Categoria ‘Conflitos indígenas’ Antropologia

19
Aug

Gamela retomam fazenda usada para retirar barro do rio Piraí (MA), sagrado para o povo

gamela

O povo Gamela retomou na manhã desta segunda-feira, 15, uma fazenda incidente no território tradicional reivindicado pelos indígenas no município de Viana, Maranhão. A área fica às margens do rio Piraí, sagrado para o povo; nele vive João Piraí, Encantado protetor dos Gamela e das águas onde se reproduzem os peixes fonte de alimentação aos indígenas.

“Estamos bem, mas o fazendeiro já está rondando nosso acampamento com capangas. A gente teme por um ataque porque eles são perigosos. A retomada é uma forma de proteger a Mãe Terra, que vinha sendo maltratada pelos fazendeiros, e de reiterar à Funai para que seja criado o Grupo de Trabalho para a identificação e demarcação de nosso território”, explica Kaw Gamela.

Nas últimas semanas os Gamela estiveram em Brasília para agenda envolvendo a demanda territorial do povo. “Ao longo dos anos o rio foi sendo destruído pelos fazendeiros que devastaram  suas margens, assorearam seu leito, retiraram dele milhares de toneladas de barro para cerâmica – tijolos e telhas. São consequências extremamente prejudiciais ao povo”, diz trecho do comunicado da retomada divulgado pelos Gamela logo cedo.
Conforme Kum’tum Gamela a família que estava na casa grande da fazenda está retirando os pertences com segurança. A área é usada para a criação de gado e a retirada do barro do rio Piraí para abastecer uma cerâmica também do fazendeiro. “Já mandamos mensagens para o coordenador da Funai, que não respondeu. Desde janeiro a Funai não aparece aqui”, diz o Gamela.

O território Gamela teve a primeira ‘demarcação’ em 1759, quando 14 mil hectares foram destinados ao povo por doação da Sesmaria. Kum’tum explica que esta é a primeira referência do povo para a atual reivindicação. No entanto, durante o século 19 um outro aldeamento Gamela foi erguido fora da área doada pela Sesmaria, e esta é a segunda referência do povo. Durante o século 20, no entanto, as expulsões dos Gamela destas áreas se intensificaram.

“Atualmente o nosso processo de demarcação está paralisado na qualificação de demanda, que já foi feita”, afirma Kum’Tum. O povo Gamela, composto por cerca de 1.500 indígenas, ocupam hoje sete áreas. A retomada de hoje de manhã fica perto da aldeia Cajueiro; entre agosto e dezembro do ano passado os Gamela retomaram outras três porções do território reivindicado.
Em represália, os Gamela passaram a sofrer ameaças de morte e uma rede de boatos se instalou nos municípios vizinhos na tentativa de colocar a população contra os indígenas. Das sete áreas ocupadas pelos Gamela, quatro estão com ações de reintegração de posse em tramitação na Justiça Federal e uma, na margem oposta do rio Piraí à retomada de hoje, com interdito proibitório solicitado pela fazendeira contra os indígenas.

Fonte da notícia: www.cimi.org.br

11
Feb

Após terem casas incendiadas, Guarani Kaiowá em MS temem por novos ataques durante o Carnaval

Programa: Monitoramento de Áreas Protegidas
Tatiane Klein

Na manhã do dia 31 de janeiro, comunidades do povo Guarani Kaiowa do território Kurusu Amba, em Coronel Sapucaia (MS), foram alvo de um ataque de pistoleiros que deixou pelo menos 30 famílias sem alimentos, roupas e abrigo. A ação seguiu-se a uma tentativa dos indígenas de retomar uma área do território de onde foram expulsos, em junho de 2015, por por produtores rurais em mais de 40 caminhonetes. Relembre.

“Queimaram tudo”, conta uma das lideranças indígenas de Kurusu Amba, que preferiu não se identificar, em entrevista ao ISA. Entre os atingidos estavam seu pai, irmão e sobrinho, que perderam suas casas, documentos e pertences. A liderança conta que a retomada da área que incide sobre a Fazenda Madama aconteceu no sábado (30) e que, logo na manhã seguinte, os outros dois acampamentos que existem no território, sobre as fazendas Barra Bonita, Guapey e Bom Retiro, começaram a ser atacados: “Queimaram todas as casas, os barracos, cachorros, galinhas”. Na última quarta-feira (3/2), um novo ataque deixou pelo menos mais uma casa incinerada.

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Guarani em Kurusu Amba observam incêndio na área atacada esta semana.

Guarani em Kurusu Amba observam incêndio na área atacada esta semana
Logo após o primeiro ataque, servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) requisitaram a presença da Polícia Federal no local, mas, diante da alegação de que não havia efetivo, decidiram ir à região mesmo sem o apoio das forças na terça, dia 2/2. Além de indícios do ataque – como casas queimadas e trilhas deixadas por caminhonetes –, os servidores contam ter encontrado maquinário agrícola revolvendo e arando a terra sobre as casas atacadas.

“Da primeira casa, quando você entra no acampamento, você não vê nem vestígio”, relata o coordenador regional da Funai em Ponta Porã (MS), Elder Ribas, que esteve ontem (4) em Kurusu Amba. Segundo ele, apesar de os ataques terem cessado na tarde de ontem e as famílias estarem tentando reconstruir o acampamento, o clima ainda é de medo e os Guarani temem por novos ataques durante o feriado de Carnaval, caso forças policiais não permaneçam na região.

Kurusu Amba é uma das áreas de ocupação tradicional do povo Guarani Kaiowa que aguardam a publicação de seu relatório de identificação, finalizado em 2012, pela Funai, e está sobreposta a oito fazendas, entre elas três que já tiveram ações de reintegração de posse suspensas pela Justiça. A última suspensão, pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), aconteceu em 26/1 – dias antes dos ataques -, contra a liminar de reintegração concedida aos proprietários da Fazenda Guapey. Na decisão, o desembargador afirma que os estudos técnicos preliminares sinalizam que a reivindicação dos Guarani é legítima.

O território foi retomado há quase dez anos: “Já morreu muita gente, como a Xurite e o Oswaldo Lopes. Não tem educação, não tem água potável: essa é a realidade da comunidade de Kurusu Amba desde 2007 até agora. O relatório da Funai já tem tudo: só falta o presidente assinar”, conta a liderança.

Sem polícia
Os indígenas, que, desde o primeiro ataque, solicitam a presença da Força Nacional de Segurança (FNS) para a região, criticam a morosidade das forças policiais para ir ao local e iniciar investigações. “Estamos pedindo socorro e demorou três ou quatro dias”, critica a liderança de Kurusu Amba.

Entre o primeiro ataque e a chegada da Polícia Federal, no final da tarde de quarta-feira, passaram-se quatro dias – e algumas reuniões de negociação. Em Mato Grosso do Sul, o deputado estadual Pedro Kemp (PT-MS) reuniu-se na quarta (3) com o governo do estado e o Secretário de Segurança Pública, para que apoiassem um pedido de envio da Força Nacional à região. Segundo ele, o governo comprometeu-se a encaminhar o pedido ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Em Brasília, a situação foi tema de uma reunião do deputado Zeca do PT (PT-MS) com o presidente da Funai, João Pedro Gonçalves, e da deputada Janete Capiberibe (PSB-AP) com Cardozo, também na quarta. Segundo a deputada, que faz parte da Frente Parlamentar de Apoio aos Povos Indígenas, o ministro garantiu que tanto policiais federais quanto a Força Nacional iriam à região. “Esperamos, que passado esse período do carnaval, avancemos na estabilização da situação dessas comunidades”, avalia Capiberibe; já Kemp tem menos esperanças: “A todo momento tem um foco [de conflito] em uma região. Já tivemos muitas reuniões com o ministro da Justiça aqui e, de concreto, até agora nada foi feito. Vamos continuar por um bom tempo apagando fogo.”, avalia o deputado estadual.

A Funai relata que, na quinta (4), além dos policiais federais, que iniciaram um inquérito, o Ministério Público Federal, a inteligência da Polícia Militar e uma equipe da Força Nacional estiveram nas comunidades levantando informações, mas até o momento a portaria que autoriza o deslocamento de efetivos FNS à área ainda não foi publicada em Diário Oficial.

A Aty Guasu, grande assembleia do povo Guarani Kaiowa, qualifica a situação como genocídio e pede ajuda para as comunidades atacadas em Kurusu Amba, por meio da doação de roupas, alimentos e utensílios domésticos.

casa-kurusu-amba-incendiada

 

1
Jul

Nota do Cimi: Pistoleiros Instalam Estado de Sítio no Oeste da Bahia

A região Oeste da Bahia é formada pela união de 24 municípios, entre eles o município de Cocos, onde reside um grupo indígena Xakriabá. Os principais municípios são: Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e Santa Maria da Vitória.

Existe na região uma privilegiada bacia hidrográfica, com topografia plana e clima com estações definidas, o que tornou possível a expansão das lavouras de sequeiro e a implantação de projetos de irrigação, especialmente nos municípios de Barreiras e São Desidério.

A Região Oeste da Bahia fica à margem esquerda do rio São Francisco, banhada pelas bacias dos rios Grande, Preto, Corrente e Carinhanha, formada por 29 rios perenes. Geograficamente está inserida na região mais rica em recursos hídricos do Nordeste brasileiro. As bacias desses rios atingem 62.400 km² o que equivale a 82% das áreas dos cerrados do Oeste Baiano.

Nas duas últimas décadas, a região sofreu um grande assédio do agronegócio em busca de terra e água para o monocultivo de commodities agrícolas e desenvolvimento da pecuária para exportação, expulsando de lá os pequenos agricultores e populações tradicionais. A região tornou-se, então, a principal fronteira agrícola do estado da Bahia.
O município de Cocos, com cerca de 20 mil habitantes, se localiza a 684 km de Brasília e a 878 km de Salvador.

Nos últimos anos, as populações tradicionais (quilombolas, ribeirinhos e povos indígenas) têm se articulado para resistir ao ataque desta frente de expansão do agronegócio, que desconsidera totalmente a existência dessas populações. No município de Cocos, a ausência do Estado tem fortalecido grupos que atuam nos “gerais”, controlam a região e expulsam comunidades de suas terras sempre com o uso de milícias armadas. São rotineiras as denúncias feitas à Policia Federal da prática de trabalho análogo à escravidão utilizada pelos fazendeiros da região, retornando ao período da Colônia, onde a lei do mais forte impera.

A Comunidade Indígena Xakriabá da Aldeia de Porcos, município de Cocos, há mais de 4 anos vem sendo atacada no intuito de demovê-los da idéia de se firmarem naquele território e lutarem em defesa de seus direitos.

Em 2014 esses ataques foram intensificados, deixando os indígenas isolados, sem acesso ao atendimento à saúde, principalmente as crianças, idosos e gestantes, que são os que mais sofrem com a falta de atendimento. Na aldeia, há pacientes hipertensos e mulheres grávidas que precisam de acompanhamento sistemático.

Com a imposição dos pistoleiros, as famílias também estão impossibilitadas de ter acesso à cidade de Cocos para realizar serviços básicos e necessários como o recebimento de benefícios e fazer compras. Os veículos que transportam os moradores até a zona urbana de Cocos estão proibidos pelos pistoleiros de transportar os indígenas mesmo que estes paguem pelo serviço. A comunidade indígena está localizada a 110 quilômetros da sede do município em uma área de difícil acesso.

As ações violentas contra a comunidade indígena Xakriabá de Porcos vêm sendo coordenadas localmente por um capataz de fazendas instaladas próximas à aldeia. O mesmo foi devidamente identificado e denunciado às autoridades policiais.

Em 2013, a comunidade indígena, com o apoio do Padre Albanir da Mata Souza, pároco da Paróquia de São Sebastião, da diocese de Bom Jesus da Lapa, obteve um veículo, junto à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), para atendimento à saúde, o que despertou a ira dos fazendeiros, que passaram, então, a ameaçar o Padre Albanir e a liderança indígena Divalci. Esse veículo está, atualmente, impedido pelos fazendeiros de entrar ou sair da aldeia. Albanir está também impedido pelos pistoleiros de celebrar missa em diversas áreas rurais do município sob ameaça de tocaia e morte. As ameaças ao religioso ocorrem diariamente. O mesmo já registrou boletins de ocorrências, identificando autores de ameaças, junto à polícia civil local e junto ao MPF de Barreiras.

Em maio de 2014, a comunidade foi contemplada com a perfuração de um poço artesiano, mas as obras não foram concluídas devido ao ataque de pistoleiros. A prefeitura municipal foi impedida de realizar obras de melhoria das estradas que iriam facilitar a mobilidade rural e acesso à aldeia. Os funcionários da prefeitura também foram ameaçados pelo mesmo grupo de pistoleiros e fazendeiros e tiveram que suspender os trabalhos sob ameaça de que as máquinas doadas ao município pelo Governo Federal seriam incendiadas.

No dia 3 de junho, o veículo da Sesai, onde se encontrava a família do cacique, foi atacado por dois pistoleiros e obrigado a retornar para a aldeia indígena. Os autores do ataque foram identificados e denunciados. A tocaia à família do cacique ocorreu por volta das 6:00 horas da manhã, quando a liderança seguia para a cidade de Cocos, e em seguida iria a Barreiras, onde seria recebida pelo Procurador no Ministério Público Federal. A interceptação ocorreu de forma violenta e o motorista do veículo foi obrigado a retornar depois de ter percorrido cerca de 40 quilômetros em direção a Cocos.

Ao chegarem à aldeia indígena, o cacique foi cercado por aproximadamente 40 homens que o hostilizaram e comemoraram a sua captura. Os pistoleiros responsáveis pelo ataque foram ovacionados e recebidos com gritos e aplausos. Em seguida, um dos pistoleiros, também identificado, fez diversas ameaças ao cacique e informou-lhe que a partir daquele momento o carro da Sesai ou qualquer outro veículo que representasse órgãos de defesa e efetivação de direitos indígenas estavam proibidos de circular naquela localidade, e que, caso a sua ordem não fosse respeitada, os veículos que estivessem a serviço da comunidade seriam incendiados. Estes pistoleiros também foram denunciados junto ao MPF de Barreiras.

Sitiada e ameaçada, a comunidade indígena conseguiu contato com a Funai em Paulo Afonso, Bahia, e solicitou uma visita urgente à área, para exigir providências na proteção aos seus direitos.

No dia 19 de junho, a coordenação regional da Funai de Paulo Afonso se dirigiu até a aldeia de Porcos com vistas a averiguar a situação e buscar soluções para o conflito. No dia anterior surgiram boatos na região de que haveria um atentado contra a equipe da Funai e a ameaça se cumpriu. O fato ocorreu por volta de 18:30 horas, quando os funcionários públicos retornavam da reunião ocorrida na Aldeia de Porcos. O veículo que conduzia a equipe federal foi alvejado por disparos de armas de fogo de grosso calibre.

A equipe de servidores da Funai compareceu à Polícia Civil de Cocos e registrou o boletim de ocorrência. A perícia do veículo foi solicitada pelo coordenador regional da Funai de Paulo Afonso.

A situação e fatos vêm sendo denunciados aos órgãos competentes, mas nenhuma solução tem sido apontada ou executada até o presente momento. Famílias estão separadas em função do domínio que os pistoleiros exercem sobre as áreas que dão aceso à aldeia. Estão com o direito de ir e vir negado, vivem exiladas. Quem está na aldeia não pode sair e os que estão na cidade não podem retornar à aldeia.

Nesta região, como evidente, fazendeiros e pistoleiros instalaram um “Estado” à parte, onde Estado brasileiro não se impõe e a violação de direitos de cidadãos é flagrante, cotidiana e permanente.

Manifestamos solidariedade aos Xakriabá da aldeia de Porcos, no município de Cocos, às comunidades tradicionais do Oeste Baiano, bem como, ao Padre Albanir da Mata Souza. Defendemos que se cumpra a Constituição reconhecendo e demarcando o território tradicional Xakriabá e a efetivação de seus direitos, inclusive o de ir e vir. Exortamos as autoridades e órgãos públicos para que restabeleçam o Estado de Direito na região, tomando medidas emergenciais e estruturantes para a proteção dos Xakriabá da aldeia de Porcos, das comunidades tradicionais e do Pe. Albanir, que estão sob risco de vida e sendo desrespeitados em sua dignidade devido à ganância de latifundiários, representantes do agronegócio predatório.

Denunciamos o vínculo umbilical existente entre as ações destes fazendeiros e seus pistoleiros com os discursos de incitação ao crime, proferidos por parlamentares da Frente Parlamentar Agropecuária, e as pautas anti-indígenas defendidas pela bancada ruralista no Congresso Nacional, a exemplo das PECs 215/00, 237/13, 416/14 e do PLP 227/12.

Brasília, DF, 25 de junho de 2014

Conselho Indigenista Missionário – Cimi

25
Feb

MPF/PA quer medidas urgentes para fim da discriminação contra indígenas em Santarém

União, Estado e Município devem promover ações educacionais e campanhas nos meios de comunicação, pede Ministério Público Federal à Justiça

O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) quer que a União, o Estado do Pará e o Município de Santarém sejam obrigados a promover com urgência medidas educativas para combater o racismo contra indígenas no município. Denúncias registradas pelo MPF/PA mostram que atos discriminatórios contra os índios têm sido recorrentes em Santarém, principalmente em ambientes escolares ou em meio a disputas pelo direito à terra.

Encaminhada à Justiça Federal em Santarém na última quinta-feira, 20 de fevereiro, a ação pede decisão urgente para determinar que sejam desenvolvidos, por exemplo, programas educativos no sistema educacional e nos meios de comunicação de massa para o combate ao racismo, e distribuição de cartilhas a estudantes e à população em geral contra a discriminação étnica.

Para que seja garantida a realização dessas medidas, o MPF/PA pediu à Justiça o sequestro da verba orçamentária destinada à publicidade de atos institucionais dos governos. Segundo a ação, esses recursos devem ser aplicados especialmente no desenvolvimento de campanhas educacionais nos meios de comunicação de massa, como rádios e televisões.

O MPF/PA quer que a União, Estado e Município de Santarém sejam obrigados a apresentar, a cada 30 dias, relatório detalhado sobre as providências tomadas. Caso a Justiça acate os pedidos do MPF/PA e a decisão não seja cumprida, a ação pede a aplicação de multa diária de R$ 1 mil contra o ministro da Educação, o governador do Estado, o secretário estadual de Educação, o prefeito de Santarém e a secretária municipal de Educação.

Histórico
Há aproximadamente uma década, diversos povos indígenas da região de Santarém passaram a se engajar em um amplo movimento de autodeterminação de suas identidades indígenas e reivindicações de direitos constitucionalmente assegurados, tais como demarcação de territórios, educação diferenciada e saúde, registra a ação.

Esse processo, no entanto, é encarado com desconfiança pela sociedade regional e por movimentos sociais em atividade no município, que negam a identidade indígena desses povos, diz o MPF/PA. “São constantes as afirmações de que se trata de índios falsos, que tentam se passar por índios para obter supostos benefícios, obter terra alheia, etc”, registra informação pericial do analista em antropologia do MPF em Santarém.

Como exemplos da crescente intolerância contra indígenas no município, o MPF/PA citou na ação casos de denúncias de atos discriminatórios em escolas, de atos praticados por servidores públicos e até o incêndio de uma moradia indígena este ano. “Existe perigo de dano irreparável ou de difícil reparação, em razão dos recentes episódios de intolerância étnica que ocorreram na região”, alerta ação.

O MPF/PA pediu à Justiça Federal que, ao final do processo, sentença determine à União, Estado e município a realização contínua de programas educativo na rede de ensino e nos meios de comunicação para combater o racismo e a discriminação étnica.

A ação pede sentença que obrigue a abordagem, no currículo escolar da rede pública municipal, estadual e particular, assim como nas universidades, da história dos povos indígenas da região e suas contribuições na construção da formação política, religiosa e social do Brasil, do Estado e do Município.

Assessoria de Comunicação
Ministério Público Federal no Pará
(91) 3299-0177 / 8402-2708
ascom@prpa.mpf.gov.br
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6
Dec

Mobilização indígena em Brasília

Alex Rodrigues e Danilo Macedo
Da Agência Brasil, em Brasília
04/12/201312h26

Ueslei Marcelino/Reuters

Depois de cercarem o Palácio do Planalto, em Brasília, na manhã desta quarta-feira (4), cerca de 1,2 mil índios de várias etnias estão neste momento divididos em manifestações no Congresso Nacional e diante do Ministério da Justiça.

O grupo protesta contra o que classifica como mais uma iniciativa do governo federal para inviabilizar a demarcação de terras indígenas. A presidenta Dilma Rousseff não estava no local.

Durante o protesto, os índios chegaram a entrar em conflito com seguranças do Palácio do Planalto e a fechar o trânsito em vários trechos da Esplanada dos Ministérios.

O estopim da manifestação foi a minuta (esboço) de uma portaria que, segundo as lideranças indígenas, o Ministério da Justiça está produzindo.

Representantes do movimento dizem ter tido acesso à cópia do documento no último final de semana. Segundo Sônia Guajajara, uma das coordenadoras da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o texto estabelece mudanças nos procedimentos legais necessários ao reconhecimento e à demarcação de terras indígenas.

A proposta, ainda segundo Sônia, visa a oficializar a proposta do governo federal de que outros órgãos de governo além da Fundação Nacional do Índio (Funai) sejam consultados sobre os processos demarcatórios em curso.

A proposta foi apresentada pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, ainda no primeiro semestre deste ano, com a justificativa de minimizar conflitos entre índios e produtores rurais.

“A gente entende que a minuta servirá só para dificultar ainda mais o processo de identificação e demarcação de terras.

O governo federal e o Congresso Nacional estão aliados para atacar e diminuir os direitos indígenas, principalmente os territoriais, favorecendo o agronegócio e o latifúndio”, disse Sônia Guajajara à Agência Brasil, adiantando que o grupo quer ouvir o ministro José Eduardo Cardozo sobre o assunto.

“Há um momento em que as autoridades, e o ministro da Justiça, principalmente, têm que se posicionar e atuar para que os direitos sejam cumpridos, para implementar o que já é garantido constitucionalmente, e não adiar ainda mais isso.

O efeito da demora na demarcação de novas terras indígenas é tensionar ainda mais a situação. O governo e o ministro pensam que estão mediando, apaziguando as tensões, mas os conflitos só vêm aumentando”, acrescentou Sônia.

Ao perceber a chegada dos índios, seguranças fecharam todas as portas de acesso ao Palácio do Planalto. Os índios rodearam o edifício e tentaram passar pela entrada lateral.

Fazendo barulho e carregando faixas com pedidos de “demarcação de terra urgente”, alguns manifestantes forçaram a passagem, entrando em confronto com a segurança. Alguns seguranças chegaram a usar spray de pimenta para dispersar o grupo.

Após cerca de meia hora no local, parte do grupo seguiu para o Congresso Nacional. Outra parte se reuniu diante do Ministério da Justiça, impedindo o acesso dos servidores que chegavam.

Policiais militares reforçam a segurança do local. Representantes do ministério estão negociando com os líderes do protesto. Segundo a assessoria do ministro José Eduardo Cardozo, ele pretende receber uma delegação indígena para discutir o tema.

Além de criticar a minuta, os índios também cobram a apuração de crimes contra os povos indígenas, como o assassinato do cacique Ambrósio Vilhalba, da Aldeia Guarani-Kaiowá Guyraroká, em Cristalina (MS). Vilhalba foi encontrado morto na última segunda-feira (2).

A Polícia Civil deteve dois suspeitos e investiga se a morte foi consequência de rixas entre o cacique e outras lideranças da aldeia.

“O governo deve deixar de promessas e cumprir o que prometeu para nós. Hoje você vê o povo indígena lá em Mato Grosso do Sul sendo assassinado por fazendeiros, por grandes pecuaristas, que querem tomar a terra do índio. Queremos demarcação de terras urgente. Não dá mais para aguentar. Também queremos direito à saúde e à educação. E respeito ao povo indígena”, disse o índio kinikinau, de Mato Grosso do Sul, Nicolau Flores.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/12/04/indios-protestam-em-brasilia-contra-mudanca-no-processo-de-demarcacao-de-terras.ht

10
Oct

Índios protestam contra avanço das obras de hidrelétrica de Belo Monte

Os índios ocuparam o canteiro de obras da usina hidrelétrica de Belo Monte em Altamira, no Pará. Eles reclamam que os acordos firmados antes do início da construção não estão sendo cumpridos.

Os funcionários que trabalhavam no local tiveram que sair às pressas. Todo maquinário foi apreendido por indígenas. O protesto é contra a demora da Norte Energia, responsável pela hidrelétrica em cumprir as ações para compensar os impactos sobre as aldeias. Os caciques alegam que os acordos não foram cumpridos e que não houve nenhuma melhoria nas áreas de saúde, educação e saneamento.

As lideranças indígenas querem a paralisação total das atividades no sítio Pimental, onde está sendo feito o barramento do rio Xingu. Os caciques exigem ainda a presença da presidência da Norte Energia, da Funai e do Ibama de Brasília para uma reunião no local do protesto.

Em nota, a Norte Energia, empresa responsável pela obra, informou que todos os funcionários foram retirados do local ocupado pelos índios e que entrará na Justiça para pedir a reintegração de posse da área.

Fonte: http://g1.globo.com/economia/agronegocios/vida-rural/noticia/2012/10/indios-protestam-contra-avanco-das-obras-de-hidreletrica-de-belo-monte.html

9
Sep

Fazendeiros destroem aldeia e expulsam indígenas Guarani-Kaiowá em MS

Fazendeiros da região de Iguatemi, em Mato Grosso do Sul, atacaram violentamente mais de 125 famílias de indígenas Guarani-Kaiowá, que haviam retomado suas terras tradicionais no último dia 9 de agosto e estabelecido no local a aldeia Pyelito Kue /Mbarakay.
Desde a ocupação da região os indígenas têm sido vítimas de terror constante por parte dos empregados das fazendas, que durante a noite circundavam as barracas e atiravam para o alto além de ameaçarem as pessoas, inclusive idosos e crianças. No último dia 23 de agosto houve um confronto e os indígenas foram atacados pela primeira vez resultando em diversos líderes feridos, sendo que os indígenas Silvio Benites, Luiz Velario, Ramão Fernandes e o idoso Arturo Fernandes, de 78 anos, ficaram gravemente feridos.
Na noite desta segunda-feira, dia 5, os fazendeiros, fortemente armados, voltaram novamente ao local e expulsaram com extrema violência, aqueles que ainda resistiam destruindo todas as barracas e expulsando os indígenas para a margem de um rio próximo a uma estrada da região. Cerca de 50 lideranças continuam no local sob risco de serem novamente agredidas.
Os Guarani-Kaiowá entraram em contato com a coordenação da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), responsável pela área, mas tiveram resposta de que a instituição não dispunha de carro e combustível para irem ao local prestar assistência aos índios, que além das agressões sofrem com a falta de alimentos e assistência médica.
Os indígenas também procuraram o procurador da República, Marco Antonio Delfino, o qual afirmou que solicitaria apoio da polícia para impedir os ataques dos fazendeiros. Até o final da tarde desta terça-feira não havia nenhum sinal de ajuda.
A Aty Guassu, a Articulação dos Povos indígenas do Brasil (APIB) e demais organizações indígenas estão monitorando a situação e exigem providências urgentes da FUNAI, Ministério Pública e outras autoridades responsáveis, para que mais uma tragédia não se repita em Mato Grosso do Sul.
Nota da APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, socializada pelo CIMI.

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No Brasil existe muita discriminação aos indígenas, mas o Estado do Mato Grosso ganha disparado, é triste ler uma matéria como essa, mas infelismente é a realidade. Então observa-se que a  FUNAI e a FUNASA são apenas órgãos de enfeite do Estado, pois efetivamente não resolvem os problemas dos ameríndios. Pois estive terça-feira na aldeia Irapuá em Caçapava do Sul, Rio Grande do Sul e encontrei eles sem água encanada porque a bomba d`água queimou e a FUNASA levou o motor para consertar, e já passava de trinta dias e não retornavam. Também estavam com poucos alimentos, sem assistência médica e escolar para as crianças. Felizmente na quarta-feira dia 7 de setembro Mario Menezes, José Alencar e José Linhares de Borba, membros de uma igreja Pentecostal próxima ao acampamento  levaram cestas básicas para as 13 famílias da aldeia. Os Mbyá-Guarani disseram-me que a FUNAI não aparece, só a FUNASA e não é sempre, podemos observar que não é só no Mato Grosso, mas no Rio Grande do Sul também está ocorrendo negligências por parte de órgãos responsáveis com os coletivos ameríndios.

Cátia Simone

9
Feb

Índios participam de protesto contra a construção de Belo Monte

Notícias sobre a Belo Monte

Imagem: Antônio Cruz/Abr

Nesta terça-feira (8) manifestantes, entre índios, comunidades ribeirinhas, pequenos agricultores, ambientalistas e simpatizantes realizaram um protesto em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, contra o projeto de construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Xingú, Pará.

Os manifestantes entregaram uma carta ao Palácio do Planalto, onde despacha a presidenta Dilma Rousseff e foram recebidos em uma reunião que durou cerca de duas horas, pelo secretário adjunto da Secretaria-Geral da Presidência, Rogério Sottili. Segundo informações da Agência Brasil, Sottili se comprometeu a encaminhar o documento, encabeçado com a assinatura de caciques das comunidades indígenas do Alto Xingu, à presidenta.

Sônia Guajajara, vice-presidente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Goiab), disse a Agência Brasil, que a construção viola os direitos da população afetada.

Além da manifestação também foi entregue um abaixo-assinado com mais de 500 mil assinaturas de brasileiros e estrangeiros reforça o posicionamento contrário a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu.

Com informações da Agência Brasil

Fonte: www.agoravale.com.br