Categoria ‘Musicologia’ Antropologia

19
Aug

Ministério da Cultura e Petrobrás apresentam: Cantos da Floresta

O grupo paulistano Mawaca e a cantora Marlui Miranda viajam para a Amazônia onde farão 6 apresentações e oficinas musicais nas cidades de Porto Velho, Cacoal e Ji-Paraná em Rondônia; Manaus e Manacapuru no Amazonas e Rio Branco no Acre. O grupo apresentará o repertório do CD Rupestres Sonoros com canções de diferentes povos indígenas em parceria com os próprios indígenas em cada cidade que aportar.
Tanto as apresentações como as oficinas contarão com a presença de grupos indígenas Paitér-Suruí, Ikolén-Gavião, Zoró, Karitiana, Kambeba, Kaxinawá, e a Comunidade Indigena Bayoroá. Assim, juntos, mostraremos a riqueza musical desses povos da floresta. Todas as apresentações e as oficinas serão gratuitas. Serão também filmados e editados num documentário a ser disponibilizado gratuitamente na internet.

Mais informações sobre o projeto, patrocinado pela Petrobras, no site abaixo:
http://www.wix.com/magdapucci/mawaca-cantos-da-floresta2

Enviado pelo Prof. Dr. Rogério Réus
Coordenador do NETA/Núcleo de Etnologia Ameríndia/UFPel
Vice-Coordenador do NECO/Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras Tradicionais/FURG

12
Jan

História da Música e Etnomusicologia

A partir do século XIX, o surgimento de novas ciências, entre as quais a psicologia e a etnologia, e o desenvolvimento dos aparelhos de gravação e outros recursos tecnológicos, modificaram inteiramente a compreensão do fenômeno musical.

Musicologia é o estudo científico da música, inclusive do ponto de vista histórico e antropológico. Distingue-se da crítica musical, que se propõe a emitir juízos de valor e dispensa critérios científicos. Um de seus ramos é a etnomusicologia, inicialmente designada como musicologia comparada, que estuda a música das culturas de tradição oral.

O campo de estudo da musicologia abrange forma e notação, instrumentos e teoria musical, biografias dos compositores e intérpretes, métodos didáticos, estética, acústica e fisiologia aplicada à técnica de instrumentos (sobretudo da voz, ouvido e mão). Tal heterogeneidade exige uma metodologia mista. O aspecto fisiológico e acústico pode ser observado do ponto de vista da medicina e da física. Já as regras harmônicas, melódicas e rítmicas que governam as relações entre os sons musicais não são leis naturais, mas normas inseridas em contextos culturais específicos e, como eles, variáveis. E, finalmente, a composição e interpretação musicais são criações humanas e estão sujeitas às condições históricas, culturais e psicológicas em que foram produzidas.
O amplo estudo teórico da música já era desenvolvido pelos antigos gregos. No final do século V, Boécio afirmava que a música não estava relacionada apenas ao conhecimento, mas também à moralidade. A maioria dos tratados medievais se baseia em sua obra, e também em Cassiodoro e Isidoro de Sevilha.

História da música

Os primeiros escritos sobre a história da música surgiram somente no século XVIII, entre os quais a famosa Storia della musica (1757-1781), de Giovanni Battista Martini. O espanhol Antonio Eximeno escreveu Dell’ origine e delle regole della musica, colla storia del suo progresso, decadenza e rinnovazione (1774; Da origem e das regras musicais, com a história de seu progresso, decadência e renovação), em que discorda da associação feita desde os gregos entre a música e a matemática e a considera uma verdadeira linguagem. Afirma que, para se compor bem, basta “abandonar-se nos braços da Natureza e deixar-se conduzir pelas sensações que se quer musicar”.

No final do século XVIII, iniciou-se um detalhado levantamento histórico que ainda prossegue. Os trabalhos pioneiros — embora sem grande rigor, como General History of Music (1776; História geral da música), de Charles Burney — são valiosas fontes de informação. A análise musical foi sistematizada no início do século XIX pelo grande escritor romântico E. T. A. Hoffmann. O espírito científico evidenciou-se em Geschichte der Musik (1862-1878; História da música), do tcheco August Wilhelm Ambros. Friedrich Chrysander, Philipp Spitta (o maior biógrafo de Bach) e outros, sob a liderança de Johannes Brahms, editaram os Dekmäler deutscher Tonkunst (1882; Monumentos da música alemã).

É considerado o fundador da musicologia moderna o austríaco Guido Adler, primeiro professor catedrático da disciplina na Universidade de Viena, dedicado à reedição de obras do passado. Hugo Riemann escreveu, além de inúmeras outras obras, Gundriss der Musikwissenschaft (1914; Tratado de musicologia) e Hermann Kretzschmar foi o editor geral de Handbücher der Musikgeschichte (1907-1922, Manuais da história da música), que trata, em 14 volumes escritos por especialistas, da evolução histórica da missa, da sinfonia, do concerto, da ópera etc. Enquanto Adler e Kretzschmar tomam a composição musical como o objeto de sua pesquisa, o que os leva naturalmente a uma abordagem histórica, Riemann parte do processo de criação artística, o que sugere a observação de aspectos psicológicos. Tal método deu origem a uma literatura especulativa, mas também a obras de grande valor como Musikästhetik (1926; Estética musical), do alemão Hans Mersmann. O inglês Donald Francis Tovey publicou Musical Articles from the Encyclopaedia Britannica (1940; Verbetes de música da Enciclopédia Britânica). Theodor Adorno escreveu Einleitung in die Musiksoziologie (1962; Introdução à sociologia da música). Em meados do século XX, a musicologia integrou-se ao currículo universitário e a crescente especialização resultou na criação de jornais e sociedades profissionais.

Etnomusicologia

Os primeiros estudos de caráter etnológico sobre a música realizaram-se ainda no século XVIII e enfocaram as tradições egípcia e chinesa. A música dos povos ditos primitivos só foi descrita e estudada sistematicamente muito mais tarde. Alexander John Ellis publicou On the Musical Scales of Various Nations (1885; Sobre as escalas musicais de várias nações) e Curt Sachs, já no século XX, foi o responsável por um detalhado levantamento de instrumentos musicais de todo o mundo, além de sua classificação e história. Paralelamente, representaram a escola alemã Carl Stumpf, Otto Abraham e Erich Hornbostel, criadores de um sistema para o estudo das músicas não-européias, baseado em conhecimentos acústicos, psicológicos e fisiológicos, que contribuiu decisivamente para o reconhecimento da etnomusicologia como ciência. Em 1904, propuseram uma metodologia analítica semelhante à utilizada em lingüística comparativa. Na Europa central, a obra de Béla Bartók comprovou, entre outras coisas, a universalidade e autonomia da escala pentatônica (de cinco sons), anteriormente considerada como uso precário da escala de sete sons. O estudo da polifonia, que se estruturou de maneiras muito diversas em todo o mundo, inclusive na música culta européia, constitui atualmente um dos mais apaixonantes assuntos dos etnomusicólogos.

De início, a dificuldade de transcrever o material pesquisado na notação ocidental foi um obstáculo significativo e a etnomusicologia só pôde desenvolver-se a partir da invenção dos aparelhos fonográficos. Depois da segunda guerra mundial, antropólogos e musicólogos têm visitado as mais remotas partes do mundo com gravadores para registrar a música dos pequenos grupos primitivos, antes que ela seja destruída pela civilização ocidental.

Comparados à quantidade de culturas musicais ainda vivas, os registros existentes representam uma ínfima amostra. Os estudos mais recentes tornaram-se uma corrida contra o tempo e, mais especificamente, contra a popularização dos aparelhos de rádio, cuja difusão está uniformizando a música do mundo.

Na década de 1950, músicos e antropólogos fundaram a primeira sociedade de etnomusicologia. Em seu estágio atual, dedicada ao estudo das culturas musicais de tradição oral, essa ciência é responsável por uma considerável ampliação do conceito de sistema musical: não é mais possível negar que toda música, por mais estranha, pobre ou primitiva que pareça, é um sistema: o fenômeno musical é sempre organizado.

Fonte: bandasm.iespana.es/musicologia.htm