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Nov

Seminário etnohistória, história indígena e educação: as possibilidades na escola – UFSC

O evento aconteceu nos dias 5 e 6 de novembro de 2012, na UFSC em Florianópolis. A coordenadora do LABHIN, Dra. Ana Lúcia Vulfe Nötzold, lembrou com muita felicidade que na data o observatório estava completando 14 anos, o mesmo possui  projetos de pesquisas junto às escolas indígenas Guarani, Kaingáng e Xocleng de Santa Catarina, com o apoio da Capes e do MEC professores e alunos deslocam-se até as comunidades para produzirem suas pequisas.

Helena Alpini Rosa, funcionária da Secretaria de Educação de Florianópolis e voluntária no observatório, comentou que será enviado um relatório para a Capes com os resultados das observações feitas em campo, apontando as necessidades e modificações que as escolas indígenas necessitam, levando em consideração as especificidades de cada etnia, apontando inclusive para uma modificação no calendário escolar devido a evasão dos jovens (maiores de idade), que precisam auxiliar os pais, indo trabalhar nos períodos de safras em frigoríficos do Estado, notaram que muitos precisam fazer um percurso de 3 horas diárias para trabalhar.

Dia 5 foi desenvolvida a oficina contando com a participação de alguns professores do ensino fundamental, médio e superior de Santa Catarina, graduandos da UFSC, e eu, graduanda em Antropologia da Universidade Federal de Pelotas e integrante do NETA – Núcleo de Etnologia Ameríndia da UFPel e do NECO – Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais da FURG. Os professores presentes lamentaram que as escolas onde trabalham não os informaram sobre o Seminário, e ficaram sabendo do evento por terceiros.

seminario-labhin1Cátia Simone da Silva – Discente em Antropologia – UFPel

A oficina foi dividida em duas partes:

Pela manhã foi abordado temas sobre a Representação indígena.

Nesse momento foi apresentado um vídeo sobre representação dos indígenas, tratados temas sobre conceituação, legislação e sugestões de atividades lúdicas.

O vídeo apresentado, intitulado “Pluralidade Cultural”, desenvolvido pela TV Escola para ser abordado nas escolas públicas e privadas, está disponível através do MEC. Quem possuir interesse em adquirir para a sua escola, basta entrar em contato com o MEC.

Pela tarde foi tratado sobre a Lei 11.645

Nos informaram que o termo “índio” não é adequado, foi uma denominação dos colonizadores portugueses, e o termo correto é “indígenas”. Em Santa Catarina habitam as etnias Guarani, Kaingáng, Xocleng e Xetá, os três primeiros possuem terras demarcadas, mas os Xetá ainda não e vivem junto com  uma comunidade Kaingáng.

As professoras que estavam participando da Oficina e os pesquisadore(a)s do LABHIN comentaram que os livros trazem a história dos indígenas estereotipada dos séculos XVI e XVII e não o contexto do indígena atual, inclusive as imagens, descontruindo o que o professor está trazendo para construir a contemporaneidade.

A Profa. Ana Lúcia comentou que devido ao que é repassado nos livros, os professores continuarão reproduzindo aquela imagem do indígena do século XVI, no entanto, o professor pode trabalhar com o pior livro sobre a temática indígena e solicitar aos seus alunos reconstruirem a realidade do indígena do passado e a sua realidade na atualidade.

Já existem vários vídeos e livros para os professores trabalharem nas escolas, inclusive o vídeo documentário: Povos indígenas – conhecer para valorizar, promovido pela Secretaria do Estado do Rio de janeiro e o Museu do índio.

Sugestões de atividades didáticas sobre a temática indígena estão disponíveis no site do LABHIN, www.labhin.ufsc.br/seminario, nos sites institucionais www.socioambiental.org ,  www.museudoindio.org.br, www.funai.gov.br e www.funasa.gov.br/site .

Também foi comentado que na Constituição de 1922, na parte que trata sobre os indígenas, produzida por José Bonifácio Silva, já trata do branqueamento e todos se tornarem brancos brasileiros. E na Constituição Federal de 1988, nos artigos 231 e 232, muda aquela visão do período da ditadura e do SPI.

Jogos produzidos pelo LABHIN:

jogos-labhinCaminhando com os Kaingáng

jogos-labhin2Jogo da Memória Kaingáng

jogos-labhin1Dominó Kaingáng

Através dos jogos, o LABHIN está promovendo uma intervenção junto as escolas indígenas de ensino fundamental e médio de Santa Catarina, servindo como instrumento de transmissão da cultura ameríndia, preservando a etnohistória, vidas e costumes, cultura material e a história dos povos indígenas do Estado. No entanto, eu observei que os jogos são mais da etnia Kaingáng, senti a falta de jogos sobre a cultura Guarani, Xocleng e Xetá.

Em conformidade com a Lei 11.645, os jogos também servem de apoio aos professores das redes de ensino do país. Pedidos e informações sobre livros e jogos produzidos pelo LABHIN podem ser obtidos através do fone: (48) 3721-9642 ou labhin@live.com.

seminario-labhin2

Na foto encontram-se as Profa(s).  do ensino médio Gislane e Izabel entre outras professoras que também participaram das atividades lúdicas desenvolvidas nesta tarde.

Dia 6 de novembro aconteceu o Seminário, entre os participantes também encontravam-se os estudantes ameríndios da UFSC, representantes  e lideranças indígenas do Estado de Santa Catarina.

Na  parte da manhã os doutorandos e mestrandos integrantes do LABHIN  apresentaram aos participantes os seus trabalhos desenvolvidos sobre à temática indígena, na foto abaixo encontram-se, da esquerda para à direita Sandor, Carina, Jeniffer e Luana.

seminario-labhin

À tarde na mesa sobre Etnoterritorialidade e Educação: estavam presentes o Prof. Lúcio Tadeu Mota – UEM: Universidade de Maringá/PR, o Sr. Getúlio Narcizo – Prof. Kaingáng, Sr. Wanderlei Cardoso Moreira – Prof. Guarani, Sr. João Criti – Prof. Xokleng e o Doutorando Clovis Antonio Brighenti como mediador.

Após foi lançado o livro: Etnohistória, História Indígena e Educação: contribuições ao debate. O livro é um apanhado das pesquisas desenvolvidas pelos integrantes do LABHIN junto aos povos indígenas do Estado de Santa Catarina.

Todo o material apresentado pela coordenação e alunos integrantes do LABHIN estão disponibilizados em www.labhin.ufsc.br/seminario

Texto por Cátia Simone da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia da UFPel
Integrante do NETA – Núcleo de Etnologia Ameríndia UFPel e
NECO – Núcleo de Estudos sobre Populações Costeiras e Saberes Tradicionais/FURG.

  1. on November 11th at 05:34 pm
    Lori Altmann said:

    Cátia!
    Bela experiência! Quero um relato detalhado. Irei atrás para conseguir estes materiais já produzidos para o acervo do NETA.
    Abraço,
    Lori