Categoria ‘Pré-historia’ Antropologia

7
Apr

Exposição Prorrogada: 12000 anos de História

cartaz
Foi prorrogada até o dia 18 de julho de 2014 a exposição 12000 anos de História: Arqueologia e Pré-História do Rio Grande do Sul.

A exposição conta com painéis informativos, artefatos arqueológicos, material áudio-visual e cenários articulados
com as demais informações, cujo objetivo é apresentar um panorama geral acerca do povoamento pré-colonial do Rio
Grande do Sul, abrangendo um período de tempo de 12000 anos.

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11
Aug

Cerâmica achada no RS pode ter 5.400 anos

Vestígios atribuídos aos guaranis estariam entre os mais antigos da América e mudariam a história da etnia

LÉO GERCHMANN
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

Pesquisadores da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), no Rio Grande do Sul, afirmam ter encontrado restos de cerâmica de 5.400 anos de idade em um sítio arqueológico da região. Se estiverem corretas, as datações representam uma das cerâmicas mais antigas das Américas -a mais antiga, encontrada no Pará, tem 8.000 anos.

Para o arqueólogo André Ramos Soares, no entanto, a importância de seu achado vai além: ele jogaria mais de três milênios para trás os indícios da presença dos índios guaranis na região. A conclusão pode recontar a história, ou melhor, a pré-história da etnia, que se espalha entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai. “Atualmente, é pacífico no meio acadêmico que os guaranis viveram por aqui entre os anos 500 e 600. Há também uma teoria que remete as suas origens para o ano 200. A nossa vai além. Mostra que eles viveram aqui pelo menos desde 3.000 a.C.”, diz Soares.

A presença dos guaranis por tanto tempo pode reforçar a ideia de que aquele povo manteve sua própria cultura, em vez de ter assimilado totalmente as orientações jesuíticas, como se imagina. A periodização proposta por Soares é, ao mesmo tempo, uma revolução na arqueologia e na linguística. Na arqueologia, porque nenhum sítio guarani datado até hoje no sul do país -uma região escavada há quatro décadas- tem mais de 2.000 anos de idade.

Na linguística, também, porque até onde se sabe a família tupi-guarani, à qual pertence o idioma guarani, tem origem amazônica. A maioria das 21 línguas da família são faladas na região norte do país – só o guarani é falado no sul. As cerâmicas mais antigas relacionadas à tradição tupi-guarani também estão na Amazônia.

Há atualmente dois modelos para explicar a dispersão dos guaranis e de seus “irmãos” tupis, que habitaram o litoral brasileiro e que receberam a esquadra de Pedro Álvares Cabral em 1500. Uma delas, proposta pelo etnólogo francês Alfred Métraux, diz que os tupis-guaranis surgiram no Paraguai e começaram a migrar para o norte poucos séculos antes da chegada dos europeus.

A outra, originada na pesquisa do arqueólogo gaúcho José Joaquim Brochado nos anos 80, aponta a Amazônia como a origem dos povos tupis e guaranis, que teriam migrado a partir de 500 a.C. para o sul. Os achados de Soares obrigariam os arqueólogos a pensar num outro modelo.

Achados como esse, no entanto, precisam ser tomados com cuidado. Em arqueologia, a regra costuma ser descartar datações anormais como erro. Em especial se elas se originam de um só local. “Se essas datas estão em 5.400 anos, por que todas as outras estão de 2.000 anos para baixo?”, questiona Lúcio Tadeu Mota, do Laboratório de Arqueologia e Etnologia da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná.

Termoluminescência
A pesquisa coletou amostras de solo e cerâmica, entre março de 1999 e setembro do ano passado, na região central do Rio Grande do Sul. A análise e a datação foram feitas pelo Laboratório de Cristais e Vidros Iônicos da USP.

O método de datação utilizado, no entanto, não está livre de erros. Chamado de termoluminescência, ele mede a radioatividade residual dos cristais de quartzo presentes na cerâmica depois que a peça é queimada para endurecer.
Acontece que a radioatividade natural do lugar onde os vestígios foram encontrados também pode influenciar na datação. Se ela for muito grande, as peças podem parecer muito mais velhas do que são de fato.

Resultados polêmicos podem ser também resultado de um erro do laboratório, por contaminação de amostras. “No caso, o mais seguro seria mandar o material para análise em um outro laboratório”, diz o etnohistoriador Lúcio Mota.
Soares diz ter datado 11 amostras e obtido resultados coerentes. “O laboratório precisaria ter errado 11 vezes”, afirma o cientista.

Outra questão a esclarecer é o tempo de divergência entre o guarani e as outras línguas aparentadas. Os linguistas aceitam hoje que a família tupi-guarani teria surgido há não mais do que 3.000 anos -ou seja, se os guaranis de fato estivessem no Rio Grande do Sul há 5.400 anos, não falariam o guarani. Enquanto essas lacunas não forem resolvidas, os arqueólogos continuarão cheios de dúvidas sobre a origem desses índios.

Colaborou Claudio Angelo, da Reportagem Local

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2301200101.htm