Categoria ‘Antropologia ambiental’ Antropologia

25
Dec

A etnoecologia: uma ciência pós-normal que estuda as sabedorias tradicionais

Victor Manuel TOLEDO
Narciso BARRERA-BASSOLS

RESUMO
O artigo revela uma maneira de valorizar os conhecimentos milenares sobre a natureza dos povos indígenas e rurais do planeta. Esta valorização se denomina Etnoecologia, nova disciplina híbrida, transdisciplinar e pós-normal.  Distinguem-se as duas tradições intelectuais que elaboraram uma compreensão sobre a natureza: a ocidental, forjadora da ciência moderna e a que aglutina diversas formas de compreensão sobre o mundo natural, denominada a experiência tradicional. Assim, é possível distinguir duas ecologias e não só aquela que organiza a ciência moderna e que tornou invisível as ecologias das 7.000 culturas indígenas que resistem à expansão do mundo industrial e que sustentam os ecossistemas planetários.
Torná-las visíveis requer um pensamento crítico que oferece o olhar etnoecológico. Discutem-se os traços principais do conhecimento tradicional. Quem são os sujeitos sociais que o animam. Como se transmite e pratica. Quais são seus resultados simbólicos e práticos. O que nos ensina e como a Etnoecologia revela sua complexidade mediante o estudo do complexo k-c-p, que sintetiza a teorização, representação e produção do mundo sócionatural dos outros. Este jogo duplo que potencia o diálogo de saberes permite ao etnoecologista analisar o mundo dos outros e oferece seu próprio escrutínio sobre esses mundos. Isso permite reinventar possíveis futuros. Finalmente, discute-se por que a Etnoecologia tem a singular tarefa de decifrar a “memória de nossa espécie”, isto é, a memória biocultural, reivindicando e revalorizando a quem a mantêm em vez de aprofundar a crítica sobre o mundo moderno e sua racionalidade intelectual.

Texto completo: PDF

Referência bibliográfica:
TOLEDO, V., BARRERA-BASSOLS, N.. A etnoecologia: uma ciência pós-normal que estuda as sabedorias tradicionais. Desenvolvimento e Meio Ambiente, América do Norte, 20, dez. 2009. Disponível em: http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/made/article/view/14519/10948. Acesso em: 25 Dez. 2012.

17
Dec

Contratação de antropólogo(a)

eco-dimensao

Prezado (a)

Estamos dando início ao novo processo seletivo para contratação de antropólogos(as) para trabalho no Estado do MA, em anexo, no edital, enviamos maiores informações. Pedimos que aqueles que tenha  interesse, se manifestem até 20/12, encaminhando currículo com contatos atualizados.

Precisamos também de assistentes na área de meio ambiente e para pesquisa documental, a preferência é para pessoas do Estado do MA.

As atividades tem previsão de início já no mês de janeiro/2013.

Atenciosamente, Anabel de Lima

ECODIMENSÃO – Meio Ambiente e Responsabilidade Social
contato@ecodimensao.com.br
www.ecodimensao.com.br

7
Nov

Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável: uma análise complexa

Fonte: Revista de Educação Pública, vol. 10, jul/dez, 1997.
http://cgi.ufmt.br/revista
Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável: uma análise complexa1
Lucie Sauvé

Os princípios da Educação Ambiental (EA) declarados na Conferência de Tbilisi (UNESCO & UNEP, 1978) já incluíam os elementos fundamentais para o desenvolvimento sustentável (DS): a necessidade de considerar os aspectos sociais do ambiente e as suas relações entre a economia, o ambiente e o desenvolvimento; a adoção das perspectivas locais e globais; a promoção da solidariedade internacional, etc. Scoullos (1995), o pioneiro em EA desde a geração pré-Estocolmo, observa que “a idéia da proteção ambiental nunca foi cortada da idéia ou da necessidade de um tipo especial de desenvolvimento”. Entretanto, o interesse da nova abordagem em EA e a necessidade da definição do conceito da Educação Ambiental Para o Desenvolvimento Sustentável (EAPDS) tem sido motivo de discussão nos últimos anos. Essa orientação não parece adicionar novos objetivos ou princípios à EA, muito menos propor uma nova abordagem  educativa.

As características da EAPDS, definidas pela TILSBURY (1995), são exatamente as mesmas identificadas previamente por Hart (1981) e pela UNESCO (UNESCO-PNUMA, 1986): holismo, interdisciplinaridade, clarificação de valores e integração,   pensamento crítico, debate , aprendizado ativo, etc. O que, então, é realmente novo? Sem dúvida, é necessário considerar que o conceito da EA foi sempre limitado à proteção dos ambientes naturais (a seus problemas ecológicos, econômicos ou valores estéticos), sem considerar as necessidades dos direitos das populações associados com esses ambientes, como parte integral dos ecossistemas. Também é necessário revisar a ênfase dada aos aspectos relacionados às realidades contemporâneas econômicas ou quando o foco maior recai na solidariedade planetária, presentes nos discursos da EA.

Fonte:
http://www.rebea.org.br/teste/vnoticias.php?cod=884 (1 de 28)12/2/2008 22:52:26
:::::::::: Rede Brasileira de Educação Ambiental ::::::::::

O conceito de DS tem sido associado com a EA para promover modelos baseados na sabedoria da utilização dos recursos, considerando a equidade e a durabilidade. Dentro do Programa Internacional da EA, a UNESCO (UNESCO, 1995a) propõe que o DS é o objetivo mais decisivo da relação dos “homens” com o ambiente. Isso reorienta a EA (UNESCO, 1995-b) e acrescenta um “remodelamento” de todo processo educativo para encontrar esse fim (UNESCO, 1992).

Obviamente, o conceito de DS, promovido pela World Commission on Environment and Development (WCED, 1987) e popularizado na Eco-92 (UNCED, 1992), tem obtido sucesso ao iniciar o diálogo entre os mundos econômicos e ambientais (Desinger, 1990; Slocombe & Van Bers, 1991; IDRC, 1992; Orr, 1992; Mead, 1994; Plant, 1995, etc.). Muito mais do que isso, a adoção da “doutrina” do DS na educação parece ser o maior problema. Em seu artigo “Why I don’t want my children to be educated for sustainable development”, Jickling (1992) denuncia as ações educativas baseadas em concepções e   fundamentos éticos tão duvidosos. Ele argumenta: “a educação deve permitir que os indivíduos pensem por si. A educação “para” o DS… ou a educação “para” qualquer coisa é inconsistente nos seus critérios (p. 8). A  educação deve objetivar o desenvolvimento ideal da humanidade, com ênfase na autonomia e no pensamento crítico. Como podemos ver, as reações contrárias estão mais do que justificadas, principalmente se  considerarmos que os discursos sobre a EAPDS têm sido inadequados, ou quando muito, inconsistentes.

O propósito desse artigo é alcançar uma reflexão crítica entre a EA e o DS. Nós podemos observar de que a noção da EAPDS esconde diferentes concepções:
1) do ambiente;
2) da educação; e
3) do DS.

Nós também podemos observar que todas essas concepções determinam os diferentes discursos e práticas da EAPDS. Isso parece ser muito óbvio. Todavia, quando eles reorientam as bases de decisão nas ações educativas, essas  concepções são raramente esclarecidas (como observou JICKLING, 1993 e 1994). Em outras palavras, quando a ênfase recai na ação, existe uma tendência reduzir ao mínimo qualquer “discussão infrutífera” (UNESCO, 1995-B) desse tópico. Para caminharmos sob uma perspectiva pertinente, é de suma importância revelar e confrontar as concepções sublinhadas na “Educação Ambiental”, caso a concepção de DS seja totalmente adotada ou se for considerada sob o ponto de vista crítico. Esse processo de esclarecimento relacionase com as próprias representações expressas nas práticas e nos discursos alheios. As seguintes tipologias são apresentadas como uma ferramenta para a análise dessas representações.

Fonte: http://www.rebea.org.br/teste/vnoticias.php?cod=884 (2 de 28)12/2/2008 22:52:26
:::::::::: Rede Brasileira de Educação Ambiental ::::::::::

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