Categoria ‘Economia’ Antropologia

9
Nov

Cultivo de oliveiras e criação de ovelhas em Pinheiro Machado/RS

O texto trata sobre a relação entre paisagem e identidades locais, visto que a paisagem simbólica sugere uma investigação histórica e cultural e está intrinsecamente ligada a paisagem material, esta é modelada pelos usos que o homem faz do espaço.

No caso específico que trata sobre agricultura, os aspectos de uma territorialidade auxiliam na manutenção e ou surgimento de uma determinada economia local, que entre outras especificidades também dizem respeito as identidades sócio culturais de uma pessoa ou grupo. Dependendo do local onde se vive, dos gostos e habilidades dos sujeitos, não deixando de lado os aspectos geográficos, heranças e trocas culturais que permeiam o viver e o trabalhar dos indivíduos. No mesmo instante que nós produzimos uma paisagem, ela também nos produz.

Assim temos o município de Pinheiro Machado, o qual foi identificado como o melhor lugar no Brasil para o cultivo de oliveiras, isso se dá devido aos aspectos da territorialidade e da geografia, tais como: clima, solo e altitude favoráveis. Essas especificidades locais oportunizam boa produção de azeitonas que dão origem a azeites de ótima qualidade e ao aumento de produtores interessados nessa atividade.

Uma peculiaridade é a criação de ovelhas concomitante ao cultivo das oliveiras, assim que as plantas completam três anos, os rebanhos passam a utilizar o mesmo espaço, se alimentando das gramíneas, mantendo assim o terreno limpo de ervas daninhas, o solo pedregoso é ideal tanto às oliveiras quanto as ovelhas, casamento perfeito que beneficia a economia do município.

Na Fazenda Guarda Velha, da família Batalha, encontra-se a maior produção de azeitonas do Brasil, com 90 mil pés cultivados em 300 hectares. Entre as grandes produtoras também tem a Olivarium Indústria de Azeite. No entanto,  não são apenas as grandes empresas que estão produzindo azeites de ótima qualidade, pequenos e médios produtores rurais também, eles fazem o beneficiamento das azeitonas na indústria da família Batalha, no município gaúcho.

O Estado do Rio Grande do Sul é o maior produtor de azeitonas do Brasil, porém a produção ainda é pequena frente a quantidade importada. Aqui no Sul temos espaços suficientes, clima e solo favoráveis para aumentar a produção de azeites, então se conclui que só está faltando produtores com disposição para entrar no ramo do cultivo de oliveiras.

Contextualizando esse caso com autores da antropologia, para Gonçalves (2007) e Debora Leitão (2010), quando se trata de representações identitárias de um indivíduo ou grupo,  os sujeitos, objetos e coisas são indissociáveis estão interligados e mais que representar uma determinada cultura eles expressam uma forma de organização e constituição de identidades.

No caso de Pinheiro Machado a formação cultural dos produtores de oliveiras e ovinos estão interligados com a paisagem, a lida com os animais, cultivo das oliveiras, o solo, as ferramentas, etc. Enfim, tudo isso contribuem para expressar uma identidade sócio cultural local. Assim a cultura material, a imaterial, juntamente com os aspectos do ambiente possuem relações sociais entre si. Segundo Débora Leitão devem ser observados no contexto e não na unidade, e os chama de “objetos construtores” de identidades, memórias e cultura.

Entre outros exemplos os quais podemos apontar, está o cultivo de uvas na região de Caxias do Sul, Bento Gonçalves, região da serra, entre diversos exemplos de economia que tem haver com a territorialidade dos lugares, muitos produtos e saberes são oriundos de herança familiar, até mesmo trazidos pelos imigrantes e reestruturados por seus descendentes, outros nascem ou ressurgem a partir de trocas culturais potencializadas pelos fatores ambientais.

Seria interessante ampliar os estudos com o auxílio da antropologia ecológica de Tim Ingold e a fenomenologia de Merleau-Ponty, pois, ambos concordam com a relação entre humanos e não humanos, natureza e cultura, a interligação entre sujeitos, objetos e coisas.

Cátia Simone Castro Gabriel da Silva
Antropóloga Social e Cultural

3
Aug

Comercialização de alimentos orgânicos na feira ecológica “Ao Entardecer” em Pelotas.

Segundo Júlia Guivant (2003) vivemos numa sociedade individualista e globalizada e a procura por alimentos orgânicos vem crescendo, é uma escolha preocupada na busca de um estilo de vida mais saudável e tem pouco a ver com preocupações ambientais.

A autora conceitua dois tipos de consumidores ecológicos: o “ego-trip” e o “ecológico-trip”, no estilo ego-trip encontram-se os consumidores mais individualistas que buscam produtos naturais só pensando na sua própria saúde, beleza física, forma estética… Para Guillon e Willequet (GUIVANT, 2003, pág 77), neste estilo “O consumo de produtos orgânicos pode ser ocasional, e apenas uma entre outras práticas consideradas saudáveis”.

Já  o estilo ecológico-trip também pode ser considerado um tipo de consumidor ego-trip, porém, as suas decisões de consumo vão além do pensar só em si, “Seria o estilo de vida assumida frente ao meio ambiente ou de responsabilidade social” (GUIVANT, 2003, p. 64).

Na observação participante que fiz na “Feira Ecológica ao Entardecer”, no Largo do Mercado Público em Pelotas-RS, uma consumidora, Sra. Paulina explicou que compra alimentos orgânicos há 15 anos, desde que as feiras começaram aqui no município,  diz que faz esta escolha principalmente pensando na sua saúde, pelo sabor, aparência dos alimentos e por não terem agrotóxicos. Ela ressalta que “Tem pessoas que reclamam que é mais caro, mas não veem o custo x benefício, e também o trabalho das famílias produtoras”.

Assim a compra na feira, direto com o produtor fica claro o exemplo do estilo de consumidor ecológico-trip, este pensa na sua saúde mas também nas famílias produtoras. Já os consumidores nos supermercados sobressairá o estilo ego-trip, pois estarão lembrando só em si e esquecem da responsabilidade social e do meio ambiente.

O produtor Sr. Orlando muito feliz comentou: “…A procura é cada vez maior, hoje chegam aqui dizendo: o médico me indicou que é pra comprar na feira ecológica, e há 15 anos atrás o médico não indicava.”

Ainda salientou que a demanda é muito grande, pois os produtores abastecem as feiras ecológicas em Pelotas/RS,  os restaurantes Teia Ecológica e ECO, fornecem seus produtos para a alimentação de estudantes da Rede Municipal de Ensino de Pelotas e ao Restaurante Universitário da UFPel.

Outro produtor, seu Guilherme comentou que  “Toda a família trabalha na produção”, essa é a  base da agricultura do tipo familiar. Explicou também que a maioria dos agricultores já produziu alimentos convencionais, mas com as orientações  e os apoios da EMATER, CAPA, Sul Ecológica, e Prefeitura Municipal de Pelotas eles passaram para a produção de produtos orgânicos.

Para ele “O solo tem que estar bom, a produção será boa e não temos pragas na lavoura”.  Para isto utilizam vários métodos alternativos e naturais na preparação do solo, alguns dos recursos são encontrados na própria propriedade, tais como a produção da compostagem com alimentos orgânicos, folhas de árvores, estercos, além de húmus entre outros recursos naturais. O resultado de todo esse esforço na preparação de um solo fértil é recompensado com a colheita de alimentos ricos em vitaminas, sais minerais, nutrientes e sem veneno. Assim encontraremos na “Feira Ecológica ao Entardecer” variedades de hortaliças, legumes, feijões, temperos, geléias, conservas, ovos, mel, algumas frutas, entre outros alimentos.

CERTIFICAÇÃO

Todos os produtores que fazem parte de uma associação e ou cooperativa  podem comercializar seus produtos sem o selo de Certificação de Produto Orgânico, a legislação brasileira foi generosa com o agricultor familiar. A exigência da certificação de Produto Orgânico só é necessária para à venda em supermercados ou para a exportação.

Por: Cátia Simone Castro Gabriel da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia Social e Cultural – UFPel

Referência bibliográfica:
Guivant, Julia S. Os supermercados na oferta de alimentos orgânicos: apelando ao estilo de vida ego-trip. Ambient. soc., Dez 2003, vol.6, no.2, p.63-81.

4
Jan

Relator do Código de Mineração aceita sugestões da sociedade civil

Laycer Tomaz
Leonardo Quintão
Quintão apoia a participação da sociedade na fiscalização da atividade mineral.

Muitas das reivindicações ou sugestões apresentadas por empresários, trabalhadores e ambientalistas foram contempladas pelo relator da proposta do novo Código de Mineração (PL 5807/13), deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG).

Atendendo a um pleito dos defensores do meio ambiente, por exemplo, Quintão ampliou o conceito de “comunidade impactada” e incluiu um artigo para determinar que a mineração deverá ser feita sob o compromisso “do desenvolvimento sustentável e da recuperação dos danos ambientais”.

Além disso, Quintão prevê a criação de conselhos municipais e estaduais, formados por representantes do setor produtivo e da sociedade civil, para ajudar na fiscalização dos empreendimentos minerais. “Isso vai expandir o diálogo entre quem produz [mineradoras], prefeituras, estados e as populações afetadas pela mineração”, disse.

Também caberá a esses conselhos o acompanhamento da aplicação dos recursos da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), paga a título de royalties para União, estados e municípios mineradores. A pedido de prefeitos e de associações de moradores, Quintão também reservou uma parcela desses royalties para os municípios afetados pela mineração, mesmo que não abriguem minas .

Segurança do trabalho
Os trabalhadores da mineração também tiveram parte de suas reivindicações atendida no relatório preliminar da comissão especial da Câmara que analisa a matéria. Quintão deixa claro que a atividade mineral deverá zelar pela “proteção à saúde e à segurança do trabalho, com a adoção das melhores práticas internacionais visando à redução dos acidentes de trabalho”.

Dep. Zé Geraldo (PT/PA) PA 181111
Zé Geraldo defende a inclusão de garimpeiros no código: “é preciso incentivar a pequena mineração”.

Em relação aos pequenos mineradores, o texto incentiva a atuação de sociedades cooperativas autorizadas e registradas de acordo com a Política Nacional de Cooperativismo (Lei 5.764/71). A medida tenta atender aos apelos dos parlamentares que pediram o estímulo, no novo código, aos garimpos legais, com menor impacto socioambiental.

O deputado Zé Geraldo (PT-PA) foi um dos que reclamaram dessa lacuna na proposta envida pelo Executivo. “O texto original não trata também dos garimpeiros, os produtores de ouro. Deveríamos ter um marco regulatório que viesse a atender mais ao que chamo de pequena mineração”, sustentou o parlamentar.

O relatório preliminar prevê ainda o regime de autorização, que é mais simples, para a exploração de recursos naturais menos complexos, como aqueles aproveitados na construção civil, a água mineral, as rochas ornamentais e os minérios usados como corretivo de solo na agricultura, como é o caso do fosfato. Para outros minerais mais complexos, a regra de exploração é via concessão por até 40 anos, prorrogáveis.

Íntegra da proposta:
PL-5807/2013

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Marcelo Oliveira

Da Agência Câmara Notícias

Fonte: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/ECONOMIA/458191-RELATOR-DO-CODIGO-DE-MINERACAO-ACEITA-SUGESTOES-DA-SOCIEDADE-CIVIL.html, acessado em 04/01/2014.

27
Oct

Comissão quer votar Código de Mineração na semana do dia 6 de novembro

A votação no Plenário da Câmara vai depender do destrancamento da pauta.

Ginny Morais

O relator da comissão especial que analisa o novo Código de Mineração (PLs 37/11 e 5807/13), deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), disse que a proposta será votada pelo colegiado na semana do dia 6 de novembro.

A previsão inicial era de a comissão votar o projeto no dia 15 de outubro, mas, de acordo com Quintão, foi necessário ampliar o debate sobre o código.

A votação em Plenário vai depender do calendário de votação do marco civil da internet (PL 2126/11), que passará a trancar a pauta a partir da próxima segunda-feira (28). O líder governista, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que o governo não está preocupado com o cronograma de votação do novo Código de Mineração.

Audiência no Pará
Integrantes da comissão especial estão em Marabá, no Pará, para discutir a proposta. O texto estabelece o novo marco regulatório do setor e aumenta a alíquota da Contribuição Financeira sobre Exploração Mineral (Cfem), que é paga pelas empresas que atuam no setor a título de royalties pela exploração dos recursos. Pelo novo texto, a alíquota máxima passará dos atuais 2% para 4%, incidindo sobre a renda bruta das empresas e não mais sobre o faturamento líquido.

Audiência da Comissão Especial do Código de Mineração
Deputados da comissão especial discutiram o projeto em audiência no Pará.
Durante a audiência, representantes dos municípios de Parauapebas, Marabá e Canaã dos Carajás, líderes de produção de minério no Pará, anunciaram que estarão em Brasília na próxima quarta-feira (30). A viagem tem o objetivo de apresentar formalmente as reivindicações da região para a proposta do novo Código de Mineração.

A comitiva será recebida pelos integrantes da comissão especial. Entre as reivindicações da região, está a de que parte da produção mineral seja industrializada localmente, para gerar emprego e renda. Há propostas de que essa cota seja de 30%.

José Neto Feitosa, presidente da Câmara de Vereadores de Parauapebas, criticou que a discussão sobre o novo marco legal do setor mineral só tenha vindo para a região no final do processo na Câmara. Parauapebas abriga a maior mina aberta de minério de ferro do mundo, explorada pela Vale.

Fonte: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/ECONOMIA/455375-COMISSAO-QUER-VOTAR-CODIGO-DE-MINERACAO-NA-SEMANA-DO-DIA-6-DE-NOVEMBRO.html