Categoria ‘Dissertações’ Antropologia

8
Oct

OS ARTEFATOS DE ARREMESSO DOS CAMPOS DA AMÉRICA MERIDIONAL: UM ESTUDO DE CASO DAS BOLEADEIRAS

boleadeira

VIVIANE MARGARETH POUEY VIDAL

2.2 AS BOLEADEIRAS COMO HERANÇA CULTURAL NA MEMÓRIA GAÚCHA
Na tentativa de conhecer o modo como os atuais gaúchos se percebem e de que maneira eles atribuem valores a seus objetos, foram analisados, nessa pesquisa, os significados simbólicos das bolas de boleadeiras, um dos vários e importantes elementos que contribuem para a construção e afirmação da sua cultura. Nesse sentido, realizou-se, na cidade de Uruguaiana/RS, uma etnografia que viesse expor as diversas vozes que narram a importância dos artefatos de boleadeiras no contexto gaúcho num processo histórico contínuo que ultrapassa gerações. Desse modo, é necessário destacar o artefato como um patrimônio material que é passado de pais para filhos. Referindo-se ao valor simbólico do objeto antigo, Baudrillard (1993, p.82) menciona que “o objeto antigo é puramente mitológico na sua referência ao passado”. Ou seja, não possui mais resultado prático, acha-se presente unicamente para significar, assim as boleadeiras contemporâneas não devem ser consideradas como totalmente afuncionais, nem simplesmente decorativas. A boleadeira tem uma função bem específica na memória dos gaúchos. Ela significa a história dos seus ancestrais heróicos, a tradição e, ao mesmo tempo, o presente da sua cultura que necessita ser conservado e vivido.
Dessa maneira, a memória dos gaúchos sobre as boleadeiras proporciona importantes informações em relação ao uso e significados dos objetos. As entrevistas possibilitaram conhecer diversas visões sobre os artefatos e seu meio cultural. Esse modelo de pesquisa investigativa também foi desenvolvido por Eduardo Góes Neves (1998/2002), em outro contexto histórico, na região do alto Rio Negro (Amazonas). Nessa região, o pesquisador se utilizou da inter-relação entre a “tradição oral e os dados históricos, lingüísticos e arqueológicos para tentar compreender o processo histórico de ocupação daquela área, pelos ancestrais das populações indígenas atuais” […]. (SILVA, 2002, p.185). Nessa perspectiva, a presente etnografia procurou compreender e descrever os discursos do gaúcho morador do campo e do gaúcho urbano, sendo uma maneira de conhecer não apenas uma noção geral das boleadeiras, mas sim as diferentes percepções e atribuições de significados aos objetos.
Durante as entrevistas, evitou-se realizar muitas anotações ou utilizar o gravador para impedir a inibição e a ocultação da fala dos informantes; a narrativa foi construída com base em um diálogo entre o informante e o pesquisador. Dessa maneira, a solução foi transcrever posteriormente os depoimentos.

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