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Sep

As origens mitológicas

Em torno das origens do mundo e do homem já floresceram as mais variadas e curiosas hipóteses.

Os pigmeus do Gabão, por exemplo, falam da criação do homem como Deus tendo feito bonecos de barro e dado a eles vida, através de fórmulas mágicas. Para os pigmeus de Ituri, no Congo, Deus criou o universo e, no mesmo instante, fez o homem. Os semangues, de Malaca acreditam que dois irmãos poderosos ajudaram o Senhor na obra da criação, construindo montanhas, rios, ilhas, vales e florestas, enquanto Deus ia trabalhando os planetas e o sol. Os andames, do golfo de Bengala, acreditam num ancestral único do homem, o qual coabitou nada menos que com um formigueiro, dele tendo vários filhos. Outros, como os cheienes americanos, os vutis dos Camarões, e os mandis, do Quênia, crêem que o homem saiu de uma costela de Deus, como a Eva bíblica saiu da costela de Adão.

Os egípcios antigos afirmavam que existira sempre o caos e que dele surgiu Amon-Rá, produzindo o mundo à sua vontade caprichosa e dando ordem aos caos. Entre os persas acreditava-se que a criação começou praticamente com uma guerra do bem contra o mal; entre Ormus, o príncipe da luz, e Arimã, embaixador das trevas. A tradição persa afirmava que a guerra durou 9.000 anos. De acordo com o Rig-Veda dos hindus, o Ser único respirava placidamente no nada. Vishvakarma criou  então o mundo, tirando de si a substância necessária. O poema mesopotâmico Enuma Elich é a mais antiga história da criação de que se tem notícia. Marduk, deus babilônico, “tirou um ser feminino das águas do nada e o dividiu em duas partes, como a um búzio, criando o céu e a Terra”.

Entre os apaches jicarilla, que habitavam o Novo México, o Grande Pai fez-se acompanhar, durante todo o tempo da criação, por um cachorro que depois deixou na Terra. Penalizado com a solidão do bichinho, arranjou-lhe um companheiro, o homem. Mas faltou ao homem alguma coisa, e Deus conferiu-lhe a faculdade de rir. Os finlandeses primitivos acreditavam numa pata que pôs seis ovos de ouro e um de ferro, deste último surgindo as partes sólidas da Terra, sendo a gema o Sol e a clara a Lua e as estrelas.

Os esquimós do estreito de Bering, na península dos Tchuktches, junto à Sibéria, afirmam que o mundo foi criado por um casal de corvos. Fizeram primeiro o Alaska, depois a Sibéria, depois o resto.
No século V a. C. o grego Anaximandro disse que “a Terra gira solta no espaço” e isso lhe valeu a fama de louco. Platão, Aristóteles, Demócrito, Pitágoras e Tales de Mileto criaram suas cosmogonias próprias e cogitaram do aparecimento do homem na Terra. No século II da era cristã, Ptolomeu publicou sua obra (que os árabes divulgariam mais tarde sob o título de Almagesto), em que desenvolveu a teoria que dava a Terra como centro do universo. O sistema de Ptolomeu vigorou, com foros de verdade, durante catorze séculos. O italiano Galileu baseou-se em Copérnico e publicou a Dissertação sobre os astros, em 1610, complementando a tese do mestre e apresentando estudos sobre montanhas da Lua, manchas solares, satélites de Júpiter, fases de Vênus e anéis de saturno. Tycho Brahe, dinamarquês, conciliou as teorias de Ptolomeu e Copérnico, fazendo o Sol gravitar em redor da Terra imóvel e os demais planetas em redor do Sol.

Até Dante Alighieri, autor da Divina comédia, criou a sua cosmogonia, numa época em que a multiplicação das hipóteses começava a tornar-se regra. Havia ali o céu cristalino, o céu estelar, o céu dos planetas e o inferno. Kepler sustentou a hipótese das órbitas planetárias elípticas contra a opinião geral de que o Criador só podia conceber círculos, a forma geométrica mais perfeita. As leis de Newton, no século XVIII, não deixaram de ser também hipóteses: lei da inércia, lei da força, lei da reação. Descartes, Leclerq, Swedenborg, Wright apresentaram suas hipóteses cosmológicas e cosmogônicas. Kant explicou o movimento dos astros como resultado do choque de partículas espaciais. Laplace viu a origem do sistema solar numa nebulosa que se esfriou e produziu os planetas.

Bibliografia:
Lisboa, Luiz Carlos. Roberto Pereira de Andrade. Grandes Enigmas da Humanidade. Ed. Círculo do Livro. São Paulo: 1986.