Categoria ‘Antropologia da alimentação’ Antropologia

2
Dec

Os queijos artesanais brasileiros, preparados com leite cru, estão em risco de extinção

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Essa é a opinião de produtores, acadêmicos e associações sem fins lucrativos, que estiveram reunidos na última semana em Fortaleza, no primeiro Simpósio de Queijos Artesanais do Brasil.

Um objetivo comum os uniu ali, por três dias de palestras, debates e discussões: preservar os processos seculares de produção desses queijos, que carregam, em si, valores culturais e históricos.

“É mais que um alimento, é uma expressão profunda da nossa forma de vida”, disse Kátia Karan, do movimento Slow Food (a favor da pequena produção camponesa).

Não importa se o queijo é feito no Rio Grande do Sul, nas serras de Minas Gerais ou no agreste pernambucano.

Todos são de “terroir”, ou seja, estão relacionados ao clima, à pastagem e ao tipo de bactérias de cada região.

São feitos em pequena escala com leite cru (não pasteurizado), em propriedades familiares, de receitas tradicionais -o saber fazer passa de geração para geração.

Entraves impostos pela legislação federal – que impede que esses produtos de leite cru circulem no país sem que haja cumprimento de uma série de exigências- são os principais elementos destacados por produtores e entusiastas para justificar a lenta perda dessa tradição.

Em comum, argumentam que a legislação federal é “antiga”, de 1952, inspirada no “higienismo norte-americano”, e impõe “padrões inatingíveis em nome da saúde”.

“A legislação parte do princípio de que o leite precisa ser pasteurizado e despreza essa cultura de queijos produzidos há centenas de anos por causa de um conceito estreito de saúde”, disse Helvécio Ratton, diretor do documentário “O Mineiro e o Queijo”.

“Temos muitos aniversariantes da família com 100 anos. Minha avó morreu neste ano aos 101 anos e 206 dias”, diz Francisco Nogueira Neto, de uma família que produz queijo de coalho há 140 anos no Ceará.

INDÚSTRIA

Para Luciano Machado, produtor da serra da Canastra, em Minas Gerais, o principal problema é “colocar as mesmas normas da indústria ao pequeno produtor”.

“O que não pode acontecer é uma imposição dos valores do mundo industrial para omundo artesanal”, disse Clóvis Dorigon, pesquisador da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina).

Surge, então, o mercado informal desses queijos, nas próprias cidades e entre Estados. “São produtos que não se enquadram na forma da lei e isso não quer dizer que eles tenham problemas. Ilegal é narcotráfico”, diz Dorigon.

Como viabilizar a saída do mercado informal sem excluir agricultores e sem descaracterizar os produtos é o grande problema que envolve esse tema, para a maioria dos participantes do simpósio.

Para o Ministério da Agricultura, o Estado “nunca esteve contra os pequenos produtores”. “A gente não quer proibir, mas a questão é que precisamos regulamentar esse setor”, diz Clério Alves da Silva, chefe do serviço de inspeção de produtos de origem animal em Minas.

Diante das exigências da lei, pela primeira vez surge uma articulação de produtores para pressionar o governo na criação de legislação que os contemple para que possam preservar os queijos artesanais brasileiros.

Texto de Luiza Fecarotta – Enviada especial da Folha de S.Paulo a Fortaleza. Publicado na Folha.com

Fonte: http://www.slowfoodbrasil.com/index.php?option=com_content&task=view&id=487&Itemid=95

9
Jul

A CULINÁRIA INDÍGENA COMO ELO DE PASSAGEM DA “CULTURA” PARA A “NATUREZA”: INVERTENDO LÉVI-STRAUSS

Mártin César Tempass

Resumo

Segundo Claude Lévi-Strauss, a culinária constitui um elo de passagem da etapa da natureza para o estágio da cultura. A partir da pesquisa etnográfica realizada entre os Mbyá-Guarani, o presente artigo analisa esta afirmação sob a luz da cosmologia ameríndia. No entanto, a dicotomia entre natureza e cultura não se aplica aos grupos indígenas, pois, para estes, as categorias natureza e cultura constituem um híbrido. E a este hibridismo podemos acrescentar também o domínio da sobrenatureza. E, em termos de análise, essa configuração hibrida não possibilita haver qualquer tipo de passagem entre um domínio e outro. Mas a passagem é possível entre as três possíveis condições de vida no cosmos: animalidade, humanidade e divindade. Os humanos podem fazer tanto a passagem para a animalidade quanto para a divindade, mas independente da direção da passagem, embora com condições diferentes no cosmos, da humanidade sempre se chegará à animalidade. Ou, nos termos de Lévi-Strauss, da cultura sempre se irá para natureza. Porém, em uma direção os ex-humanos controlarão os seres da natureza, na outra direção eles serão controlados na natureza. E isso não se trata apenas de uma peculiaridade dos grupos indígenas, podendo ser encontrada também nas sociedades ditas “modernas”, embora sob outras roupagens.

Texto completo: culinaria-indigena-elo-cultura-natureza
Fonte: seer.ufrgs.br/EspacoAmerindio/article/view/20874

Enviado pelo Prof. Dr. Rogério Réus
Coordenador do NETA/Núcleo de Etnologia Ameríndia/UFPel
Vice-Coordenador do NECO/Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras Tradicionais/FURG

14
Apr

Indigenous Terra Madre – Encontro mundial dos Povos Indígenas

Há anos o Slow Food Internacional trabalha com numerosas comunidades indígenas nos cinco continentes permitindo que a rede entrasse sempre mais em contato com a realidade do mundo indígena. Esta cooperação proporcionou a compreensão de que os povos indígenas são guardiões não somente de um profundo sentimento de harmonia com a natureza mas exprimem culturalmente uma visão holística da relação do homem com o ambiente. Este comportamento lhes torna importantes interlocutores para a rede Terra Madre, exemplos através dos quais recuperar uma aproximação à natureza e à cultura do alimento.

A visão holística compartilhada com todos os povos indígenas nos recorda que todos nós temos a mesma responsabilidade em relação ao ambiente, à bodiversidade e à produção e ao consumo de alimento. Assim, decidiu-se proporcionar um protagonismo às comunidades indígenas compartilhando com elas o palco da cerimônia de abertura do Terra Madre 2010 em Turim, iniciado com os discursos em língua nativa de cinco delegados indígenas que ressaltaram a importância da diversidade cultural e lingüística, a defesa das etnias e a valorização da memória.

Com estas premissas o Slow Food decidiu abraçar a causa indígena valorizando ao interno da rede Terra Madre a visão indígena do nosso planeta e a importância do saber tradicional e assim também decidiu organizar Indigenous Terra Madre (Terra Madre Indígena), um evento realizado com colaboração com Slow Food Säpmi, Slow Food i Sverige e Slow Food a Jokkmokk (Sápmi, norte da Suécia) de 17 a 19 de junho de 2011.

O evento aprofundará temáticas de interesse dos povos indígenas e terá representantes indígenas da rede de Terra Madre provenientes de todo o mundo. Os representantes indígenas de nossa rede que participarão ao encontro já estão sendo selecionados e contatados para colaborar na definição dos debates a serem realizados. Em Jokkmokk, terra dos Sami, serão discutidas questões associadas ao clima, ao alimento, ao saber tradicional indígena e à importância de salvaguardar a agro-biodiversidade na ótica da filosofia de Slow Food.

Fonte: www.slowfoodbrasil.com/index.php?option=com_content&task=view&id=435&Itemid=95

16
Jan

Portugal de muitos sabores, ou o que comem gaúchos e transmontanos?

Maurício Schneider

mapa Portugal

Para além do bacalhau com batatas e do Manuel da padaria, que muitas vezes povoam o imaginário de nós,  brasileiros, Portugal é uma festa de sabores que compõe, juntamente com ritmos, sotaques, tradições e identidades muito diversas, a mágica desta adorável terrinha. Um país pequeno em extensão, mas que abriga uma notável diversidade cultural, com pessoas e grupos que criam distintos modos de viver, fazer, pensar e responder à natureza que os circunda.

No extremo norte do país, dividindo a fronteira com a Espanha, situa-se a região de Trás-os-Montes, montes esses que separam o litoral português do interior do país e da Península Ibérica. Morando por alguns meses nessas bandas, foi-me inevitável traçar comparações com os pampas gaúchos do sul do Brasil, de onde sou oriundo.

Em primeiro lugar, e mais obviamente, destacaram-se as situações fronteiriças com países hispânicos, ou de influência cultural espanhola. Argentina e Uruguai, no caso do Rio Grande do Sul, e a própria Espanha, no caso de Trás-os-Montes.

mapa Brasil (região Sul)

Em segundo lugar, a imagem de “rudes” e “grosseiros” que deles fazem aqueles ditos “mais civilizados”, de Lisboa ou de São Paulo. Nas duas regiões, é comum o apelo às expressões que remetem à exacerbação da masculinidade, por exemplo. As afirmações, muitas vezes ouvidas, de que os “transmontanos são os melhores” ou que são “homens de verdade” – estão aí geralmente incluídos os vizinhos galegos, que, apesar da barreira política, identificam-se culturalmente. Cabe observar que, historicamente e a despeito da formação dos dois estados nacionais, a zona “galaico-transmontana” se apresenta como uma unidade, desde a formação da província romana da Galécia, com capital em Santiago de Compostela. No que concerne a esse aspecto, as regiões de Portugal e Brasil aqui destacadas foram igualmente cortadas por barreiras políticas que desconsideraram por completo as identificações culturais com os hermanos, relegados ao lado “de lá” das fronteiras – no caso do Rio Grande do Sul, a menção é ao Uruguai e à Argentina, que habitam o mesmo pampa.

A cidade de Chaves, além da rica gastronomia, é um ponto privilegiado de observação da relação de contato e identificação cultural entre a Galiza e Trás-os-Montes. Como zona de fronteira ou raia (barreira porosa, com pontos de passagem, segundo a definição dos nativos), no passado vivia do contrabando e atualmente, juntamente com Verín, cidade vizinha, é uma das primeiras euro-cidades da Comunidade Econômica Européia.

presunto de Chaves

No que diz respeito propriamente à comida, assim como os gaúchos, os transmontanos têm por base de sua alimentação muito mais as carnes vermelhas do que o peixe, distinguindo-se, assim, de outras zonas portuguesas, sobretudo o litoral. Isso não significa que não apreciem os frutos do mar, tais como camarão, polvo ou sardinha, presentes nas festas de São Martinho, quando é celebrada a colheita da castanha. Também o bacalhau não pode faltar, feito de múltiplas formas, como as deliciosas receitas com natas, à Brás, ou à Gomes Sá; no Natal é indispensável, porém aí cozido em postas e acompanhado de couves e batatas, também cozidas.

chega de bois em Montalegre

Apesar de não se restringirem a ela, a tradição do consumo de carne em Trás-os-Montes possui uma grande força. Em Miranda do Douro encontra-se uma raça única de gado, o mirandês, e Montalegre organiza periodicamente as chegas de bois. De outubro a janeiro, em toda a região, são produzidas as alheiras ou enchidos (embutidos), feitos com carne de porco – ou, alternativamente, pão, aves ou coelho (opção de judeus para, à época das perseguições da Inquisição, evitar sua identificação a partir da interdição religiosa do consumo de carne de porco) – e postos para secar à fumaça das lareiras, no inverno. (brigas)

pastéis de Chaves

Em Chaves se produz o tradicional Pastel de Chaves, com recheio de carne e o Presunto de Chaves. Além das carnes, ali há também a tradição na produção de pães. Comem-se ótimos pães de Chouriço no João Padeiro, assim como os fulares transmontanos, feitos de uma massa com ovos e recheados de linguiça e chouriço.

O consumo e a produção de carnes vermelhas em Portugal, no entanto, não está restrito à região de Trás-os-Montes. Lafões, por exemplo, possui Denominação de Origem Protegida (DOP) de sua vitela, enquanto que o Alentejo é grande produtor de gado, além de berço do cozido à portuguesa (prato composto por variedade de carnes e legumes), apreciado em todo o país.

festa dos santos

Anualmente, Chaves também é palco de uma feira de gado e concurso de pecuária, realizados durante a festa dos santos. Nessa altura, também ocorrem mostras folclóricas, tais como concertinas, arruadas de gaiteiros e ranchos folclóricos e uma enorme feira de comércio de rua – uma das maiores do país – onde se vendem roupas e artesanato, entre outros artigos, e onde se reúnem milhares de pessoas, entre ciganos, equatorianos, africanos e, obviamente, galegos. O hábito das feiras é comum em todo o país: todas as cidades, semanalmente, expõem suas feiras de rua.

Quanto à produção de vinhos e azeites, é na região de Trás-os-Montes e Alto Douro onde se produzem os melhores azeites de Portugal, além dos renomados vinhos do Porto e do Douro. Todavia, nessa região também se aprecia um bom vinho alentejano, bem como o vinho verde (feito de uva não maturada). Mas não só nas quintas mais famosas e próximas ao Douro se produz vinho. Por toda a região, as famílias do campo realizam as vindimas (colheita da uva), geralmente em forma de mutirão entre os vizinhos, após o que alguns vendem suas uvas para os espanhóis (que possuem tecnologias mais desenvolvidas, porém pior clima e, portanto, uvas de qualidade inferior para o fabrico de vinhos), enquanto que outros produzem mesmo a bebida final – entre esses é ainda comum esmagar as uvas com os pés e usar o maquinário de antigamente.

vindimas

Mesmo com todas as curiosas semelhanças entre gaúchos e transmontanos, como o gosto pela carne, a produção de vinhos, a posição nos respectivos países, a situação transfronteiriça de contato e identificação cultural, é impossível fugir às situações de etnocentrismos. Há que se registrar o espanto e curiosidade com que encaravam o chimarrão. Perguntando se era um chá, se servia para fumar, como um cachimbo ou tomando um gole e com uma inegável expressão de amargura, passando adiante a cuia. Também costumavam associar o mate não a uma bebida brasileira, mas sim – nem tão espantosamente – a uma bebida argentina.

Por fim, como não poderia deixar de ser, a sobremesa. A tradição doceira de Pelotas (RS) deve-se, em parte, também aos transmontanos. Muitos dos doces que vieram a se constituir em uma tradição conventual em Portugal e, muito depois, chegar a Pelotas como doces finos, surgiram nesta região. Destaque para o pastel de santa clara, popularizado em Coimbra, mas que tem por verdadeiro berço a cidade de Vila Real.

doces portugueses

Portugal é, sem dúvida, uma descoberta gastronômica que mexe com todos os sentidos. Tem-se na comida uma verdadeira conotação de alimento da alma: além da sobrevivência do corpo, cria formas de reciprocidade e estabelece relações sociais. Por tudo, vale a pena conhecer Portugal, suas comidas e sua gente, experimentar o que cada região tem de melhor e saborear essa experiência.

Nota: Várias das belas fotos utilizadas para ilustrar este artigo são de autoria de Fernando Ribeiro e podem ser melhor visualizadas em seu blog:

http://chaves.blogs.sapo.pt/707982.html.

Maurício Schneider é estudante do Curso de Bacharelado em Antropologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), realizando estágio de mobilidade acadêmica junto à Universidade de Trás-os-Montes e Alto D’Ouro (UTAD), campus de Chaves.

30
Dec

Arqueologia Popular e a Farinha de Puba – Marlon Pestana

Este vídeo mostra o processo da fabricação tradicional de farinha de mandioca, chamada Puba na localidade de Sucupira. A tecnologia foi trazida da África, e o sr. Raimundo diz que é uma técnica muito antiga, nesse método tradicional de fabricação de farinha de Puba, enquanto a pá leva a massa de mandioca de uma lado para o outro, o calor vai tostando a farinha e quem está próximo pode sentir um aroma delicioso. Podemos ver todos os objetos da cultura material e o modo de preparação e fabricação da farinha de mandioca.

Quando ele era criança, lembra que a fabricação se dava em fornos de barro, o processo era o mesmo de hoje, porém, em uma pedra com umas latinhas barreadas, ele diz que era mais difícil.  O processo atual foi  aperfeiçoado há aproximadamente uns 50 anos,  a farinha é usada para o consumo e para vender, transformando-se em renda para as famílias.

Assistindo este vídeo lembrei da expressão “Ciência do concreto” de Lévi-Strauss,  onde para o antropólogo francês era a ciência primeira, denominada bricoleur, sendo o substrato da nossa civilização  e não  menos científica como alguns pensavam.

O bricoleur é a semelhança entre a técnica e o pensamento mítico, é  um modo de pensar empírico que durante milênios tentando e errando, as sociedades que nos antecederam adquiriram uma técnica e passaram as outras gerações, o processo se dá nas sociedades até os dias de hoje. O bricoleur interroga as culturas, elabora estruturas, sempre fica aquém e opera através de signos. Aos estudantes e profissionais da antropologia, arqueologia e cientistas sociais interessados em trabalhos junto a esses povos tradicionais, vale a pena assistir o vídeo!

Por Cátia Simone Silva
Discente em Bacharelado de Antropologia Social.

30
Nov

Histórias de Cozinha

Dentro do Projeto de extensão Comida no Cinema/UFPel, coordenado pela profa. Renata Menasche, amanhã será exibido  o filme Histórias de Cozinha.

Para ampliar o cartaz clique aqui.

Para ampliar o cartaz clique aqui.

16
Sep

Comida no Cinema: inscrições reabertas até 29 de setembro – Antropologia UFPel

Refletindo sobre alimentação e cultura a partir da produção fílmica sobre o tema.

Projeto de extensão coordenado pela prof. Renata Menasche acontecerá a cada 15 dias, as quartas-feiras. As inscrições foram reabertas, maiores informações junto ao colegiado de Antropologia – UFPel. O primeiro filme será exibido dia 29 de setembro.

Para visualizar a programação clique no link abaixo:

comida_no_cinema

20
Aug

Video: Gente do Terra Madre (Terra Madre People – Legendado em português)

Pessoas do Terra Madre . People of Terra Madre (legendado em português) from dds videos on Vimeo.

Neste vídeo você pode ver um panorama das pessoas e idéias que se entrecruzam no “Terra Madre – encontro mundial das comunidades do alimento“. Evento que, a cada dois anos, reúne na Itália cerca de 7mil pessoas vindas de 150 países, entre pequenos produtores, agricultores, pescadores artesanais, cozinheiros, pesquisadores e ativistas do Slow Food. Pessoas comprometidas em defender e promover modos de produção que respeitam o meio-ambiente, atentos aos recursos naturais do planeta, à conservação da biodiversidade e justiça social. Saiba mais: slowfoodbrasil.com/content/view/22/40/