Categoria ‘Antropologia rural’ Antropologia

9
Nov

Cultivo de oliveiras e criação de ovelhas em Pinheiro Machado/RS

O texto trata sobre a relação entre paisagem e identidades locais, visto que a paisagem simbólica sugere uma investigação histórica e cultural e está intrinsecamente ligada a paisagem material, esta é modelada pelos usos que o homem faz do espaço.

No caso específico que trata sobre agricultura, os aspectos de uma territorialidade auxiliam na manutenção e ou surgimento de uma determinada economia local, que entre outras especificidades também dizem respeito as identidades sócio culturais de uma pessoa ou grupo. Dependendo do local onde se vive, dos gostos e habilidades dos sujeitos, não deixando de lado os aspectos geográficos, heranças e trocas culturais que permeiam o viver e o trabalhar dos indivíduos. No mesmo instante que nós produzimos uma paisagem, ela também nos produz.

Assim temos o município de Pinheiro Machado, o qual foi identificado como o melhor lugar no Brasil para o cultivo de oliveiras, isso se dá devido aos aspectos da territorialidade e da geografia, tais como: clima, solo e altitude favoráveis. Essas especificidades locais oportunizam boa produção de azeitonas que dão origem a azeites de ótima qualidade e ao aumento de produtores interessados nessa atividade.

Uma peculiaridade é a criação de ovelhas concomitante ao cultivo das oliveiras, assim que as plantas completam três anos, os rebanhos passam a utilizar o mesmo espaço, se alimentando das gramíneas, mantendo assim o terreno limpo de ervas daninhas, o solo pedregoso é ideal tanto às oliveiras quanto as ovelhas, casamento perfeito que beneficia a economia do município.

Na Fazenda Guarda Velha, da família Batalha, encontra-se a maior produção de azeitonas do Brasil, com 90 mil pés cultivados em 300 hectares. Entre as grandes produtoras também tem a Olivarium Indústria de Azeite. No entanto,  não são apenas as grandes empresas que estão produzindo azeites de ótima qualidade, pequenos e médios produtores rurais também, eles fazem o beneficiamento das azeitonas na indústria da família Batalha, no município gaúcho.

O Estado do Rio Grande do Sul é o maior produtor de azeitonas do Brasil, porém a produção ainda é pequena frente a quantidade importada. Aqui no Sul temos espaços suficientes, clima e solo favoráveis para aumentar a produção de azeites, então se conclui que só está faltando produtores com disposição para entrar no ramo do cultivo de oliveiras.

Contextualizando esse caso com autores da antropologia, para Gonçalves (2007) e Debora Leitão (2010), quando se trata de representações identitárias de um indivíduo ou grupo,  os sujeitos, objetos e coisas são indissociáveis estão interligados e mais que representar uma determinada cultura eles expressam uma forma de organização e constituição de identidades.

No caso de Pinheiro Machado a formação cultural dos produtores de oliveiras e ovinos estão interligados com a paisagem, a lida com os animais, cultivo das oliveiras, o solo, as ferramentas, etc. Enfim, tudo isso contribuem para expressar uma identidade sócio cultural local. Assim a cultura material, a imaterial, juntamente com os aspectos do ambiente possuem relações sociais entre si. Segundo Débora Leitão devem ser observados no contexto e não na unidade, e os chama de “objetos construtores” de identidades, memórias e cultura.

Entre outros exemplos os quais podemos apontar, está o cultivo de uvas na região de Caxias do Sul, Bento Gonçalves, região da serra, entre diversos exemplos de economia que tem haver com a territorialidade dos lugares, muitos produtos e saberes são oriundos de herança familiar, até mesmo trazidos pelos imigrantes e reestruturados por seus descendentes, outros nascem ou ressurgem a partir de trocas culturais potencializadas pelos fatores ambientais.

Seria interessante ampliar os estudos com o auxílio da antropologia ecológica de Tim Ingold e a fenomenologia de Merleau-Ponty, pois, ambos concordam com a relação entre humanos e não humanos, natureza e cultura, a interligação entre sujeitos, objetos e coisas.

Cátia Simone Castro Gabriel da Silva
Antropóloga Social e Cultural

15
Nov

Vídeo das Quebradeiras de Coco Babaçu – São Domingos, Pará

As quebradeiras de coco vivem do extrativismo do babaçu nos Estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará.
Em 1995 as trabalhadoras rurais criaram o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), com a finalidade de garantir o direito dessas mulheres à terra e à palmeira (babaçu), o seu meio de sustento e também o reconhecimento como categoria profissional. No processo de extrativismo do coco babaçu, as mulheres aproveitam as folhas e palhas para fazer cestos, com a casca produzem o carvão e com as castanhas é produzido azeite e sabão.

O trabalho das quebradeiras pode ser contextualizado com alguns autores da Antropologia, podemos ver que é constituído de saberes tradicionais locais, diferente dos científicos que são universais. Não são saberes fechados, acabados, mas estão em constante processo de investigação e ressignificação, sendo passados de uma geração para outra através da oralidade (CUNHA: 2009).

Também segundo Lévi-Strauss (O Pensamento Selvagem: 1989), nos conhecimentos tradicionais operam-se  com unidades percentuais, ou seja, é através da percepção das coisas que irão ocorrer as lógicas perceptuais ou míticas. Para esse autor o bricoleur foi a ciência primeira, significa um modo de pensar empírico, onde errando e acertando as sociedades conseguiram atingir as suas técnicas e passá-las as outras gerações. O bricoleur é aquele processo onde a pessoa trabalha com as suas mãos, elaborando estruturas e operando através de signos, com unidades perceptuais e com aquilo que estiver ao seu alcance, estando no nível sensível e da imaginação.

Assim o vídeo relata todo esse universo dos saberes tradicionais e também as questões sociais enfrentadas pelas trabalhadoras.

É muito interessante aos estudantes da área das humanas: antropologia, sociologia, história… que tenham como interesse a temática com as comunidades tradicionais.

Cátia Simone da Silva
Antropóloga Social e Cultural
catia@antropologiasocial.com.br

Referências:
http://www.cerratinga.org.br/populacoes/quebradeiras/   acessado em 15/11/2016 às 11h e 30min.
Cunha, Manuela Carneiro da. Cultura com aspas. “Relações e dissensões entre saberes tradicionais e saber científico”: COSAC NAIF, 2009.
Lévi-Strauss, Claude. O Pensamento selvagem. Campinas: Papirus, 1989.

24
Mar

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL “TERRA E TERRITÓRIO NAS AMÉRICAS: ESTRANGEIRIZAÇÃO DE TERRAS, RESISTÊNCIAS E ALTERNATIVAS”

Em Bogotá de 23 a 26 de agosto de 2016, na Universidad  Externado de Colombia.

CHAMADA de trabalhos (resumos) ATÉ 31 DE MARÇO de 2016
Serão aceitos trabalhos para as mesas de trabalho (detalhes em anexo) no formato de resumos ampliados sobre resultados e avanços da pesquisa de temas relacionados com os cinco eixos temáticos da Conferência. Na seleção dos trabalhos serão consideradas as contribuições para dinamizar as referidas mesas. Os resumos ampliados serão recebidos através do correio tierrasyterritorios@uexternado.edu.co até o dia 31 de março de 2016.

Rede de Estudos Rurais
http://www.redesrurais.org.br/
rdestudosrurais@gmail.com
Av. Presidente Vargas 417, 9o. andar
20071-003 – Rio de Janeiro – RJ

7
Mar

Acampadas em Brasília, mais de mil camponesas ocupam Ministério da Agricultura

Pauta do movimento é a soberania alimentar e reforma agrária, com críticas ao modelo de desenvolvimento do agronegócio

Kauê Scarim

Cerca de 1,2 mil camponesas ocuparam, na manhã desta quinta-feira (7), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em Brasília. As pautas da manifestação, que faz parte da Jornada de Lutas das Mulheres da Via Campesina, giram em torno da soberania alimentar e a reforma agrária.

Segundo Kelli Mafort, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), as manifestantes defendem uma agricultura que garanta a soberania alimentar, “com a produção de alimentos saudáveis, livre de agrotóxicos e com preservação ambiental”.

“Para isso, consideramos a reforma agrária o primeiro passo, com ampla democratização da terra para os trabalhadores e trabalhadoras. Nossa mobilização pressiona o governo para que a reforma agrária seja, finalmente, priorizada”, reivindica a camponesa.

O modelo de desenvolvimento baseado no agronegócio é um dos grandes alvos do movimento. “O modelo expulsa o trabalhador do campo, não produz alimentos para o povo brasileiro. As mulheres são as primeiras a arcarem com as consequências: falta de trabalho, exposição constante a agrotóxicos e venenos, próprios do agronegócio”, completou Mafort.

As camponesas ainda reivindicam o acesso ao crédito, à assistência técnica e a políticas como o Programa de Aquisição de Alimentos e Programa Nacional de Alimentação Escolar e intensificação da campanha de documentação rural.

Além da manifestação desta quinta-feira, as camponesas estão acampadas em um terreno ao lado da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na capital federal. O acampamento, que conta com cerca de 700 pessoas e não tem previsão de término, recebeu o nome de Hugo Chávez, presidente e líder da Venezuela morto no último dia 5.

Há mais de 15 anos, sempre no mês de março, as mulheres se unem em jornada para reivindicar os direitos das trabalhadoras. Segundo Rosana Fernandes, da coordenação nacional do MST, o objetivo principal do acampamento é pressionar o governo para que assente as 150 mil famílias acampadas no país.

Fonte: http://www.seculodiario.com.br/exibir.php?id=5305

25
Dec

A etnoecologia: uma ciência pós-normal que estuda as sabedorias tradicionais

Victor Manuel TOLEDO
Narciso BARRERA-BASSOLS

RESUMO
O artigo revela uma maneira de valorizar os conhecimentos milenares sobre a natureza dos povos indígenas e rurais do planeta. Esta valorização se denomina Etnoecologia, nova disciplina híbrida, transdisciplinar e pós-normal.  Distinguem-se as duas tradições intelectuais que elaboraram uma compreensão sobre a natureza: a ocidental, forjadora da ciência moderna e a que aglutina diversas formas de compreensão sobre o mundo natural, denominada a experiência tradicional. Assim, é possível distinguir duas ecologias e não só aquela que organiza a ciência moderna e que tornou invisível as ecologias das 7.000 culturas indígenas que resistem à expansão do mundo industrial e que sustentam os ecossistemas planetários.
Torná-las visíveis requer um pensamento crítico que oferece o olhar etnoecológico. Discutem-se os traços principais do conhecimento tradicional. Quem são os sujeitos sociais que o animam. Como se transmite e pratica. Quais são seus resultados simbólicos e práticos. O que nos ensina e como a Etnoecologia revela sua complexidade mediante o estudo do complexo k-c-p, que sintetiza a teorização, representação e produção do mundo sócionatural dos outros. Este jogo duplo que potencia o diálogo de saberes permite ao etnoecologista analisar o mundo dos outros e oferece seu próprio escrutínio sobre esses mundos. Isso permite reinventar possíveis futuros. Finalmente, discute-se por que a Etnoecologia tem a singular tarefa de decifrar a “memória de nossa espécie”, isto é, a memória biocultural, reivindicando e revalorizando a quem a mantêm em vez de aprofundar a crítica sobre o mundo moderno e sua racionalidade intelectual.

Texto completo: PDF

Referência bibliográfica:
TOLEDO, V., BARRERA-BASSOLS, N.. A etnoecologia: uma ciência pós-normal que estuda as sabedorias tradicionais. Desenvolvimento e Meio Ambiente, América do Norte, 20, dez. 2009. Disponível em: http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/made/article/view/14519/10948. Acesso em: 25 Dez. 2012.

16
Jul

V Simpósio sobre Reforma Agrária e Questões Rurais: Políticas Públicas e Caminhos para o Desenvolvimento 23, 24 e 25 de agosto de 2012

Dando continuidade  a uma experiência de investigação, que já acumula mais de 25 anos, junto aos assentamentos rurais do Estado de São Paulo estaremos realizando de 23 a 25 de agosto, o   V Simpósio Sobre Reforma Agrária e Questões Rurais, Uniara/Araraquara.

O evento propõe-se a dar continuidade, às discussões e socialização de produtos de pesquisa voltados à agricultura familiar e assentamentos rurais que têm marcado sua trajetória. Estamos ampliando as discussões, que vão passar a abranger o meio rural como um todo (perpassando os assentamentos rurais), perspectiva que será adotada a partir desta edição do simpósio.

Acessando o site http://www.uniara.com.br/nupedor/normas.php você poderá visualizar as Normas para envio dos Trabalhos.

A data limite para envio dos resumos é 23/07/2012.

Qualquer dúvida entre em contato atraves do email simposio.nupedor@gmail.com

Abaixo Programação Completa do Evento:

V Simpósio sobre Reforma Agrária e Questões Rurais: Políticas Públicas e Caminhos para o Desenvolvimento
23, 24 e 25 de agosto de 2012

Centro Universitário de Araraquara – Uniara
Programa de Pós-Graduação (Mestrado) em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente
Núcleo de Pesquisa e Documentação Rural – Nupedor

23/08/2012
Inscrições a partir das 7hs

8:00 Café da manhã
10:00 Mesa de Abertura
10:30
Conferência: POLÍTICAS PÚBLICAS E DESENVOLVIMENTO RURAL
Coordenador: Luis Antonio Barone (Unesp/Presidente Prudente)
Conferencista: Guilherme Costa Delgado (IPEA)

12:30 ás 14:00 Almoço
14:30 Sessões de Apresentação de Trabalhos
Políticas Públicas e Desenvolvimento
Coord. Brancolina Ferreira (IPEA)
Educação, Saúde e Desenvolvimento
Coord. Rosemeire Aparecida Scopinho (UFSCar)
Quilombos, Comunidades Tradicionais e modo de vida
Coord. Emília Piatrefesa de Godoi (Unicamp)
Gênero e Geração
Coord. Elisa Guaraná de Castro (UFRRJ)
18:00 ás 19:00 Café da Tarde
19:00
Mesa 1: SISTEMAS PRODUTIVOS E A QUESTÃO AMBIENTAL
Coordenador: Oriowaldo Queda (Uniara)

Debatedores:
Luiz Otavio Ramos Filho (Embrapa Meio Ambiente/Jaguariúna)
Carlos Armênio Kathounian (Esalq/USP)
Flávio Sacco dos Anjos (UFPel)
Representantante CONAQ – Quilombos
Paulo Yoshio Kageyama (Esalq/USP)
Representante dos Movimentos Sociais

24/08/2012
8:00 Café da manhã
9:00
Mesa 2: EXPERIÊNCIAS DE SEGURANÇA ALIMENTAR NOS ESPAÇOS DO AGRONEGÓCIO:
Coordenadora: Sônia Maria Pessoa Pereira Bergamasco (Unicamp)

Participantes:
Maya Takagi (MDS)
Pedro Ramos (Unicamp)
Sergio Pereira Leite (UFRRJ)
Élio Neves (FERAESP)
Walter Belik (Unicamp)

12:30 ás 14:00 Almoço
14:00 às 18:00 Sessões de Apresentação de Trabalhos
Agricultura Familiar e Redes de Cooperação
Coord. Luiz Manoel de Moraes Camargo Almeida (UFG)
Meio Ambiente e Modelos Diferenciados de Desenvolvimento Rural
Coord. Maristela Simões do Carmo (Unesp/Botucatu) e Marcelo Alario Ennes (UFS)
A Extensão e Inovação na Agricultura Familiar
Coord. Manoel Baltasar Baptista da Costa (UFSCar)
Metodologia de Pesquisa
Coord. Dulce Consuelo Andreatta Whitaker (Unesp/Araraquara)
18:00 as 19:00 Café da Tarde
19:00
Mesa 3: QUESTÕES DE GÊNERO NO MEIO RURAL
Coordenadora: Vera Lúcia Silveira Botta Ferrante

Participantes:
Andréa Butto (AEGRE/MDA)
Ellen Fensterseifer Woortmann (UnB)
Gilvânia Maria da Silva (CONAQ)
Representante dos Movimentos Sociais (Org. Marcha Mundial das Mulheres)
Maria Ignez Paulillo (UFSC)

25/08/2012
8:00 – Visita Técnica ao Assentamento de Reforma Agrária Bela Vista (Araraquara-SP)
12:00 Almoço na Roça (almoço de encerramento)
Programação sujeita a algumas alterações.

10
Apr

Dez dicas para se fazer uma horta boa, limpa e sustentável

hortas_sustentaveis

Aqui estão dez dicas que permitem a realização de uma horta boa, limpa e justa em qualquer lugar do mundo. São regras simples, elaboradas graças à experiência e à competência de quem trabalha no campo. Esse texto foi preparado a partir da experiência do projeto Mil hortas na África, desenvolvido pela Fundação Slow Food para Biodiversidade.

1. Crie a equipe ideal

A primeira coisa a fazer para criar uma horta comunitária que funcione é envolver a comunidade, aproveitando a capacidade de cada um. A comunidade é uma reserva inesgotável de saberes e habilidades.

Os idosos, com frequência, possuem saberes preciosos sobre alimentos tradicionais, sabem como combater insetos nocivos com métodos naturais e assim por diante. Em uma das hortas da Guiné-Bissau, por exemplo, um idoso mostrou aos coordenadores do projeto uma planta autóctone que protege a horta das formigas. Nenhum dos jovens, nem os especialistas, conhecia este remédio.

Os agricultores sabem como cultivar e trabalhar melhor no próprio clima e na própria terra. Os professores podem contribuir na elaboração de atividades educativas complementares. A mídia local pode contar a história do projeto. Os agrônomos podem dar explicações científicas e assistência técnica. Os jovens têm a energia e o espírito de iniciativa para agir.

2. Observe antes de fazer

Aprenda com a história e com outras experiências positivas. Visite outras hortas escolares e comunitárias vizinhas para aprender com o sucesso e os erros dos outros. Observe atentamente o seu território para conhecer as variedade locais, selvagens e cultivadas. Colabore com programas e organizações que trabalham com projetos alimentares sustentáveis.

3. Escolha um terreno disponível

Não precisa ser necessariamente uma área muito grande. No Senegal, a Mbao High School realizou uma horta num terreno ao redor do perímetro da escola, criando um longo canteiro em forma de L. Observe o espaço com olhar criativo e escolha um terreno que possa ser cultivado (Um telhado? Uma ruela?) ou recorra às instituições das comunidades: talvez possam ter terrenos disponíveis.

4. Projete a horta

Antes de sujar as mãos, desenvolva um projeto que defina áreas destinadas a canteiros, composto, caminhos, local para guardar ferramentas etc. A contribuição de agricultores e agrônomos da equipe será preciosa nesta fase, pois sabem onde determinadas espécies crescem melhor e que plantas devem ser cultivadas juntas.

5. Escolha variedades tradicionais

Prefira as variedades tradicionais da sua região, mais adaptadas ao clima e ao solo, as quais se adaptaram ao longo de séculos graças à seleção feita pelo homem. As variedades tradicionais preservam a biodiversidade, são mais resistentes, precisam de menos fertilizantes e pesticidas e são, portanto, mais sustentáveis do ponto de vista ambiental e econômico. Se não souber como encontrá-las (às vezes não são mais cultivadas pelos agricultores locais), procure sociedades de horticultura e grupos de conservação de sementes.

6. Procure as sementes

Se os viveiros locais não tiverem variedades autóctones ou tradicionais, as sementes podem ser encontradas em muitos lugares: bancos de sementes, agricultores, institutos de pesquisa. Um dos principais objetivos da horta é produzir de forma autônoma as próprias sementes, alcançando, pouco a pouco, a autossuficiência. As sementes podem ser produzidas também para as hortas vizinhas; podem ser trocadas na comunidade ou com comunidades vizinhas. Em Uganda, por exemplo, a escola maternal Buiga Sun Rise começou a produzir sementes há alguns anos, mas produz sempre mais do que precisam para a safra seguinte. A solução? Doar as sementes em excesso para as escolas vizinhas, que retornam o favor na safra seguinte, sob forma de sementes diversas.

7. Procure as ferramentas

Faça uma lista de ferramentas essenciais para começar o trabalho e dos objetos que gostaria de comprar no futuro. Desta forma, a coleta de fundos necessários para a horta pode ser executada em diversas fases. Peça contribuições às empresas locais. Use aquilo que já tem; peça a membros da comunidade que vejam entre as suas ferramentas o que pode ser usado. Na República Democrática do Congo, por exemplo, quando necessário, os agricultores de Kinshasa trazem de casa rastelos, enxadas, pás ou regadores, e todos contribuem com dinheiro para comprar o que faltar.

8. Use métodos sustentáveis

As substâncias naturais para melhorar a fertilidade do solo e combater insetos nocivos e doenças são eficazes se parte de um sistema integrado, que inclua também a rotação de culturas (evitando o cultivo da mesma espécie, na mesma estação em anos consecutivos: por exemplo, tomates seguidos de tomates) e cultivos consorciados (plantas que se ajudam mutuamente).

9. Transforme a horta em aula ao ar livre

As hortas são uma ótima oportunidade para ensinar a adultos e crianças sobre as variedades vegetais autóctones, os métodos de cultivo ecológicos, a importância de uma dieta variada. Graças a seu caráter interdisciplinar, permitem o estudo dos mais variados assuntos: história, através de tradições culturais e culturas; geografia, partindo da origem dos produtos; matemática e geometria, no planejamento da horta e no cálculo do valor estimado de seus produtos. Os alunos de uma horta na África do Sul, por exemplo, estudaram o ciclo de vida das borboletas na sala de aula e depois foram para o campo para observar larvas e casulos. As hortas oferecem às crianças a oportunidade de estudar assuntos como tradição alimentar e nutrição correta que, de outra forma, não são abordados em aula.

10. Divirta-se!

Segundo a filosofia do Slow Food, a responsabilidade deve andar de braços dados com o prazer. O que seria de uma horta boa, limpa e justa sem uma boa dose de diversão? As hortas podem fortalecer a comunidade, ajudam os membros a se sentirem parte dela, aproximando gerações e grupos sociais diversos, criando momentos de convívio, solidariedade e amizade.
Em Uganda, por exemplo, o convivium de Mukono organiza todos os anos a festa da fruta e do suco: moradores preparam sucos frescos e comem frutas colhidas nas hortas da escola, festejando com pais, professores e líderes locais.

>> Para uma orientação mais detalhada para a criação de uma horta, consulte o Manual das Mil Hortas na África

>> O ambicioso projeto de criar 1000 hortas na África já passa da metade de seu objetivo (já são 567 hortas e o número continua crescendo!). O que é que você está esperando? Siga os nossos amigos do projeto – da Tunísia à África do Sul – arregace as mangas e comece a semear!

>> Para apoiar o projeto Mil Hortas na África ou para adotar uma horta, visite:
www.slowfoodfoundation.org

Fonte: www.slowfoodbrasil.com

9
Apr

UFRA na Reforma Agrária

UFRA Reforma agraria

O Programa “UFRA na Reforma Agrária” tem por objetivo conferir visibilidade institucional, continuidade e coordenação às múltiplas ações da UFRA, no ensino, na pesquisa e na extensão, realizadas em áreas de assentamento de reforma agrária, ou relacionadas ao tema de outra forma.

A institucionalização do Programa fortalece a parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), favorecendo a articulação das iniciativas da UFRA com os direcionamentos estratégicos e prioridades definidas pelo órgão.

OBJETIVOS DO EVENTO

–  Destacar a proeminência da questão agrária e dos problemas fundiários na Amazônia contemporânea, sob os aspectos sociais, econômicos, políticos e ambientais.

–  Promover o encontro e o diálogo entre especialistas e representantes dos diversos segmentos atuantes na questão agrária e fundiária no Brasil e no Pará.

–  Expor as diversas ações da UFRA em áreas de assentamento de reforma agrária, buscando integrá-las em torno de um mesmo Programa, de caráter institucional, fundamentado nos referenciais metodológicos do programa de assessoria técnica, social e ambiental do INCRA.

–  Celebrar novo Termo de Cooperação Técnica entre a UFRA e o INCRA, visando apoiar e orientar as ações da UFRA em assentamentos selecionados pelo INCRA.

INFORMAÇÕES AOS AUTORES E APRESENTADORES

Os resultados do I Encontro do Programa UFRA na Reforma Agrária serão registrados na forma de um livro, publicado posteriormente ao Evento. A publicação dos conteúdos apresentados é facultada aos apresentadores. Os apresentadores que desejarem ter suas contribuições incluídas no livro deverão encaminhar os artigos para Cyntia Meireles [ cyntia.meireles@ufra.edu.br ] ou Vania Neu [ vania.neu@ufra.edu.br ], até o dia 05 de maio, impreterivelmente. Acesse aqui as normas para publicação de artigos completos. No caso de textos não originais, será preciso comprovar a anuência do detentor dos direitos autorais, para a reimpressão do texto.

INFORMAÇÕES ESPECIAIS

Alimentação: A UFRA oferecerá almoço, no Restaurante Universitário, para até 50 participantes, beneficiários da reforma agrária.

Alojamento: A UFRA oferecerá alojamento no Ginásio de Esportes, para pernoite entre os dias 12 e 13 de abril. O espaço inclui vestiário e sanitários. Os visitantes deverão trazer colchonetes e roupa de cama.

Transporte: A UFRA proverá transporte em micro-ônibus (30 lugares) saindo de Santa Bárbara (PA “Abril Vermelho”) às 07h00min, do dia 12/04, e retornando após o almoço do dia 13/04.

Acesso ao evento e às facilidades: O acesso ao evento e às instalações da UFRA requer preenchimento da Ficha de Inscrição, disponível neste site. Aqueles que não puderem preencher a ficha “on-line”, deverão fazê-lo diretamente na Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), localizada no Prédio Central.

Para mais informações ou acessar a PROGRAMAÇÃO e a FICHA INSCRIÇÃO:
www.portal.ufra.edu.br/index.php/Ultimas-Noticias/ufra-na-reforma-agraria.html