Categoria ‘Cátia Simone da Silva’ Antropologia

28
Mar

Museu Histórico de Morro Redondo

No domingo dia 26/03/2017, visitei o Museu Histórico de Morro Redondo, achei muito bonito e interessante à narrativa sobre a trajetória dos imigrantes e seus descendentes no território de Morro Redondo, contado pela Andrea Messias, estudante de museologia. Essa trajetória é também representada na cultura material e imaterial dos objetos do museu, no entanto, senti que está faltando à parte que trata da morte, pois tem o início e meio, mas falta o fim.  Também a Andrea disse que foi difícil conseguir objetos mais antigos, só os datados a partir de 1950.

Porém quando visitei o Cemitério Municipal de Morro Redondo, achei uma lápide de túmulo na língua alemã, de uma imigrante que nasceu em 1835 e faleceu em 1910. Seria interessante trazer para o museu esse e outros dados sobre o falecimento dos primeiros imigrantes que por aqui chegaram, pois a partir dai, formar-se-ia outras redes de contatos, proporcionando novas descobertas para o conhecimento da comunidade e dos visitantes.

lapide-imigrante-alema

Também achei o espaço do museu muito pequeno, apesar dos esforços dos criadores, organizadores e colaboradores, o tamanho e a localização do museu não estão fazendo jus a importância da diversidade cultural de Morro Redondo.

Cátia Simone da Silva
Antropóloga Social e Cultural
catia@antropologiasocial.com.br

15
Nov

Vídeo das Quebradeiras de Coco Babaçu – São Domingos, Pará

As quebradeiras de coco vivem do extrativismo do babaçu nos Estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará.
Em 1995 as trabalhadoras rurais criaram o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), com a finalidade de garantir o direito dessas mulheres à terra e à palmeira (babaçu), o seu meio de sustento e também o reconhecimento como categoria profissional. No processo de extrativismo do coco babaçu, as mulheres aproveitam as folhas e palhas para fazer cestos, com a casca produzem o carvão e com as castanhas é produzido azeite e sabão.

O trabalho das quebradeiras pode ser contextualizado com alguns autores da Antropologia, podemos ver que é constituído de saberes tradicionais locais, diferente dos científicos que são universais. Não são saberes fechados, acabados, mas estão em constante processo de investigação e ressignificação, sendo passados de uma geração para outra através da oralidade (CUNHA: 2009).

Também segundo Lévi-Strauss (O Pensamento Selvagem: 1989), nos conhecimentos tradicionais operam-se  com unidades percentuais, ou seja, é através da percepção das coisas que irão ocorrer as lógicas perceptuais ou míticas. Para esse autor o bricoleur foi a ciência primeira, significa um modo de pensar empírico, onde errando e acertando as sociedades conseguiram atingir as suas técnicas e passá-las as outras gerações. O bricoleur é aquele processo onde a pessoa trabalha com as suas mãos, elaborando estruturas e operando através de signos, com unidades perceptuais e com aquilo que estiver ao seu alcance, estando no nível sensível e da imaginação.

Assim o vídeo relata todo esse universo dos saberes tradicionais e também as questões sociais enfrentadas pelas trabalhadoras.

É muito interessante aos estudantes da área das humanas: antropologia, sociologia, história… que tenham como interesse a temática com as comunidades tradicionais.

Cátia Simone da Silva
Antropóloga Social e Cultural
catia@antropologiasocial.com.br

Referências:
http://www.cerratinga.org.br/populacoes/quebradeiras/   acessado em 15/11/2016 às 11h e 30min.
Cunha, Manuela Carneiro da. Cultura com aspas. “Relações e dissensões entre saberes tradicionais e saber científico”: COSAC NAIF, 2009.
Lévi-Strauss, Claude. O Pensamento selvagem. Campinas: Papirus, 1989.

28
Jul

Documentário etnográfico sobre o saber tradicional dos graniteiros de Capão do Leão/RS

17
Dec

A contribuição da Antropologia social na abordagem neo-instucionalista na política brasileira

Considerando a hegemonia da abordagem neo-instucionalista no campo da ciência política moderna, onde este modelo, ao contrário do instucionalista prevê a concentração de dados empíricos e reais dos atores sociais, desta forma a antropologia social pode contribuir em muito para a análise da política brasileira, pois sua especificidade é trabalhar a partir do local, buscando a unidade na diversidade, a partir da cultura dos indivíduos, dando vozes aos atores sociais, contribuindo assim para um regime político mais eficaz, justo e humano.

Levantando dados para orientar na liberação de recursos financeiros a esses agentes sociais, e subsidiando os políticos nas tomadas de decisões ou desenvolvimento levando em consideração a cultura local, étnica, etc de um grupo específico ou de uma determinada sociedade.

Os antropólogos também podem orientar as pessoas para a necessidade da formação de uma instituição: seja uma Associação, Cooperativa, ONG,… pois é necessário para os indivíduos dialogarem com os poderes legislativo, executivo, ou governo federal e assim saírem da invisibilidade e marginalidade e garantirem seus direitos individuais e ou coletivos.

Principalmente os antropólogos que pesquisam junto aos coletivos tradicionais, tais como: pescadores artesanais, pequenos agricultores, indígenas, afrodescendentes; e assim instrumentalizá-los para terem acesso a recursos financeiros, garantia de seus direitos étnicos, saúde, aposentadoria, etc. Então será a antropologia social ou os antropólogos os  mediadores entre os indivíduos e o Estado para a eficiência nas políticas públicas em todas as áreas de interesse comum.

Otávio Bezerra (1999, 12) aponta que os parlamentares em seus gabinetes na Câmara ou no Senado atribuem importância aos pedidos de suas bases eleitorais, disponibilizando verbas federais aos Estados e municípios que os elegeram. Para tal entram as relações de apoios entre prefeitos, parlamentares e autoridades governamentais, isto é, “As relações entre os poderes “local” e “central”. O autor também aponta que esta atitude não é hegemônica e os parlamentares incluem em suas tarefas as “Suas atribuições formais, afiliações partidárias, interesses de classe e corporativos” (1999, 13).

Desta forma entre as contribuições que a antropologia social poderia dar para a política brasileira seria auxiliando nas prefeituras das cidades brasileiras, inscrevendo e conduzindo projetos para o município, nas áreas da educação, saúde, promoção de renda, desenvolvimento sustentável, ou seja, fazendo as solicitações aos parlamentares em conformidade com a realidade local, e também levando em consideração o contexto de globalização.

No entanto, a abertura de editais em busca de antropólogos para trabalhar em prefeituras ainda não é consolidado, só em algumas instituições governamentais, o que mais vejo são editais para sociólogos. Cabe aos antropólogos buscarem este nicho de emprego, demonstrando interesse na abertura de editais para compor uma carreira de servidor público junto as prefeituras.

Entretanto, não adianta um profissional capacitado inscrever e concorrer com  projetos para o município e como explica Otávio Bezerra, o poder executivo desviar os recursos das verbas, ou fazer as construções e não inaugurá-las, ou então não dar continuidade ao(s) projeto(s), entre outros exemplos de corrupção. Como apresentado no vídeo “O bem Amado”, onde o prefeito de Sucupira construiu um cemitério que demorou muito para ser inaugurado, o motivo foi os desvios das verbas, e as construções de  túmulos pequenos, os quais um adulto não poderia ser sepultado. Exemplos assim, nós vemos diariamente nas mídias, ou na própria cidade em que moramos, infelizmente a corrupção está se agravando cada vez  mais e tornando-se prática comum em muitos municípios brasileiros.

Assim a antropologia pode contribuir para a análise da política brasileira abordando em suas pesquisas as questões políticas do seu contexto de trabalho e pesquisa, sejam de coletivos urbanos ou rurais, de brancos, indígenas ou afro descendentes, etc. Trazendo as suas especificidades, subsidiando os políticos dentro do possível para a construção de uma sociedade mais justa e humana para todos.

Por: Cátia Simone Castro Gabriel da Silva
Discente do Bacharelado em Antropologia Social e Cultural – UFPel

Referência bibliográfica:
Bezerra, Marcos Otávio. Em nome das “bases”: política, favor e dependência pessoal. Rio de Janeiro: Relume Dumará: Núcleo de Antropologia Política, 1999.

 

3
Aug

Comercialização de alimentos orgânicos na feira ecológica “Ao Entardecer” em Pelotas.

Segundo Júlia Guivant (2003) vivemos numa sociedade individualista e globalizada e a procura por alimentos orgânicos vem crescendo, é uma escolha preocupada na busca de um estilo de vida mais saudável e tem pouco a ver com preocupações ambientais.

A autora conceitua dois tipos de consumidores ecológicos: o “ego-trip” e o “ecológico-trip”, no estilo ego-trip encontram-se os consumidores mais individualistas que buscam produtos naturais só pensando na sua própria saúde, beleza física, forma estética… Para Guillon e Willequet (GUIVANT, 2003, pág 77), neste estilo “O consumo de produtos orgânicos pode ser ocasional, e apenas uma entre outras práticas consideradas saudáveis”.

Já  o estilo ecológico-trip também pode ser considerado um tipo de consumidor ego-trip, porém, as suas decisões de consumo vão além do pensar só em si, “Seria o estilo de vida assumida frente ao meio ambiente ou de responsabilidade social” (GUIVANT, 2003, p. 64).

Na observação participante que fiz na “Feira Ecológica ao Entardecer”, no Largo do Mercado Público em Pelotas-RS, uma consumidora, Sra. Paulina explicou que compra alimentos orgânicos há 15 anos, desde que as feiras começaram aqui no município,  diz que faz esta escolha principalmente pensando na sua saúde, pelo sabor, aparência dos alimentos e por não terem agrotóxicos. Ela ressalta que “Tem pessoas que reclamam que é mais caro, mas não veem o custo x benefício, e também o trabalho das famílias produtoras”.

Assim a compra na feira, direto com o produtor fica claro o exemplo do estilo de consumidor ecológico-trip, este pensa na sua saúde mas também nas famílias produtoras. Já os consumidores nos supermercados sobressairá o estilo ego-trip, pois estarão lembrando só em si e esquecem da responsabilidade social e do meio ambiente.

O produtor Sr. Orlando muito feliz comentou: “…A procura é cada vez maior, hoje chegam aqui dizendo: o médico me indicou que é pra comprar na feira ecológica, e há 15 anos atrás o médico não indicava.”

Ainda salientou que a demanda é muito grande, pois os produtores abastecem as feiras ecológicas em Pelotas/RS,  os restaurantes Teia Ecológica e ECO, fornecem seus produtos para a alimentação de estudantes da Rede Municipal de Ensino de Pelotas e ao Restaurante Universitário da UFPel.

Outro produtor, seu Guilherme comentou que  “Toda a família trabalha na produção”, essa é a  base da agricultura do tipo familiar. Explicou também que a maioria dos agricultores já produziu alimentos convencionais, mas com as orientações  e os apoios da EMATER, CAPA, Sul Ecológica, e Prefeitura Municipal de Pelotas eles passaram para a produção de produtos orgânicos.

Para ele “O solo tem que estar bom, a produção será boa e não temos pragas na lavoura”.  Para isto utilizam vários métodos alternativos e naturais na preparação do solo, alguns dos recursos são encontrados na própria propriedade, tais como a produção da compostagem com alimentos orgânicos, folhas de árvores, estercos, além de húmus entre outros recursos naturais. O resultado de todo esse esforço na preparação de um solo fértil é recompensado com a colheita de alimentos ricos em vitaminas, sais minerais, nutrientes e sem veneno. Assim encontraremos na “Feira Ecológica ao Entardecer” variedades de hortaliças, legumes, feijões, temperos, geléias, conservas, ovos, mel, algumas frutas, entre outros alimentos.

CERTIFICAÇÃO

Todos os produtores que fazem parte de uma associação e ou cooperativa  podem comercializar seus produtos sem o selo de Certificação de Produto Orgânico, a legislação brasileira foi generosa com o agricultor familiar. A exigência da certificação de Produto Orgânico só é necessária para à venda em supermercados ou para a exportação.

Por: Cátia Simone Castro Gabriel da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia Social e Cultural – UFPel

Referência bibliográfica:
Guivant, Julia S. Os supermercados na oferta de alimentos orgânicos: apelando ao estilo de vida ego-trip. Ambient. soc., Dez 2003, vol.6, no.2, p.63-81.

3
Dec

Identidade, saber tradicional e cultura material dos cortadores tradicionais de pedras em Capão do Leão

O presente estudo trata sobre as representações identitárias de um grupo de cortadores de pedras localizados no bairro Cerro do Estado, município de Capão do Leão, no sul do Brasil. Analisando a partir da antropologia simbólica, e observando as relações sociais entre humanos e não humanos, ou seja, entre “sujeitos”,  e “objetos”, os quais segundo Gonçalves (2010) e Leitão (2008), são indissociáveis, e mais do que representar, expressam uma forma de organização e constituição de suas identidades.

Débora Leitão, vai complementar e reforçar os estudos de Gonçalves e acrescenta também essa relação às coisas, paisagens, animais, natureza…, e os chama de “objetos construtores”, a autora aponta a sugestão de Bruno Latour em tratarmos as coisas como “fatos sociais”, observando as relações sociais como não sendo anteriores aos objetos, mas “constitutivas e construídas por tais objetos”.

O “objeto construtor” concebe abordagem contemporânea dos objetos enquanto construtores de relações sociais, de identidades e memórias, concebendo as coisas como “cultura”. Segundo Débora Leitão, “os objetos constroem as pessoas tanto quanto as pessoas fabricam objetos”.

A partir dessa concepção analisei a cultura imaterial e a material desse grupo, pois conforme os autores mencionados, sujeitos e objetos complementam-se. Para Leitão os objetos e as coisas só terão sentido se observados no contexto e não na unidade. Então busquei conhecer a forma, o material, a técnica de fabricação das ferramentas utilizadas, a utilização de cada uma, os cortes e todos os processos que envolvem esses saberes. Também entra no contexto o meio ambiente  que é rico em granito, pois cada um desses itens compõe a representação coletiva.

Não deixando de lado o particularismo histórico local (Boas), remontarei ao final do século XIX, quando  chegou a  Compagne  Française Du Porto de Rio Grande do Sul, e originou o bairro Cerro do Estado, a mesma extraia blocos para a construção dos Molhes da Barra na cidade de Rio Grande-RS, no entanto o corte artesanal já acontecia no município antes desta data.

Como o saber tradicional não é fechado, acabado, e está em constante processo de resignificação e aprimoramento, sendo passado de uma geração para a outra através da oralidade (Cunha, 2009), observa-se uma mudança na técnica do corte “seda”, o primeiro corte da pedra, pois antes da chegada da empresa francesa era feito com cunhas de madeira que ao colocarem água, inchava e partia a pedra, no entanto, esse processo demorava dias. Então com a contribuição de geólogos alemães, americanos que vieram trabalhar na empresa mineradora,  passaram a utilizar o “ponchote”, uma ferramenta pequena de ferro, que corta a pedra só com o bater de uma marreta.

Do saber tradicional, explicaram que a “veia” da pedra, ou seja, a linha de corte da pedra, são facilmente encontrados a partir do saber tradicional e do olhar treinado para sua identificação. O primeiro corte chama-se “seda”, aqui o granito corta facilmente, e está situado no sentido leste/oeste, ou seja, orientado pelo nascer e pôr do sol. O segundo é o trincante, sua direção é oposta ao seda, situando-se no sentido norte/sul e após temos os “piodas de butuneira e o pioda de levante”, o último é o mais trabalhoso de cortar. Mas se a rocha encontrada na natureza, por motivos diversos virou, essa orientação solar não é posta em prática, aí é o saber tradicional que orienta os cortes.

Ainda com os estudos de Appadurai (2008), observei as mudanças e as trajetórias das ferramentas, pois há anos atrás eram produzidas com barras de ferro grossas e na falta dessa passaram a utilizar barras mais finas e também molas de trens, de carros entre outros materiais.

As formas das ferramentas e suas têmperas são dadas na ferraria, a têmpera serve para dar resistência à ferramenta e dependendo do material umas são temperadas na água e outras no óleo, pois assim, elas não quebram com o bater da marreta ou marretinha.

Algumas ferramentas possuem os seus nomes em francês, herança da empresa francesa, tais como ponchote, recaladeira e escopo, e outros em português, tais como os ponteiros, marreta, marretinha, etc. Precisam de régua para medir os cortes, e para a segurança usam óculos para proteger os olhos e luvas de borracha nas mãos.  A pólvora utilizada na detonação também é produzida por eles mesmos, numa composição de carvão, enxofre e salitre.

A rocha é extraída por indivíduos isolados ou em grupo de dois, três ou mais trabalhadores, onde a reciprocidade e a solidariedade (Mauss: 2003) estão presentes, na fala de um trabalhador o Sr. Roberto Vieiras: “Não trabalhamos sozinhos, precisamos da ajuda uns dos outros. Porque como tú vai fazer a furação, a detonação? Sozinho tú não consegue, precisa da ajuda dos outros. E se não sabe apontar os ferros, tú precisa de um que faça pra ti”.

As esposas auxiliam na preparação da alimentação, cafés, cuidados com a casa,  filhos, etc. No local de trabalho, os que moram longe reúnem-se na hora do almoço e café, é o momento para conversar e confraternizar.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

APPADURAI, Arjun. Introdução: mercadorias e a política de valor. In: A vida social das coisas: as mercadorias sob uma perspectiva cultural. Rio de Janeiro: Ed. UFF, 2008.

BOAS, Franz. Antropologia Cultural. Rio de Janeiro. 6ª. Edição: ZAHAR, 2004.

CUNHA, Manuela Carneiro da. Cultura com aspas. “Relações e dissensões entre saberes tradicionais e saber científico”: COSAC NAIFY, 2009.

GONÇALVES, José Reginaldo Santos. Teorias Antropológicas e objetos materiais. In; Antropologia dos objetos; coleções, museus e patrimônio. Rio de janeiro: IPHAN, 2007. [P. 14-42].

LEITÃO, Débora krischke; PINHEIRO-MACHADO, Rosana. Tratar as coisas como fatos sociais: metamorfoses nos estudos sobre cultura material. Mediações, Londrina, v. 15, n. 2, p.231-247, 2010.

MAUSS, Marcel. Ensaio sobre a dádiva. in: Mauss, M. Sociologia e Antropologia. SP, Cosac Naif, 2003

 

Cátia Simone Castro Gabriel da Silva
Discente do Bacharelado em Antropologia Social e Cultural / UFPel
Integrante do NECO – Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais/FURG

21
Oct

Desabafo de uma liderança indígena sobre o tratamento das causas ameríndias no Brasil.

De Maria Eva Canoé
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COMO MULHER INDÍGENA AO LADO DE OUTRAS LIDERANÇAS INDÍGENAS DE RONDÔNIA E DE OUTROS ESTADOS SEGUIMOS CONSTRUINDO NOSSA VERDADEIRA HISTÓRIA ONDE SOMOS OS PRÓPRIOS PROTAGONISTAS POIS MOSTRAMOS PARA O BRASIL E O MUNDO NÃO UM A NOVELA DE FICÇÃO, MAS UMA NOVELA DA VIDA REAL, ONDE CONTINUAMOS SENDO INVISÍVEL, TRATADOS COM INDIFERENÇA, COM NOSSOS DIREITOS VIOLADOS POR UM SISTEMA EXCLUDENTE, CUJO GOVERNO TEM UMA PEDRA NO LUGAR DO CORAÇÃO,, POIS SE NEGA A RECONHECER E RESPEITAR NOSSOS DIREITOS ORIGINÁRIOS…

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Importante desabafo de Maria Eva Canoé nesse período onde a Câmara dos Deputados está analisando a proposta de emenda à Constituição que transfere da FUNAI para o Congresso Nacional as demarcações de terras indígenas (PEC 215/2000).

Essa decisão irá ferir os direitos originários indígenas, principalmente o direito à terra, pois nas demarcações irão sobressair interesses prioritários da bancada ruralista e faltará embasamentos antropológicos aos Srs. Deputados. O que antes era conduzido por equipe técnica da FUNAI, agora vai ser conduzido por interesses pessoais e partidários.

Por Cátia S. da Silva
Discente do Bacharelado em Antropologia/UFPel
Integrante do NETA – Núcleo de Etnologia Ameríndia/UFPel
e integrante do NECO – Núcleo de Estudos Sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais/FURG.

2
Jan

Resenha do livro: Os Mbyá-Guarani através da sua culinária doce

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Por Cátia Simone da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia/UFPel

Apresento a resenha do livro: “A doce cosmologia Mbyá-Guarani: uma etnografia de sabores e sabores”, (Editora Appris, 2012, 514 páginas), do antropólogo Mártim César Tempass, a mesma foi publicada na revista Espaço Ameríndio da UFRGS (http://seer.ufrgs.br/espacoamerindio/), no Volume 6, Número 2 de 2012.

Acesse a resenha completa em PDF.

Boa leitura!