Categoria ‘Territorialidade’ Antropologia

19
Apr

“O grito dos povos indígenas pela garantia dos direitos constitucionais”

Movimento e Organização Indígena do estado de Rondônia e Noroeste de Mato Grosso

CARTA FINAL DOS PARTICIPANTES DO ABRIL INDÍGENA 2013

Nós povos indígenas Karitiana, Gavião, Arara, Zoró, Oro Mon, Oro Waram, Canoé, Mamaindê, Aikanã, Latundê, Puruborá, Sakirabiat, Guarassungwê, Kwazá oriundos dos estados Rondônia e Noroeste do Mato Grosso, reunidos no “Abril Indígena”  Regional, de 8 a 11 de abril de 2013, com o tema “O grito dos povos indígenas pela garantia dos direitos constitucionais”, na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação-SINTERO, em Porto Velho, discutindo, avaliando e refletindo sobre os problemas que nos atingem,   expomos nossas angustias, preocupações e violências ainda vivenciadas diariamente por nossas comunidades  e territórios tradicionais, no que se refere:

SAÚDE
01- Constatamos mais uma vez que a falta de um atendimento diferenciado tem provocado a morte de muitas crianças, gestantes e idosos, que são os mais vulneráveis e vítimas deste atendimento.
02- Muitos pacientes do interior são transferidos para Porto Velho para atendimento mais especializado, mas são impedidos de trazerem acompanhantes. O caso fica mais dramático quando isso ocorre com mulheres que não sabem falar o português. Elas ficam desesperadas e se sentem abandonadas.
03- Continua a demora do atendimento nos hospitais. Isso tem provocado o óbito de muitos parentes.
04- Pacientes que necessitam de tratamento especializado, dentro e fora do Estado estão morrendo à míngua, porque não é priorizado seu encaminhamento.
05- As estruturas das Casas de Saúde Indígena são precárias. Faltam equipe médica, medicamentos, equipamentos e formação especifica dos profissionais envolvidos. Também faltam medicamentos básicos nos postos de saúde das aldeias. Algumas aldeias ficam muito distantes e são de difícil acesso. Por isso, não é possível, pelo menos nesses casos, exigir receita médica para o fornecimento de medicamentos para uma simples dor de cabeça ou diarréia.
06- Que o estado de Rondônia contemple em seu orçamento recursos para o atendimento à saúde indígena; que a SESAI firme convênio com o Estado para atendimento especializado e de alta complexidade a pacientes indígenas.
07- O Distrito Sanitário Especial Indígena de Porto Velho terceirizou os serviços de transporte. Com isso, alega aos pacientes indígenas que o transporte não é mais de sua responsabilidade e que qualquer reclamação deve ser feita à empresa contratada.
A atual empresa responsável por esse serviço tem estabelecido regras para o transporte de pacientes incompatíveis com as demandas indígenas e com a realidade amazônica. Citamos por exemplo, que os motoristas encerram seu horário de trabalho às 17 horas. Depois disso, não buscam mais pacientes nas aldeias. Não existe motorista de plantão à noite e fim de semana Nos finais de semana e feriados, muitas vezes os bombeiros são acionados para fazerem esse transporte, inclusive no trajeto CASAI-Hospital. Os motoristas são impedidos de transportar outros pacientes no trajeto aldeia-CASAI que não aqueles determinados pela direção da CASAI. Também são impedidos de atravessar pontes, bueiros e lugares de difícil acesso que ponham em risco o veículo da empresa, preferindo pôr em risco a vida do paciente indígena.  Exigimos a imediata rescisão desse contrato com esta empresa e entendemos que o DSEI é sim o responsável pelo transporte de pacientes indígenas.
08- Manifestamos nossa preocupação com relação à nossa participação na 5ª. Conferencia de Saúde Indígena, por não estarmos sendo informados sobre a sua condução, nem mesmo em nível local e estadual.

EDUCAÇÃO:
01. Exigimos a imediata implementação da Lei 578/10 que criou o cargo de magistério público indígena e quadro administrativo, notadamente no que se refere ao concurso público para esses cargos e às nomeações previstas nos artigos 41 e 42 desta Lei.
02- Queremos a participação efetiva de representantes indígenas na comissão de elaboração do referido concurso público, sob pena dele não atender todas as especificidades das diferentes realidades indígenas;
03- Que haja participação ativa dos povos indígenas na política de educação escolar indígena, na gestão das ações e no controle social;
04. Criação e instalação do Conselho de Educação Escolar Indígena de Rondônia, com participação indígena desde à concepção desse Conselho;
05. Criação de uma Gerência de Educação Escolar Indígena para garantir de fato e de direito uma educação escolar específica e diferenciada, segundo os princípios aprovados pelo MEC;
06. Regularização das Escolas Indígenas, considerando suas especificidades;
07. Implantação do Projeto do Sexto ao Nono ano e Ensino Médio em todas as Escolas Indígenas;
08. Agilidade na construção de escolas indígenas adaptadas à realidade local, com estrutura física que garanta seu bom funcionamento;
09.  Garantir o atendimento pedagógico nas escolas indígenas;
10- Retomada imediata do curso AÇAI II, sob pena de inviabilizar a formação dos professores no curso de magistério indígena;
11- Que a UNIR assegure o cumprimento da Lei 12.711/12 referente ao ingresso de estudantes indígenas na educação superior pública de Rondônia.

TERRA:
1- Reconhecimento do povo indígena Guarassungwê da região de Pimenteiras-RO;
2- Revisão dos limites da Terra Indígena Zoró para incorporar suas terras tradicionais que ficaram fora dos atuais limites.
3- Revisão dos limites da TI Igarapé Lourdes para incorporar as terras tradicionais dos Gavião e dos Arara que ficaram fora dos atuais limites;
04- Conclusão imediata do GT de ampliação da Terra Indígena Karitiana;
05- (Chupinguaia), Djeoromitxi, na região de Figueiras, Aruá, Makurap, Tupari, Kampé, Arikapu, Canoé e Djahoi, todos no município de Alta Floresta, Pirineu de Souza (Casa de Rondon – Vilhena), Imediata demarcação das terras indígenas Puruborá (Município de Seringueiras), Migueleno (Mun. São Francisco), Wajuru (Porto Rolim, Alta Floresta), Cujubim (Costa Marques) Cassupá e Salamãi Mamaindê, Tawandê e Idalamarê (Comodoro MT);
06- Imediata interdição e demarcação das terras dos povos indígenas livres (sem contato voluntário).
07- Revisão de limites da TI Vale do Guaporé, município de Comodoro-MT, para incorporar a região da  Lagoa dos Brincos, onde está localizada a Fazenda Maringá, mas é  área tradicional do povo Mamaindê.
08- Retirada dos invasores e conclusão da regularização da Terra Indígena Rio Negro Ocaia.
09. Conclusão das revisões de limites das Terras Indígenas Pacaas Novos, Igarapé Lage e Ribeirão.

GRANDES PROJETOS DO PAC:
01. Todos os grandes empreendimentos em execução e os previstos para esta região atingem de uma ou outra forma nossos territórios indígenas. Esse modelo de desenvolvimento adotado pelo atual governo não respeita as populações tradicionais e o meio ambiente. Estamos vendo nossas terras ou o seu entorno sendo invadidos por PCHs, Hidrelétricas, estradas. Nossos direitos constitucionais não estão sendo respeitados, em nome de um suposto progresso que só beneficia grandes grupos econômicos e que atentam contra a nossa integridade física e cultural e afeta nossa dignidade humana.
Citamos como exemplo de violência que nossos povos e territórios estão sofrendo:
1- As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), construídas ao longo da bacia do Rio Branco, vem há décadas afetando 10 povos indígenas que vivem na Terra Indígena Rio Branco, no município de Alta Floresta do Oeste. A PCH Cascata, no Rio Pimenta Bueno atinge a terra indígena Tubarão Latundê, em Chupinguaia, construída em cima de três cemitérios antigos e afeta o território tradicional dos Aikanã, Cassupá, Salamãi, Massacá e Kwazá;
02- As hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio atingem os povos Karitiana, Uru-Eu Wau Wau, Kassupá, Karipuna, Kaxarari e os povos da região de Guajará-Mirim e Nova Mamoré. Repudiamos que toda pactuação para reparação ou compensação de danos causados por essas obras estão sendo feitas diretamente com a FUNAI , sem  a participação dos povos indígenas afetados.
03- Nessa região há presença de indígenas isolados, reconhecidos pela FUNAI, que podem estar sendo exterminados. Responsabilizamos a FUNAI, a União, os governos federal e estadual e as empresas responsáveis por esses empreendimentos por eventual genocídio desses povos isolados. Nenhuma medida de mitigação ou compensação diminui os prejuízos que já temos e que ainda teremos com esses empreendimentos.
04- Nosso repúdio contra a possível construção da Hidrelétrica de Tabajara, no rio Machado, que atingirá os povos Tenharin, Diahoi, povos isolados daquela região, Arara e Gavião da TI Igarapé Lourdes, além de outras populações tradicionais e Unidades de Conservação. Já fomos contra a construção dessa hidrelétrica no passado e continuaremos não permitindo mais essa violência contra nossos direitos.
05- De igual forma nosso repúdio à possível construção da Hidrelétrica Ribeirão, em Guajará- Mirim. Os povos indígenas daquela região já estão sendo afetados pela Hidrelétrica de Jirau. Agora o governo planeja mais uma hidrelétrica que alagará boa parte de Terras Indígenas daquela região.
06- Sabemos que estradas estão sendo projetadas, a exemplo da BR 080 e BR 421, para escoamento de produção dos grandes agropecuaristas. Não admitiremos que essas estradas passem nas Terras Indígenas ou no seu entorno, legalmente protegidos, para beneficiar esses grandes fazendeiros, em detrimento de nossos direitos constitucionalmente garantidos.
07- Não permitiremos que outras grandes obras como as hidrovias e a ferrovia transcontinental afetem, de uma ou outra forma, nossos territórios. Estamos cansados de ver nossos territórios e seus entornos serem invadidos por esses empreendimentos que só nos causam prejuízos de toda natureza.
Projetos Legislativos no Congresso Nacional
Como se não bastassem todos esses empreendimentos em execução ou projetados para essa região que afetam nossos territórios, o Congresso Nacional, através de sua bancada ruralista e evangélica, tem proposto uma serie de Propostas de Emenda Constitucional (PEC) e Projetos de Lei (PL) que rasgam nossos direitos garantidos na Constituição Federal de 1988; que nos desrespeitam como seres humanos, que ferem nossos territórios sagrados e que afrontam a nossa dignidade humana. Citamos alguns desses projetos:
1-    PEC/215/2000- transfere para o Congresso Nacional a competência para demarcar Terras Indígenas e as que ainda não tiveram seu processo demarcatório concluído, também devem passar pela aprovação do Congresso Nacional. Sabemos que se essa competência for transferida do Executivo para o Legislativo dificilmente teremos novas Terras Indígenas demarcadas.
2-    PEC 237/13 que permite a posse de Terras Indígenas por produtores rurais, através de concessão da União. Mais uma vez o agronegócio quer de toda forma diminuir nossos direitos e tomar posse de nossas terras, desta vez de forma legalizada.
3-    PL 1610/96 que regulamenta a mineração em Terras Indígenas. Nós povos indígenas só aceitamos discutir essa regulamentação dentro do PL Estatuto dos Povos Indígenas, conforme proposta pela CNPI.
4-    Portaria 303/12 da Advocacia Geral da União – interpreta de forma  abrangente, errônea e arbitraria as condicionantes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do caso Raposa Serra do Sol, estendendo a aplicação dessas condicionantes a todas as Terras Indígenas.
5-    Repudiamos a edição do Decreto 7957/13, por usar a Força Nacional para reprimir, massacrar e forçar as pesquisas em Terras Indígenas.
6-    Existem ainda outras afrontas como a PEC 38/99, a Portaria MJ 2498/11, a Portaria Interministerial 419/11, entre outras, que reduzem nossos direitos.
Diante de tudo, renovamos nossa indignação e nossos protestos e exigimos respeito aos nossos direitos tão duramente conquistados pela Constituição Federal de 1988 e Convenção 169 da OIT, e hoje ameaçados por aqueles que só sabem explorar as riquezas e os povos do nosso país.

Porto Velho, 11 de abril de 2013

Divulgação do Movimento dos Povos Indígenas dos Estado de Rondônia e Mato Grosso.

22
Jan

Divulgação do Blog do NECO – Estudos sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais/FURG

Esta no ar o blog do NECO – Núcleo de estudos sobre populações costeiras e saberes tradicionais da FURG,  Rio Grande/RS.  O endereço é necofurg.wordpress.com, o mesmo tem o objetivo de divulgar eventos, livros e temas relativos a povos e coletivos costeiros.

O NECO possui um grupo de estudos e as reuniões acontecem a cada 15 dias, nas terças-feiras a partir das 18:30h até às 21:00h na FURG – Campus Carreiros em Rio Grande. As temáticas de estudos são trabalho, gênero, mitologia, conflitos sócioambientais entre outros temas, também articulando com autores que tratam sobre saberes tradicionais.

Trabalhando com a interdisciplinariedade, no grupo fazem-se presentes antropólogos, arqueólogos, historiadores, pedagogos, assistentes sociais, etnológos, ambientalistas…

Aos interessado(a)s e pesquisadore(a)s sobre as temáticas com grupos costeiros e comunidades tradicionais entre eles: pescadores artesanais, quilombolas, indígenas, pequenos produtores rurais… sejam bem vindos ao núcleo.

Cátia Simone da Silva

2
Jan

Resenha do livro: Os Mbyá-Guarani através da sua culinária doce

a-doce-cosmologia-mbya-guarani

Por Cátia Simone da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia/UFPel

Apresento a resenha do livro: “A doce cosmologia Mbyá-Guarani: uma etnografia de sabores e sabores”, (Editora Appris, 2012, 514 páginas), do antropólogo Mártim César Tempass, a mesma foi publicada na revista Espaço Ameríndio da UFRGS (http://seer.ufrgs.br/espacoamerindio/), no Volume 6, Número 2 de 2012.

Acesse a resenha completa em PDF.

Boa leitura!

24
Oct

Grupo de 170 ameríndios da etnia Guarani Caiovás prometem cometer suicídio coletivo

A declaração de morte coletiva feita por um grupo de Guaranis Caiovás demonstra a incompetência do Estado brasileiro para cumprir a Constituição de 1988 e mostra que somos todos cúmplices de genocídio – uma parte de nós por ação, outra por omissão!

“Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar nossa extinção/dizimação total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar nossos corpos. Este é o nosso pedido aos juízes federais.”

O trecho pertence à carta de um grupo de 170 indígenas que vivem à beira de um rio no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul, cercados por pistoleiros. As palavras foram ditadas em 8 de outubro ao conselho Aty Guasu (assembleia dos Guaranis Caiovás), após receberem a notícia de que a Justiça Federal decretou sua expulsão da terra. São 50 homens, 50 mulheres e 70 crianças. Decidiram ficar. E morrer como ato de resistência – morrer com tudo o que são, na terra que lhes pertence.

Há cartas, como a de Pero Vaz de Caminha, de 1º de maio de 1500, que são documentos de fundação do Brasil: fundam uma nação, ainda sequer imaginada, a partir do olhar estrangeiro do colonizador sobre a terra e sobre os habitantes que nela vivem. E há cartas, como a dos Guaranis Caiovás, escritas mais de 500 anos depois, que são documentos de falência. Não só no sentido da incapacidade do Estado-nação constituído nos últimos séculos de cumprir a lei estabelecida na Constituição hoje em vigor, mas também dos princípios mais elementares que forjaram nosso ideal de humanidade na formação do que se convencionou chamar de “o povo brasileiro”. A partir da carta dos Guaranis Caiovás, tornamo-nos cúmplices de genocídio. Sempre fomos, mas tornar-se é saber que se é.
Os Guaranis Caiovás avisam-nos por carta que, depois de tantas décadas de luta para viver, descobriram que agora só lhes resta morrer. Avisam a todos nós que morrerão como viveram: coletivamente, conjugados no plural.
Nos trechos mais pungentes de sua carta de morte, os indígenas afirmam:

– Queremos deixar evidente ao Governo e à Justiça Federal que, por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo. Não acreditamos mais na Justiça Brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos, mesmo, em pouco tempo. Não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy, onde já ocorreram 4 mortes, sendo que 2 morreram por meio de suicídio, 2 em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um ano. Estamos sem assistência nenhuma, isolados, cercados de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia a dia para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários de nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali está o cemitérios de todos os nossos antepassados.

Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje. (…) Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.

Como podemos alcançar o desespero de uma decisão de morte coletiva? Não podemos. Não sabemos o que é isso. Mas podemos conhecer quem morreu, morre e vai morrer por nossa ação – ou inação. E, assim, pelo menos aproximar nossos mundos, que até hoje têm na violência sua principal intersecção.

Desde o ínicio do século XX, com mais afinco a partir do Estado Novo (1937-45) de Getúlio Vargas, iniciou-se a ocupação pelos brancos da terra dos Guaranis Caiovás. Os indígenas, que sempre viveram lá, começaram a ser confinados em reservas pelo governo federal, para liberar suas terras para os colonos que chegavam, no que se chamou de “A Grande Marcha para o Oeste”. A visão era a mesma que até hoje persiste no senso comum: “terra desocupada” ou “não há ninguém lá, só índio”.

Era de gente que se tratava, mas o que se fez na época foi confiná-los como gado, num espaço de terra pequeno demais para que pudessem viver ao seu modo – ou, na palavra que é deles, Teko Porã (“o Bem Viver”). Com a chegada dos colonos, os indígenas passaram a ter três destinos: ou as reservas ou trabalhar nas fazendas como mão de obra semiescrava ou se aprofundar na mata. Quem se rebelou foi massacrado. Para os Guaranis Caiovás, a terra a qual pertencem é a terra onde estão sepultados seus antepassados. Para eles, a terra não é uma mercadoria – a terra é.

Na ditadura militar, nos anos 60 e 70, a colonização do Mato Grosso do Sul se intensificou. Um grande número de sulistas, gaúchos mais do que todos, migrou para o território para ocupar a terra dos índios. Outros despacharam peões e pistoleiros, administrando a matança de longe, bem acomodados em suas cidades de origem, onde viviam – e vivem até hoje – como “cidadãos de bem”, fingindo que não têm sangue nas mãos.

Com a redemocratização do país, a Constituição de 1988 representou uma mudança de olhar e uma esperança de justiça. Os territórios indígenas deveriam ser demarcados pelo Estado no prazo de cinco anos. Como sabemos, não foi. O processo de identificação, declaração, demarcação e homologação das terras indígenas tem sido lento, sensível a pressões dos grandes proprietários de terras e da parcela retrógrada do agronegócio. E, mesmo naquelas terras que já estão homologadas, em muitas o governo federal não completou a desintrusão – a retirada daqueles que ocupam a terra, como posseiros e fazendeiros –, aprofundando os conflitos.

Nestas últimas décadas testemunhamos o genocídio dos Guaranis Caiovás. Em geral, a situação dos indígenas brasileiros é vergonhosa. A dos 43 mil Guaranis Caiovás, o segundo grupo mais numeroso do país, é considerada a pior de todas. Confinados em reservas como a de Dourados, onde cerca de 14 mil, divididos em 43 grupos familiares, ocupam 3,5 mil hectares, eles encontram-se numa situação de colapso. Sem poder viver segundo a sua cultura, totalmente encurralados, imersos numa natureza degradada, corroídos pelo alcoolismo dos adultos e pela subnutrição das crianças, os índices de homicídio da reserva são maiores do que em zonas em estado de guerra.

A situação em Dourados é tão aterradora que provocou a seguinte afirmação da vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat: “A reserva de Dourados é talvez a maior tragédia conhecida da questão indígena em todo o mundo”. Segundo um relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), que analisou os dados de 2003 a 2010, o índice de assassinatos na Reserva de Dourados é de 145 para cada 100 mil habitantes – no Iraque, o índice é de 93 assassinatos para cada 100 mil. Comparado à média brasileira, o índice de homicídios da Reserva de Dourados é 495% maior.

A cada seis dias, um jovem Guarani Caiová se suicida. Desde 1980, cerca de 1500 tiraram a própria vida. A maioria deles enforcou-se num pé de árvore. Entre as várias causas elencadas pelos pesquisadores está o fato de que, neste período da vida, os jovens precisam formar sua família e as perspectivas de futuro são ou trabalhar na cana de açúcar ou virar mendigos. O futuro, portanto, é um não ser aquilo que se é. Algo que, talvez para muitos deles, seja pior do que a morte.

Um relatório do Ministério da Saúde mostrou, neste ano, o que chamou de “dados alarmantes, se destacando tanto no cenário nacional quanto internacional”. Desde 2000, foram 555 suicídios, 98% deles por enforcamento, 70% cometidos por homens, a maioria deles na faixa dos 15 aos 29 anos. No Brasil, o índice de suicídios em 2007 foi de 4,7 por 100 mil habitantes. Entre os indígenas, no mesmo ano, foi de 65,68 por 100 mil. Em 2008, o índice de suicídios entre os Guaranis Caiovás chegou a 87,97 por 100 mil, segundo dados oficiais. Os pesquisadores acreditam que os números devem ser ainda maiores, já que parte dos suicídios é escondida pelos grupos familiares por questões culturais.

As lideranças Guaranis Caiovás não permaneceram impassíveis diante deste presente sem futuro. Começaram a se organizar para denunciar o genocídio do seu povo e reivindicar o cumprimento da Constituição. Até hoje, mais de 20 delas morreram assassinadas por ferirem os interesses privados de fazendeiros da região, a começar por Marçal de Souza, em 1983, cujo assassinato ganhou repercussão internacional. Ao mesmo tempo, grupos de Guaranis Caiovás abandonaram o confinamento das reservas e passaram a buscar suas tekohá, terras originais, na luta pela retomada do território e do direito à vida. Alguns grupos ocuparam fundos de fazendas, outros montaram 30 acampamentos à beira da estrada, numa situação de absoluta indignidade. Tanto nas reservas quanto fora delas, a desnutrição infantil é avassaladora.

A trajetória dos Guaranis Caiovás que anunciaram sua morte coletiva ilustra bem o destino ao qual o Estado brasileiro os condenou. Homens, mulheres e crianças empreenderam um caminho em busca da terra tradicional, localizada às margens do Rio Hovy, no município de Iguatemi (MS). Acamparam em sua terra no dia 8 de agosto de 2011, nos fundos de fazendas. Em 23 de agosto foram atacados e cercados por pistoleiros, a mando dos fazendeiros. Em um ano, os pistoleiros já derrubaram dez vezes a ponte móvel feitas por eles para atravessar um rio com 30 metros de largura e três de fundura. Em um ano, dois indígenas foram torturados e mortos pelos pistoleiros, outros dois se suicidaram.

Em tentativas anteriores de recuperação desta mesma terra, os Guaranis Caiovás já tinham sido espancados e ameaçados com armas de fogo. Alguns deles tiveram seus olhos vendados e foram jogados na beira da estrada. Em outra ocasião, mulheres, velhos e crianças tiveram seus braços e pernas fraturados. O que a Justiça Federal fez? Deferiu uma ordem de despejo. Em nota, a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) afirmou que “está trabalhando para reverter a decisão”.

Os Guaranis Caiovás estão sendo assassinados há muito tempo, de todas as formas disponíveis, as concretas e as simbólicas. “A impunidade é a maior agressão cometida contra eles”, afirma Flávio Machado, coordenador do CIMI no Mato Grosso do Sul. Nas últimas décadas, há pelo menos duas formas interligadas de violência no processo de recuperação da terra tradicional dos indígenas: uma privada, das milícias de pistoleiros organizadas pelos fazendeiros; outra do Estado, perpetrada pela Justiça Federal, na qual parte dos juízes, sem qualquer conhecimento da realidade vivida na região, toma decisões que não só compactuam com a violência , como a acirram.

“Quando os pistoleiros não conseguem consumar os despejos e massacres truculentos dos indígenas, os fazendeiros contratam advogados para conseguir a ordem de despejo na Justiça”, afirma Egon Heck, indigenista e cientista político, num artigo publicado em relatório do CIMI. “No momento em que ocorre a ordem de despejo, os agentes policiais agem de modo similar ao dos pistoleiros, visto que utilizam armas pesadas, queimam as ocas, ameaçam e assustam as crianças, mulheres e idosos.”

Ao fundo, o quadro maior: os sucessivos governos que se alternaram no poder após a Constituição de 1988 foram incompetentes para cumpri-la. Ao final de seus dois mandatos, Lula reconheceu que deixava o governo com essa dívida junto ao povo Guarani Caiová. Legava a tarefa à sua sucessora, Dilma Rousseff. Os indígenas escreveram, então, uma carta: “Presidente Dilma, a questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. Por ultimo, o ex-presidente Lula prometeu, se comprometeu, mas não resolveu. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Caiová e passou a solução para suas mãos. E nós não podemos mais esperar. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro (…) Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá, nossas terras tradicionais. Não estamos pedindo nada demais, apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais”.

A declaração de morte dos Guaranis Caiovás ecoou nas redes sociais na semana passada. Gerou uma comoção. Não é a primeira vez que indígenas anunciam seu desespero e seu genocídio. Em geral, quase ninguém escuta, para além dos mesmos de sempre, e o que era morte anunciada vira morte consumada. Talvez a diferença desta carta é o fato de ela ecoar algo que é repetido nas mais variadas esferas da sociedade brasileira, em ambientes os mais diversos, considerado até um comentário espirituoso em certos espaços intelectualizados: a ideia de que a sociedade brasileira estaria melhor sem os índios.

Desqualificar os índios, sua cultura e a situação de indignidade na qual vive boa parte das etnias é uma piada clássica em alguns meios, tão recorrente que se tornou quase um clichê. Para parte da elite escolarizada, apesar do esforço empreendido pelos antropólogos, entre eles Lévi-Strauss, as culturas indígenas ainda são vistas como “atrasadas”, numa cadeia evolutiva única e inescapável entre a pedra lascada e o Ipad – e não como uma escolha diversa e um caminho possível. Assim, essa parcela da elite descarta, em nome da ignorância, a imensa riqueza contida na linguagem, no conhecimento e nas visões de mundo das 230 etnias indígenas que ainda sobrevivem por aqui.

Toda a História do Brasil, a partir da “descoberta” e da colonização, é marcada pelo olhar de que o índio é um entrave no caminho do “progresso” ou do “desenvolvimento”. Entrave desde os primórdios – primeiro, porque teve a deselegância de estar aqui antes dos portugueses; em seguida, porque se rebelava ao ser escravizado pelos invasores europeus. A sociedade brasileira se constituiu com essa ideia e ainda que a própria sociedade tenha mudado em muitos aspectos, a concepção do índio como um entrave persiste. E persiste de forma impressionante, não só para uma parte significativa da população, mas para setores do Estado, tanto no governo atual quanto nas gestões passadas.

“Entraves” precisam ser removidos. E têm sido, de várias maneiras, como a História, a passada e a presente, nos mostra. Talvez essa seja uma das explicações possíveis para o impacto da carta de morte ter alcançado um universo maior de pessoas. Desta vez, são os índios que nos dizem algo que pode ser compreendido da seguinte forma: “É isso o que vocês querem? Nos matar a todos? Então nós decidimos: vamos morrer”. Ao devolver o desejo a quem o deseja, o impacto é grande.

É importante lembrar que carta é palavra. A declaração de morte coletiva surge como palavra dita. Por isso precisamos compreender, pelo menos um pouco, o que é a palavra para os Guaranis Caiovás. Em um texto muito bonito, intitulado Ñe’ẽ – a palavra alma, a antropóloga Graciela Chamorro, da Universidade Federal da Grande Dourados, nos dá algumas pistas:

“A palavra é a unidade mais densa que explica como se trama a vida para os povos chamados guarani e como eles imaginam o transcendente. As experiências da vida são experiências de palavra. Deus é palavra. (…) O nascimento, como o momento em que a palavra se senta ou provê para si um lugar no corpo da criança. A palavra circula pelo esqueleto humano. Ela é justamente o que nos mantém em pé, que nos humaniza. (…) Na cerimônia de nominação, o xamã revelará o nome da criança, marcando com isso a recepção oficial da nova palavra na comunidade. (…) As crises da vida – doenças, tristezas, inimizades etc. – são explicadas como um afastamento da pessoa de sua palavra divinizadora. Por isso, os rezadores e as rezadoras se esforçam para ‘trazer de volta’, ‘voltar a sentar’ a palavra na pessoa, devolvendo-lhe a saúde.(…) Quando a palavra não tem mais lugar ou assento, a pessoa morre e torna-se um devir, um não-ser, uma palavra-que-não-é-mais. (…) Ñe’ẽ e ayvu podem ser traduzidos tanto como ‘palavra’ como por ‘alma’, com o mesmo significado de ‘minha palavra sou eu’ ou ‘minha alma sou eu’. (…) Assim, alma e palavra podem adjetivar-se mutuamente, podendo-se falar em palavra-alma ou alma-palavra, sendo a alma não uma parte, mas a vida como um todo.”

A fala, diz o antropólogo Spensy Pimentel, pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios da Universidade de São Paulo, é a parte mais sublime do ser humano para os Guaranis Caiovás. “A palavra é o cerne da resistência. Tem uma ação no mundo – é uma palavra que age. Faz as coisas acontecerem, faz o futuro. O limite entre o discurso e a profecia é tênue.”

Se a carta de Pero Vaz de Caminha marca o nascimento do Brasil pela palavra escrita, é interessante pensar o que marca a carta dos Guaranis Caiovás mais de 500 anos depois. Na carta-fundadora, é o invasor/colonizador/conquistador/estrangeiro quem estranha e olha para os índios, para sua cultura e para sua terra. Na dos Guaranis Caiovás, são os índios que olham para nós. O que nos dizem aqueles que nos veem? (Ou o que veem aqueles que nos dizem?)

A declaração de morte dos Guaranis Caiovás é “palavra que age”. Antes que o espasmo de nossa comoção de sofá migre para outra tragédia, talvez valha a pena uma última pergunta: para nós, o que é a palavra?

Aproveitamos a oportunidade para divulgar o Abaixo-assinado pela suspensão do despacho contrário aos Kaiowá expedido pela Justiça Federal de Navirai/MS (processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006 em 29/09/2012) .
Link para apoios:
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N30791
http://www.avaaz.org/po/petition/Salvemos_os_indios_GuaraniKaiowa_URGENTE/?tPbAKab

Mayara Melo
Comunicóloga
Integrante do Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para Sustentabilidade/UFC
Mestranda do Programa de Desenvolvimento e Meio Ambiente – PRODEMA/UFC
_________________________________________________________________
Enviado pela Profa. Dra. Claudia Turra Magni/UFpel

http://www.avaaz.org/po/petition/Salvemos_os_indios_GuaraniKaiowa_URGENTE/?tPbAKab
19
Aug

A transmissão do saber fazer nas pedreiras do bairro Cerro do Estado/Capão do Leão/RS

Por Cátia Simone da Silva

Esse diário de campo fez parte da pesquisa sobre “A transmissão do saber fazer nas pedreiras do bairro Cerro do Estado”, município de Capão do Leão, ao Sul do Brasil. A extração mineral de granito é uma das principais fontes de renda do município, o saber tradicional deste trabalho faz parte do cotidiano de muitas famílias há mais de um século, sendo portanto uma herança cultural.

A metodologia empregada foi os métodos de observação participante, o uso do “diário de campo”, recursos audio-visuais (fotografia e filmagens), essas constituirão parte de um “documentário etnográfico” e também foi utilizado um questionário semi-estruturado com perguntas a partir dos problemas em questão: “trabalho e gênero”.

Como nasci e moro no local, sou portanto uma nativa, devo segundo Magnani (2002) “estranhar o familiar”, e o estranhamento deu-se na medida que ia sendo conduzido as entrevistas, pois foram surgindo expressões e palavras que eu não ainda conhecia.

A pesquisa tem como foco a categoria trabalho, o qual está imbricado com a territorialidade, e é uma das principais constituições identitárias do grupo. Desta forma não poderia deixar de comentar a etmologia da palavra “trabalho”, conforme Cunha:

“Trabalho tem o sentido de torturar, derivado de tripalium (instrumento de tortura). Dá idéia inicial de “sofrer” passou-se à idéia de esforçar-se, lutar, pugnar e, por fim trabalhar; ocupar-se de um míster, “exercer o seu ofício”. Do latim: Tripalire – entrada no português, século XIII).” (NOGUEIRA, 2001. P. 38 APUD: cunha, 1987. P. 204).

No primeiro sentido de “torturar”, pode ser percebido aqui nas atividades, pois os trabalhadores ficam expostos a vários tipos de acidentes. Existem casos de mutilações dos dedos, perda da visão por lascas de pedras ou ferro, e acidentes de toda a ordem, inclusive casos de óbitos. Além das persuações das políticas públicas ambientais, vulnerabilidade econômica, sendo na maioria dos casos um trabalho informal. Nas narrativas dos meus interlocutores ficou explícito o orgulho de praticarem o corte artesanal de pedras, pois ocupam-se da atividade desde criança.

Sai pela manhã  como o flâneur 1 de Walter Benjamin, (ROUANET, 1993), sem um horizonte claro para as minhas caminhadas, deixando a intuição e os acontecimentos à minha volta me conduzirem no caminho que eu deveria seguir. Saindo nesse dia com dois problemas a descobrir e mais um terceiro que surgiu durante as entrevistas.

Minha primeira dúvida é o significado do termo “marroeiro”, porque num blog sobre “A história do Capão do Leão”,  dizia que o termo graniteiro é utilizado para os que trabalham fora do DEPREC2, pois nessa empresa os trabalhadores no passado e até hoje possuem a denominação de “marroeiro”.

A outra era sobre gênero, gostaria de saber sobre o trabalho das mulheres nas pedreiras, ou se era feito só por homens, se já teve mulher, quando, e qual era a participação delas na atividade, além de auxiliarem em casa e cuidarem dos filhos.

Então, com as sensações do “Anthropology Blue” fui em direção à casa da Sra. Maria da Conceição, esposa do Sr. Teodoro Alves Pereira (85 anos), o graniteiro mais velho do município, no caminho encontrei Joel (marroeiro) e expliquei que estava fazendo um trabalho para a faculdade e perguntei se ele poderia me ajudar em uma dúvida sobre a profissão de marroeiro dentro do DEPREC, indaguei sobre qual a diferença que existia entre marroeiro e graniteiro.

Para ele: “Marroeiro ou graniteiro é a mesma coisa, cortam pedra”. Me explicou rápido, e quando eu perguntei se poderia anotar e gravar, simplismente disse-me que o Paulo Antônio me daria uma explicação melhor, e já pegou o celular e ligou para o colega de serviço explicando o que eu queria e dizendo: “ela já está indo aí”.

Quando cheguei no escritório do DEPREC, o Sr. Paulo Antônio também me explicou muito rápido e quando perguntei se ele permitia uma gravação, ele disse, “O Jairo já está chegando e é ele que vai te explicar melhor”.

O Sr. Jairo Umberto Pereira Costa, é o administrador da Superintendência do Porto de Rio Grande aqui no bairro, local onde se deu as entrevistas. Ficou contente quando eu disse que privilegiava as histórias orais contadas pelos próprios atores  envolvidos nas temáticas de pesquisa: aqui são os graniteiros, suas cônjuges e ou outros.

A partir de uma pergunta com a filmadora desligada, eu conversava com o Sr. Jairo, somente após as explicações é que eu gravava a minha pergunta e a explicação dele. Essa técnica eu descobri na hora, com a alteridade senti que assim ficava melhor para ele se preparar com a resposta. Conforme o desenrolar das respostas eu já observava e preparava outras perguntas que estavam contidas naquela resposta, solicitando mais detalhes.

Subjetivamente o Sr. Jairo expressava no presente uma memória coletiva do passado, onde foram narrados dados históricos da empresa Compagne Française Du Port do Rio Grande do Sul, que chegou e originou o bairro no início do século XX, e após foi sucedida por uma empresa americana e duas brasileiras.

Comentou: “Nós temos aqui equipamentos franceses e americanos, essas empresas trouxeram especialistas em pedra para cá, foram geólogos alemães, italianos, americanos que contribuiram com o desenvolvimento da técnica do corte do granito aqui no município, pois antes era feito com cunha de madeira e depois passaram a usar o ponchote”.

Também narrou fatos da sua vida pessoal e de outros que diziam respeito sobre a profissão de cortador de pedra. Explicou que iniciou na profissão desde cedo, aprendeu com o pai, e aos 18 anos entrou como funcionário do DEPREC2, onde exercia a função de “marroeiro”, disse-me que todos que cortam pedras são graniteiros e dentro desta profissão existem várias funções; foguista, marroeiro, cortador de pedra,… explicou cada uma delas. “A denominação marroeiro, se dá porque os trabalhadores usavam uma ferramenta chamada “marrão” para bater e amiudar as pedras”.

Comentou os nomes das ferramentas utilizadas para o corte da pedra: o ponchote, ponteiro, recaladeira, marrão, maceta…, e suas utilizações, alguns nomes ainda em francês, herança da empresa francesa de extração mineral.

Indaguei ao Sr. Jairo sobre como identificam o veio da pedra, ele me respondeu:
_ “O veio da pedra aqui na nossa região é identificado no sentido que nasce o sol, do leste para o oeste teremos o “seda”, em oposto, sentido norte – sul, teremos o “trincante”, e outros…”.

O Sr. Jairo me forneceu várias informações que eu precisava e auxiliou-me muito na minha pesquisa, nos despedimos pois já era quase meio-dia.

À tarde, fui conversar com o casal de vizinhos, a Sra. Maria da Conceição Pereira, mais conhecida por “Negrinha”e o Sr. Teodoro Alves Pereira, também conhecido como “Doro”, ele é “o graniteiro mais velho do município”,  com ele busquei a sua história de vida e também informações a respeito da sua profissão, já que está com 82 anos e trabalhou até poucos anos atrás.

Ele explicou que iniciou na profissão desde cedo, pois na escola brigou com uma colega e chamaram o seu pai,  que era o maquinista do trem e funcionário do DEPREC. E disseram: “Pantaleão ou é tú no DEPREC ou o Teodoro no colégio”. O Sr. Teodoro lembra da decisão que o pai tomou: “Ah, o meu pai não pensou duas vezes, me falou amanhã tú pega a panela com comida e vai pro Cerro das Almas trabalhar nas pedreiras”.

“Desde os 13 anos corto pedra, aprendi com três amigos, a gente aprende a fazer todo o serviço sozinho, eles te riscavam uma pedra, te diziam e depois não falavam mais e aí o cara tinha que fazer”.

Pensando na relação com gênero conversei com a Sra. Maria da Conceição e ela comentou que “Além de criar os dez filhos, lavar-roupa e fazer todo o serviço da casa ainda ajudava o marido na pedreira, criei os meus filhos com o dinheiro das pedreiras.”

Ela exercia várias funções ao mesmo tempo: “cortava paralelepípedos, separava montes de pedra de obra, irregular,… ajudava a colocar as pedras para cima do caminhão… e no serviço da pedreira tinha a ajuda de todos os filhos mais velhos.”

Ainda sobre as questões de gênero, todos os meus interlocutores conheceram algumas mulheres que exerceram a profissão, uma chamada Flor, outra Noemi, Maria da Conceição, suas filhas Tânia e Vera, entre outras que não sabiam o nome.

Durante as entrevistas na casa do Sr. Teodoro, o seu filho mais velho Roberto Almeida Pereira me disse: “Vai lá na pedreira, estamos fazendo um furo”. Fui e encontrei o Roberto e Luiz Fernando da Cruz Joaquim, mais conhecido por “Luizinho” e vi como eles abrem uma pedreira,  perguntei para o Roberto o que eles estavam fazendo no momento, ele é marteleteiro e foguista, e me explicou: “estamos furando a pedreira para detonar”. O  furo era feito com uma marreta batendo em cima de uma broca, depois de terem atingido vários centrímetros de profundidade, encontraram uma “genda”. Roberto explicou que “Teriam que passar pela genda e cortar bem, senão estariam ralados…”.

pedreira

Sentado está o Luiz Fernando, Silvio Medeiros, e na direita o Roberto.

A pedreira era do Luizinho, através da reciprocidade o Roberto está ajudando-o a fazer o furo no “trincante de plumo”, outro amigo o Silvio Medeiros estava só olhando. Eles disseram: “Uns ajudam os outros, pois quando precisamos sempre temos com quem contar”.

Após umas 6 horas o furo estava pronto, com uma réqua foi traçado o trincante, que depois foi perfurado com os ponchotes, essa ferramenta dá direção ao corte na hora em que a rocha for dinamitada. Explicaram também que esse processo manual dependendo leva até um dia, e se pedissem para o patrão furar com o compressor, levaria uns 10 minutos.

No entanto, outros graniteiros me explicaram que mesmo obtendo a ajuda do patrão, eles dependerão da hora que o patrão poderá ir, e também se revestirá em uma espécie de compromisso com o patrão, que irá determinar o que será cortado e o valor que custará.

A dificuldade de possuírem um compressor é o valor, que para eles é muito caro, Luiz Fernando comentou:

“Um usado custa em torno de R$ 5.000.00 à R$ 6.000,00 e a broca uns R$ 80,00. Na ponta da broca tem uma vídia de diamante que perfura a rocha, e isso os mais baratos que são feitos com motor de um caminhão Scania, pois existem outros bem mais caros”.

Também  obtive dados pessoais sobre as suas inserções na atividade, com quem aprenderam, idade que iniciaram… suas funções, e informações referentes a atividade em questão.

Após algumas horas de gravações, ainda tinham que fabricar a pólvora para dinamitar a pedreira, infelizmente não pude permanecer e despedi-me agradecendo, na hora Luizinho e Roberto disseram “Tomara que tú tenha trazido sorte para nós”,  e eu disse que tinha levado sim. Após algumas horas em casa ouvi o barulho da explosão, e em alguns dias depois descobri que haviam dado um bom corte.

Notas:

1 –  A ideia do flâneur, passeando e vai descrevendo o que vê, a duração do passado dentro do presente, percorrendo e descrevendo um lugar dentro das suas temporalidades. Pois os dados não são só coletados, mas também construídos. Benjamin, vem com a ideia de bricouleur, onde o flâneur coletando imagens, registrando memórias, fotografando e produzindo imagens  busca uma lógica  a esses fragmentos.

2 –  DEPREC – Significa: Departamento de  Portos Rios e Canais.


Referências bibliográficas:

ROUANET, Sérgio Paulo. A razão nômade. Walter Benjamin e Outros viajantes. Rio de Janeiro: UFRJ: 1993. Parte 1 – Viajando com Walter Benjamin. Cap. 1: “Viagem no Espaço: a  Cidade” (pp. 21-62).

MAGNANI, José Guilherme Cantor. 2001 “De perto e de dentro: notas para uma etnografia urbana”. Revista Brasileira de Ciências Sociais. São Paulo, ANPOCS/Edusc, vol. 17, no. 49, pp. 11-29. [Disponível tb pportal do Capes]

 

31
Jul

Projeto Quintais Orgânicos de Frutas da Embrapa: desenvolvimento sustentável para as comunidades tradicionais

Por: Cátia Simone da Silva

Sou estudante do 6º. semestre do curso de Antropologia da UFPel, e fiquei sabendo do Projeto Quintais Orgânicos de Frutas através do Sr. Alberi, engenheiro agrônomo da Embrapa, pois fomos colegas no curso sobre “Patrimônio Alimentar: Aportes Teóricos, Metodológicos para o Estudo do Rural”, coordenado pela Profa. Dra. Renata Menasche e promovido pelo Departamento de Antropologia e Arqueologia do Instituto de Ciências Humanas da UFPel.

Na época conversando com o Sr. Alberi, expliquei que possuia contatos com algumas comunidades indígenas e perguntei se ele sabia de algum projeto da Embrapa relativo a desenvolvimento sustentável para as “comunidades tradicionais”,  ele me falou sobre o “Projeto Quintais Orgânicos”, e as “Sementes Crioulas”.

O projeto Quintais Orgânicos da Embrapa Clima Temperado de Pelotas, e coordenado pelo Eng. Agrônomo Dr. Fernando R. Costa Gomes, tem o apoio da Eletrobras e da CGTEE e serve como “Contribuição para a segurança alimentar em áreas rurais, indígenas, e urbanas”, o Sr. Fernando Gomes, disse-me “O objetivo do pomar é fornecer frutas de janeiro a dezembro,  pois quando uma qualidade de fruta termina, outra planta já está produzindo”.  Além das vitaminas e nutrientes, elas possuem propriedades medicinais importantes à saúde humana.

Os Estados atendidos pelo projeto são o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e também o Uruguai, perfazendo 113 municípios e beneficiando 42.000 pessoas. Os pomares são destinados às comunidades indígenas, quilombolas, pequenos produtores rurais, assentados, e também são implantados em escolas como pomar didático.

Hoje são distribuídas 19 espécies diferentes de frutíferas, tais como amora-preta, araçá, araticum, caqui, cereja, figo, goiaba, guabiju, guabiroba, laranja, pêssego, pitanga, romã entre outras, algumas bem exóticas e difíceis de serem encontradas aqui na região, mas que se adaptam bem ao clima e ao solo, como é o caso da jabuticaba, uvaia…

No pomar orgânico, como o próprio nome diz não é utilizado nenhum agrotóxico na sua produção e as recomendações antes do plantio é apenas o uso do calcário na terra, e para a manutenção das plantas deve-se utilizar produtos naturais encontrados na própria propriedade rural, tais como estercos curtidos de aves, porcos…, e outros compostos orgânicos.

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Entrega das mudas aos indígenas da Aldeia Irapuá

O Eng. Agrônomo Dr. Fernando Gomes, decidiu atenciosamente que levaríamos primeiramente mudas de araucárias para as famílias indígenas que eu conhecia. Na foto acima está o Sr. Carlos Eloi da Embrapa, o cacique Sr. Silvino, eu e demais mbyás-guaranis arrumando as araucárias numa sombra, para depois serem plantadas na Tekoa Irapuá,  localizada na margem esquerda da BR 290 passando Caçapava do Sul, precisamente no Km 299.

O cacique Sr. Silvino disse-me que  vivem no local cerca de 13 famílias, totalizando em média 60 pessoas, encontrando-se em número maior as crianças, o número de pessoas varia devido a mobilidade que lhes é própria, podendo  aumentar ou diminuir.

Os mbyá utilizam para subsistência a agricultura familiar, a produção e vendas de artesanatos e apresentações culturais do coral Mirim, onde através da música e dos artesanatos expressam a sua cultura e sociocosmologia. Ver o meu artigo “Arte e territorialidade dos mbyá-guarani da Tekoa Irapuá de Caçapava do Sul”, apresentado no II Fórum Internacional da Temática Indígena/UFPel.

Após, levamos mudas de araucárias para moradores do Assentamento União em Canguçú, e em alguns meses quando retornamos com os insumos para a preparação da terra onde seriam plantados os pomares, pude perceber as araucárias grandinhas e bem cuidadas, revestindo-se de muita satisfação para mim e os estagiários da Embrapa ao vermos o bom desempenho das famílias em plantarem e cuidarem as mudas.

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Gustavo, Cátia e Leonardo

Essa foto é do dia 24 de julho de 2012, na frente de um dos viveiros na Embrapa da Cascata em Pelotas/RS. O responsável técnico pelo Projeto é o Gustavo Andrade, que supervisiona os estagiários, auxiliando-os desde o plantio das sementes, manutenção das mudas, até à entrega. Na ocasião estava me repassando as mudas de frutíferas que foram levadas para as três famílias de agricultores descendentes de guarani e kaingang, à Sra. Maria de Lourdes da Silva,  o Sr. Davi Alves de Moura, e seu filho Gilmar Alves de Moura, moradores do Assentamento União, em Iguatemi no Quinto Distrito de Canguçú, Rio Grande do Sul/Brasil.

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Sr. Davi, sua esposa Geni e Cátia

O meu interesse de pesquisa e trabalho é junto às comunidades tradicionais. Na foto acima está uma das famílias  beneficiadas, são agricultores, o Sr. Davi Alves Moura é orgulhoso de ser descendente de guarani,  o trabalho agrícola é a principal fonte de subsistência da família, juntamente com a criação diversificada de animais.

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Ramão, Leonardo e Maria de Lourdes

Para a entrega dos pomares foram os estagiários Leonardo Fonseca, estudante de Agronomia da UFPel e Ramão Timm, estudante do curso de Agropecuária do CAVG, os quais forneceram as orientações técnicas e as identificações das plantas, explicando aos beneficiários sobre o plantio, distanciamentos e a utilização das árvores nativas: arueira e guajuvira como quebra-vento, todas as mudas são fornecidas pelo projeto.

Para o plantio foi fornecido um mapa o qual deve ser observado a orientação do nascer do sol, onde será plantado a primeira fileira levando em consideração o porte da árvore quando adulta, sendo plantadas nessa primeira fileira a cerejeira, o pessegueiro e o caqui, e assim sucessivamente as demais frutíferas, para que a sombra de uma árvore não atrapalhe o desenvolvimento das demais.

Cabe salientar que esses dados não são uma regra fixa, é apenas uma forma de orientar o produtor, e é claro que tudo pode ser relativizado de acordo com o formato do terreno e a área disponível e também conforme o critério e interesse de cada um. O interessante disse Leonardo “Que o pomar fique perto para a sua manutenção e também na hora da visita os técnicos possam observar as plantas sem precisar procurá-las”.

Uma das características das comunidades tradicionais, é o conhecimento aprofundado sobre a natureza e seus ciclos, direcionando o manejo dos recursos naturais, e a Sra. Maria de Lourdes uma das beneficiadas comentou: “Agora não dá para plantar as mudas, pois estamos na lua nova, se plantar nessa lua a fruta sai azeda, mas dia 26 já vai mudar para a crescente, e então eu vou plantar, pois nessa lua dá frutas doces”.

Como explica Manuela Carneiro da Cunha (2009), os “saberes tradicionais” são locais, diferentes dos científicos que são universais, não é um saber fechado, acabado, mas está em constante processo de investigação e resignificação, sendo passado de uma geração para outra através da oralidade.

Durante os contatos que mantive com os grupos ameríndios, sempre atuei como explica Roberto Cardoso de Oliveira (2004), através da “antropologia da ação”, onde o “antropólogo orgânico” na busca de conhecer a cultura do outro não consegue ficar sem agir, através da “ética discursiva”, intervindo mas sempre de acordo com a cultura do outro,  preocupado com a moral e a ética, e com a boa qualidade de vida das pessoas as quais está trabalhando, respeitando os desejos e interesses dos seus interlocutores.

Referências bibliográficas:

CUNHA, Manuela Carneiro da. Cultura com aspas. “Relações e dissensões entre saberes tradicionais e saber científico”: COSAC NAIFY, 2009.

OLIVEIRA, R. C. de. O mal-estar da ética na Antropologia prática. In: OLIVEN, R. G.; MACIEL, M. E.; ORO, A P. (org.). Antropologia e ética: o debate atual no Brasil, Niterói: Eduff, 2004.

15
Feb

Chamada para envio de resumos para o IV ENANPPAS

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Atendendo a pedido de muitos membros da comunidade pesquisadores da ANPPAS e visando um encontro amplo, abrangente e proveitoso, a comissão organizadora do VI Encontro Nacional da ANPPAS resolve estender a data limite para envio de resumos. A nova data passa a ser 28 de fevereiro de 2012. Neste período os participantes que já enviaram seu resumo, poderão fazer modificações e substituições livremente em seus trabalhos. A ANPPAS espera com estas medidas realizar um encontro histórico na região norte do país. Não perca essa oportunidade!!

O ENANPPAS é um evento organizado pela ANPPAS (Associação Nacional de Pós- Graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade) a cada dois anos e que reúne a comunidade interessada em estudos e pesquisas em Ambiente e Sociedade. Os encontros nacionais da ANPPAS são fóruns importantes de discussão e de comunicação entre os pesquisadores, profissionais e estudantes que integram nossa comunidade.

Ver mais detalhes no link: http://www.anppas.org.br/encontro6

Outras datas importantes:
05/03/2012 – Divulgação no site das propostas aprovadas de resumos expandidos
22/06/2012 – Prazo para submissão de trabalhos completos para os GTs

Grupos Temáticos:
GT01 – Turismo, Ambiente e Sociedade
GT02 – Espaços socioambientais, mediação e conflitos rurais
GT03 – Políticas públicas e meio ambiente
GT04 – Mudanças ambientais e agravos à saúde humana
GT05 – Alternativas comunitárias de conservação da bio e sociodiversidade
GT06 – Sociedade, Ambiente e Educação
GT07 – Sociedade, Mercado e Sustentabilidade
GT08 – Mídia e Ambiente
GT09 – Água: território, democracia e governança
GT10 – Teoria Social e Meio Ambiente: avanços e desafios
GT11 – Mudança climática e as cidades
GT12 – Sistema de uso comum de Recursos Naturais: dinâmica social e política
GT13 – Meio Ambiente e Consumo
GT14 – Desenvolvimento, Meio Ambiente e População
GT15 – Relações Internacionais e Meio Ambiente
GT16 – Direito Ambiental e Ordenamento Territorial
GT17 – Energia e Meio Ambiente
GT18 – Territórios e Usos da Terra na Amazônia

Universidade Federal do Pará
Rua Augusto Corrêa, nº 1 – Cidade Universitária Prof. José Silveira Neto – Guamá
Setor Profissional CEP: 66075-900 Belém-Pará-Brasil
Web:  http://www.anppas.org.br/encontro6/

11
Feb

I Seminário sobre alimentos e manifestações culturais tradicionais

O GRUPAM- GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE ALIMENTOS E MANIFESTAÇÕES TRADICIONAIS da Universidade Federal de Sergipe tem a satisfação de convidar para o  I SEMINÁRIO SOBRE ALIMENTOS E MANIFESTAÇÕES CULTURAIS TRADICIONAIS a ser realizado no período de 21 a 23 de maio de 2012 no Campus de São Cristóvão da Universidade Federal de Sergipe.

O evento possui os seguintes Grupos de Trabalhos – GTs:

01 – A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS TRADICIONAIS NOS TERRITÓRIOS RURAIS E URBANOS;

02- OS ALIMENTOS E FESTAS TRADICIONAIS COMO ATRATIVOS TURÍSTICOS;

03- A LEITURA DAS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS NO PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM;

04- O ALIMENTO COMO MEMÓRIA E IDENTIDADE NOS TERRITÓRIOS;

05-POLÍTICAS PÚBLICAS, ALIMENTOS TRADICIONAIS E MANIFESTAÇÕES CULTURAIS.

O prazo para submissão de trabalhos encerra dia 30 de março de 2012.

Profª Drª Sônia de Souza Mendonça Menezes
[Mais informações]

Enviado pelo prof. Dr. Gianpaolo Adomilli
Coordenador do NECO – Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais – FURG