Categoria ‘Charruas’ Antropologia

13
Sep

Indígenas organizam protesto contra fraude em licitação da SESAI

Suspeita de fraude na licitação para contratação de serviços à saúde indígena, promovida pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão do Ministério da Saúde, gera revolta entre indígenas do Sul e Sudeste do país e hoje (13/09/2011), a partir das 10 horas, protestos ocorrem nas capitais dessas duas regiões contra as irregularidades observadas.

No último dia 9 de setembro, lideranças indígenas de todo sul e sudeste do Brasil se reuniram na aldeia Guarani em M’biguaçu (KM 190 da BR 101 na grande Florianópolis – SC) e após ter dado prazo ao MS, decidiram por organizar a série de protestos que terá inicio amanhã e se estenderá até a revogação do edital.

Além do protesto em M’biguaçu, com mais de 300 indígenas, outros protestos serão realizados em todas as capitais do sul e sudeste.

Os envelopes do Edital de Chamamento Público 001/2011, abertos em 1º de setembro, credenciou apenas uma ONG para atender a saúde indígena em todo Brasil. As mais de 20 ONGs inscritas, que já vinham prestando atendimento aos indígenas, foram desclassificadas.

Os indígenas, por conta disso, reivindicam também concurso público para por fim a forma de atendimento via ONG – como vem sendo praticado atualmente.

Há fortes indícios de favorecimento a ONG Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), ligada a Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, na qual o secretário da SESAI leciona no ensino a distância. Antes mesmo da abertura dos envelopes a SPDM já sabia que seria a única beneficiada.

O próprio secretário tentava convencer os presidentes dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena (Condisi), na reunião do Fórum dos Conselheiros que antecedeu a abertura dos envelopes, que melhor seria ter uma única ONG atuando e com determinadas características, exatamente aquelas da SPDM. Os conselheiros alegam também que os indígenas não foram consultados sobre os critérios do edital, como prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Os indígenas solicitaram também ao Ministério Público Federal (MPF) que ajuíze uma Ação Civil Pública para anular o edital.

São milhões de reais repassados pelo Ministério da Saúde a ONG vencedora da licitação para o atendimento a saúde indígena e pouco se reverte em atendimento direto aos povos indígenas.

Fonte: Cimi Regional Sul / Florianópolis (SC)

Mais informações:

http://acordaterra.wordpress.com/2011/09/04/indigenas-impugnam-edital-da-sesai-e-denunciam-manobra-politica/

Enviado por:
Vanderlise Barão
Arqueologia / LEPAN
Instituto de Ciências Humanas e da Informação
Universidade Federal do Rio Grande – FURG

9
Aug

Miséria não é igual em qualquer canto

Texto de João Maurício Farias publicado no Zero Hora, edição 04 de agosto de 2011 | N° 16782.

Nesta semana, fui entrevistado por ZH sobre a situação de miséria dos indígenas no Rio Grande do Sul. Desde então, não me saía da mente uma parte da letra de uma música dos Titãs: “Miséria é miséria em qualquer canto, riquezas são diferentes”. Pensava nos indígenas guarani, kaingang e charrua e xokleng e que suas misérias não são iguais em qualquer canto.

É necessário trocarmos as lentes de nossos óculos analíticos para tentar compreender os povos originários (como alguns preferem ser identificados, pois consideram “índios” um termo genérico que os destitui de especificidades). Quando vemos os “outros”, o fazemos a partir de nossos valores culturais e princípios epistemológicos (lógicas de pensamento).

Tendemos a não ver nos outros sua “alteridade”, os outros passam a ser apenas uma extensão de nós, uma cegueira antropológica. Para evitá-la, é necessário compreender que existem perspectivas distintas de mundo, cosmologias diferentes; a acumulação de capital e a exploração ao máximo dos recursos naturais para o enriquecimento material individual não estão no centro de suas dinâmicas sociais.

Há aproximadamente 20 mil pessoas dos povos originários que viviam nesta região quando das invasões bárbaras. Por não serem de uma sociedade de produção intensiva com excedentes para abastecer mercados, são vistas pelo senso comum como preguiçosos que não gostam de trabalhar. Apesar de 511 anos de contato, não se aceita que sejam diferentes, com direito à diferença.

Você pode pensar: mas quando este cara vai falar da miséria material ou da riqueza cultural dos povos originários? Certamente há uma enorme carência material nas aldeias indígenas no RS, quase refugiados em suas próprias terras. Mesmo morando nas margens de estradas federais e estaduais, debaixo de lonas e sobras de madeira, enfrentando frio abaixo de zero grau (como aconteceu há 20 dias), essas comunidades indígenas possuem fortes valores culturais.

Há pouco, uma grávida guarani na aldeia-acampamento na faixa de domínio da BR-392 preferiu dar à luz acompanhada da parteira e do xamã karai de seu grupo. Com forte pneumonia, acabou sendo levada para o hospital junto com o bebê. Ela foi salva, mas seu filho não irá passar pelo ritual de nominação, nhemongarai, no início da colheita do milho tradicional.

A grande maioria das mais de 5 mil famílias dos povos originários no Rio Grande do Sul se enquadra no programa federal, e agora também no estadual, de “erradicação da miséria”, pois suas rendas mensais não ultrapassam os R$ 70 por pessoa. Os desmatamentos para a produção da soja, a agropecuária e a industrialização avançaram sobre os territórios indígenas, que tinham e ainda têm nas matas nativas seus principais espaços de existência material e cultural.

Para que acabe essa situação de miséria provocada em grande parte pela desterritorialidade indígena no RS, é fundamental que a sociedade brasileira e gaúcha reconheça esta dívida social imensa que a formação da sociedade nacional provocou.

Para alcançar as “metas do milênio” e reduzir ou eliminar a miséria material extrema, é necessário que o Estado brasileiro (União, Estados e municípios) pague essa dívida histórica e restitua territórios aos povos originários, permitindo que possam ter seus filhos e viver bem dentro dos princípios de suas culturas.

*Cientista social (UFRGS) e vice-coordenador da Regional do Litoral Sul da Funai

Enviado por:
Vanderlise Barão
Arqueologia / LEPAN
Instituto de Ciências Humanas e da Informação
Universidade Federal do Rio Grande – FURG

3
Apr

O guerreiro silencioso

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O vídeo relata a história do Sr. Blas Wilfredo Omar Jaime o qual, desde começos de 2005, manifesta possuir conhecimentos da língua Chaná (Charrua), um idioma cuja última documentação escrita anterior se produziu em 1815, e que se considera extinguido desde o começo do século XIX.

Don Blas nasceu em 1934 em Nogoyá, no centro da província de Entre Ríos, e atualmente vive no bairro El Morro da cidade de Paraná, junto a sua esposa e seu filho menor. Está aposentado, após ter trabalhado desde os dez anos, e desde um tempo atrás se desempenha no Museo “Antonio Serrano” de Paraná, como professor de Chaná, a língua que falavam seus ancestrais em populações aborígines esparramadas em diferentes zonas do país, quase sempre próximas a algum rio.

A narrativa desta história está composta principalmente pela voz de Blas, o qual explica, por um lado, como adquiriu este conhecimento e por outro, a partir de um estudo do dicionário, subclassificado em vinte e dois campos semânticos, fragmentos de um conhecimento ancestral que constituiram a contribuição da cosmovisão chaná as culturas do mundo.

Esta história também ouve as de outros atores que estiveram e estão vinculados ao conhecimento que guarda Blas. Uma destas é a de J. Pedro Viegas Barros, investigados do CONICET que desenvolve seu trabalho no Instituto de Lingüística da Universidade de Buenos Aires, o qual nos brinda o testemunho sobre a importância científica que tem documentada a língua Chaná, e de sua investigação surge uma força de legitimidade ao testemunho de dom Jaime.

Outra, é a voz de Daniel Tirso Fiorotto, jornalista, o qual, desde um meio gráfico da cidade de Paraná, realizou numerosas publicações sobre os conhecimentos de Blas e sobre o trabalho do linguista J. Pedro Viegas Barros. Tirso contribui na narrativa do porquê deste sucesso (fenômeno “Blas Jaime, último e único conhecedor da antiga língua”), “esta notícia nos enfrenta com toda a história junta e nos pega flor de solavanco”. Porque? Será possível que uma família barriga verde (adjetivo que se declara judicialmente aos entrerrioanos devido ao casaco que usaram as montoneras do General Pancho Ramírez nas guerras civis do litoral Argentino a meados do século XIX) tem preservado durante 200 larguíssimos anos os vestígios de um idioma que acreditamos estar extinguido para a eternidade, e de pronto decida revelá-lo na comunidade como desempoeirando uma relíquia de valor incomensurável?

Esta pergunta nos permite desenvolver um alto conteúdo dramático para o filme; a pesquisa de outra pessoa que manifeste saber algumas palavras em Chaná e que coincidam com as palavras que don Jaime apresenta. Sobre este eixo narrativo Tirso mediará entre a investigação de Pedro e a disposição de Blas Jaime “para narrar histórias aborígines com duas quase únicas fontes possíveis: uma proverbial imaginação  ou um legado muito profundo; em qualquer caso, muito entrerrianas”.

E aqui é quando o personagem principal, Don Blas, se pergunta “onde estão os descendentes aborígines, se no campo plantando e não há hora de recolher nas montanhas onde os originarios usariam para viver?”. A resposta encontraremos quando vemos no filme um homem buscar alguma pessoa, homem, mulher, jovem ou veja que se pronunciar alguma palavra que responda ao linguajar e a etnia ao que ele pertence, e assim comparar com as palavras que sua mãe le ensinou desde criança.

E esta pesquisa terá como cenário os bairros ou arredores da cidade de Paraná e de Nogoyá, que são os lugares onde presumivelmente se hão concentrados alguns dos exilados das zonas rurais.
Está realizada por películas do sável de Adrián Badaracco, e sua produção foi possível devido a contribuição de recursos da Fundação Eco Urbano e do Programa Identidade do Conselho Federal de Inverções em Entre Rios.
Ano: 2006

Enviado por Pablo Dobke, texto original em espanhol, tradução de Cátia Simone.
Integrantes do NETA/Núcleo de Etnologia Ameríndia – UFPel

Fonte: www.emprendedor.tv/video353.html

1
Apr

Aniversário do genocídio dos Charrua em Salsipuedes, recordação e homenagem

O próximo 11 de abril se completará outro aniversário do Genocídio Charrua
salsipuedes-2011

AQUECHA (Agrupación Queguay Charrua convida:

10º Encontro-8va Cavalgada a Salsipuedes 2011

Programa:
Quinta-feira 7 abril – Atividade Auditorio. Cine municipal de Guichon.
Sexta-feira 8 abril – 8:00h saída de Guichón monumento Artigas Praça Wiliman
Meio dia: Fogueira na praça Victoria e Escola Piñera
Saída para Merinos – 15:00h
Noite – Fogueira na praça e Escola de Merinos
Sábado 9 abril: Saída para Morató – 8:00h
Meio dia – Fogueira na Escola de Morató
Saída para Tiatucura – 15:00h
Noite Optativo – Fogueira na Escola Vaimaca Perú Tiatucura
*Optativo fogueira junto ao memorial charrua na orla do arroio Salsipuedes. Cerimônia mediante se assinalará o nome charrua a quem o desejem assim.

Domingo 10 abril: ato comemorativo junto ao memorial charrua – 10:30h
Meio dia e tarde: Atividades na Escola Vaimaca Perú Tiatucura

Fonte: http://www.chancharrua.wordpress.com

Enviado por: Pablo Rodrigues Dobke
Graduando em Bacharelado de História
Integrante do NETA/Núcleo de Etnologia Ameríndia – UFPel

10
Dec

Prefeitura de Porto Alegre doa cavalos recolhidos das ruas

cavalos
Quinze cavalos recolhidos das ruas pela prefeitura foram doados a índios da tribo Charrua e ao instituto Cavaleiros Farroupilhas. A doação ocorreu na manhã desta sexta-feira, 3, no Abrigo de Animais da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), com a  presença da primeira-dama, Regina Becker, e o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari.

Os animais doados receberam acompanhamento veterinário e alimentação regrada no abrigo, onde viviam soltos no pasto em convívio com outros cavalos, ou em baias dependendo da necessidade. “É mais uma etapa desse projeto da prefeitura, de tratar os cavalos abandonados com responsabilidade e devolvê-los à sociedade. Para isso, contamos com a presença fundamental da EPTC, com o apoio de todos seus profissionais”, disse a primeira-dama. As doações serão ampliadas, segundo o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari. “Continuaremos cuidando dos cavalos abandonados nas ruas, alimentando todos e garantindo acompanhamento veterinário para, depois de plenamente recuperados, doá-los à população”.

Dos 15 equinos, que apresentam bom estado de saúde e receberam um chip para acompanhamento, três foram entregues aos charruas e 12 ao instituto Cavaleiros Farroupilhas, que indicará novos adotantes. “É uma alegria para o nosso povo. É uma volta às origens e vai ajudar muito a nossa tribo”, afirmou a cacique geral dos Charruas no Rio Grande do Sul, Acuab Charrua. Para Doroteo Fagundes, presidente do Instituto Cavaleiros Farroupilhas, a doação ajudará a manter a cultura do povo gaúcho. “É um sonho realizado. A prefeitura nos deu essa oportunidade, com isso ensinaremos crianças carentes a montar e a tratar os cavalos”. Outras informações sobre adoção no fone 118 ou no Atendimento ao Cidadão da EPTC (av. Ipiranga, 1.138).

Fonte: http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/pwverde/default.php?reg=48&p_secao=14

1
Nov

Mostra da cultura material dos charruas e guaranis no Uruguay

Mostra do Museu do Índio e do Gaúcho de Tacuarembó, Uruguay.
Programa sobre a história dos antigos povoadores deste país, os povos indígenas charruas e guaranis, foram entre outras etnias  os primeiros habitantes deste país. Pressupostos culturais confirmam essa idéia em que Rodolfo Maruca Sosa e Oscar Padrón Favre expõe em seus textos, essas etnias contribuiram não só com a formação étnica cultural da sociedade uruguaya, mas também do povo gaúcho, nas vestimentas, alimentação, consumo da erva-mate, legado linguístico onde o uso do idioma guarani se aplicou a todos os elementos ambientais presentes na toponímia, na flora, na fauna, medicina, supertições, nas crenças populares, etc.
Texto por Cátia Simone
Vídeo enviado por Pablo Dobke.

6
Oct

NACION MBYA Y EL BICENTENARIO

Posición política sobre el proceso de independencia en América, desde la reivindicación histórica de los héroes indígenas.

El pensamiento o cosmovisión homocentrista, eurocentrista e individualista, cuya principal  usina ha sido, es y seguirá siendo el CRISTIANISMO, que sigue utilizando como su principal arma de alienamiento  la  INQUISICION en Latinoamérica y el PURITANISMO en Norteamérica  se traslada de EUROPA  a nuestro continente,  VIA LOS PROCESOS DE INVASIÓN: española, portuguesa, inglesa, francesa, holandesa. La conquista de nuestros pueblos y el arrasamiento territorial en nombre de los reyes y dios, estructuran el sometimiento a los imperios, especialmente, español, portugués y sobre  todo anglo sajón. Este último, con mayor capacidad tecnológica y bélica, desde una independencia política de su matríz (Inglaterra),  se convertiría en el heredero de todas formas de imperialismo y en  alianza con sus pares europeos se distribuirían  el dominio del planeta. De tal manera, que la dominación continua bajo otras formas, pero bajo la misma lógica.

En INDO LATINOAMERICA, el sometimiento y adoctrinamiento sigue igual. El clero y los colonialistas siguen  ostentando el PODER REAL. Estructurados en Fuerzas Armadas o corporaciones como: partidos políticos, uniones empresarias, sociedades rurales, oligopolios industriales, comerciales y mediáticos, condenando al 70 % de los pueblos y especialmente originarios a la pobreza.

Hoy, la colonización mental, acepta como fenómeno “natural” la lógica norteamericana  como el hecho cultural del mundo, basado en el consumismo, la banalidad y la frivolización social, que exacerba el individualismo, donde las fuentes de ganancias y apropiación de los patrimonios y recursos naturales y económicos no tiene límites: invasión de países con potencialidades económicas, especialmente en recursos no renovables (minería, forestal, agua, biodiversidad), dominio o desintegración de bloques regionales independientes que no sirven a sus propósitos, bajo la escusa de combatir al “narcoterrorimo” como es el caso de UNASUR, utilizando países vasallos y entreguistas como: Colombia, Perú, Panamá.

INDO LATINOAMERICA, PATRIA GRANDE, forjada por los libertarios indígenas y sus pueblos: TUPAC AMARU, BARTOLINA SISA, JUANA AZURDUY, JOSE DE SAN MARTIN, MARIANO MORENO, SIMON BOLIVAR, BENITO JAUREZ, JOSE ARTIGAS Y EL GRAN COMANDANTE ANDRES GUACURARI, entre otros, que la historia oficial  ha ocultado, confronta ideológicamente, políticamente y culturalmente el modelo COLONIALISTA VIGENTE, para sostener  la necesidad de seguir trabajando como sujetos personales y colectivos por la SOBERANIA DE LOS PUEBLOS LIBRES.

Para visualizar o artigo na íntegra click no link abaixo:

NACION MBYA Y BICENTENARIO

4
Oct

Bruxos, Fetiches e Crenças

Tradução e resumo do capítulo Brujos, Fetiches Y Creencias do livro La Nacion Charrua – Rodolfo Maruca Sosa
Por: Cátia Simone Silva

Neste capítulo, Sosa diz que os charruas eram fortes, poucas vezes contraiam enfermidades, geralmente estas eram provocadas por moléstias intestinais ou outras doenças comuns, e quando acometidos, recorriam aos serviços dos “xamãs”, e no geral era suficiente para o espírito do paciente. Era tão grande o poder destes “falsos médicos” que foram mais considerados que os próprios caciques.

Os futuros “curandeiros” se elegiam entre os meninos que se revelavam mais precozmente, logo explorando suas condições naturais o submetiam a um aprendizado com velhos “xamãs”, podendo exercer o xamanismo depois de vários anos de prática, com a aprovação de seus mestres.

Nunca podiam negar-se a prestar seus serviços a nenhum membro da tribo. Para curar praticavam um método de sucção, chupando com força a parte afetada do paciente, que geralmente se concentrava no estômago.

Algumas doenças aliviavam mediante este sistema de cura, que estava quase sempre revestido de mistificação por parte do curandeiro, como o revela o feito de pôr-se vermes ou espinhas debaixo da língua para fazer crer que lhe eram extraídos da parte dolorida e com elo de curar o mal. Para Daniel Granada este engano que padecia o enfermo, era de alto valor sugestivo, contribuindo para a sua cura.

Os pacientes eram submetidos a exercícios e massagens, queimavam ao seu redor capim aos que os atribuíam poder curativo. Também usavam com fins terapêuticos a graxa de lagarto ou da capivara, untando a parte afetada, este procedimento resultava em bons resultados. Com os mesmos fins curativos, aplicavam cinzas quente, causando sérias queimaduras na maioria dos pacientes. Acreditavam que os males aconteciam por causa de “gualicho”, espírito maléfico ao qual temiam.

Todos os bruxos sabiam que não possuíam poder algum sobre os demais, pois como os atos de sua vida estavam regidos por supertições, executavam seu trabalho auto sugestionados, esquecendo transitoriamente sua mistificação, por que viviam absorvidos por escuras e estranhas crenças.

O autor comenta que não sabem muito a respeito de adoração fetichista. Em alguns lugares do Sul do Uruguai, acharam peças líticas representando figuras humanas, pássaros e outras ideografias. As cerâmicas encontradas, com desenhos zoomorfos confirmam que havia indígenas os quais pensavam em seres superiores e deram-lhe formas na pedra e no barro.

Suponham que o método de trabalhar a pedra e o barro, veio dos Arachanes, vindos do noroeste, estes tiveram muito contato com os tupi-guaranis da costa brasileira, que trabalhavam muito bem estas peças líticas.

Sosa deixa uma dúvida, será que estas peças seriam fetiches? Representavam os deuses dos charruas? Pouco sabe nesse sentido, talvez os charruas com a mentalidade que recém despertavam de sua idade da pedra se achavam comovidos ante sua presença e nelas vislumbravam o superior e o inteligível.

Com relação a converterem-se ao catolicismo, os charruas responderam friamente ao Padre Cattaneo quando este disse que se não convertessem iriam para o inferno, e um  charrua contestou dizendo: “Muito melhor, assim não sentirei frio quando eu morrer”.

Os yaros depois de terem aceitado constituir uma redução, abandonaram-na dizendo: “Não gostamos de ter um Deus que sabe e vê, todo o que fazemos de secreto”. Os padres jesuítas não se preocuparam muito em conhecer os sentimentos religiosos dos charruas, para afirmar o seu ateísmo mais ou menos fino. A suposição que cressem em Tupã e Añang, os Deuses guaranis, não existe confirmação.

No idioma chana (charrua), não haveria um termo para expressar a idéia de Deus, que a voz Dioi, que significa entre eles Sol, “fosse a expressão correspondente a Deus, não por ser parecido com a acepção em castelhano, sim porque sendo o Sol a Deidade dos quíchuas, pudera haver estendido a eles e crê sendo essa voz tetragramaton, é possível que depois de duzentos anos de cristianismo, haveriam perdido os chanás (guaranis), suas velhas tradições deixando o término unicamente para o Sol”.