meses, aprovou 16 resoluções muito importantes, ampliando o rigor nas emissões dos veículos, diminuindo o teor de enxofre no diesel, resolvendo a questão de áreas contaminadas, resolução sobre pneus, pilhas e baterias, manejo florestal, essa importante para a Amazônia”, afirmou.

Fonte: www.fomezero.gov.br/noticias/conama-analisa-propostas-de-regras-para-agricultura-familiar