Categoria ‘NECO’ Antropologia

21
Oct

Encontro sobre imagens e saberes costeiros

Prezad@s,

Convidamos a tod@s para assistirem a Mesa Redonda intitulada “Imagens e Saberes Costeiros”, dia 06/11, das 14h30min às 18h, no Auditório da SEAD – Campus Carreiros – FURG – Rio Grande/RS, é  organizada pelo NECO – Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais – FURG.

Contará com a participação de Ana Elisa de Castro Freitas (UFPR), Mártin César Tempass (FURG) e Eduardo Harder (UFPR).

Inscrições: http://sinsc.furg.br as vagas são limitadas.

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Att,

Dr. Gianpaolo Knoller Adomilli
Universidade Federal do Rio Grande – FURG
Bacharelado em Arqueologia/ICHI
Programa de Pós Graduação em Educação Ambiental
Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais
https://necofurg.wordpress.com/

20
Nov

I Encontro de Antropologia das Populações Costeiras e Saberes Tradicionais

Convidamos a todos para o I Encontro de Antropologia das Populações Costeiras e Saberes Tradicionais e lançamento do livro “Águas da Coréia: uma viagem ao centro do mundo numa perspectiva etnooceanográfica”, a ser realizado nos dias 29 e 30/11/2012 na FURG. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no dia do evento.

Enviado pelo Prof. Dr. Gianpaolo Adomilli
Coordenador do NECO/FURG
www.necofurg.wordpress.com

23
Aug

Saberes tradicionais dos pescadores da Colônia Z3 de Pelotas

(Diário de campo)

Por Cátia Simone da Silva

Fotos de Z3
Foto: Cátia Simone

No dia 11 de agosto de 2011, as estudantes dos Cursos de Antropologia UFPel e Arqueologia da FURG, integrantes do NECO – Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras Tradicionais, eu Cátia, Angelita, Thamara e Roberta fomos a campo na Colônia de Pescadores de Pelotas – Z3.

Quando chegamos na Colônia, avistamos muitos pescadores em suas casas e nos galpões consertando suas redes. Na orla da praia estavam pintando os seus barcos e consertando os motores, é o período do seguro-defeso; uma assistência financeira temporária concedida ao pescador profissional que exerça sua atividade
de forma artesanal, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de parceiros, onde impossibilitados de pescar faziam manutenção nos seus equipamentos e utensílios de trabalho.

Fotos de Z3
Foto: Cátia Simone

Na foto acima está o Sr. Lorival Bil Valério, descendente de alemães, disse “comecei a pescar desde que me conheço por gente, porque tinha pouco estudo.”

Ao descermos do carro, os mais jovens ficaram longe só nos olhando, rindo e conversando entre eles, quando abordamos o Sr. José Basgalupe, descendente de italiano e um dos entrevistados do dia, alguns pescadores mais velhos aproximaram-se curiosos para saber o que estávamos perguntando e conversando.

Neste dia além dos seus afazeres, também estavam preocupados e solidários em achar o corpo de um rapaz de 18 anos que estava desaparecido, o mesmo foi passear e após uma festa ele desapareceu. De acordo com testemunhas, o jovem teria se envolvido em uma briga antes de desaparecer. Aqui temos a percepção de
que nas comunidades sejam elas rurais ou urbanas localizadas nos bairros das cidades, existe um elo de ligação, onde todos se conhecem e geralmente pelos apelidos, há representação de harmonia, solidariedade e reciprocidade, mas também existem os conflitos.

O sr. José, foto abaixo, mais conhecido como “Zezinho”, nasceu em São Lourenço do Sul, veio com os pais para a Ilha da Feitoria onde morou até a 4a. série primária, depois mudaram-se e com 28 anos veio morar na Z3.  Acredita que um dos motivos da desabitação da Ilha seja o problema do colégio, pois as professoras não quiseram mais dar aula lá.

Fotos de Z3
Foto: Cátia Simone

Hoje com 65 anos ele está aposentado, contou que pesca há mais de 40, ele começou a atividade com 12 anos de idade, adquiriu os saberes tradicionais ajudando o seu pai. Não recebe o seguro-defeso e acha que é justo pois já tem o salário aposentadoria, no entanto diz que o período do defeso deveria aumentar, pois no ano passado passou de quatro meses para seis, também acha que o seguro é importante para as mulheres, no seu caso a sua esposa e filha são pescadoras e o seguro auxilia neste período onde os órgãos governamentais impedem eles de exercerem  suas atividades.

Agora escrevendo esta matéria, descobri que o seguro-defeso a partir do mês de julho foi suspenso para as mulheres, são 500 só na Colônia Z3 que ficaram sem receber, o Ministério do Trabalho alega que as mesmas precisam ter a licença ambiental para beneficiarem-se, o que antes bastava apenas um homem da família ter. Hoje dia 23/08/2011 conversando com Rodrigo Estevão, um amigo, filho de pescador e morador da comunidade estudada, disse-me que elas ainda não receberam e não irão receber mais porque esta licença só é liberada para os homens, podemos perceber a explícita relação de gênero com desigualdade e discriminação às mulheres por parte dos órgãos governamentais.

O sr. Zezinho já trabalhou com padaria, comércio na Barra de Rio Grande, supermercado, como embarcado na Ilha da Feitoria e após, devido a territorialidade com a água e os saberes fazer, fizeram-no retornar para a profissão da pesca. Quando indagado sobre como sabe onde o peixe está, disse-me que a tainha pula e faz um movimento de zig-zag na água, o camarão também tem suas peculiaridades para ser capturado. Aqui podemos verificar o saber empírico adquirido que o antropólogo Levy-Strauss fala em “O pensamento selvagem”, no capítulo “Ciência do Concreto” em que o saber tradicional está muito próximo da intuição sensível (1989, Pág. 31) e Manuela Carneiro da Cunha em “Cultura com Aspas”, no capítulo “Relações e dissensões entre saberes tradicionais e saber científico”, onde os saberes tradicionais são passados através da oralidade, e para esse conhecimento são utilizadas as percepções (CUNHA, 2009: pág. 303).

Zezinho diz que tudo que sabe não aprendeu na escola, ele não tem estudo, mas no entanto conhece a lagoa e o clima. O seu barco não tem motor, nem sonda, pois essa ele não sabe usar, porém tem o auxílio de um ou dois proeiros.

Outro pescador entrevistado foi o Sr. Luiz, o qual falou que quando o defeso é liberado, a água salgada já foi embora, e os peixes também, ou quando conseguem pescar, observam que as fêmeas estão cheias de ovas. Aqui podemos perceber na narrativa, a discordância dos saberes científicos dos órgãos de fiscalização ambiental com os saberes tradicionais dos pescadores artesanais. Onde Manuela Carneiro da Cunha, relata que na Convenção da Diversidade Biológica, no seu artigo 8j, reza que cada parte contratante deve, na medida do possível e ” em conformidade com sua legislação nacional, respeitar, preservar e manter o conhecimento, inovações e práticas das comunidades locais e populações indígenas com estilo de vida tradicionais relevantes à conservação e à utilização sustentável da diversidade biológica e incentivar sua mais ampla aplicação com a aprovação e a participação dos detentores desse conhecimento, inovações e práticas; e encorajar a repartição equitativa dos benefícios oriundos da utilização desse conhecimento, inovações e práticas” (CUNHA, 2009: pág. 307).

Isso não está ocorrendo na Colônia Z3, onde os órgãos governamentais e ambientais não estão ouvindo nem levando em consideração os saberes tradicionais dos mestres da pesca artesanal local. Segundo Manuela (2009, pág. 301), os saberes tradicionais são locais, diferentes dos científicos que são universais e “que se
não soubermos construir novas instituições e relações equitativas com as populações tradicionais e seus saberes, estaremos desprezando uma oportunidade única” (2009, pág. 310).

Os conflitos de territorialidade também ficaram evidentes, pois Luiz nos explicou que não podem pescar na Lagoa Mirim, nem na Mangueira, porém os pescadores de São José do Norte pescam aqui e os daqui vão para lá.

A impressão que tive deles e principalmente dos que nos deram as entrevistas é de solidariedade, gentileza, e de estarem contentes por estarmos ali conversando com eles.

Referências bibliográficas:
www3.mte.gov.br/seg_desemp/modalidades_artesanal.asp, acessado em 23 de agosto de 2011
CUNHA, Manuela Carneiro da. Cultura com aspas. “Relações e dissensões entre saberes tradicionais e saber científico”:  COSAC NAIFY, 2009.
Lévi-Strauss, Claude. O Pensamento selvagem. “A Ciência do Concreto”, Campinas, SP: Papirus, 1989.

11
Jun

Pescadores da Z3 embarcados na 4a. Seção da Barra

Ontem tive o prazer de conhecer quatro pescadores que trabalham na 4a. Seção da Barra em Rio Grande, ao Sul do Rio Grande do Sul, conhecida como Z1. O Edmilson ou “Piu” para os mais íntimos, seu primo Roger, Michel e Raone, são todos filhos de pescadores da colônia Z3 de Pelotas, onde residem. Aprenderam a profissão com os pais, pois desde meninos vendo e auxiliando-os adquiriram o “saber fazer” e passaram a adotar como seu trabalho e sua profissão, onde hoje retiram o sustento para a família. Roger disse que as dificuldades da vida também foram uma forma de encaixá-los nesta profissão tão digna, mas também perigosa.

Os pais  por terem mais idade pescam nas proximidades da colônia Z3, saem para o oceano, mas no entanto não permanecem muitos dias e podem retornar para casa quando quiserem, diferentemente dos filhos que precisam ficar dias pescando em alto mar. Conversando com os interlocutores, pude perceber que existem relações de parentesco, afinidade e solidariedade em que Adomilli (2007) chama de “relações de aliança simbólica de parentesco”, tanto em terra quanto no mar e que estabelece uma certa harmonia principalmente quando se trata de embarcados e precisam ficar muitos dias navegando.

A partir da noção de cultura como sendo organismos sociais, cristais semióticos, micromundos, trazida pelo antropólogo americano Clifford Geertz (2001, p. 218), pude perceber que Roger trazia um barco feito a mão e este signo me remeteu a semiótica de Peirce (1997, p. 66), sendo este objeto um ícone, símbolo e ao mesmo tempo um índice de que eles poderiam ser ou ter ligações com pescadores. O barco foi feito pelo artesão Languer da Z1 de Rio Grande, intitulado “Águia”, uma réplica feita de isopor rica em detalhes, com gabine, redes, bóias e todo pintado, uma miniatura de um barco utilizado pelos pescadores desta colônia. Disseram que Languer é muito conhecido na Z1 e produz qualquer modelo, é só escolher e ele faz com todas as semelhanças.

Roger é o cozinheiro da tripulação, mas também auxilia na pesca,  disse-me que vivem mais no alto mar do que em terra, pois dos treze dias pescando no oceano, apenas dois ou três ficam em casa. Esta dualidade entre viver no mar e na terra não é fácil, sem constrangimento falou que as vezes tem vontade de chorar, não disse o porque, mas estudos como de Adomilli (2007) revelam que esses homens sentem saudades de suas famílias, além do próprio desconforto de não saber o que está se passando em terra, também há os riscos de vida, todos falaram sobre uma tempestade que surpreendeu-os no Chuí, local onde pescam, próximo ao Uruguai, a forma como narraram ficou explícito o medo das forças na natureza sobre eles.

Edmilson e o Michel cuidam da conservação dos peixes, Raoni falou que no momento estão capturando o pescado numa localização em alto mar no Chuí, antes de Ermenegildo e fronteira com o Uruguai. A preocupação com os conflitos da territorialidade foi narrada dizendo “não podemos passar para o lado do Uruguai senão a bala pega”.

pescado
Foto do pescado

Apesar das dificuldades que enfrentam devido a mobilidade e desconfortos relativos ao trabalho no mar, são orgulhosos do que fazem pois aliam  trabalho e reciprocidade dentro de um ambiente de amizade, incluído por vínculos de parentesco, além de carregarem consigo os saberes tradicionais de sua herança familiar.

Por: Cátia Simone da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia /UFPel
Integrante do NETA – Núcleo de Etnologia Ameríndia/ UFPel
e NECO – Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras Tradicionais/FURG

Referências bibliográficas:
ADOMILLI, Gianpaolo. “Terra e Mar, do viver e do trabalhar na pesca marítima. Tempo, espaço e ambiente junto a pescadores de São José do Norte – RS”, 2007.
PEIRCE, Charles Sanders. Semiótica: Ícone, Índice e Símbolo. São Paulo: Editora Perspectiva S. A., 1977. [p. 63-76]
GEERTZ, Clifford. O mundo em pedaços: cultura e política no fim do século. In: Nova Luz sobre a antropologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. Capítulo 11, p. 191- 228.

2
May

XXVI SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – ANPUH: 50 anos

São Paulo, 17 a 22 de julho de 2011.
Universidade de São Paulo (USP)
Cidade Universitária

O Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras Tradicionais -NECO,  tem o prazer de convidar aos interessados pela temática para o mini-curso que este Núcleo desenvolverá durante o XXVI Simpósio Nacional de História intitulado:

Por uma Arqueologia simétrica ou colaborativa: estudando a cultura material das populações costeiras tradicionais e suas categorias patrimoniais e territoriais através de uma história etnográfica.

Coordenadores: VANDERLISE MACHADO BARÃO (Doutorando(a) – FURG)

Ementa: Com as demandas atuais que a disciplina de história vem enfrentando na atualidade, este minicurso objetiva discutir conceitos e categorias sobre territorialidades e redes sociais relacionadas à memória e perspectivas de populações costeiras tradicionais vinculadas ao Bioma Pampa, tais como pescadores artesanais, açorianos, indígenas e afrodescendentes, pensando presente e o passado desses povos na região litorânea do Brasil Meridional. Apresentar um panorama de possibilidades analíticas tendo como eixos a antropologia simétrica e a cultura material, bem como a memória social construída entre eles, que ainda hoje ocupam esses territórios e espaços dentro da região citada. Os conteúdos propostos serão trabalhados em forma de oficina, ampliando o debate entre os participantes do curso.
Deverão participar deste minicurso, como ministrantes de oficinas, os pesquisadores do Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras Tradicionais (NECO/CNPQ).
http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0167703NHQY7JT

Programa:
a) analisar as teorias sobre história dos coletivos costeiros observando as principais contribuições que a antropologia e seus arcabouços teóricos apontam na reconstrução de contextos e situações críticas das pesquisas atuais;
b) Identificar os conceitos de cultura, identidade e redes sociais, bem como de paisagem, território, espaço e lugar, dentro de uma perspectiva interdisciplinar;
c) analisar as diferentes leituras e interpretações das fontes de diferentes níveis de articulação discursiva, enfatizando o papel social do pesquisador na construção e divulgação da memória e do patrimônio, dentro de uma perspectiva do ‘outro’

Para maiores informações visite o site: www.snh2011.s2.anpuh.org/minicurso/view?ID_MINICURSO=243

Enviado por:
Vanderlise Barão
Arqueologia / LEPAN
Pesquisadora do NECO
Universidade Federal do Rio Grande / FURG

1
May

XXXIII Congresso Internacional de Americanística

Perugia (Itália) de 2 a 9 de maio de 2011

Roma – 10 de maio de 2011
Salerno, 11-13 de maio de 2011
Padova – 12 de maio de 2011

Mesa redonda
Amazônia indígena: 2011 – estado atual da pesquisa de campo.
Roma – terça-feira, 10 de maio de 2011, as 14h30′
Coordenada por Paride Bollettin – Sergio Botta – Umberto Mondini

Seminário Penélope Y las demás
Salerno – 11-13 de maio de 2011
Coordenado por Rosa Maria Grillo

Seminário
América indígena e estados nacionais: temas e problemas
Padova – quinta-feira, 12 de maio de 2011, as 14h30′
Coordenado por Donatella Schmidt

Clique aqui para visualizar a programação

Enviado: Prof. Dr. Gianpaolo Adomilli
Coordenador do NECO – Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras Tradicionais/ FURG/RS

26
Jan

Xingu: O sangue da nossa sobrevivência Parte I

Segue o vídeo sobre a experiência que os filhos da floresta estão passando com a ameaça do capitalismo invadindo as suas terras, o documentário demonstra a luta e a resistência dos povos tradicionais: ameríndios, ribeirinhos, pescadores e a população da cidade de Altamira para defender o seu terrirório, a sua vida e o rio Xingu que nasce no Estado vizinho do Mato Grosso e é uma das maiores bacia amazônica.

Na localidade o governo Federal pretendia executar um grandioso projeto, barrar o Rio Xingu e construir cinco hidrelétricas, dessas cinco devido aos protestos dos indígenas e ambientalistas, o governo baixou uma portaria para a construção de apenas uma, a Usina Belo Monte, ela seria construída no estado do Pará, no norte do Brasil. No entanto, a idéia de construir apenas uma não procede, pois em nenhum rio existe somente uma hidréletrica,  na sequência lógica é necessário outras represando o rio, o que irá ocasionar uma verdadeira catástrofe socio-ambiental. As várias etnias indígenas e outros povos tradicionais que ali vivem seriam seriamente prejudicados, sem esquecermos da fauna e a flora ali existentes, além de que 1/3 da cidade de Altamira ficaria submersa.

A população está mobilizada contra a construção da Usina Belo Monte, Moisés Ribeiro, coordenador nacional da MAB comenta que “a construção tem um único objetivo: atender as grandes empresas capitalistas que cada vez mais estão entrando na Amazônia para retirar os recursos naturais que ainda temos aqui nessa região”.

Podemos observar as consequências caso aconteça as construções das usinas, nos comentários de moradores como no caso do sr. Valdir atingido pela UHE Tucurí, no Rio Tocantis/PA que diz “quando represeou a água do Rio Tucurí é que criaram várias espécies de mosquitos diferentes, e uma dessas espécies de mosquito mordeu o meu filho de tardezinha tomando banho e no outro dia ele amanheceu morto, dessa mesma forma 12 crianças morreram, desse mesmo jeito”. Outro morador, o sr. Francisco Gomes Neto, ribeirinho da Comunidade São Raimundo Nonato, mostra no seu pomar os pés de laranja, tangerina, goiaba, limão e cacau os quais seriam inundados pelas águas represadas.

Até quando as populações brasileiras terão os seus direitos violados, direitos estabelecidos na Constituição Federal, até existirem governantes e empresários preocupados com a sociedade e o meio ambiente, até lá, resta a essas populações unirem-se e através das mobilizações tentarem impor o que é seu direito legítimo, não ficando parados aguardando as decisões coercitivas de alguns homens gananciosos.

O vídeo está disponível no link abaixo
http://www.youtube.com/watch?v=jgEcU5N_VSk&feature=player_embedded

Por Cátia Simone da Silva
Discente em Bacharelado de Antropologia Social

Vídeo enviado por Stella Pieve – Bióloga/Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras Tradicionais/FURG

26
Dec

O grupo NECO/FURG confraternizam em São José do Norte

Os integrantes do NECO – Núcleo de Estudos sobre Populações Tradicionais Costeiras/FURG, dia 23 de dezembro, com o encerramento dos seus estudos  fizeram uma confraternização no município histórico de São José do Norte, saborearam um gostoso almoço a base de frutos do mar no restaurante Brisamar, onde trocaram presentes de amigo secreto. Gianpaolo apresentou o logotipo do núcleo, criado por ele em estilo rupestre. Esteve em pauta vários assuntos, inclusive sobre uma dissertação que narra falas dos pescadores sobre bruxas em Mostardas. O período de convivência dos componentes proporcionou a integração, conhecerem-se mais, aumentando o laço de amizade e união da equipe.

Entre os integrantes do Núcleo, estavam os coordenadores e professores Gianpaolo e Rogério, a arqueóloga Vanderlise, a bióloga Stella, discentes em Arqueologia/FURG Roberta, Thamara, Aline, e discentes em Antropologia Social/UFPel Cátia e Solano. Após o almoço, o grupo fez um passeio etnográfico pelas ruas, pontos turísticos e orla do município, passando por prédios históricos do séc. XVIII, por galpões de pescadores onde viram eles costurando suas redes e configurando relações de arte, trabalho e reciprocidade.

saojosedonorte
Foto da Doca Municipal

O município faz parte de uma península situada entre o oceano Atlântico e a Lagoa dos Patos. Tem como limites Norte o município de Palmares e ao sul o Canal do Rio Grande, está situada no extremo Sul do Rio Grande do Sul, é necessário fazer uma travessia de balça com duração de 30 minutos de viagem, o terminal de embarque e desembarque fica próximo ao mercado público da cidade histórica de Rio Grande e na Doca municipal de São José do Norte, com horários de saída não muito distantes, durante o pico do dia.

A cidade estampa uma arquitetura portuguesa em seus vários casarios, muitos prédios estão sendo restaurados, permanecendo a arquitetura e os materiais no estilo antigo, valorizando o patrimônio histórico do lugar, no entando, infelizmente outros prédios, por motivos financeiros dos seus donos estão sendo modificados por um estilo novo, e outros ainda permanecem sem reformas e com um aspecto de abandono.

No passado foi conhecida como o maior produtor de cebola do Brasil, permanecendo ainda hoje a produção no município.  Além de uma economia baseada na plantação de arroz, indústrias madeireiras de extração de resina e beneficiamento de pinus eliotti ocupando grandes extensões no interior do município, a pesca e a pecuária tem o seu papel importante, além de um comércio forte incluindo redes de hotéis, restaurantes e bares fomentados pelo turismo do lugar, também lojas, supermercados, ferragens enfim, pode ser notado um intenso comércio.

Por: Cátia Simone Silva
Discente em Bacharelado de Antropologia Social