Categoria ‘Kaingáng’ Antropologia

12
Feb

10º Encontro Sepé Tiaraju, na cidade de São Gabriel (RS)

“Alto lá! Esta terra tem dono”
Em cada passo originário Sepé Tiaraju vive…
…com ele marcham nossos sonhos de justiça e de paz rumo a Terra Sem Males!

Há 260 anos, nessa terra que Ñanderu nos revelou, jorrava o sangue do grande líder e guerreiro Sepé Tiaraju e, de mais 1500 lutadores de nós povos massacrados pelos exércitos de Espanha e Portugal. Em memória desses nossos parentes que lutaram até o fim para defender a terra, nos reunimos no 10º Encontro Sepé Tiaraju, na cidade de São Gabriel (RS), local do massacre, entre os dias 05 a 08 de fevereiro. Estivemos presentes mais de 600 lutadores/as entre lideranças, rezadores, mulheres, homens, jovens e crianças do povo Mbya e Avá no Brasil e Argentina, do povo Kaiowa e Ñandeva do Mato Grosso do Sul e do povo Kaingang.

O Encontro representa a afirmação de que a nossa luta continua, assim como, o sonho de Sepé pela conquista, defesa de uma Terra Sem Males e pelo direito de vivermos em paz seguem vivos e fortes em cada um e cada uma de nós. Somos os guardiões da terra e de nossas tradições, só descansaremos quando tivermos a certeza de que nossos filhos crescerão livres e tranquilos sobre nossas terras tradicionais e ancestrais.

Nesse 10º Encontro, fizemos a memória de como nosso povo foi tratado pelas potências imperiais de Espanha e Portugal. Reavivamos a memória do dia 07 de fevereiro de 1756, quando os exércitos de Portugal e Espanha assassinaram, em uma emboscada, Sepé Tiaraju na Sanga da Bica desta mesma cidade. Três dias depois, assassinaram mais de 1.500 Guarani que defendiam o território dos interesses econômicos e políticos dos invasores europeus. Ao massacrar nosso povo, os não indígenas, consideraram que tinham eliminado nossa resistência, mas hoje sobre estas mesmas terras resistimos e lutamos contra os mesmos projetos coloniais, que em nome do lucro e da cobiça perpetuam o genocídio e destroem nossas terras sagradas.

Como no tempo de Sepé, seguimos enfrentando as armas dos novos exércitos: canetas e papel. São decisões políticas de Governo que beneficiam o latifúndio do agronegócio e, consequentemente afetam diretamente os nossos povos, roubando os nossos territórios, razão de nossa própria existência, fonte de nossa espiritualidade e coração de nosso modo de ser originário. Entendemos que erguer a bandeira de Sepé é também erguer a bandeira de Marçal de Souza Tupã’y, de Augusto Ope da Silva, de Ângelo Kretã, e, de todos aqueles que tombaram em defesa de nossos territórios, da nossa vida e da vida de nossos filhos.

Queremos denunciar o Governo Federal pela paralisação das demarcações das terras indígenas e pela publicação da Portaria 303 da Advocacia Geral da União (AGU). Nossos povos sofrem na beira de rodovias, nos fundos das fazendas, nas sombras do latifúndio e de baixo de lonas pretas, sem espaço, sem saúde, sem educação, sem poder plantar, sem poder viver com dignidade em nossas opy, sem poder sentir através de nossos mba’raka, tudo aquilo que nos foi deixado por Tupê, Tupã e Nãnderu. Nossos filhos morrem de frio e de fome nas beiras das estradas, enquanto os parentes Kaiowa sofrem um verdadeiro genocídio, sendo assassinados e caçados pelos agentes do agronegócio em plena luz do dia.

Denunciamos, portanto, o Congresso Nacional brasileiro pelo constante ataque aos nossos direitos. São dezenas de proposições que visam modificar a Constituição Federal de 1988 (CF), para impedir a regularização de nossas terras e aumentar a exploração dos recursos minerais e florestais. Denunciamos principalmente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000, por ser a síntese do que desejam a maioria dos deputados – paralisar as demarcações e reduzir as terras já demarcadas – modificando por completo os artigos 231 e 232 da CF.

Denunciamos, também, algumas interpretações equivocadas do Judiciário, que tem deturpado o sentido da Constituição Federal de 1988 ao aplicar o Marco Temporal, não reconhecendo o direito à terra daquelas comunidades que foram violentamente expulsas pelo Estado brasileiro ou pelo latifúndio e, pela tutela do Estado estavam impedidos de estar na posse da terra no dia 05 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal.

Denunciamos a Fundação Nacional do Índio (Funai) que através de seu presidente, João Pedro Gonçalves, anunciou publicamente que não existe genocídio contra os povos indígenas; que o órgão indigenista funciona bem; e, que não existe nenhuma falta de vontade política para resolver a questão indígena no Brasil. Estas mentiras nos feriram profundamente. Basta olhar para a realidade do Mato Grosso do Sul, em que morre um indígena Guarani e Kaiowa a cada dois dias, bem como a constantes perseguições, ameaças de morte e atentado contra as lideranças Kaingang nas retomadas de terras no RS, e ao fato de que nossas terras estão com seus procedimentos de demarcação paralisados ou com os grupos de trabalho de identificação suspensos. Para atender o agronegócio, os quais estão investindo para que a Comissão Parlamentar de Inquérito investigue a Funai, está sendo reavivado o velho conceito do “direito de conquista colonial”, de que nosso povo não tem direito à terra tradicional.

Afirmamos que junto com a terra, e não separado dela, é necessário que o Estado garanta também políticas de educação, saúde e atividades produtivas que estejam de acordo com nossos direitos. É inadmissível que o governo destine bilhões de reais ao agronegócio e nenhum centavo para a agricultura indígena, assim como, é inadmissível que o governo não desenvolva a política de saúde e privatize o atendimento através do Instituto Nacional de Saúde Indígena (INSI). Queremos a melhoria da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e autonomia dos DSEIs. Na educação escolar, necessitamos de envolvimento e seriedade do Estado para garantir a qualidade de ensino, mas, sobretudo com currículos diferenciados que respeitem e reconheçam a nossa cultura.

Exigimos que a Presidência da República, o Ministério da Justiça, a FUNAI e a SESAI estabeleçam e executem uma política indigenista de acordo com os artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988 e, com os Tratados e Convenções Internacionais (como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho artigos 13 e 15) sobre as questões indígenas, garantindo de uma vez por todas o respeito aos nossos direitos e territórios sagrados.

Exigimos que recomecem de maneira imediata as atividades dos Grupos de Trabalho de Identificação e Delimitação das Terras que se encontram politicamente paralisados no interior da FUNAI e que os procedimentos de regularização fundiária, tais como Portarias Declaratórias, homologações e desintrusões sejam igualmente reestabelecidos.

Exigimos respeito ao meio ambiente e à mãe terra. Que sejam respeitas as florestas, os rios, os lagos e todos os seres vivos porque eles merecem viver. Assim como, que sejam paralisadas as grandes obras que afetam negativamente nossas comunidades.

As comunidades da Nação Guarani presentes na Argentina, se manifestam no mesmo sentido, relatando graves violações de seus direitos e de sua cultura. Dentre os principais entraves, foram mencionados a necessidade da continuação das demarcações de territórios (Lei 26.160 e suas ampliações); o cancelamento de todas as obras das mega represas, dos empreendimentos de mineração extrativa e de exploração petrolífera nos territórios indígenas; assim como, o respeito e uso dos conhecimentos tradicionais sobre saúde.

Afirmamos, neste 10º Encontro, o compromisso de luta em memória dos que se foram e por aqueles que virão. Cada passo dado para dentro de nossos territórios tradicionais, para além das fronteiras nacionais, é um passo a mais rumo a Terra Sem Mal, juntos ao pé do fogo, no som dos nossos cantos sagrados, nas danças, a vida segue circulando.

Unimos nossas rezas e nossas organizações e afirmamos que a luta de um povo é a luta de todos os povos.

Viva Sepé! Viva a todos e todas lutadores da terra!
Terra de Sepé, terra Guarani. São Gabriel, 08 de Fevereiro de 2016.

Fonte: Cimi Sul

28
Oct

Carta de repúdio – Terra Indígena Guarita

Nós Lideranças e comunidade da Terra Indígena Guarita, cuja qual abriga a maior população do Estado do Rio Grande do Sul, com 6.947 indígenas Kaingang e Guarani, viemos através deste nos colocar totalmente contra a Emenda Constitucional-PEC 215, que viola nossos direitos previstos pela Constituição Federal de 1988.

Repudiamos todas as declarações e ofensas que estão sendo veiculadas contra os Povos Indígenas, de Norte a Sul da Nação Brasileira. Ressaltando que estão sendo proferidas por parlamentares da bancada ruralista e demais cidadãos que desconhecem quem somos de verdade, nos expondo de maneira preconceituosa e injuriosa. Questionamos aqui, o que será de nós se a PEC 215 for aprovada se já estamos à mercê dessa sociedade que não nos reconhece como os verdadeiros donos dessa terra? Que ao invés de nos proteger como afirma a Constituinte, desrespeita nossa organização social, costumes, línguas, crenças e tradições?

Manifestamos aqui nossa revolta frente todas as mortes e agressões que estão acontecendo com nossos parentes indígenas. Expomos ainda nossa indignação pelo fato de que não somos consultados perante as decisões tomadas no que se refere à questão indígena desse País, sendo uma total falta de respeito com as nossas Lideranças e comunidades do território Brasileiro. Ressalta-se que a Terra Indígena Guarita, homologada há vários anos, apoia freneticamente todas às terras indígenas em processo de demarcação e que lutaremos juntos contra a aprovação da PEC 215, até as nossas últimas forças. Resistindo destemidos para garantir que nossas mulheres, velhos e crianças possam finalmente viver em paz.

ASSIM COMO TODAS AS TERRAS INDÍGENAS DO RIO GRANDE DO SUL E DA NAÇÃO BRASILEIRA, SOMOS CONTRA A PEC 215! DEMARCAÇÃO JÁ!

Terra Indígena Guarita, 27 de outubro de 2015.

‪#‎PEC215NÃO‬ ‪#‎JUNTOSPODEMOSMAIS‬ ‪#‎TERRAINDÍGENAGUARITA‬ ‪#‎KAINGANG‬ ‪#‎GUARANI‬

18
Aug

Na luta pela terra e por um mundo mais justo, perdemos um grande lutador!

Francisco dos Santos, liderança Kaingang do Rio Grande do Sul, morreu na manhã desta segunda-feira, 17 de agosto de 2015. Ele sofria de câncer no pulmão.

Seu Chico, como era conhecido, tinha 53 anos e, desde o final da década de 1980, lutava na região metropolitana de Porto Alegre, juntamente com centenas de famílias indígenas, pelo direito a um pedaço de terra para viverem e pela garantia de espaços públicos onde pudessem comercializar os seus produtos, especialmente os artesanatos e as cestarias de taquara e cipó.

Na luta pelo direito de viverem nos espaços urbanos os Kaingang sempre foram duramente perseguidos e questionados sobre o porquê os “índios queriam viver na cidade, se o lugar de índio era na mata”? Seu Chico em sua sabedoria sempre respondia que a terra foi dada a todos os seres e que os colonizadores chegaram e foram se apossando de tudo, tirando um direito que era comum. E, ao se apossarem da terra, construíram sobre ela as cidades, destruíram as matas, os seres que viviam nas matas e contaminaram as águas. Mas antes destes colonizadores os Kaingang já viviam na terra e nunca se distanciaram dos lugares onde os umbigos dos antepassados foram enterrados. As autoridades não aceitam este argumento e, em geral, a sociedade dominante também se nega a entender e acolher os indígenas como parte da terra, da natureza e como partícipes do cotidiano nos espaços urbanos.

Nos debates que travava contra aqueles que faziam oposição a presença indígena em Porto Alegre, São Leopoldo, Canela, Farroupilha, Lajeado, Estrela e tantos outros lugares, Seu Chico sempre dizia  se sentir mais  índio na cidade do que nas reservas criadas para confiná-los, pois nos espaços urbanos ele lutava para resgatar e retomar o que lhes tiraram.

Seu Chico preocupou-se muito com a cultura Kaingang, com seus costumes, crenças, com a manutenção da língua, ou do idioma como ele mesmo falava, aspectos fundamentais para fortalecer o sentido de povo. Em função desse pensamento de Seu Chico e de outras lideranças, nas áreas que foram sendo criadas ou estão em processo de demarcação, a cultura Kaingang é valorizada, seu modo de ser é vivenciado no cotidiano e as crianças crescem aprendendo, em primeiro lugar, a língua Kaingang.

Seu Chico, nos últimos anos, envolveu-se fortemente na luta pela demarcação dos territórios indígenas, participando em reuniões, mobilizações, protestos contra a política de paralisação das demarcações de terras. Esteve por diversas vezes em Brasília juntamente com outras lideranças do Brasil dialogando com autoridades federais para que os direitos consolidados na Constituição Federal fossem assegurados e não destruídos por parlamentares ou governantes que defendem exclusivamente interesses econômicos.

Perdemos nesta vida um grande lutador, mas recebemos dele ensinamentos que se eternizam junto aos militantes das causas indígenas, quilombolas, sociais e ambientais. Causas que ele sempre articulava, pois dizia que as lutas não podiam ser isoladas, mas tratadas em conjunto. No mês de maio participou de uma reunião em Porto Alegre, no Quilombo dos Silva, onde expressou o sentimento de que indígenas e quilombolas são, entre os que sofrem, aqueles que mais foram agredidos, perseguidos, escravizados e os que, na atualidade, têm seus direitos ameaçados por  governos,  políticos e juízes que deveriam respeitar e cumprir a lei. Por isso, afirmava ele, “não podemos fraquejar, temos que manter a união e enfrentar os nossos inimigos em comum”.

Francisco dos Santos foi o nome dado a ele em português, mas em Kaingang os Kujã o nomearam como sendo Rôkag, que na tradução significa “Homem de boas ideias”. Ao longo de sua vida Rôkag nos deixou ensinamentos e ideias que precisam ser valorizados: cuidar da terra, cuidar das matas e de todos os seres nelas existentes. Para Rôkag todos os seres são relevantes para a vida. Dizia ele que as plantas existem porque tem a função de alimentar, proteger, servir de abrigo, remédios. A água é como se fosse o nosso sangue, por isso deve ser protegida, limpa, pura. E a terra é nossa mãe e sobre ela não precisamos nem falar muitas coisas, pois quem é que quer agredir a mãe, matar a mãe, envenenar a mãe? Somente aqueles que não a merecem.

Porto Alegre, 17 de agosto de 2015.

Conselho Indigenista Missionário – Regional Sul.

19
Dec

As lendas da criação e destruição do mundo como fundamentos da religião dos Apapocúva-Guarani – Eduardo Viveiros de Castro/1987.

“As lendas da criação…” é hoje um trabalho clássico, uma das monografias mais famosas sobre etnologia brasileira, e a maior obra de Nimuendajú, servindo como referência aos estudos dos Guarani.

Escrita pelo alemão Kurt  Unkel, que veio para o Brasil em 1905, um ano após quando iniciou seu trabalho no Estado de São Paulo foi batizado pelos seus interlocutores Guarani como Nimuendajú e  em 1922 quando naturalizou-se brasileiro passou a chamar-se Curt Nimuendajú.

Nimuendajú trata do complexo profético migratório dos Apapocuva (hoje denominados Ñandeva), analisado nos mitos e correlações éticas. Também trata sobre o dualismo espiritual dos Guarani (alma-palavra celeste, alma-animal terrestre) ou por Celeste Cicarrone chamadas de alma-divina e alma-telúrica.

É importante salientar que no início do século XX, no noroeste paulista e no sul do Mato Grosso estava acontecendo um movimento de colonização por imigrantes, apoiada pela construção da estrada de ferro Noroeste do Brasil, afetando os povos indígenas daquela região (Guarani, Kaingang, Xocleng, Ofaié). Foi nesse contexto que surgiu o famoso debate de Von Lhering, em propor o extermínio dos povos indígenas para liberar as terras para os imigrantes.

Viveiros de Castro aponta no trabalho de Nimuendajú uma mistura de obstinação e desencantos dos Guarani, e contra todos as previsões negativas sobre o fim iminente da sua cultura, eles existem até hoje.

As obras de Nimuendajú exprimem muito mais os mitos e tensões inerentes ao campo antropológico-indigenista. Autodidata sem formação acadêmica, utilizou-se dos talentos de linguista, historiador, arqueólogo e cartógrafo, fez 38 expedições etnográficas e arqueológicas de 1905 a 1945 (com sua morte em campo), percorrendo vários grupos étnicos ameríndios.

Os seus estudos isentos dos compromissos teóricos-institucionais, permitiram desenvolver a capacidade de perceber as preocupações dominantes de cada cultura, e não de qualquer teoria ou escola.

O método de Nimuendajú era de caracterizar o ethos e visão de mundo do povo estudado, guiado pela percepção das culturas de cada etnia, priorizava a palavra dos indígenas, fontes documentais, o manejo da língua nativa e denunciava a miséria física e moral dos povos indígenas. Sendo defensor dos direitos dos indígenas e de suas formas culturais.

Apoiado em clássicos sobre os Guarani derivados da produção etnológica ameríndia sobre a América do Sul, o seu trabalho surpreende pela modernidade, pois temos um texto de 1914 com usos de técnicas como a  “observação participante”, domínio da língua, permanência prolongada em campo entre outras formas clássicas de fazer antropologia utilizadas na contemporaneidade.

Viveiros fala que apesar de um estilo antropológico, os trabalhos de Nimuendajú “apresentam um domínio incompleto do campo e uma formação errática”, onde ele busca “várias formas de analogias para explicar de forma arcaica o que está vendo em campo”.

Apesar das críticas de Viveiros de Castro, ele aponta para as produções que tiveram influência direta nos trabalhos subsequentes sobre os Guarani, como os autores Egon Schaden, Leon Cadogan, Pierre e Hélene Clastres entre outros.

As suas monografias também abriram pesquisas sobre a estrutura social das sociedades Jê, contribuindo para os estudos dos seus sucessores como Levi-Strauss, que em 1950 fundou a antropologia estruturalista, mudando totalmento nosso campo de estudos.

“Nimuendajú parece se equivocar, quando, à força quer demonstrar que a ocupação do litoral atlântico pelos Tupi se devera a fatores exclusivamente religiosos”, ou seja, na busca pela Terra sem mal.

As análises mitológicas estavam na ordem do dia, tratando das origens da religião ou da razão, servindo como rotas de difusão cultural e mapas de afinidades genéticas.

O problema que o Nimuendajú encontrou sobre a melancolia e o desespero do pensamento Guarani ainda está em aberto. Ele achava que a …

“…cataclismologia Guarani tem atrás de si uma mistura muito sutil de esperança e desânimo, paixão e ação, e que sua aparência negadora oculta uma poderosa força afirmativa: em meio à sua miséria, os homens são deuses.” (Pág. 24)

Apesar de muitos escritos sobre os diferentes povos Guarani (Mbyá, Ñandeva, Kayowá), ainda continuam cheios de mistérios devido à complexidade da sua cultura e a mobilidade que lhes é própria.

Nos anos 40, no trabalho de Shaden, “Aspectos Fundamentais da Cultura Guarani” (Schaden, 1959: cap. VII), fala sobre a religiosidade dos Guarani trazer o problema da influência jesuítica (cristã de modo geral) sobre a cosmologia Guarani.

Primeiramente Nimuendajú sugere que o plano religioso é o lugar do sentido na sociedade Guarani, posteriormente seus trabalhos demonstram que o plano sociológico é privilegiado nos grupos Jê.

Eduardo diz que sem as descrições etnográficas, “De sistema de parentesco, distribuição espacial, ciclo de vida, genealogia…”, se continuará sabendo pouco sobre a sociologia e do misticismo religioso Guarani.

Seres do devir, os Guarani se preparam para  após a morte se encontrarem com os deuses. “Para os Guarani a destruição do mundo não é um termo, mas uma linha de fuga que os arrasta para um além sempre adiado, e isto é o presente.”

Conclusão:

Segundo Eduardo Viveiros de Castro  nos grupos ameríndios, tanto nos grupos Jê, quanto Tupi-Guarani a cosmologia predomina sobre a organização social, e religiosa, ou seja, é parte constitutiva da estrutura social, formando assim a cultura de cada grupo.

Cátia Simone da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia/UFPel
Integrante do NETA – Núcleo de Etnologia Ameríndia/UFPel
e do NECO – Núcleo de Estudo sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais/FURG

31
Jul

Projeto Quintais Orgânicos de Frutas da Embrapa: desenvolvimento sustentável para as comunidades tradicionais

Por: Cátia Simone da Silva

Sou estudante do 6º. semestre do curso de Antropologia da UFPel, e fiquei sabendo do Projeto Quintais Orgânicos de Frutas através do Sr. Alberi, engenheiro agrônomo da Embrapa, pois fomos colegas no curso sobre “Patrimônio Alimentar: Aportes Teóricos, Metodológicos para o Estudo do Rural”, coordenado pela Profa. Dra. Renata Menasche e promovido pelo Departamento de Antropologia e Arqueologia do Instituto de Ciências Humanas da UFPel.

Na época conversando com o Sr. Alberi, expliquei que possuia contatos com algumas comunidades indígenas e perguntei se ele sabia de algum projeto da Embrapa relativo a desenvolvimento sustentável para as “comunidades tradicionais”,  ele me falou sobre o “Projeto Quintais Orgânicos”, e as “Sementes Crioulas”.

O projeto Quintais Orgânicos da Embrapa Clima Temperado de Pelotas, e coordenado pelo Eng. Agrônomo Dr. Fernando R. Costa Gomes, tem o apoio da Eletrobras e da CGTEE e serve como “Contribuição para a segurança alimentar em áreas rurais, indígenas, e urbanas”, o Sr. Fernando Gomes, disse-me “O objetivo do pomar é fornecer frutas de janeiro a dezembro,  pois quando uma qualidade de fruta termina, outra planta já está produzindo”.  Além das vitaminas e nutrientes, elas possuem propriedades medicinais importantes à saúde humana.

Os Estados atendidos pelo projeto são o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e também o Uruguai, perfazendo 113 municípios e beneficiando 42.000 pessoas. Os pomares são destinados às comunidades indígenas, quilombolas, pequenos produtores rurais, assentados, e também são implantados em escolas como pomar didático.

Hoje são distribuídas 19 espécies diferentes de frutíferas, tais como amora-preta, araçá, araticum, caqui, cereja, figo, goiaba, guabiju, guabiroba, laranja, pêssego, pitanga, romã entre outras, algumas bem exóticas e difíceis de serem encontradas aqui na região, mas que se adaptam bem ao clima e ao solo, como é o caso da jabuticaba, uvaia…

No pomar orgânico, como o próprio nome diz não é utilizado nenhum agrotóxico na sua produção e as recomendações antes do plantio é apenas o uso do calcário na terra, e para a manutenção das plantas deve-se utilizar produtos naturais encontrados na própria propriedade rural, tais como estercos curtidos de aves, porcos…, e outros compostos orgânicos.

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Entrega das mudas aos indígenas da Aldeia Irapuá

O Eng. Agrônomo Dr. Fernando Gomes, decidiu atenciosamente que levaríamos primeiramente mudas de araucárias para as famílias indígenas que eu conhecia. Na foto acima está o Sr. Carlos Eloi da Embrapa, o cacique Sr. Silvino, eu e demais mbyás-guaranis arrumando as araucárias numa sombra, para depois serem plantadas na Tekoa Irapuá,  localizada na margem esquerda da BR 290 passando Caçapava do Sul, precisamente no Km 299.

O cacique Sr. Silvino disse-me que  vivem no local cerca de 13 famílias, totalizando em média 60 pessoas, encontrando-se em número maior as crianças, o número de pessoas varia devido a mobilidade que lhes é própria, podendo  aumentar ou diminuir.

Os mbyá utilizam para subsistência a agricultura familiar, a produção e vendas de artesanatos e apresentações culturais do coral Mirim, onde através da música e dos artesanatos expressam a sua cultura e sociocosmologia. Ver o meu artigo “Arte e territorialidade dos mbyá-guarani da Tekoa Irapuá de Caçapava do Sul”, apresentado no II Fórum Internacional da Temática Indígena/UFPel.

Após, levamos mudas de araucárias para moradores do Assentamento União em Canguçú, e em alguns meses quando retornamos com os insumos para a preparação da terra onde seriam plantados os pomares, pude perceber as araucárias grandinhas e bem cuidadas, revestindo-se de muita satisfação para mim e os estagiários da Embrapa ao vermos o bom desempenho das famílias em plantarem e cuidarem as mudas.

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Gustavo, Cátia e Leonardo

Essa foto é do dia 24 de julho de 2012, na frente de um dos viveiros na Embrapa da Cascata em Pelotas/RS. O responsável técnico pelo Projeto é o Gustavo Andrade, que supervisiona os estagiários, auxiliando-os desde o plantio das sementes, manutenção das mudas, até à entrega. Na ocasião estava me repassando as mudas de frutíferas que foram levadas para as três famílias de agricultores descendentes de guarani e kaingang, à Sra. Maria de Lourdes da Silva,  o Sr. Davi Alves de Moura, e seu filho Gilmar Alves de Moura, moradores do Assentamento União, em Iguatemi no Quinto Distrito de Canguçú, Rio Grande do Sul/Brasil.

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Sr. Davi, sua esposa Geni e Cátia

O meu interesse de pesquisa e trabalho é junto às comunidades tradicionais. Na foto acima está uma das famílias  beneficiadas, são agricultores, o Sr. Davi Alves Moura é orgulhoso de ser descendente de guarani,  o trabalho agrícola é a principal fonte de subsistência da família, juntamente com a criação diversificada de animais.

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Ramão, Leonardo e Maria de Lourdes

Para a entrega dos pomares foram os estagiários Leonardo Fonseca, estudante de Agronomia da UFPel e Ramão Timm, estudante do curso de Agropecuária do CAVG, os quais forneceram as orientações técnicas e as identificações das plantas, explicando aos beneficiários sobre o plantio, distanciamentos e a utilização das árvores nativas: arueira e guajuvira como quebra-vento, todas as mudas são fornecidas pelo projeto.

Para o plantio foi fornecido um mapa o qual deve ser observado a orientação do nascer do sol, onde será plantado a primeira fileira levando em consideração o porte da árvore quando adulta, sendo plantadas nessa primeira fileira a cerejeira, o pessegueiro e o caqui, e assim sucessivamente as demais frutíferas, para que a sombra de uma árvore não atrapalhe o desenvolvimento das demais.

Cabe salientar que esses dados não são uma regra fixa, é apenas uma forma de orientar o produtor, e é claro que tudo pode ser relativizado de acordo com o formato do terreno e a área disponível e também conforme o critério e interesse de cada um. O interessante disse Leonardo “Que o pomar fique perto para a sua manutenção e também na hora da visita os técnicos possam observar as plantas sem precisar procurá-las”.

Uma das características das comunidades tradicionais, é o conhecimento aprofundado sobre a natureza e seus ciclos, direcionando o manejo dos recursos naturais, e a Sra. Maria de Lourdes uma das beneficiadas comentou: “Agora não dá para plantar as mudas, pois estamos na lua nova, se plantar nessa lua a fruta sai azeda, mas dia 26 já vai mudar para a crescente, e então eu vou plantar, pois nessa lua dá frutas doces”.

Como explica Manuela Carneiro da Cunha (2009), os “saberes tradicionais” são locais, diferentes dos científicos que são universais, não é um saber fechado, acabado, mas está em constante processo de investigação e resignificação, sendo passado de uma geração para outra através da oralidade.

Durante os contatos que mantive com os grupos ameríndios, sempre atuei como explica Roberto Cardoso de Oliveira (2004), através da “antropologia da ação”, onde o “antropólogo orgânico” na busca de conhecer a cultura do outro não consegue ficar sem agir, através da “ética discursiva”, intervindo mas sempre de acordo com a cultura do outro,  preocupado com a moral e a ética, e com a boa qualidade de vida das pessoas as quais está trabalhando, respeitando os desejos e interesses dos seus interlocutores.

Referências bibliográficas:

CUNHA, Manuela Carneiro da. Cultura com aspas. “Relações e dissensões entre saberes tradicionais e saber científico”: COSAC NAIFY, 2009.

OLIVEIRA, R. C. de. O mal-estar da ética na Antropologia prática. In: OLIVEN, R. G.; MACIEL, M. E.; ORO, A P. (org.). Antropologia e ética: o debate atual no Brasil, Niterói: Eduff, 2004.

28
Oct

A realidade nua e crua

No dia 21 de outubro de 2011 tive a honra se assim posso chamar esse momento, de participar de uma audiência pública na capital Porto Alegre na assembléia legislativa, onde o assunto em pauta era a questão de terras. Lá se encontravam deputados, representantes do governo, a excelentíssima senhora senadora Ana Mélia Lemos e muitos agricultores do nosso estado, todos muito bem acomodados na plenária, lá também estava uma minoria indígena, quilombolas e afro descendentes.

Deparei-me então com o  que há de mais preconceituoso no ser humano, ser esse que se autodenomina civilizado!

O assunto em questão era se demarcava algumas terras indígenas ou não, cada um defendendo seu lado,” tentando” entrar num acordo que contemplasse todas as partes.

Minha indignação não é nem em relação a se demarca ou não territórios tradicionais indígenas ou se deixa os invasores não indígenas lá, mas em perceber como somos vistos e tratados pelos grandes produtores e políticos que nos representam no cenário nacional ou estadual.

Somos historicamente donos desse chão Brasil, fomos expulsos de nossa casa, nos arrancaram de nossas terras no passado, e hoje nos tratam como invasores. Repulsa é pouco  pra definir aquele momento , vi  e ouvi o que pensam e dizem sobre nós povos indígenas kaingang e guarani, pessoas rindo, ironizando e gritando que somos preguiçosos, que não temos direito de lutar pela terra.

Vi líderes indígenas anônimos chorando e pedindo respeito a nossa cultura, a nossa mãe terra, vi também a solidão desses guerreiros anônimos, que tiveram a coragem de reagir diante de tanta injustiça. Porém a maior tristeza que vivi foi de perceber o quanto não estamos preparados  e nem unidos como povo para lutar pelos nossos direitos, ali estávamos em um número reduzido de kaingangs, mesmo sendo poucos em número poderíamos ter usado da nossa principal arma atualmente que é a nossa formação acadêmica, mas infelizmente ainda falta conscientização do quanto somos fortes apesar de poucos, percebo que essa sociedade está conseguindo o que sempre desejou que é exterminar o índio brasileiro, uma forma de extermínio diferente da tão desejada, mas tão cruel quanto a outra, o extermínio da nossa identidade, do nosso orgulho de sermos donos dessa terra. Ainda não estamos preparados para sermos líderes aqui fora, ainda não tomamos consciência da força da palavra, da resposta, da ação. Pude sentir na pele o resultado do extermínio da voz.

Mas assim mesmo não deixo de acreditar que mesmo poucos, ainda poderemos lutar junto com os líderes anônimos que lá estavam que aqui tenho a honra de citá-los: Jaime kaingang, Francisco kaingang, Luiz Salvador kaingang que tiveram a coragem de enfrentar agricultores, deputados, senadora e grandes latifundiários que se disfarçaram de pobres coitados para também se beneficiarem do que é nosso, do que é parte de nós que é a terra.

Que bom seria se junto com esses líderes, estivessem todos nós guerreiros indígenas que tivemos a chance de sair estudar e conhecer essa sociedade, talvez a gente poderia fazer a diferença naquele momento, não podemos querer ser guerreiros só dentro das nossas aldeias, porque lá não precisamos guerrear com nós mesmos, devemos ter consciência de que nossa luta é aqui fora junto às nossas lideranças tradicionais, mostrando os caminhos para a justiça e vitória , não com flechas, mas com a palavra e o conhecimento das leis criadas pelo homem branco.

De nada adianta passarmos na universidade, de nada adianta conviver nessa sociedade injusta se não sabemos o que queremos, para que queremos e o que faremos com nosso conhecimento adquiridos em anos de estudos, pois só assim provaremos a todos que não somos e não admitimos sermos tratados como palhaços, como fomos nesse dia triste.

Mas ainda me sinto feliz e realizada, não deixo de acreditar que podemos ser vencedores, pois mesmo conhecendo naquele dia o lado mais preconceituoso dos não indígenas, pude também me deparar com grandes parceiros brancos e negros que assim como aqueles que lá estavam em minoria também acreditam na nossa luta,  que junto com a gente levantou a bandeira e gritou em plenária aos quatro cantos que apoiavam nossa luta, pessoas que merecem o maior respeito e reconhecimento pela coragem de enfrentar também o preconceito por apoiar índios e negros.

Aqui registro a compreensão da coordenação do curso do Proeja Indígena que nos possibilitou a ida a esse momento histórico de luta do nosso povo, a coragem de uma professora indígena em também estar lá e mostrar a seus alunos que podemos sim fazer a diferença, só depende de nós.

Tivemos a honra de nos deparar com a verdadeira face de políticos que chegaram um dia  em nossas terras se dizendo apoiadores  à nossa causa em busca de apoio político e que naquele momento  estavam a aplaudir os grandes agricultores e deputados que não aceitam nosso direito a terra, pobres coitados nem imaginavam nos encontrar lá, assim foi uma honra poder cumprimentá-los e convidá-los a visitar novamente nossas aldeias nas próximas eleições!

Penso que momentos como esse devem ser divulgados, pois podemos sim fazer a diferença, lutar, acreditar, se expor, chorar e podemos até perder, mas nunca deixar de ter orgulho de levantar a bandeira e gritar, mesmo que seja  um grito silencioso e que ninguém naquele momento nos ouvisse, mas que se grite e diga com orgulho que a casa é nossa e não damos autorização para ninguém entrar sem ser convidado. Nossa casa é nossa terra e não podemos deixar nossos filhos crescerem sem saber de onde vieram e para onde voltarão.

Como falou o Jaime kaingang “eu tenho pena de vocês, pois vocês compraram terras e pagaram por elas, é justo, mas esqueceram de avisar vocês que essas terras já tinham donos, nós os indígenas!”.

E seu Francisco kaingang “não era pra nós ta aqui hoje nesse lugar, mas vocês invadiram nossas terras e nos trouxeram pra cá!

Um grande abraço a todos, e continuemos na luta, que está só começando.
Laísa Erê Ribeiro/Bióloga kaingang, pós graduanda em EDCI e Proeja Indígena

Enviado por: Alessandro Lopes
Discente Bacharelado Antropologia/UFPel

13
Sep

Indígenas organizam protesto contra fraude em licitação da SESAI

Suspeita de fraude na licitação para contratação de serviços à saúde indígena, promovida pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão do Ministério da Saúde, gera revolta entre indígenas do Sul e Sudeste do país e hoje (13/09/2011), a partir das 10 horas, protestos ocorrem nas capitais dessas duas regiões contra as irregularidades observadas.

No último dia 9 de setembro, lideranças indígenas de todo sul e sudeste do Brasil se reuniram na aldeia Guarani em M’biguaçu (KM 190 da BR 101 na grande Florianópolis – SC) e após ter dado prazo ao MS, decidiram por organizar a série de protestos que terá inicio amanhã e se estenderá até a revogação do edital.

Além do protesto em M’biguaçu, com mais de 300 indígenas, outros protestos serão realizados em todas as capitais do sul e sudeste.

Os envelopes do Edital de Chamamento Público 001/2011, abertos em 1º de setembro, credenciou apenas uma ONG para atender a saúde indígena em todo Brasil. As mais de 20 ONGs inscritas, que já vinham prestando atendimento aos indígenas, foram desclassificadas.

Os indígenas, por conta disso, reivindicam também concurso público para por fim a forma de atendimento via ONG – como vem sendo praticado atualmente.

Há fortes indícios de favorecimento a ONG Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), ligada a Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, na qual o secretário da SESAI leciona no ensino a distância. Antes mesmo da abertura dos envelopes a SPDM já sabia que seria a única beneficiada.

O próprio secretário tentava convencer os presidentes dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena (Condisi), na reunião do Fórum dos Conselheiros que antecedeu a abertura dos envelopes, que melhor seria ter uma única ONG atuando e com determinadas características, exatamente aquelas da SPDM. Os conselheiros alegam também que os indígenas não foram consultados sobre os critérios do edital, como prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Os indígenas solicitaram também ao Ministério Público Federal (MPF) que ajuíze uma Ação Civil Pública para anular o edital.

São milhões de reais repassados pelo Ministério da Saúde a ONG vencedora da licitação para o atendimento a saúde indígena e pouco se reverte em atendimento direto aos povos indígenas.

Fonte: Cimi Regional Sul / Florianópolis (SC)

Mais informações:

http://acordaterra.wordpress.com/2011/09/04/indigenas-impugnam-edital-da-sesai-e-denunciam-manobra-politica/

Enviado por:
Vanderlise Barão
Arqueologia / LEPAN
Instituto de Ciências Humanas e da Informação
Universidade Federal do Rio Grande – FURG

18
Aug

III Encontro de educação superior indígena no Paraná

cartaz-antropologia
Clique aqui para ampliar o cartaz

III Encontro de Educação Superior Indígena no Paraná, que debaterá os 10 anos da politica de educação superior indigena no estado.
Durante o evento teremos exposição da artista Ana Norogrando, reunindo 65 peneiras com iconografia kaingang de diferentes regiões etnológicas, a qual ficará exposta aqui na UFPR Litoral durante os meses de setembro e outubro de 2011.

As inscrições de trabalho estão sendo feitas até 09/09 através do email eesi.pr@gmail.com
Serão aceitos os seguintes formatos: comunicação oral, poster, exposição fotográfica, exposição de arte, exibição audiovisual.

Enviado por:
Ana Elisa de Castro Freitas
Presidente da Comissão Universidade Para os Índios/CUIA – Gestão 2010-2011
Professora Adjunta – UFPR/Setor Litoral
Rua Jaguariaíva, 512 – Caiobá – Matinhos/PR
(41) 35118329