4
Oct

Bruxos, Fetiches e Crenças

Tradução e resumo do capítulo Brujos, Fetiches Y Creencias do livro La Nacion Charrua – Rodolfo Maruca Sosa
Por: Cátia Simone Silva

Neste capítulo, Sosa diz que os charruas eram fortes, poucas vezes contraiam enfermidades, geralmente estas eram provocadas por moléstias intestinais ou outras doenças comuns, e quando acometidos, recorriam aos serviços dos “xamãs”, e no geral era suficiente para o espírito do paciente. Era tão grande o poder destes “falsos médicos” que foram mais considerados que os próprios caciques.

Os futuros “curandeiros” se elegiam entre os meninos que se revelavam mais precozmente, logo explorando suas condições naturais o submetiam a um aprendizado com velhos “xamãs”, podendo exercer o xamanismo depois de vários anos de prática, com a aprovação de seus mestres.

Nunca podiam negar-se a prestar seus serviços a nenhum membro da tribo. Para curar praticavam um método de sucção, chupando com força a parte afetada do paciente, que geralmente se concentrava no estômago.

Algumas doenças aliviavam mediante este sistema de cura, que estava quase sempre revestido de mistificação por parte do curandeiro, como o revela o feito de pôr-se vermes ou espinhas debaixo da língua para fazer crer que lhe eram extraídos da parte dolorida e com elo de curar o mal. Para Daniel Granada este engano que padecia o enfermo, era de alto valor sugestivo, contribuindo para a sua cura.

Os pacientes eram submetidos a exercícios e massagens, queimavam ao seu redor capim aos que os atribuíam poder curativo. Também usavam com fins terapêuticos a graxa de lagarto ou da capivara, untando a parte afetada, este procedimento resultava em bons resultados. Com os mesmos fins curativos, aplicavam cinzas quente, causando sérias queimaduras na maioria dos pacientes. Acreditavam que os males aconteciam por causa de “gualicho”, espírito maléfico ao qual temiam.

Todos os bruxos sabiam que não possuíam poder algum sobre os demais, pois como os atos de sua vida estavam regidos por supertições, executavam seu trabalho auto sugestionados, esquecendo transitoriamente sua mistificação, por que viviam absorvidos por escuras e estranhas crenças.

O autor comenta que não sabem muito a respeito de adoração fetichista. Em alguns lugares do Sul do Uruguai, acharam peças líticas representando figuras humanas, pássaros e outras ideografias. As cerâmicas encontradas, com desenhos zoomorfos confirmam que havia indígenas os quais pensavam em seres superiores e deram-lhe formas na pedra e no barro.

Suponham que o método de trabalhar a pedra e o barro, veio dos Arachanes, vindos do noroeste, estes tiveram muito contato com os tupi-guaranis da costa brasileira, que trabalhavam muito bem estas peças líticas.

Sosa deixa uma dúvida, será que estas peças seriam fetiches? Representavam os deuses dos charruas? Pouco sabe nesse sentido, talvez os charruas com a mentalidade que recém despertavam de sua idade da pedra se achavam comovidos ante sua presença e nelas vislumbravam o superior e o inteligível.

Com relação a converterem-se ao catolicismo, os charruas responderam friamente ao Padre Cattaneo quando este disse que se não convertessem iriam para o inferno, e um  charrua contestou dizendo: “Muito melhor, assim não sentirei frio quando eu morrer”.

Os yaros depois de terem aceitado constituir uma redução, abandonaram-na dizendo: “Não gostamos de ter um Deus que sabe e vê, todo o que fazemos de secreto”. Os padres jesuítas não se preocuparam muito em conhecer os sentimentos religiosos dos charruas, para afirmar o seu ateísmo mais ou menos fino. A suposição que cressem em Tupã e Añang, os Deuses guaranis, não existe confirmação.

No idioma chana (charrua), não haveria um termo para expressar a idéia de Deus, que a voz Dioi, que significa entre eles Sol, “fosse a expressão correspondente a Deus, não por ser parecido com a acepção em castelhano, sim porque sendo o Sol a Deidade dos quíchuas, pudera haver estendido a eles e crê sendo essa voz tetragramaton, é possível que depois de duzentos anos de cristianismo, haveriam perdido os chanás (guaranis), suas velhas tradições deixando o término unicamente para o Sol”.