Categoria ‘Antropologia urbana’ Antropologia

26
Nov

Tribos Urbanas

Tribos urbanas são grupos que tem como objetivo estabelecer uma rede de amigos. Normalmente, quem participa destes grupos costumam pensar, agir e se comportar de maneira igual aos outros membros.

A principal ligação entre essas pessoas é o estilo musical, os membros costumam ouvir as mesmas músicas, vestir as mesmas roupas, e usar acessórios iguais. São mais encontrados nas grandes cidades, já que no interior há um certo preconceito diante dessas pessoas, por causa da sua cultura informal.

A expressão “tribo urbana” é usada pelos psicólogos e foi adotada pela população em geral. Surgiu, a partir da revolta com os padrões dominantes, talvez seja por isso que algumas pessoas mantêm certos receios dos grupos. Por fugir do normal, esses aglomerados acabam sendo vítimas de estigmas por parte de pessoas preconceituosas.

Entre os mais conhecidos grupos temos:
punkOs Punks – Denomina-se punk uma pessoa que tem estilos dentro de uma cultura que possuem certas características, como por exemplo a ideia de liberdade, de fazer o que quiser, o interesse pela aparência agressiva e a subversão da cultura. Engloba diversos elementos culturais, como: música, cinema, literatura, moda e comportamento.

Nerd é um termo que descreve uma pessoa que estuda muito, e até exagerado para a sua idade, que não pratica atividades mais populares. Por essa razão, um nerd é muitas vezes excluído de atividades físicas e considerado um solitário. Muitos têm dificuldades de integração social e são atrapalhados, mesmo assim não deixam de ser inteligentíssimos.

emoEmo – É um gênero musical que surgiu à partir do hardcore. O termo é dado às bandas que tocam músicas mais românticas que o habitual. Daí nasceu uma moda de adolescentes caracterizada não somente pela música, mas também pelo comportamento geralmente emotivo e tolerante, e também pelo visual, que consiste em geral em trajes pretos, trajes listrados, sapatos parecidos com All-Stars, cabelos coloridos e franjas caídas sobre os olhos.

Os “hippies” eram parte do que se convencionou chamar movimento de contracultura dos anos 60, chegando no Brasil somente na década de 70. Ganharam fama diante ao uso de drogas lícitas e ilícitas, por serem a favor das questões ambientais, a prática de nudismo e a emancipação sexual.

Além dessas podemos citar ainda: Góticos, Rappers, Pagodeiros, Surfistas, Regueiros, Torcedor Organizado, Patricinhas, Playboys ou Mauricinhos, Skatistas e Axezeiros.

Você se identifica com algum destes grupos? COMENTE!!!

Fonte: faixa-livre.blogspot.com.br/2009/11/tribos-urbanas.html

13
Jun

XI Graduação em Campo: inscrições prorrogadas até 09/07

Até o dia 9 de Julho estarão abertas as inscrições para o XI Graduação em Campo: Seminários de Antropologia Urbana da USP. Seu principal objetivo é promover um espaço para apresentação, discussão e divulgação do resultado de pesquisas etnográficas realizadas por graduandos e estudantes formados recentemente. O evento, que recebe tradicionalmente participantes de todas as regiões do Brasil, conta também, entre outras atividades, com uma conferência de abertura e mini cursos oferecidos por professores do Departamento de Antropologia da USP. São fornecidos certificados de apresentação e participação no evento.
Mais informações: acesse o link http://n-a-u.org/novo/

Comissão Organizadora do XI Graduação em Campo:

Seminários de Antropologia Urbana
Laboratório do Núcleo de Antropologia Urbana
http://www.n-a-u.org/

Enviado pela Profa. Dra. Renata Menasche
Colegiado de Antropologia UFPel/RS

2
Feb

Conferências sobre Antropologia e etnografia em contextos urbanos

Universidade Federal do Rio Grande do Sul
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – BIEV, Navisual, Nupecs

Convidam para as Conferências que realizar-se-ão no primeiro semestre de 2011.

MARÇO

Data: 15 DE MARÇO (3ª feira)
Conferência: Sergio Visacovsky (Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas – CONICET –  Centro de Antropología Social- Instituto de Desarrollo Económico y Social – IDES, Argentina)
Título: Classe média na Argentina: enfoques para estudar histórica e etnograficamente.
Organização: NUPECS (PPGAS, IFCH, UFRGS) e Programa Centros Associados da Pós-Graduação Brasil-Argentina (CAPG-BA)
Coordenador do evento: Ruben George Oliven
Local: Sala Pantheon
Horário: 09h30

Data:  15, 16 e 17 de março de  2011 (das 14h as 19 h)
I Ciclo: ANTROPOLOGIA E ETNOGRAFIA EM CONTEXTOS URBANOS
Porto Alegre, RS, Brasil
LOCAL: Auditório ILEA (Instituto Latino Americano Estudos Avançados), UFRGS (Campus do Vale), Endereço: Av. Bento Gonçalves, 9500, Porto Alegre, RS, Brasil, Telefones: 33086638, 33087158, 33086647, 92663001, Entrada Franca / Atestados R$ 10,00
Programação
15 de março 2011 – terça feira 14h30 – Inscrições
15h30m – Documentário Narradores urbanos: Ruth Cardoso (São Paulo, Projeto Antropologia urbana e etnografia nas cidades brasileiras) BIEV, 2010, 13 min
Intervalo
16 h – Conferência Alba Zaluar (UERJ) – Pesquisa no perigo: experiências antropológicas no contexto urbano
17 h – Intervalo

17h30m – Documentário Narradores urbanos: Ruben G. Oliven (Porto Alegre, Projeto Antropologia urbana e etnografia nas cidades brasileiras) BIEV, 2007, 25m.
18 h – Conferência Ruben Oliven (UFRGS) – Da Aldeia Global à Metrópole Local: Antropologia no Contexto Urbano
16 de março 2011 – quarta feira
14h30m – Mestre Borel: a ancestralidade negra em Porto Alegre. BIEV, 2010, 55m
15h30 – Documentário Narradores urbanos: José G.C. Magnani ((São Paulo, Projeto Antropologia urbana e etnografia nas cidades brasileiras) BIEV, 2008, 20m.
16 h – Conferência José G. C. Magnani (USP) –
17 h – Intervalo
17h30m – Documentário Narradores urbanos: Eunice Durham (São Paulo, Projeto Antropologia urbana e etnografia nas cidades brasileiras) BIEV, 2009, 17m.
18 h – Conferência Eunice Durham (USP) –
17 de março 2011 – quinta feira
14h30m – O Bará do Mercado Público. BIEV, 2008, 55 m.
15h30 – Arqueologias urbanas. Memórias do mundo. BIEV, 1996, 60m.
16 h – Conferência Antonio A. Arantes (Unicamp) –
17 h – Intervalo
17h30m – Documentário Narradores urbanos: : Gilberto Velho (Rio de Janeiro, Projeto Antropologia urbana e etnografia nas cidades brasileiras). BIEV, 2006, 18 m.
18 h – Conferência Gilberto Velho (Museu Nacional, UFRJ) – Antropologia Urbana e Interdisciplinaridade
19h – Encerramento

ABRIL

Ultima semana de Abril? a confirmar
Conferência: Agnes Fine
Título:
Organização: Naci (PPGAS, IFCH, UFRGS), projeto Capes/Cofecub (UFSC, Brasil e Toulouse, França)
Coordenadora do evento: Claudia Fonseca
Local: a combinar
Horário: a combinar

MAIO
Data: 10 DE MAIO  (3ª feira)
Aula magna: Mariza Peirano (UnB)
Titulo:
Organização: PPGAS, IFCH, UFRGS
Coordenador do evento: Cornelia Eckert e Ruben George Oliven
Local: Auditório ILEA
Horário: 09h00

Data: 24 DE MAIO  (3ª feira)
Conferência: Clarice Peixoto (UERJ)
Organização: BIEV/NUPECS (PPGAS, IFCH, UFRGS)
Titulo: Relações intergeracionais: da solidariedade aos maus-tratos.
Sinopse: A coabitação intergeracional implica em uma contribuição material e financeira, mas também um apoio logístico nas tarefas domésticas cotidianas e suporte moral e afetivo. Estes são os elementos que caracterizam a redistribuição intrafamiliar dos apoios e ajudas dispensados por uns e outros. Contudo, é difícil manter a boa distância quando duas, três ou até quatro gerações vivem sob o mesmo teto. Existem tensões e conflitos que geram maus-tratos e abandono. Apresentarei alguns aspectos e dados da solidariedade e da violência familiar, bem como dos maus-tratos institucionais aos velhos.
Coordenador do evento: Ruben George Oliven
Local: Sala Pantheon
Horário: 09h30

Enviado pela Profa. Dra. Lori Altman/UFPel

18
Oct

As cidades de Tristes trópicos

Corpo docente DA/USP

José Guilherme Cantor Magnani
Professor do Departamento de Antropologia – USP

RESUMO: Este artigo repassa, em Tristes trópicos, as observações de Lévi-Strauss sobre o tema da cidade, desde as primeiras impressões quando de sua chegada ao Brasil, passando pela “etnografia dos domingos” na capital paulistana, o surgimento das novas cidades no norte do Paraná, até, finalmente, as multidões em espaços urbanos da Índia, pólo que o leva a estabelecer comparações com as formas características do processo de urbanização no Novo Mundo. Tomando sua leitura como um exercício de análise, o artigo conclui refletindo sobre a oportunidade de contar com categorias que permitam captar, a partir da antropologia, a dinâmica urbana contemporânea.

PALAVRAS-CHAVE: cidade, antropologia urbana, categorias analíticas, metrópole.

Para visualizar o artigo na íntegra, clique aqui

Fonte: www.scielo.br

18
Jul

José Guilherme Cantor Magnani, coordenador do Núcleo de Antropologia Urbana (NAU)

Corpo docente DA/USP

Carolina Simas.
O antropólogo José Guilherme Cantor Magnani, coordenador do Núcleo de Antropologia Urbana (NAU), da Universidade de São Paulo (USP), comenta nesta entrevista como deve ser trabalhado o olhar do pesquisador envolvido com a etnografia urbana, com o desafio de compreender a dinâmica das cidades perante suas fragmentações e com a busca de uma análise dessa dinâmica priorizando os circuitos da cidade utilizados por cada grupo. Os trabalhos desenvolvidos pelo NAU – composto por Magnani, seus alunos e por pesquisadores associados de outras universidades além da USP –, envolvem tanto pesquisas etnográficas realizadas na cidade de São Paulo quanto em outras cidades brasileiras. Eles procuram identificar e analisar regularidades urbanas, construídas pelos próprios atores sociais, usando certas categorias de análise, como o pedaço e o circuito .

Você diz que no momento da pesquisa etnográfica urbana, é muito importante o antropólogo ter um olhar “de perto e de dentro” e não um olhar “de fora e de longe”. Poderia explicar isso melhor?

José Guilherme Cantor Magnani – Eu uso essa proposta de análise, contrastiva, para esclarecer como a etnografia pode contribuir para o conhecimento, por exemplo, da dinâmica urbana em sua aparente heterogeneidade. O olhar “de longe e de fora” seria aquele que prioriza um ponto de vista mais “macro”, que olha a cidade de uma maneira mais geral. O olhar etnográfico é mais detalhista, ele vai privilegiar não as grandes variáveis, mas busca chegar até o plano do modo de vida dos atores sociais. Então, ao invés de procurar entender a dinâmica urbana a partir de determinantes de ordem macroeconômica, demográfica etc (que certamente existem e são condicionantes), vai experimentar um outro caminho para entender como a cidade funciona. Esse caminho é proporcionado pela etnografia e se caracteriza pelo termo “olhar de perto e de dentro”, à medida que opta por uma visão que leva em conta – ainda que não exclusivamente – a dimensão da vida cotidiana dos atores sociais.

Qual o motivo de você achar que o termo “tribo”, quando está se referindo a tribos urbanas, deve ser pensado como uma metáfora e não como uma categoria?

Magnani – A metáfora é um recurso de linguagem que permite iniciar o entendimento a respeito de um fenômeno que ainda não se conhece: é resultado de uma operação mental que desloca um significado de seu contexto original para a nova situação que se pretende apreender; de certa maneira trata-se de um recurso mais aproximativo que explicativo. Afirmo que a maneira como a mídia usa a questão das “tribos urbanas” é metafórica porque ela usa um termo, empregado na etnologia indígena – tribo – e o aplica para a grande cidade, que apresenta outra escala, diferente do contexto onde aquele termo originalmente é empregado. A metáfora que, num primeiro momento, até pode ser interessante, criativa, neste caso termina sendo pouco efetiva porque vai ser usada para identificar “tribos” dentro da cidade numa direção totalmente oposta à que ocorre no contexto indígena. Nas sociedades indígenas, esse termo aponta para estratégias de alianças mais amplas, enquanto sua transposição para a cidade implica em um uso voltado para identificar pequenos grupos isolados e muitas vezes marcados pela violência, como se a violência fosse característica intrínseca das sociedades indígenas. Trata-se, portanto, de uma transposição indevida. Cabe reconhecer, contudo, que esse termo, “tribos urbanas” já está consagrado na mídia, mas, como categoria, não explica, gera equívocos. Termina produzindo um significado que fica distorcido quando transposto para a realidade urbana.

Explique um pouco as categorias “pedaço”, “mancha”, “circuito” e “trajeto” utilizadas nos seus estudos urbanos.

Magnani – Na verdade, elas surgiram por necessidade metodológica de pesquisas realizadas na cidade do porte de São Paulo, onde a heterogeneidade, a diversidade e até mesmo o “caos urbano” aparecem como a tônica. No entanto, quando se olha “de perto e dentro” começa-se a descobrir regularidades e não o caos e a fragmentação como normalmente aparecem na mídia, ou até em alguns estudos. Esse olhar permite ultrapassar a barreira do senso comum e descobrir que os atores sociais, no seu cotidiano – na religiosidade, no trabalho, no lazer, na sua vida associativa – têm padrões de comportamento que são regulares. Para poder captar esses padrões, é preciso empregar certas categorias. A pesquisa antropológica, no contexto urbano, tem que construir o seu objeto de pesquisa, porque ele não existe in natura . O fato de descobrir uma festa religiosa, um grupo de jovens praticando lazer na cidade, isso em si não significa que se tem um objeto de pesquisa. É preciso que o pesquisador, para levantar e organizar os dados, parta de alguma questão, de um problema teórico. E para que a perspectiva “micro” não termine sufocando o estudo, é preciso usar categorias de análise que façam a mediação entre o geral e o particular. No caso de minhas pesquisas, utilizei algumas categorias como “o pedaço”, “o trajeto”, “a mancha”, “o circuito” e “o pórtico”, que fui desenvolvendo justamente para poder identificar na cidade certas regularidades e não me perder na fragmentação. Uma delas surgiu quando estava fazendo uma pesquisa sobre lazer na periferia e me deparei com o uso de um termo absolutamente comum que é o “pedaço”. As pessoas que eu estava entrevistando e observando sempre distinguiam quem era ou não era “do pedaço”. Os que se encontravam naquele lugar, naquela esquina, naquele bar, naquela festa, por exemplo, eram sempre os mesmos. Havia uma espécie de identidade dos frequentadores de um mesmo lugar, que se transformava para eles num ponto de referência comum. E a passagem dessa categoria “nativa” para categoria analítica deu-se quando a coloquei em diálogo com a conhecida dicotomia proposta por Roberto da Matta, “a casa e a rua”. E o resultado foi um triângulo: o pedaço, a casa e a rua. Entre a casa e a rua, havia um espaço intermediário onde se encontram os colegas, os “chegados”, com outro tipo de sociabilidade, diferente tanto das relações que organizam o plano doméstico, como daquelas presentes no âmbito público e impessoal. Assim surgiu uma categoria que permitiu visualizar e descrever uma certa ordem naquilo que aparentemente era a indiferenciação. Para tanto, foi preciso treinar o olhar, aproximá-lo da perspectiva “de perto e de dentro”.

O emprego dessas categorias é o mesmo, tanto no estudo da periferia de São Paulo como no da região central?

Magnani – Há diferenças e semelhanças. Quando comecei a estudar a sociabilidade por meio da categoria do “pedaço” no contexto da periferia, do bairro, ela aparecia muito ligada com a questão da vizinhança que, ao aproximar as pessoas, permitia que conhecessem os gostos, o trabalho, os laços familiares, as preferências esportivas uns dos outros. Essa proximidade e conhecimento mútuo e a consequente construção de laços não se verificavam no centro da cidade. Na famosa Galeria do Rock, onde fiz uma pesquisa com vários alunos meus, o que chamou a atenção foi a presença, num mesmo espaço físico, de gente de variadas procedências: o pessoal que gostava de rock, a galera dos esqueitistas, os tatuadores, os grafiteiros, enfim, eram muitos grupos no mesmo lugar. Percebi, então, que essa categoria de “pedaço”, que funcionava bem na periferia, precisava, aqui, de ajustes. Diferentemente do contexto do bairro, onde as pessoas se conhecem, nesse espaço do centro da cidade, para onde acorre gente de todos os lugares, as pessoas não necessariamente se conhecem, porém se reconhecem , como portadoras de certos sinais, de símbolos, de um linguajar, uma forma de se vestir, de um gosto musical etc. Podiam ser jovens que vinham da Grande São Paulo, do litoral, dos bairros periféricos, mas acabavam se reconhecendo como portadores de padrões e códigos compartilhados.

Como pensar um estudo etnográfico na cidade de Brasília, por exemplo, onde você não tem muito a experiência da rua, de pedestres circulando…

Magnani – Acabo de ministrar, numa disciplina do curso de ciências sociais da USP, uma aula sobre a cidade modernista. Brasília, que é o grande exemplo, foi projetada com base no princípio estabelecido pelo arquiteto e urbanista Le Corbusier, a normatização do espaço urbano. Uma cidade modernista deve cumprir quatro funções: trabalho, moradia, circulação e lazer; na “Carta de Atenas”, Le Corbusier acrescentou uma quinta função que seria o espaço público onde está o centro do poder. Essa cidade bem organizada supõe cada atividade em seu lugar apropriado. Já na cidade tradicional, há mais “misturas”: a rua, por exemplo, é lugar da passagem mas também do encontro. Um exemplo clássico dessa cidade tradicional é Paris da segunda metade do século XIX, com seus bulevares, seus cafés e galerias. Nós estamos mais acostumados com o espaço público compartilhado; numa cidade modernista típica, o espaço é de certa maneira especializado, ele deveria abrigar funções específicas. Mas não quer dizer que aí não haja sociabilidade. Certamente vamos encontrar outras formas, diferentes das que existem numa cidade cortada por ruas convencionais. Para a antropologia, não há nenhum problema em fazer etnografia nesse contexto ou no outro. Brasília vai fornecer outros tipos de sociabilidade. Em termos tradicionais, a rua é como um emblema, porque é aí que se encontram os diferentes. Onde está a rua – ou melhor, a sociabilidade proporcionada por ela – em Brasília? Pode ser que esteja em outro lugar: no shopping center, em algum recorte da superquadra e assim por diante. A antropologia não vai decidir qual cidade oferece melhores espaços de troca e encontro; em cada uma, certamente, haverá espaços para o exercício da sociabilidade.

Existem pesquisas etnográficas do seu Núcleo feitas em outras capitais brasileiras além de São Paulo?

Magnani – Sim, inúmeras. Cito uma, de um aluno, Antonio Maurício da Costa, que fez doutorado comigo sobre o “circuito bregueiro” em Belém do Pará. Como se sabe, o termo “brega” tem outro sentido, lá: um gênero musical que combina músicas do Caribe, da jovem guarda etc e que atualmente é executada com base em equipamentos eletrônicos de grande porte. Trata-se de um estudo etnográfico realizado numa capital que não é do tamanho de São Paulo, mas que, por isso mesmo, estabelece um contraponto interessante com o que ocorre na área do lazer, lá e cá.

O que o NAU está pesquisando no momento?

Magnani – Temos vários grupos com pesquisas novas. O funcionamento do Núcleo tem como base o trabalho e o contínuo debate entre meus orientandos de pós-doutorado, doutorado, mestrado e iniciação científica. De cada uma dessas etapas de treinamento, espera-se uma contribuição especial: um aluno de iniciação pode recorrer a um aluno de doutorado ou mestrado (e vice-versa) com o intuito de compartilhar as pesquisas, a bibliografia, os achados de campo. Essa é a proposta didática do Núcleo: formação compartilhada. E como houve alguns interesses específicos, formei alguns grupos. Temos uma equipe de pesquisa sobre os surdos, que está sendo feita juntamente com membros do Departamento de Letras Modernas e de Linguística da USP. Eles trabalham a parte da língua de sinais e o NAU estuda mais a sociabilidade. Outro estudo é sobre os dekasseguis: por causa da crise econômica, o Japão está expulsando os trabalhadores de origem estrangeira, e o retorno desses imigrantes ao Brasil é o tema de um grupo que agrega estudantes de outras disciplinas, ademais da antropologia. Além desses, temos um projeto em andamento denominado “Índios na Cidade”. É uma proposta de aproximar etnologia indígena com a antropologia urbana a partir de uma pesquisa em Manaus, proporcionada pelo convênio Procad, da Capes. A religiosidade no contexto urbano e um estudo sobre o a internet como espaço virtual de sociabilidade e também como ferramenta de pesquisa são outras linhas de pesquisa. Cabe lembrar, finalizando, que o Núcleo mantém um site http://www.n-a-u.org e uma revista eletrônica, Ponto Urbe : http://www.pontourbe.net .

Fonte: http://www.oei.es

13
Dec

Regina Casé Periferia. Como a produção cultural dos guetos está marcando época

TEDxSP 2009 – Regina Casé from TEDxSP on Vimeo.