Categoria ‘Povos tradicionais’ Antropologia

30
Jun

Divulgação da Chamada Pública CNPq/MDA/SPM-PR No. 11/2014

Prezado(a) Professor(a),

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio da Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT), apoia o desenvolvimento sustentável dos territórios rurais a partir de três elementos fundamentais: o território (espaço e sociedade), a institucionalidade territorial (participação e representatividade) e a articulação de políticas públicas no território. Para tanto, os 239 territórios rurais homologados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (CONDRAF) foram orientados a constituírem uma nova institucionalidade, o Colegiado Territorial, constituído por organizações da sociedade civil e do poder público, sendo o espaço de diálogo e de integração de atores na realização da gestão social do desenvolvimento territorial.

Em 2013, o MDA firmou parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e 10 Universidades Públicas (federais e estaduais) e Institutos Federais em 8 Estados da Federação para a constituição de 56 Núcleos de Extensão em Desenvolvimento Territorial (NEDET) para desenvolver atividades de extensão e pesquisa em suporte aos Colegiados Territoriais, visando qualificar suas ações de planejamento, avaliação, assistência técnica e monitoramento.

Em 2014, há expectativa de firmarmos parcerias com outras instituições de ensino para a implementação de NEDETs na totalidade dos territórios rurais e territórios da cidadania que atualmente fazem parte do escopo da política de desenvolvimento territorial.

Neste sentido, contamos com colaboração desta instituição na divulgação da Chamada Pública CNPq/MDA/SPM-PR Nº 11/2014, vigente e em anexo, que trata do “Apoio à implantação e manutenção de Núcleos de Extensão em Desenvolvimento Territorial”.

Se houver necessidade de informações adicionais, estamos à disposição, sendo o ponto focal Dorotea Blos (dorotea.blos@mda.gov.br) no telefone (61)2020.0364.

Atenciosamente,

Betty Rocha
betty.rocha@mda.gov.br
(61) 2020 0355
(61) 9333-8928

Coordenação Geral de Monitoramento e Avaliação
Secretaria de Desenvolvimento Territorial

17
Feb

Edital apoia agricultura familiar de povos e comunidades tradicionais

Começa nesta segunda-feira (17) e vai até o próximo dia 31 de março o período de inscrições de projetos para o edital de Chamada Pública para o fortalecimento de cooperativas e/ou associações de produtores rurais de base familiar.

O edital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nº 002/2013, no valor de R$ 15 milhões, faz parte do pacote de medidas do Governo Federal para povos e comunidades extrativistas da Região Amazônica.

A ação é voltada para agricultores familiares, mulheres, jovens, quilombolas e indígenas, além de demais povos e comunidades tradicionais que cultivam a terra com base no sistema de produção agroecológico ou orgânico.

O edital tem o objetivo de investir em projetos voltados para a estruturação de circuitos locais e regionais de produção, beneficiamento, processamento, armazenamento e comercialização. A ideia é melhorar as condições de atuação no mercado governamental de alimentos – o como Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Ecoforte

O edital segue as diretrizes do Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica (Ecoforte), em complementação às ações previstas no âmbito do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) – Brasil Agroecológico.

São duas faixas de apoio. Uma é de R$ 70 mil, destinada a projetos que fortaleçam sistemas de produção orgânica ou de base agroecológica, apresentados por organizações com atuação comprovada nessas áreas. A outra é voltada para projetos que beneficiem exclusivamente mulheres produtoras, respeitado o limite máximo de R$ 2.800,00 por beneficiário direto do projeto.

Confira o Edital de Chamada Pública BNDES-CONAB nº 002/2013 no endereço:
http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/produtos/download/chamada_publica_bndes_conab_002_2013_Edital.pdf

O formulário de inscrição será disponibilizado para download no portal da CONAB (www.conab.gov.br ).

Fonte: http://www.incra.gov.br/index.php/noticias-sala-de-imprensa/noticias/14272-edital-apoia-agricultura-familiar-de-povos-e-comunidades-tradicionais

6
Dec

Mobilização indígena em Brasília

Alex Rodrigues e Danilo Macedo
Da Agência Brasil, em Brasília
04/12/201312h26

Ueslei Marcelino/Reuters

Depois de cercarem o Palácio do Planalto, em Brasília, na manhã desta quarta-feira (4), cerca de 1,2 mil índios de várias etnias estão neste momento divididos em manifestações no Congresso Nacional e diante do Ministério da Justiça.

O grupo protesta contra o que classifica como mais uma iniciativa do governo federal para inviabilizar a demarcação de terras indígenas. A presidenta Dilma Rousseff não estava no local.

Durante o protesto, os índios chegaram a entrar em conflito com seguranças do Palácio do Planalto e a fechar o trânsito em vários trechos da Esplanada dos Ministérios.

O estopim da manifestação foi a minuta (esboço) de uma portaria que, segundo as lideranças indígenas, o Ministério da Justiça está produzindo.

Representantes do movimento dizem ter tido acesso à cópia do documento no último final de semana. Segundo Sônia Guajajara, uma das coordenadoras da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o texto estabelece mudanças nos procedimentos legais necessários ao reconhecimento e à demarcação de terras indígenas.

A proposta, ainda segundo Sônia, visa a oficializar a proposta do governo federal de que outros órgãos de governo além da Fundação Nacional do Índio (Funai) sejam consultados sobre os processos demarcatórios em curso.

A proposta foi apresentada pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, ainda no primeiro semestre deste ano, com a justificativa de minimizar conflitos entre índios e produtores rurais.

“A gente entende que a minuta servirá só para dificultar ainda mais o processo de identificação e demarcação de terras.

O governo federal e o Congresso Nacional estão aliados para atacar e diminuir os direitos indígenas, principalmente os territoriais, favorecendo o agronegócio e o latifúndio”, disse Sônia Guajajara à Agência Brasil, adiantando que o grupo quer ouvir o ministro José Eduardo Cardozo sobre o assunto.

“Há um momento em que as autoridades, e o ministro da Justiça, principalmente, têm que se posicionar e atuar para que os direitos sejam cumpridos, para implementar o que já é garantido constitucionalmente, e não adiar ainda mais isso.

O efeito da demora na demarcação de novas terras indígenas é tensionar ainda mais a situação. O governo e o ministro pensam que estão mediando, apaziguando as tensões, mas os conflitos só vêm aumentando”, acrescentou Sônia.

Ao perceber a chegada dos índios, seguranças fecharam todas as portas de acesso ao Palácio do Planalto. Os índios rodearam o edifício e tentaram passar pela entrada lateral.

Fazendo barulho e carregando faixas com pedidos de “demarcação de terra urgente”, alguns manifestantes forçaram a passagem, entrando em confronto com a segurança. Alguns seguranças chegaram a usar spray de pimenta para dispersar o grupo.

Após cerca de meia hora no local, parte do grupo seguiu para o Congresso Nacional. Outra parte se reuniu diante do Ministério da Justiça, impedindo o acesso dos servidores que chegavam.

Policiais militares reforçam a segurança do local. Representantes do ministério estão negociando com os líderes do protesto. Segundo a assessoria do ministro José Eduardo Cardozo, ele pretende receber uma delegação indígena para discutir o tema.

Além de criticar a minuta, os índios também cobram a apuração de crimes contra os povos indígenas, como o assassinato do cacique Ambrósio Vilhalba, da Aldeia Guarani-Kaiowá Guyraroká, em Cristalina (MS). Vilhalba foi encontrado morto na última segunda-feira (2).

A Polícia Civil deteve dois suspeitos e investiga se a morte foi consequência de rixas entre o cacique e outras lideranças da aldeia.

“O governo deve deixar de promessas e cumprir o que prometeu para nós. Hoje você vê o povo indígena lá em Mato Grosso do Sul sendo assassinado por fazendeiros, por grandes pecuaristas, que querem tomar a terra do índio. Queremos demarcação de terras urgente. Não dá mais para aguentar. Também queremos direito à saúde e à educação. E respeito ao povo indígena”, disse o índio kinikinau, de Mato Grosso do Sul, Nicolau Flores.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/12/04/indios-protestam-em-brasilia-contra-mudanca-no-processo-de-demarcacao-de-terras.ht

26
Apr

Palestra: “POVOS INDÍGENAS NAS FONTES MISSIONÁRIAS”

O PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA DA UNISINOS CONVIDA PARA:

Palestra:
“POVOS INDÍGENAS NAS FONTES MISSIONÁRIAS”

Prof. Dr. Guillermo Luis Wilde Salmoral
UBA e Universidad de San Martin – Buenos Aires
e
Prof. Dr. Fernando Torres Londoño
PUC/SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Dia 08 de maio de 2013
14h – Sala 1A202 – Prédio das Ciências Humanas

Prof. Dr. Guillermo Luis Wilde Salmoral
É Doutor em Antropologia pela Universidade de Buenos Aires, investigador do CONICET e Professor Associado do Instituto de Altos Estudos Sociais da Universidade Nacional de San Martin. Atua como professor visitante da Universidade de Paris III (Sorbonne Nouvelle) e da École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS). Dentre os inúmeros artigos e livros que publicou se destacam:
WILDE, Guillermo. Religión y Poder en las Misiones de Guaraníes. Buenos Aires: Editorial SB, 2009.
WILDE, Guillermo (ed.). Saberes de la Conversión. Jesuítas, Indígenas e Imperios coloniales en Las Fronteras de La Cristandad. Buenos Aires: Editorial SB, 2011.

Prof. Dr. Fernando Torres Londoño
Possui graduação em Filosofia e Letras pela Pontifícia Universidad Católica Javeriana (1980) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (1992). Atualmente é professor titular no Departamento de História da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo participando também no Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da mesma Universidade. É pesquisador em História da Américla Latina com ênfase no periódo colonial, privilegiando as seguientes temáticas: religião, igreja, religiosidade popular, missões, ordens religiosas, povos indígenas e história da Amazônia.
Dentre os inúmeros artigos e livros que publicou se destacam:
LONDOÑO, Fernando Torres. Visiones jesuíticas del Amazonas en la colonia: de la misión como domínio espiritual a la exploración de las riquezas del rio vistas como tesoro. Anuario Colombiano de Historia Social y de la Cultura, v. 39/1, p. 183-213, 2012.
LONDOÑO, Fernando Torres. Contato, guerra e negociação: redução e cristianização de Maynas e Jeberos pelos Jesuitas na Amazônia no século XVII. História Unisinos, v. 4, p. 192-202, 2007.
LONDOÑO, Fernando Torres. Escrevendo cartas. Jesuítas, escrita e missão no século XVI. Revista Brasileira de História, São Paulo, n.43, p. 11-32, 2002.

Observações:
1) Entrada gratuita;
2) Não serão fornecidos certificados.

22
Apr

Vaga para Antropologia – Concurso Público para Professor da Carreira do Magistério Superior na Universidade Federal do Amapá

As inscrições para o Concurso deverão ser realizadas via Internet, no endereço eletrônico www.unifap.br/depsec, a partir das 09h30min do dia 17 de abril de 2013 até as 17h30min do dia 06 de maio de 2013, observando o horário
local de Macapá.

Mais informações acesse o Edital, a Retificação do Edital, as vagas para o concurso Licenciatura Intercultural Indígena e os pontos para a Licenciatura Indígena.

19
Apr

“O grito dos povos indígenas pela garantia dos direitos constitucionais”

Movimento e Organização Indígena do estado de Rondônia e Noroeste de Mato Grosso

CARTA FINAL DOS PARTICIPANTES DO ABRIL INDÍGENA 2013

Nós povos indígenas Karitiana, Gavião, Arara, Zoró, Oro Mon, Oro Waram, Canoé, Mamaindê, Aikanã, Latundê, Puruborá, Sakirabiat, Guarassungwê, Kwazá oriundos dos estados Rondônia e Noroeste do Mato Grosso, reunidos no “Abril Indígena”  Regional, de 8 a 11 de abril de 2013, com o tema “O grito dos povos indígenas pela garantia dos direitos constitucionais”, na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação-SINTERO, em Porto Velho, discutindo, avaliando e refletindo sobre os problemas que nos atingem,   expomos nossas angustias, preocupações e violências ainda vivenciadas diariamente por nossas comunidades  e territórios tradicionais, no que se refere:

SAÚDE
01- Constatamos mais uma vez que a falta de um atendimento diferenciado tem provocado a morte de muitas crianças, gestantes e idosos, que são os mais vulneráveis e vítimas deste atendimento.
02- Muitos pacientes do interior são transferidos para Porto Velho para atendimento mais especializado, mas são impedidos de trazerem acompanhantes. O caso fica mais dramático quando isso ocorre com mulheres que não sabem falar o português. Elas ficam desesperadas e se sentem abandonadas.
03- Continua a demora do atendimento nos hospitais. Isso tem provocado o óbito de muitos parentes.
04- Pacientes que necessitam de tratamento especializado, dentro e fora do Estado estão morrendo à míngua, porque não é priorizado seu encaminhamento.
05- As estruturas das Casas de Saúde Indígena são precárias. Faltam equipe médica, medicamentos, equipamentos e formação especifica dos profissionais envolvidos. Também faltam medicamentos básicos nos postos de saúde das aldeias. Algumas aldeias ficam muito distantes e são de difícil acesso. Por isso, não é possível, pelo menos nesses casos, exigir receita médica para o fornecimento de medicamentos para uma simples dor de cabeça ou diarréia.
06- Que o estado de Rondônia contemple em seu orçamento recursos para o atendimento à saúde indígena; que a SESAI firme convênio com o Estado para atendimento especializado e de alta complexidade a pacientes indígenas.
07- O Distrito Sanitário Especial Indígena de Porto Velho terceirizou os serviços de transporte. Com isso, alega aos pacientes indígenas que o transporte não é mais de sua responsabilidade e que qualquer reclamação deve ser feita à empresa contratada.
A atual empresa responsável por esse serviço tem estabelecido regras para o transporte de pacientes incompatíveis com as demandas indígenas e com a realidade amazônica. Citamos por exemplo, que os motoristas encerram seu horário de trabalho às 17 horas. Depois disso, não buscam mais pacientes nas aldeias. Não existe motorista de plantão à noite e fim de semana Nos finais de semana e feriados, muitas vezes os bombeiros são acionados para fazerem esse transporte, inclusive no trajeto CASAI-Hospital. Os motoristas são impedidos de transportar outros pacientes no trajeto aldeia-CASAI que não aqueles determinados pela direção da CASAI. Também são impedidos de atravessar pontes, bueiros e lugares de difícil acesso que ponham em risco o veículo da empresa, preferindo pôr em risco a vida do paciente indígena.  Exigimos a imediata rescisão desse contrato com esta empresa e entendemos que o DSEI é sim o responsável pelo transporte de pacientes indígenas.
08- Manifestamos nossa preocupação com relação à nossa participação na 5ª. Conferencia de Saúde Indígena, por não estarmos sendo informados sobre a sua condução, nem mesmo em nível local e estadual.

EDUCAÇÃO:
01. Exigimos a imediata implementação da Lei 578/10 que criou o cargo de magistério público indígena e quadro administrativo, notadamente no que se refere ao concurso público para esses cargos e às nomeações previstas nos artigos 41 e 42 desta Lei.
02- Queremos a participação efetiva de representantes indígenas na comissão de elaboração do referido concurso público, sob pena dele não atender todas as especificidades das diferentes realidades indígenas;
03- Que haja participação ativa dos povos indígenas na política de educação escolar indígena, na gestão das ações e no controle social;
04. Criação e instalação do Conselho de Educação Escolar Indígena de Rondônia, com participação indígena desde à concepção desse Conselho;
05. Criação de uma Gerência de Educação Escolar Indígena para garantir de fato e de direito uma educação escolar específica e diferenciada, segundo os princípios aprovados pelo MEC;
06. Regularização das Escolas Indígenas, considerando suas especificidades;
07. Implantação do Projeto do Sexto ao Nono ano e Ensino Médio em todas as Escolas Indígenas;
08. Agilidade na construção de escolas indígenas adaptadas à realidade local, com estrutura física que garanta seu bom funcionamento;
09.  Garantir o atendimento pedagógico nas escolas indígenas;
10- Retomada imediata do curso AÇAI II, sob pena de inviabilizar a formação dos professores no curso de magistério indígena;
11- Que a UNIR assegure o cumprimento da Lei 12.711/12 referente ao ingresso de estudantes indígenas na educação superior pública de Rondônia.

TERRA:
1- Reconhecimento do povo indígena Guarassungwê da região de Pimenteiras-RO;
2- Revisão dos limites da Terra Indígena Zoró para incorporar suas terras tradicionais que ficaram fora dos atuais limites.
3- Revisão dos limites da TI Igarapé Lourdes para incorporar as terras tradicionais dos Gavião e dos Arara que ficaram fora dos atuais limites;
04- Conclusão imediata do GT de ampliação da Terra Indígena Karitiana;
05- (Chupinguaia), Djeoromitxi, na região de Figueiras, Aruá, Makurap, Tupari, Kampé, Arikapu, Canoé e Djahoi, todos no município de Alta Floresta, Pirineu de Souza (Casa de Rondon – Vilhena), Imediata demarcação das terras indígenas Puruborá (Município de Seringueiras), Migueleno (Mun. São Francisco), Wajuru (Porto Rolim, Alta Floresta), Cujubim (Costa Marques) Cassupá e Salamãi Mamaindê, Tawandê e Idalamarê (Comodoro MT);
06- Imediata interdição e demarcação das terras dos povos indígenas livres (sem contato voluntário).
07- Revisão de limites da TI Vale do Guaporé, município de Comodoro-MT, para incorporar a região da  Lagoa dos Brincos, onde está localizada a Fazenda Maringá, mas é  área tradicional do povo Mamaindê.
08- Retirada dos invasores e conclusão da regularização da Terra Indígena Rio Negro Ocaia.
09. Conclusão das revisões de limites das Terras Indígenas Pacaas Novos, Igarapé Lage e Ribeirão.

GRANDES PROJETOS DO PAC:
01. Todos os grandes empreendimentos em execução e os previstos para esta região atingem de uma ou outra forma nossos territórios indígenas. Esse modelo de desenvolvimento adotado pelo atual governo não respeita as populações tradicionais e o meio ambiente. Estamos vendo nossas terras ou o seu entorno sendo invadidos por PCHs, Hidrelétricas, estradas. Nossos direitos constitucionais não estão sendo respeitados, em nome de um suposto progresso que só beneficia grandes grupos econômicos e que atentam contra a nossa integridade física e cultural e afeta nossa dignidade humana.
Citamos como exemplo de violência que nossos povos e territórios estão sofrendo:
1- As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), construídas ao longo da bacia do Rio Branco, vem há décadas afetando 10 povos indígenas que vivem na Terra Indígena Rio Branco, no município de Alta Floresta do Oeste. A PCH Cascata, no Rio Pimenta Bueno atinge a terra indígena Tubarão Latundê, em Chupinguaia, construída em cima de três cemitérios antigos e afeta o território tradicional dos Aikanã, Cassupá, Salamãi, Massacá e Kwazá;
02- As hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio atingem os povos Karitiana, Uru-Eu Wau Wau, Kassupá, Karipuna, Kaxarari e os povos da região de Guajará-Mirim e Nova Mamoré. Repudiamos que toda pactuação para reparação ou compensação de danos causados por essas obras estão sendo feitas diretamente com a FUNAI , sem  a participação dos povos indígenas afetados.
03- Nessa região há presença de indígenas isolados, reconhecidos pela FUNAI, que podem estar sendo exterminados. Responsabilizamos a FUNAI, a União, os governos federal e estadual e as empresas responsáveis por esses empreendimentos por eventual genocídio desses povos isolados. Nenhuma medida de mitigação ou compensação diminui os prejuízos que já temos e que ainda teremos com esses empreendimentos.
04- Nosso repúdio contra a possível construção da Hidrelétrica de Tabajara, no rio Machado, que atingirá os povos Tenharin, Diahoi, povos isolados daquela região, Arara e Gavião da TI Igarapé Lourdes, além de outras populações tradicionais e Unidades de Conservação. Já fomos contra a construção dessa hidrelétrica no passado e continuaremos não permitindo mais essa violência contra nossos direitos.
05- De igual forma nosso repúdio à possível construção da Hidrelétrica Ribeirão, em Guajará- Mirim. Os povos indígenas daquela região já estão sendo afetados pela Hidrelétrica de Jirau. Agora o governo planeja mais uma hidrelétrica que alagará boa parte de Terras Indígenas daquela região.
06- Sabemos que estradas estão sendo projetadas, a exemplo da BR 080 e BR 421, para escoamento de produção dos grandes agropecuaristas. Não admitiremos que essas estradas passem nas Terras Indígenas ou no seu entorno, legalmente protegidos, para beneficiar esses grandes fazendeiros, em detrimento de nossos direitos constitucionalmente garantidos.
07- Não permitiremos que outras grandes obras como as hidrovias e a ferrovia transcontinental afetem, de uma ou outra forma, nossos territórios. Estamos cansados de ver nossos territórios e seus entornos serem invadidos por esses empreendimentos que só nos causam prejuízos de toda natureza.
Projetos Legislativos no Congresso Nacional
Como se não bastassem todos esses empreendimentos em execução ou projetados para essa região que afetam nossos territórios, o Congresso Nacional, através de sua bancada ruralista e evangélica, tem proposto uma serie de Propostas de Emenda Constitucional (PEC) e Projetos de Lei (PL) que rasgam nossos direitos garantidos na Constituição Federal de 1988; que nos desrespeitam como seres humanos, que ferem nossos territórios sagrados e que afrontam a nossa dignidade humana. Citamos alguns desses projetos:
1-    PEC/215/2000- transfere para o Congresso Nacional a competência para demarcar Terras Indígenas e as que ainda não tiveram seu processo demarcatório concluído, também devem passar pela aprovação do Congresso Nacional. Sabemos que se essa competência for transferida do Executivo para o Legislativo dificilmente teremos novas Terras Indígenas demarcadas.
2-    PEC 237/13 que permite a posse de Terras Indígenas por produtores rurais, através de concessão da União. Mais uma vez o agronegócio quer de toda forma diminuir nossos direitos e tomar posse de nossas terras, desta vez de forma legalizada.
3-    PL 1610/96 que regulamenta a mineração em Terras Indígenas. Nós povos indígenas só aceitamos discutir essa regulamentação dentro do PL Estatuto dos Povos Indígenas, conforme proposta pela CNPI.
4-    Portaria 303/12 da Advocacia Geral da União – interpreta de forma  abrangente, errônea e arbitraria as condicionantes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do caso Raposa Serra do Sol, estendendo a aplicação dessas condicionantes a todas as Terras Indígenas.
5-    Repudiamos a edição do Decreto 7957/13, por usar a Força Nacional para reprimir, massacrar e forçar as pesquisas em Terras Indígenas.
6-    Existem ainda outras afrontas como a PEC 38/99, a Portaria MJ 2498/11, a Portaria Interministerial 419/11, entre outras, que reduzem nossos direitos.
Diante de tudo, renovamos nossa indignação e nossos protestos e exigimos respeito aos nossos direitos tão duramente conquistados pela Constituição Federal de 1988 e Convenção 169 da OIT, e hoje ameaçados por aqueles que só sabem explorar as riquezas e os povos do nosso país.

Porto Velho, 11 de abril de 2013

Divulgação do Movimento dos Povos Indígenas dos Estado de Rondônia e Mato Grosso.

22
Jan

Divulgação do Blog do NECO – Estudos sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais/FURG

Esta no ar o blog do NECO – Núcleo de estudos sobre populações costeiras e saberes tradicionais da FURG,  Rio Grande/RS.  O endereço é necofurg.wordpress.com, o mesmo tem o objetivo de divulgar eventos, livros e temas relativos a povos e coletivos costeiros.

O NECO possui um grupo de estudos e as reuniões acontecem a cada 15 dias, nas terças-feiras a partir das 18:30h até às 21:00h na FURG – Campus Carreiros em Rio Grande. As temáticas de estudos são trabalho, gênero, mitologia, conflitos sócioambientais entre outros temas, também articulando com autores que tratam sobre saberes tradicionais.

Trabalhando com a interdisciplinariedade, no grupo fazem-se presentes antropólogos, arqueólogos, historiadores, pedagogos, assistentes sociais, etnológos, ambientalistas…

Aos interessado(a)s e pesquisadore(a)s sobre as temáticas com grupos costeiros e comunidades tradicionais entre eles: pescadores artesanais, quilombolas, indígenas, pequenos produtores rurais… sejam bem vindos ao núcleo.

Cátia Simone da Silva

19
Dec

As lendas da criação e destruição do mundo como fundamentos da religião dos Apapocúva-Guarani – Eduardo Viveiros de Castro/1987.

“As lendas da criação…” é hoje um trabalho clássico, uma das monografias mais famosas sobre etnologia brasileira, e a maior obra de Nimuendajú, servindo como referência aos estudos dos Guarani.

Escrita pelo alemão Kurt  Unkel, que veio para o Brasil em 1905, um ano após quando iniciou seu trabalho no Estado de São Paulo foi batizado pelos seus interlocutores Guarani como Nimuendajú e  em 1922 quando naturalizou-se brasileiro passou a chamar-se Curt Nimuendajú.

Nimuendajú trata do complexo profético migratório dos Apapocuva (hoje denominados Ñandeva), analisado nos mitos e correlações éticas. Também trata sobre o dualismo espiritual dos Guarani (alma-palavra celeste, alma-animal terrestre) ou por Celeste Cicarrone chamadas de alma-divina e alma-telúrica.

É importante salientar que no início do século XX, no noroeste paulista e no sul do Mato Grosso estava acontecendo um movimento de colonização por imigrantes, apoiada pela construção da estrada de ferro Noroeste do Brasil, afetando os povos indígenas daquela região (Guarani, Kaingang, Xocleng, Ofaié). Foi nesse contexto que surgiu o famoso debate de Von Lhering, em propor o extermínio dos povos indígenas para liberar as terras para os imigrantes.

Viveiros de Castro aponta no trabalho de Nimuendajú uma mistura de obstinação e desencantos dos Guarani, e contra todos as previsões negativas sobre o fim iminente da sua cultura, eles existem até hoje.

As obras de Nimuendajú exprimem muito mais os mitos e tensões inerentes ao campo antropológico-indigenista. Autodidata sem formação acadêmica, utilizou-se dos talentos de linguista, historiador, arqueólogo e cartógrafo, fez 38 expedições etnográficas e arqueológicas de 1905 a 1945 (com sua morte em campo), percorrendo vários grupos étnicos ameríndios.

Os seus estudos isentos dos compromissos teóricos-institucionais, permitiram desenvolver a capacidade de perceber as preocupações dominantes de cada cultura, e não de qualquer teoria ou escola.

O método de Nimuendajú era de caracterizar o ethos e visão de mundo do povo estudado, guiado pela percepção das culturas de cada etnia, priorizava a palavra dos indígenas, fontes documentais, o manejo da língua nativa e denunciava a miséria física e moral dos povos indígenas. Sendo defensor dos direitos dos indígenas e de suas formas culturais.

Apoiado em clássicos sobre os Guarani derivados da produção etnológica ameríndia sobre a América do Sul, o seu trabalho surpreende pela modernidade, pois temos um texto de 1914 com usos de técnicas como a  “observação participante”, domínio da língua, permanência prolongada em campo entre outras formas clássicas de fazer antropologia utilizadas na contemporaneidade.

Viveiros fala que apesar de um estilo antropológico, os trabalhos de Nimuendajú “apresentam um domínio incompleto do campo e uma formação errática”, onde ele busca “várias formas de analogias para explicar de forma arcaica o que está vendo em campo”.

Apesar das críticas de Viveiros de Castro, ele aponta para as produções que tiveram influência direta nos trabalhos subsequentes sobre os Guarani, como os autores Egon Schaden, Leon Cadogan, Pierre e Hélene Clastres entre outros.

As suas monografias também abriram pesquisas sobre a estrutura social das sociedades Jê, contribuindo para os estudos dos seus sucessores como Levi-Strauss, que em 1950 fundou a antropologia estruturalista, mudando totalmento nosso campo de estudos.

“Nimuendajú parece se equivocar, quando, à força quer demonstrar que a ocupação do litoral atlântico pelos Tupi se devera a fatores exclusivamente religiosos”, ou seja, na busca pela Terra sem mal.

As análises mitológicas estavam na ordem do dia, tratando das origens da religião ou da razão, servindo como rotas de difusão cultural e mapas de afinidades genéticas.

O problema que o Nimuendajú encontrou sobre a melancolia e o desespero do pensamento Guarani ainda está em aberto. Ele achava que a …

“…cataclismologia Guarani tem atrás de si uma mistura muito sutil de esperança e desânimo, paixão e ação, e que sua aparência negadora oculta uma poderosa força afirmativa: em meio à sua miséria, os homens são deuses.” (Pág. 24)

Apesar de muitos escritos sobre os diferentes povos Guarani (Mbyá, Ñandeva, Kayowá), ainda continuam cheios de mistérios devido à complexidade da sua cultura e a mobilidade que lhes é própria.

Nos anos 40, no trabalho de Shaden, “Aspectos Fundamentais da Cultura Guarani” (Schaden, 1959: cap. VII), fala sobre a religiosidade dos Guarani trazer o problema da influência jesuítica (cristã de modo geral) sobre a cosmologia Guarani.

Primeiramente Nimuendajú sugere que o plano religioso é o lugar do sentido na sociedade Guarani, posteriormente seus trabalhos demonstram que o plano sociológico é privilegiado nos grupos Jê.

Eduardo diz que sem as descrições etnográficas, “De sistema de parentesco, distribuição espacial, ciclo de vida, genealogia…”, se continuará sabendo pouco sobre a sociologia e do misticismo religioso Guarani.

Seres do devir, os Guarani se preparam para  após a morte se encontrarem com os deuses. “Para os Guarani a destruição do mundo não é um termo, mas uma linha de fuga que os arrasta para um além sempre adiado, e isto é o presente.”

Conclusão:

Segundo Eduardo Viveiros de Castro  nos grupos ameríndios, tanto nos grupos Jê, quanto Tupi-Guarani a cosmologia predomina sobre a organização social, e religiosa, ou seja, é parte constitutiva da estrutura social, formando assim a cultura de cada grupo.

Cátia Simone da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia/UFPel
Integrante do NETA – Núcleo de Etnologia Ameríndia/UFPel
e do NECO – Núcleo de Estudo sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais/FURG