Categoria ‘Mbya-Guarani’ Antropologia

2
Jan

Resenha do livro: Os Mbyá-Guarani através da sua culinária doce

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Por Cátia Simone da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia/UFPel

Apresento a resenha do livro: “A doce cosmologia Mbyá-Guarani: uma etnografia de sabores e sabores”, (Editora Appris, 2012, 514 páginas), do antropólogo Mártim César Tempass, a mesma foi publicada na revista Espaço Ameríndio da UFRGS (http://seer.ufrgs.br/espacoamerindio/), no Volume 6, Número 2 de 2012.

Acesse a resenha completa em PDF.

Boa leitura!

30
Oct

Relatório sobre o deslocamento dos indígenas Mbyá-Guarani do Acampamento do Retiro/BR 116 para a Aldeia Guarani da Colônia Maciel, Pelotas/RS.

Esse relatório foi produzido por Francisco Witt, indigenista da FUNAI/RS, aqui é relatado a atuação da FUNAI auxiliando um grupo mbyá-guarani que estavam acampados nas margens da rodovia BR 116, no Retiro e foram deslocados para a Aldeia na Colônia Maciel de Pelotas, atualmente denominada pelos mbyá-guarani como Aldeia Kapi’i Ovy (Capim Verde), até hoje a família do Sr. Lorenço Benites vivem no local.

O Relatório foi cedido gentilmente pelo Sr. Francisco Witt, para publicação nesse blog acadêmico de Antropologia Social e servir de orientação aos estudantes e pesquisadores dedicados às temáticas ameríndias.

Para ler o Relatório na íntegra clique aqui.

Obrigada ao amigo Francisco Witt!

Por Cátia Simone da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia/UFPel
Integrante do NETA – Núcleo de Etnologia Ameríndia/UFPel
e do NECO – Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais/FURG.

31
Jul

Projeto Quintais Orgânicos de Frutas da Embrapa: desenvolvimento sustentável para as comunidades tradicionais

Por: Cátia Simone da Silva

Sou estudante do 6º. semestre do curso de Antropologia da UFPel, e fiquei sabendo do Projeto Quintais Orgânicos de Frutas através do Sr. Alberi, engenheiro agrônomo da Embrapa, pois fomos colegas no curso sobre “Patrimônio Alimentar: Aportes Teóricos, Metodológicos para o Estudo do Rural”, coordenado pela Profa. Dra. Renata Menasche e promovido pelo Departamento de Antropologia e Arqueologia do Instituto de Ciências Humanas da UFPel.

Na época conversando com o Sr. Alberi, expliquei que possuia contatos com algumas comunidades indígenas e perguntei se ele sabia de algum projeto da Embrapa relativo a desenvolvimento sustentável para as “comunidades tradicionais”,  ele me falou sobre o “Projeto Quintais Orgânicos”, e as “Sementes Crioulas”.

O projeto Quintais Orgânicos da Embrapa Clima Temperado de Pelotas, e coordenado pelo Eng. Agrônomo Dr. Fernando R. Costa Gomes, tem o apoio da Eletrobras e da CGTEE e serve como “Contribuição para a segurança alimentar em áreas rurais, indígenas, e urbanas”, o Sr. Fernando Gomes, disse-me “O objetivo do pomar é fornecer frutas de janeiro a dezembro,  pois quando uma qualidade de fruta termina, outra planta já está produzindo”.  Além das vitaminas e nutrientes, elas possuem propriedades medicinais importantes à saúde humana.

Os Estados atendidos pelo projeto são o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e também o Uruguai, perfazendo 113 municípios e beneficiando 42.000 pessoas. Os pomares são destinados às comunidades indígenas, quilombolas, pequenos produtores rurais, assentados, e também são implantados em escolas como pomar didático.

Hoje são distribuídas 19 espécies diferentes de frutíferas, tais como amora-preta, araçá, araticum, caqui, cereja, figo, goiaba, guabiju, guabiroba, laranja, pêssego, pitanga, romã entre outras, algumas bem exóticas e difíceis de serem encontradas aqui na região, mas que se adaptam bem ao clima e ao solo, como é o caso da jabuticaba, uvaia…

No pomar orgânico, como o próprio nome diz não é utilizado nenhum agrotóxico na sua produção e as recomendações antes do plantio é apenas o uso do calcário na terra, e para a manutenção das plantas deve-se utilizar produtos naturais encontrados na própria propriedade rural, tais como estercos curtidos de aves, porcos…, e outros compostos orgânicos.

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Entrega das mudas aos indígenas da Aldeia Irapuá

O Eng. Agrônomo Dr. Fernando Gomes, decidiu atenciosamente que levaríamos primeiramente mudas de araucárias para as famílias indígenas que eu conhecia. Na foto acima está o Sr. Carlos Eloi da Embrapa, o cacique Sr. Silvino, eu e demais mbyás-guaranis arrumando as araucárias numa sombra, para depois serem plantadas na Tekoa Irapuá,  localizada na margem esquerda da BR 290 passando Caçapava do Sul, precisamente no Km 299.

O cacique Sr. Silvino disse-me que  vivem no local cerca de 13 famílias, totalizando em média 60 pessoas, encontrando-se em número maior as crianças, o número de pessoas varia devido a mobilidade que lhes é própria, podendo  aumentar ou diminuir.

Os mbyá utilizam para subsistência a agricultura familiar, a produção e vendas de artesanatos e apresentações culturais do coral Mirim, onde através da música e dos artesanatos expressam a sua cultura e sociocosmologia. Ver o meu artigo “Arte e territorialidade dos mbyá-guarani da Tekoa Irapuá de Caçapava do Sul”, apresentado no II Fórum Internacional da Temática Indígena/UFPel.

Após, levamos mudas de araucárias para moradores do Assentamento União em Canguçú, e em alguns meses quando retornamos com os insumos para a preparação da terra onde seriam plantados os pomares, pude perceber as araucárias grandinhas e bem cuidadas, revestindo-se de muita satisfação para mim e os estagiários da Embrapa ao vermos o bom desempenho das famílias em plantarem e cuidarem as mudas.

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Gustavo, Cátia e Leonardo

Essa foto é do dia 24 de julho de 2012, na frente de um dos viveiros na Embrapa da Cascata em Pelotas/RS. O responsável técnico pelo Projeto é o Gustavo Andrade, que supervisiona os estagiários, auxiliando-os desde o plantio das sementes, manutenção das mudas, até à entrega. Na ocasião estava me repassando as mudas de frutíferas que foram levadas para as três famílias de agricultores descendentes de guarani e kaingang, à Sra. Maria de Lourdes da Silva,  o Sr. Davi Alves de Moura, e seu filho Gilmar Alves de Moura, moradores do Assentamento União, em Iguatemi no Quinto Distrito de Canguçú, Rio Grande do Sul/Brasil.

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Sr. Davi, sua esposa Geni e Cátia

O meu interesse de pesquisa e trabalho é junto às comunidades tradicionais. Na foto acima está uma das famílias  beneficiadas, são agricultores, o Sr. Davi Alves Moura é orgulhoso de ser descendente de guarani,  o trabalho agrícola é a principal fonte de subsistência da família, juntamente com a criação diversificada de animais.

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Ramão, Leonardo e Maria de Lourdes

Para a entrega dos pomares foram os estagiários Leonardo Fonseca, estudante de Agronomia da UFPel e Ramão Timm, estudante do curso de Agropecuária do CAVG, os quais forneceram as orientações técnicas e as identificações das plantas, explicando aos beneficiários sobre o plantio, distanciamentos e a utilização das árvores nativas: arueira e guajuvira como quebra-vento, todas as mudas são fornecidas pelo projeto.

Para o plantio foi fornecido um mapa o qual deve ser observado a orientação do nascer do sol, onde será plantado a primeira fileira levando em consideração o porte da árvore quando adulta, sendo plantadas nessa primeira fileira a cerejeira, o pessegueiro e o caqui, e assim sucessivamente as demais frutíferas, para que a sombra de uma árvore não atrapalhe o desenvolvimento das demais.

Cabe salientar que esses dados não são uma regra fixa, é apenas uma forma de orientar o produtor, e é claro que tudo pode ser relativizado de acordo com o formato do terreno e a área disponível e também conforme o critério e interesse de cada um. O interessante disse Leonardo “Que o pomar fique perto para a sua manutenção e também na hora da visita os técnicos possam observar as plantas sem precisar procurá-las”.

Uma das características das comunidades tradicionais, é o conhecimento aprofundado sobre a natureza e seus ciclos, direcionando o manejo dos recursos naturais, e a Sra. Maria de Lourdes uma das beneficiadas comentou: “Agora não dá para plantar as mudas, pois estamos na lua nova, se plantar nessa lua a fruta sai azeda, mas dia 26 já vai mudar para a crescente, e então eu vou plantar, pois nessa lua dá frutas doces”.

Como explica Manuela Carneiro da Cunha (2009), os “saberes tradicionais” são locais, diferentes dos científicos que são universais, não é um saber fechado, acabado, mas está em constante processo de investigação e resignificação, sendo passado de uma geração para outra através da oralidade.

Durante os contatos que mantive com os grupos ameríndios, sempre atuei como explica Roberto Cardoso de Oliveira (2004), através da “antropologia da ação”, onde o “antropólogo orgânico” na busca de conhecer a cultura do outro não consegue ficar sem agir, através da “ética discursiva”, intervindo mas sempre de acordo com a cultura do outro,  preocupado com a moral e a ética, e com a boa qualidade de vida das pessoas as quais está trabalhando, respeitando os desejos e interesses dos seus interlocutores.

Referências bibliográficas:

CUNHA, Manuela Carneiro da. Cultura com aspas. “Relações e dissensões entre saberes tradicionais e saber científico”: COSAC NAIFY, 2009.

OLIVEIRA, R. C. de. O mal-estar da ética na Antropologia prática. In: OLIVEN, R. G.; MACIEL, M. E.; ORO, A P. (org.). Antropologia e ética: o debate atual no Brasil, Niterói: Eduff, 2004.

6
Jun

Inaugurada aldeia Guarani em Santa Maria

Posse da área foi oficialmente entregue à comunidade

Na manhã dessa segunda-feira, 4, a comunidade Guarani Mbya de Santa Maria inaugurou oficialmente a aldeia Tekoa Guaviraty Porã. O termo de posse da área, com um total de 77 ha, foi entregue aos indígenas. Aproveitando a ocasião, a União, representada pela FUNAI, fez o reconhecimento do terreno.

Para Rondon de Castro, presidente da SEDUFSM e diretor eleito do ANDES-SN, a entrega da área aos Guaranis de Santa Maria deve servir como exemplo. “O que está ocorrendo aqui não é uma entrega e sim uma devolução. Que sirva de exemplo. Hoje a lei do homem branco se rendeu e teve que assumir quem são os verdadeiros donos dessas terras. Além disso, ficou claro que é possível discutir e trabalhar a questão da distribuição da terra, ainda considerada intocável por políticos que tem medo de comprar a briga”, afirmou Rondon.

Entre os presentes também estavam Ivar Pavan, secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Valdeci Oliveira, deputado estadual, Rafael Brum, procurador da república, João Maurício Farias, assistente técnico da região litoral sul da Fundação Nacional do Índio (Funai), além de representantes do Exército, da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), da prefeitura de Santa Maria, da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Representando outras comunidades indígenas estiveram presentes Natanael Claudino, Cacique Kaigang de Santa Maria, Santiago Franco, do Conselho de Articulação do Povo Guarani (CAPG) e membros da comunidade Guarani Irapuã, da cidade de Caçapava do Sul.

Longe do Arenal

Para o cacique da aldeia, Cesário Timóteo, a nova área representa uma grande melhora nas condições de vida quando comparada ao local anterior, no acampamento do Arenal. Lá, às margens da BR-392, além da exposição aos perigos da rodovia, os indígenas viviam em barracas e sofriam com as baixas temperaturas do inverno santa-mariense. “Lá no Arenal nós perdemos 3 crianças e um adulto e agora nós vemos aqui as crianças sadias, com espaço para brincar, e isso é o mais importante”, afirma o cacique.

Nessa mesma linha, o representante da Funai, João Maurício Farias, afirma ser importante ressaltar que essa não é a área definitiva dos Guaranis de Santa Maria. Segundo Farias, a Funai trabalhou, em um primeiro momento, com a necessidade de tirar essa comunidade da situação vulnerável em que viviam no Arenal.

Contudo, embora a conquista do terreno seja comemorada como uma vitória, o discurso dos indígenas Guaranis e de movimentos sociais apoiadores da causa foi de cautela. “Na verdade a gente avalia que é um pequeno passo dentro de uma grande retomada. Então isso é histórico. Essa conquista prova que a política para os indígenas não deve ser a do assistencialismo e sim a política dos direitos”, afirma Matias Rempel, do Grupo de Apoio aos povos indígenas, o Gapin, que junto com os Guaranis, foi responsável pela organização da inauguração da aldeia.

Santiago Franco, do CAPG, segue a mesma linha, relembrando tantas outras comunidades indígenas do estado que ainda vivem em situações precárias. “Essa luta vai continuar, por que essa terra é uma parte. Ainda existe muita gente vivendo na beira da estrada e nós seguiremos na luta cobrando mais apoio e recursos dos governos”, apontou Santiago.

Não muito longe da situação descrita por Santiago, Natanael Claudino, cacique dos Kaigangs de Santa Maria, comunidade que vive em difícil situação próximo à rodoviária da cidade, vê esperança na conquista Guarani. “Isso para nós serve de inspiração, isso nos dá esperança de que a comunidade Kaigang também pode conseguir. A esperança de uma vida melhor, com um pedacinho de chão que seja nosso”, afirmou Natanael.

Casas e escola

Atualmente oito famílias Guaranis estão na aldeia Tekoa Guaviraty Porã. Com material para a construção das casas fornecido pela Funai e o auxílio de mão de obra do exército, a aldeia vive em situação bem melhor quando comparada ao Arenal. A perspectiva, contudo, é de que outros Guaranis se desloquem para o local. Esses indígenas são, na sua maioria, membros da comunidade que, insatisfeitos com as condições no Arenal, deixaram a área à procura de um lugar melhor. Agora, com o retorno deles, a preocupação é de que falte casa para todos.

Além disso, a aldeia já possui aval para a construção de uma escola no local. A madeira já fornecida pela Secretaria Estadual de Educação, no entanto, está longe de ser suficiente. Segundo Cesário, os Guaranis já fizeram os contatos necessários para conseguir os materiais, tanto da escola quanto para as casas, mas ainda não receberam resposta oficial sobre nenhuma das situações.

Área é provisória

O terreno onde hoje está a aldeia foi ocupado no dia 26 de abril em cumprimento a uma ordem judicial. A área, próxima ao Distrito Industrial, estava cedida em comodato pelo governo do estado à Fundação Educacional e Cultural para o Desenvolvimento e o Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura, a FUNDAE.

Segundo Roberto Covatti, oficial de Justiça presente na ocupação, a escolha da área cedida aos Guaranis se deu por tratar-se de terreno ocioso e pertencente ao estado. Além disso, o comodato que cede a área à Fundae aproximava-se do seu vencimento, em 2014. A área já havia sido visitada pelos Guaranis e por representantes do governo que a avaliaram satisfatoriamente.

A instalação dos Guaranis na área, contudo, é provisória. Os indígenas aguardam, na verdade, a formação de um grupo de trabalho (GT) da Funai que estudará as questões necessárias para a instalação dos indígenas em área definitiva, já escolhida pela comunidade, próxima ao Rio Ibicuí. No local seria criada a Reserva Biológica do Ibicuí, com área total de 500 ha.

Durante a inauguração da Aldeia nessa segunda, o representante da Funai, João Maurício Farias, reafirmou que o GT deve ser formado no segundo semestre de 2012. Farias também afirmou, contudo, que várias áreas serão estudadas pela equipe que escolherá o local definitivo dos indígenas, não podendo ser garantida a escolha pela região às margens do Ibicuí.

Texto: Rafael Balbueno
Assessoria de Imprensa da SEDUFSM

Fonte:  http://www.sedufsm.org.br/index.php?secao=noticias&id=1035#!prettyPhoto

22
Dec

Bicicletas de Nhanderú

Por: Cátia Simone da Silva

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É um documentário que entra na cosmologia, no modo de viver e pensar dos mbya-guarani da Aldeia Tekoa Koénju, localizada nas Missões do Rio Grande do Sul, no Brasil. Precisamente em São Miguel, cidade que faz parte dos Sete Povos das Missões. Onde através do projeto Vídeo nas Aldeias, Ariel Ortega, cineasta e cacique indígena produziu o documentário intitulado “Bicicletas dos Deuses”.

Em 2010 estive visitando esta região com um projeto de extensão de ensino da UFPel/RS,  onde eu, alguns colegas e professores, podemos conhecer dois sítios arqueológicos, as ruínas de São João Batista e a de São Miguel Arcanjo, além da Aldeia Tekoa Koénju. Caso queiram saber mais sobre estas visitas, acessem o meu diário de campo da viagem a São Miguel das Missões.

Na história de vida dos mbyas apresentada no vídeo, com narrativas mitológicas, podemos notar discursos com a necessidade de protegerem-se dos brancos desde de criança, os conflitos com a territorialidade, e conversas de homens com deuses salientando-se a elevada espiritualidade dos mbyas. Onde os  célebres textos de Levi-Strauss, “Mito e Significado”, “Antropologia Estrutural Dois”, “O Cru e o Cozido”,  nos dão os conceitos pertinentes para podermos entender este modo especial de ver o mundo, tão próprio dos ameríndios e outros povos tradicionais.

Além destes traços marcantes das culturas indígenas, onde encontramos as narrativas mitológicas evocando deuses para entender os fenômenos da natureza, como o mito do início do filme onde Tupã, Deus guarani criou tudo que existe no mundo apartir de uma unidade. Também podemos perceber a importância do sentido coletivo, as relações de parentesco, afinidade e reciprocidade explícitas nos comportamentos e também os conflitos de territorialidade ficam evidentes, narrados pelos meninos mbyas.

Para o Karaí, talvez nenhum guarani tenha alcançado a Terra Sem Males, porque é muito difícil um ser humano não ter imperfeições e que “cada pessoa é como uma bicicleta dos deuses”, porque ele diz que os espíritos bons lançam pensamentos e então as palavras são pronunciadas sem que a pessoa perceba.

A cultura material pode ser percebida nas construções das casas, nos artesanatos decorativos e ornamentais entre eles temos as cestas para colocar roupa, confeccionada com a lâmina da taquara, além de colares e pulseiras produzidas com sementes.

Entre outras heranças culturais dos mbyas-guaranis podemos encontrar a confecção de violinos, um dos instrumentos musicais utilizados pelos mbyas, também a arte do entalhe em madeira entre outras, que segundo Arnaldo Bruxel, foram aptidões produzidas nas reduções jesuíticas, então podemos verificar que os saberes tradicionais foram transmitidos por gerações, manifestam-se nos dias atuais, sendo uma herança cultural guarani-missioneira.

Para você ver o filme na íntegra clique no link abaixo:
http://lugardoreal.com/video/bicicletas-de-nhanderu/

Vídeo enviado pelo Prof. Dr. Rogério Réus
Coordenador do NETA/Núcleo de Etnologia Ameríndia/UFPel
Vice-Coordenador do NECO/Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras Tradicionais/FURG

9
Jul

A CULINÁRIA INDÍGENA COMO ELO DE PASSAGEM DA “CULTURA” PARA A “NATUREZA”: INVERTENDO LÉVI-STRAUSS

Mártin César Tempass

Resumo

Segundo Claude Lévi-Strauss, a culinária constitui um elo de passagem da etapa da natureza para o estágio da cultura. A partir da pesquisa etnográfica realizada entre os Mbyá-Guarani, o presente artigo analisa esta afirmação sob a luz da cosmologia ameríndia. No entanto, a dicotomia entre natureza e cultura não se aplica aos grupos indígenas, pois, para estes, as categorias natureza e cultura constituem um híbrido. E a este hibridismo podemos acrescentar também o domínio da sobrenatureza. E, em termos de análise, essa configuração hibrida não possibilita haver qualquer tipo de passagem entre um domínio e outro. Mas a passagem é possível entre as três possíveis condições de vida no cosmos: animalidade, humanidade e divindade. Os humanos podem fazer tanto a passagem para a animalidade quanto para a divindade, mas independente da direção da passagem, embora com condições diferentes no cosmos, da humanidade sempre se chegará à animalidade. Ou, nos termos de Lévi-Strauss, da cultura sempre se irá para natureza. Porém, em uma direção os ex-humanos controlarão os seres da natureza, na outra direção eles serão controlados na natureza. E isso não se trata apenas de uma peculiaridade dos grupos indígenas, podendo ser encontrada também nas sociedades ditas “modernas”, embora sob outras roupagens.

Texto completo: culinaria-indigena-elo-cultura-natureza
Fonte: seer.ufrgs.br/EspacoAmerindio/article/view/20874

Enviado pelo Prof. Dr. Rogério Réus
Coordenador do NETA/Núcleo de Etnologia Ameríndia/UFPel
Vice-Coordenador do NECO/Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras Tradicionais/FURG

17
Jun

NOTA DE FALECIMENTO, TRISTEZA E INDIGNAÇÃO

Higienização e genocídio praticado no município de Santa Maria, à luz da teoria lúgubre de Malthus.

Morreu ontem de noite no hospital universitário de Santa Maria o filho do Pajé do Acampamento Indígena Mbyá Guarani do Arenal, Marcelino Martins.

A criança de apenas dois dias e sua mãe Suzana Benites tiveram que ser internadas no sábado, após passarem mal no acampamento em conseqüência do agravamento da saúde provocado pelo parto sem condições e pela pneumonia da mãe e do filho.

O parto precoce foi provocado pela tosse e a febre da mãe que estava com pneumonia, a criança já nasceu com a mesma doença e por pouco não morre antes, o que provavelmente ocasionaria o óbito da genitora, também.

O mais chocante de tudo isso, é que a mãe entrou em trabalho de parto sozinha, debaixo de um barraco de lona preta, em uma das noites mais frias do ano, sem água, sem luz, sem médico, sem parteira, com pneumonia, com febre, sem nunca ter acesso a atendimento ou qualquer outro serviço médico específico que possui por ser indígena.

E mais bizarro de tudo isso,  já que se ultrapassou o conceito de palhaçada, pois agora temos uma criança morta, um pai desesperado e triste e uma mãe no Centro de Tratamento Intensivo do hospital de Caridade, é que esse povo guerreiro que forjou a identidade sulina;

Apesar de viver de forma constante há mais de 1.500 anos nessa região;

Apesar de ter sido responsável pela fundação e viabilização da cidade na primeira metade do século XIX;

Apesar de viver no acampamento do Arenal a mais de 20 anos na mesma situação;

Apesar de já ter convocado, através do MPF, todos os órgãos responsáveis pelo atendimento de seus direito para uma assembléia popular onde entregaram suas reivindicações históricas;

Apesar de esses órgãos terem se comprometidos diante do Promotor Público senhor Harold Hoppe em atender as demandas emergenciais da comunidade;

A mais de um mês nada acontece!

E essa população continua sem as mínimas condições humanas de viver no local onde vivem, continua tendo o seu acesso aos direitos universais mais elementares como, Educação, Saúde, Água, Luz, Moradia, etc; dificultados e na maioria das vezes negado pela sociedade local que os considera invisíveis.

Enquanto isso… o Ministério Público que era quem, por força constitucional, deveria estar protegendo essa comunidade, apenas solicita informações, protela as decisões que deveriam ser tomadas, preocupa-se em desqualificar grupos como o GAPIN, centra sua ação em torno de discussões vazia como as que faz em relação ao que é artesanato indígena?, Se eles podem vender bijuteria no centro… etc.;

…. a Prefeitura Municipal, a FUNAI, a SESAI o Governo do Estado etc. e etc., além de soluções paliativas, apenas discutem de quem são as responsabilidades ou cobram informações uns dos outros e não se entendem, não tem uma política, não possuem um planejamento de suas ações e sequer possuem um cadastro atualizado da população que mora no local.

A única política de Estado, que se percebe na cidade de santa Maria, há vinte anos no mínimo, em relação aos povos indígenas é a Malthusiana. Fundamentada na teoria lúgubre de Malthus.

Para eliminar-se uma comunidade não precisa bombardeá-la, basta lhes tirarmos, direitos básicos como saneamento, saúde, água, luz, etc., e deixarmos que a natureza se encarregue do resto?

Isso é uma política clara de genocídio. Não é admissível que até agora não foi possível construir nem que fosse uma casa de madeira apenas, ou que não tenhamos ainda um agente de saúde indígena  na comunidade, por exemplo.

O que significa deixar uma população sabidamente com problemas nutricionais debaixo de lona com esse frio, sem água potável, sem luz, sem saneamento, sem acompanhamento adequado de uma equipe de saúde capacitada?

O resultado foi rápido: duas crianças internadas com quadro grave de pneumonia e uma morte, além da mãe que continua na CTI do hospital, isso em apenas quarenta dias, ou seja, a política esta sendo aplicada com total sucesso.

GAPIN – Grupo de Apoio aos Povos Indígenas – Santa Maria – RS
Fone: (55) 9613 4398

Sonia Lopes dos Santos
Coordenadora Executiva do Conselho Estadual dos Povos Indígenas
Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social
Rua: Miguel Teixeira, 86/ sala 09
Bairro: Cidade Baixa
Porto Alegre/RS
CEP: 90050/250
Telefone:(51) 3288-6627

4
Jun

Convite para o Tendiguete I

O Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural, a aldeia do Lami, a aldeia da Lomba do Pinheiro e o Diretório Acadêmico de Ciências Econômicas Contábeis e Atuariais (DAECA) convidam a todos para o dia de comemorações Tendiguete i (culinária típica guarani), a ser realizado no dia 10 de juho.

A programação consta da defesa de mestrado sobre os Mbyá Guarani na região metropolitana de Porto Alegre; um almoço por adesão com a culinária guarani, regada a música guarani e exposição de artesanatos e o painel “Etnodesenvolvimento e a questão guarani”.

Nesta ocasião será divulgada a carta elaborada durante o Encontro de Saberes Tradicionais Yva’a (“Frutos da Terra”), fruto das discussões do Conselho de Caciques Mbyá-Guarani que debateram questões como a luta por terras, políticas públicas, segurança alimentar e qualidade de vida.

A programação também tem por finalidade arrecadar recursos para implantar a luz na aldeia do Lami, cujo acesso é um direito de todos.

Esta atividade integra o projeto Fortalecimento das Agroflorestas no RS: formação de rede, etnoecologia e segurança alimentar e nutricional (CNPq), realizado por DESMA/PGDR/UFRGS e EMATER-RS, em parceria com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e o Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM). Tem o apoio do PLAGEDER e do Grupo Viveiros Comunitários.

PROGRAMAÇÃO DIA 10 DE JUNHO

9h Defesa da dissertação: “Avaliação da adequação das políticas públicas ao mbyá reko (modo de ser guarani) na região metropolitana de Porto Alegre: uma discussão sobre o etnodesenvolvimento”.
Mestranda Marcela Meneguetti Baptista
Local: Faculdade de Ciências Econômicas, sala 21

12h – Almoço Tendiguete I

Valor:  Estudantes: R$10,00
Pós-graduandos: R$15,00
Público em geral: R$25,00

Confirmar adesão até do dia 09 de maio às 12h, pelo mail: aguilar.florestal@gmail.com
Local: Sala Multieventos, PGDR

15h – Painel Etnodesenvolvimento e a questão Guarani na região Metropolitana de Porto Alegre
Local: Sala Josué de Castro, PGDR

Palestrantes:
Ricardo Verdum: Da pobreza ao etnodesenvolvimento: afinal, do que estamos falando?
Cacique Cirilo Morinico:  Os Guarani na região metropolitana de Porto Alegre

Enviado por: Yasmin
Discente Bacharelado em Antropologia / UFPel